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Categoria: Censura


09:52 · 06.03.2013 / atualizado às 09:52 · 06.03.2013 por

Por Miguel Martins

A bancada do PT partiu para o ataque contra o peemedebista Carlomano Marques, durante sessão ordinária, ontem, na Assembleia Legislativa. Enquanto o parlamentar afirmava que o Partido dos Trabalhadores queria “calar a imprensa”, com resolução adotada em encontro realizado em Fortaleza, na semana passada, os petistas se defenderam dizendo que o objetivo da legenda com o ato é “democratizar a mídia”.
O embate entre as duas partes teve início quando Carlomano Marques se manifestou na tribuna da Casa, afirmando que o PMDB aprovou moção contrária à proposta de regulação da mídia proposta pelo diretório nacional do PT, que foi aprovada durante reunião do partido na Capital cearense. O deputado denominou a proposta de “Lei de Imprensa” e disse que os petistas querem fazer com que a imprensa seja amordaçada.
“O PT quer agora silenciar a imprensa. Já o PMDB tirou uma moção contra a decisão ditatorial e reagiu à altura, da mesma forma como reagiu no movimento Diretas Já, e quando houve tentativa de se derrubar o presidente Lula, garantindo a governabilidade”, salientou o peemedebista, lembrando ainda que o Partido dos Trabalhadores, “ao longo da sua existência, se beneficiou das reportagens investigativas para se projetar na vida pública”.
A líder do partido na Assembleia, Rachel Marques, logo em seguida, partiu em defesa da resolução do partido e leu parte do documento que fala sobre fim de oligopólio, que seria maior obstáculo para a democratização das mídias. Segundo ela, a iniciativa do PT já havia sido defendida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), assim como por outras entidades.
“Queremos democratizar a mídia e democratizar o Brasil. Quando a gente fala em democratizar o País, trata de uma ação desmedida, fazendo com que a gente possa colocar no debate, até porque ele foi feito na realização de grande conferência que envolveu trabalhadores da área de comunicação, no sentido que a gente possa avançar. Assim como temos em outros países leis garantindo o direito à informação, inclusive, nas políticas públicas de comunicação. Não queremos jamais a censura”, disse a petista.
O deputado, que já havia se pronunciado por três minutos durante o Pela Ordem, resolveu rebater as falas da petista, que estranhou o fato de ele ter sido novamente aceito para fazer uso da palavra no púlpito da tribuna. “De novo?”, indagou Rachel Marques, e teve que ouvir as explicações do peemedebista. “Não sei se a deputada sabe, mas a senhora sabe porque é inteligente, que eu posso pedir quantos Pela Ordem quiser e assim o presidente permitir”, atacou Carlomano Marques.
Em seu segundo pronunciamento, o deputado afirmou que a deputada não havia sido justa em suas colocações. “A senhora sabe que houve no Brasil uma tentativa de restringir o poder através da Lei da Mordaça. Existe hoje na câmara federal a PEC 37 que quer subtrair poderes ao Ministério Público que tem sido arma de muito valor para consolidação das legalidades, do ponto de vista de purificar relações do Governo e sociedade”, lembrou.
Segundo ele, seu discurso não tem intenção de diminuir o Partido dos Trabalhadores, mas que “os debates existem para catapultar as ideias de todos nós”. Segundo ele, uma parte da bancada do PT é favorável a essa proposta. “O que é um crime retirar poderes do Ministério Público. Aqui não vai nenhum tipo de azedume e muito menos tentativa de desconstruir”, ressaltou.
O deputado Dedé Teixeira (PT), defendeu o posicionamento de Rachel Marques como líder da legenda. Já Antônio Carlos foi mais além e afirmou que a resolução quer apenas que outras vozes sejam escutadas, porque muitas concessões atuais são antigas do tempo da Ditadura Militar. “Os setores que não querem essa democratização são aqueles que ainda têm o poderio na mão de poucos. Ninguém mais nesse País lutou mais pela democratização do que o Partido dos Trabalhadores”, ressaltou o petista.