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Categoria: Cocó


09:54 · 22.08.2013 / atualizado às 09:54 · 22.08.2013 por

Por Georgea Veras

A ocupação de uma área do Cocó, onde a Prefeitura pretende construir dois viadutos, foi tema de debate ontem, na Câmara Municipal de Fortaleza. O vereador Carlos Mesquita (PMDB) fez questão de mostrar um vídeo da manifestação ocorrida no dia 15 de agosto, quando agências bancárias e lojas foram depredadas ao longo do caminho entre a Praça Portugal e a residência do prefeito Roberto Cláudio. Outros vereadores também reprovaram essa atitude por parte dos manifestantes.
A Justiça concedeu medida liminar de reintegração de posse do terreno do Cocó, correspondente a área onde serão construídos os dois viadutos. O Governo do Estado havia dado entrada, na Justiça Estadual, no pedido de reintegração de posse na terça-feira, 20. O questionamento de alguns vereadores é como se dará o diálogo entre o Poder Público e os manifestantes que se encontram acampados no Cocó, para a desocupação desse espaço.
Para Carlos Mesquita, pela última manifestação ocorrida, diálogo será algo difícil de se estabelecer. “Como se pode ter diálogo se não permitem ouvir?”, questionou o parlamentar. Na avaliação do vereador, só comentam que a Guarda Municipal e o prefeito foram truculentos quando ocorreu a desocupação do Cocó, porém, avalia, não se discutem também a ação de algumas pessoas que participaram dessa manifestação e cometeram atos de vandalismo.
Para o vereador, os líderes do movimento e as outras pessoas que estavam naquela manifestação deveriam, naquele momento, ter reprovado a atitude de depredação de lojas e agências bancárias, mas segundo o vereador, não foi essa a postura tomada, alegando que as outras pessoas viam os atos de vandalismo e nada faziam. “Ficaram aplaudindo, achando bom, defendendo o quanto pior melhor”, avaliou.
Imprensa
O vereador também comentou a postura da imprensa na cobertura dessas manifestações. Para o peemedebista, a imprensa deve buscar fazer o seu trabalho nesses eventos mantendo a distância e não indo para o meio da manifestação, pois, dessa forma, estão propensos a levar bala de borracha e gás lacrimogêneo. “Vão lá para dentro (do confronto) e não querem que ocorra nada com eles (imprensa)”, observou.
O vereador Márcio Cruz (PR) fez questão de defender a Guarda Municipal, pontuando que tanto na desocupação da área do Cocó quanto na manifestação ocorrida no dia 15, os guardas estavam a serviço do Município e utilizaram as ferramentas que possuem para trabalhar. O republicano chamou de “cara de pau” o vereador João Alfredo (PSOL) por ele ter cobrado identificação dos guardas municipais quando ocorreu a desocupação do Cocó, alegando Marcio Cruz que, nesse dia, João Alfredo estava ao lado de várias pessoas mascaradas.
“A Guarda Municipal não distribui flores, não. Se fosse o Choque teria sido pior”, comentou Márcio Cruz. Além disso, aponta, no acampamento do Cocó foram encontradas facas, maconha, fogos de artifício, seringas e outros objetos. Segundo o vereador, se houve qualquer excesso cometido por parte da Guarda a Ouvidoria pode então ser acionada.
O vereador João Alfredo rebateu as críticas do republicano, alegando que se tinham pessoas mascaradas ao seu lado, no dia da desocupação do Cocó, ele não pode responder por elas, mas apenas por si. “Larga do meu pé”, disse, olhando para o vereador Márcio Cruz. “Já fui deputado federal, estadual, estou no meu segundo mandato de vereador e não precisei lamber botas de governo nenhum. Não aceito de maneira nenhuma que me chame de cara de pau”, pontuou.
João Alfredo pediu que o vereador retirasse dos anais da Casa a expressão “cara de pau” e foi atendido, mas também teve de retirar a expressão “lambe botas” da sua fala, conforme também exigiu Márcio Cruz.
O líder do governo na Casa, vereador Evaldo Lima (PCdoB), voltou a defender o projeto dos viadutos apresentado pela Prefeitura, acreditando ser a melhor alternativa, principalmente para o transporte público. O parlamentar também disse esperar que seja estabelecida uma solução pacífica para a desocupação do Cocó.