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Categoria: Desabafo


12:36 · 22.12.2012 / atualizado às 12:36 · 22.12.2012 por

Apesar de estar longe de Fortaleza a partir do próximo ano, quando fará um curso  de mestrado no Rio de Janeiro, a prefeita Luizianne Lins garantiu que irá fiscalizar o Governo do prefeito eleito Roberto Cláudio (PSB) e cobrou dos órgãos de fiscalização um empenho para acompanhar a gestão do pessebista a partir do próximo ano. Ela esteve na manhã de ontem concedendo entrevista para a TV da Câmara Municipal de Fortaleza, onde falou um pouco de seu futuro e os pontos positivos e negativos de sua administração. Segundo ela, sua maior decepção foi ter apoiado Cid Gomes nas eleições de 2006.
“Só quero dizer que eu vou fiscalizar, todos os dias, a gestão do prefeito eleito Roberto Cláudio e quero vê se o pessoal na Assembleia Legislativa, do Ministério Público e do Tribunal de Contas dos Municípios vai ter o mesmo empenho de fiscalizar a Prefeitura a partir de agora, como eles fizeram com o meu Governo”, reclamou a petista, dando a entender que foi perseguida por esses órgãos durante sua administração.
A prefeita Luizianne Lins termina seu mandato com a imagem manchada, principalmente, por conta da festa do Réveillon, que, faltando dez dias para sua realização, emitiu nota informando que não teria condições de realizá-la. A gestora foi muito criticada, principalmente, nas redes sociais, devido a demora em anunciar uma posição que desagradou a população, visto que o Réveillon de Fortaleza, criado em sua gestão, já se tornou uma marca para a cidade.
Menos de 24 horas depois de ficar sabendo que a Prefeitura não iria realizar tal evento, o governador Cid Gomes, imediatamente, resolveu convocar coletiva de imprensa, para anunciar que a festa irá, sim, ser realizada, sob a sua gestão. Sobre as críticas recebidas, a prefeita disse  que “o povo pode pensar o que quiser”, mas que ela tentou fazer de tudo para que a festa fosse feita. “Eu expliquei várias vezes, mas as pessoas parecem não querer entender. Se fosse para ser realizado no dia 28 (de dezembro) eu faria, porque ainda teria como responder pela Prefeitura. Para você ter ideia, o Réveillon é algo que reflete na cidade por oito meses”.
Luizianne Lins disse ainda que não ficou surpresa com a decisão de Cid Gomes em realizar o Réveillon, mas salientou que ele já queria fazer a festa e que estava preparado para o anúncio de não realização da festa. Questionada sobre os motivos da demora para dizer que não faria o evento, a gestora disse apenas que acreditava que ainda poderia viabilizar sua realização, o que não aconteceu.
Ela afirmou que recebeu um pedido da presidente Dilma Rousseff, do presidente Rui Falcão e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que ela não deixasse a vida pública e mantivesse presente na política local. “Depois de um pedido da Dilma, do presidente Rui Falcão e do presidente Lula você acha que eu não iria continuar”, indaga.
De todas as decisões políticas da prefeita Luizianne Lins, aquela mais decepcionante, segundo ela, foi ter apoiado Cid Gomes, nas eleições de 2006, quando ele, com o apoio do PT, conseguiu se eleger, pela primeira vez, governador do Estado. “A coisa que eu talvez deveria ter tido mais cuidado, foi o fato de eu ter sido muito crente na aliança do governador Cid, que em 2006 não tinha apoio nem do próprio irmão que queria apoiar o Lúcio (Alcântara). Ele disse que só iria ser governador se tivesse o apoio do PT”, disse ela.
A prefeita insiste em dizer que a aliança começou a ficar comprometida desde o início da segunda gestão de Cid Gomes, em 2008, quando ele foi reeleito como governador. Segundo ela, tanto os irmãos de Cid, Ciro e Ivo Gomes como o chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho, passaram a atacá-la com “críticas rebaixadas”, o que, para a gestora, culminou no fim da aliança. “A minha maior tristeza foi o Cid ter se submetido às vontades do irmão, em detrimento da aliança com o PT. Não admito que haja rebaixamento da crítica e achincalhamento pessoal. Vou lutar para não continuar vendo esse jeito de fazer política”, disse.
Luizianne Lins disse também que achou estranha a atitude do governador, pois, mesmo com as críticas feitas por seus secretários, o chefe do Poder Executivo do Estado não fez a defesa dela publicamente. “Sempre tive relação muito boa com o Cid, por isso está aí a minha tristeza. As pessoas no entorno dele fazendo críticas a mim, isso não é coisa de aliado. Nunca deixei meus secretários falar mal do Cid. Eu acho que isso daí me doeu, mas faz parte, não é?”.