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Categoria: Descrença


10:25 · 10.07.2016 / atualizado às 10:25 · 10.07.2016 por

Por  Suzane Saldanha             

 

O vereador José do Carmo, vice-presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, não é mais candidatos, mas reconhece a dificuldade dos candidatos em razão da descrença da população com a classe política FOTO: José Leomar
O vereador José do Carmo, vice-presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, não é mais candidatos, mas reconhece a dificuldade dos postulantes em razão da descrença da população com a classe política FOTO: José Leomar

Em período de pré-campanha eleitoral, os vereadores da Capital apontam a descrença acentuada na classe política em razão do conturbado cenário eleitoral como uma das dificuldades já presenciadas na temporada. Eles avaliam que o aborrecimento dos eleitores pode ser mais intenso durante a campanha eleitoral quando os postulantes vão estar nas ruas.
Faltando duas semanas para oficialização dos candidatos a eleição deste ano, a partir do dia 20 deste mês fica permitido a realização de convenções destinadas a deliberar sobre coligações e escolher candidatos a prefeito, a vice-prefeito e a vereador. A campanha eleitoral tem início a partir do dia 16 de agosto.
Na eleição deste ano, os postulantes à Câmara Municipal também enfrentam a restrição do limite de gastos na campanha. Os postulantes a vereador da Capital podem desembolsar até R$ 343.910,50.
Ronivaldo Maia (PT) aponta que o resultado geral de maus exemplos na política têm aborrecido e deixado a população mais hostil aos políticos. Ele relata que membros do próprio Partido dos Trabalhadores reclamam da incoerência de princípios e de alianças feitas pela sigla.
“No caso do PT há um sentimento de aborrecimento dos petistas com alianças que a gente fez, quando estou em uma roda comum o que eu noto é vai ser difícil, as pessoas estão decepcionadas”, avaliou.
O parlamentar ressalta que o PT, neste primeiro momento, tem feito encontros com um públicos mais politizados e apoiadores. Segundo Maia, a resistência deve ser mais forte no período de campanha eleitoral. “Eu opino que a gente vai encontrar essa resistência do senso comum de que a política piorou, as pessoas já tinham aborrecimento e isso tem se potencializado”, analisa.
Para ele, uma das grandes tarefas dos candidatos este ano é a de fazer o debate com alguns pessoas desiludidas com a política para mostrar que os políticos não são todos iguais. Ronivaldo Maia defende que os eleitores precisam refletir e não hostilizar candidatos antes de analisar propostas. “Esse ano pode até ser pior, mas no geral temos déficit de nível de consciência, há uma cobrança que não é seguida de consciência. O que mais hostiliza é o mais vulnerável a votar errado”, apontou.
Apesar de já ter anunciado não disputar a reeleição este ano para apoiar o seu ex-chefe de gabinete Marcelo Lemos, José do Carmo (PSL) vai fazer campanha com o apadrinhado e estima que a maior dificuldade nesta campanha será com a descrença nos políticos.
“Hoje estamos com grande dificuldade de fazer campanha pela descrença dos políticos em função desse quadro nacional que colocam todos como farinha do mesmo saco, mas ainda temos pessoa sérias e comprometidas”, afirmou. Ele destaca fazer um intenso trabalho de atendimento a população no Bom Jardim.
Para ele, o vereador se tornou um assistente social nos bairros atendendo a diversos problemas da comunidade. O desemprego, segundo José do Carmo, tem aumentado o volume de pedidos. “O vereador hoje é assistente social, todo problema o povo vem para o vereador. Essa onda de desemprego, nunca vi tanta gente desempregada, atendo dez pessoas e oito pedem emprego”, relata.
Entre os pedidos feitos a ele, ajudas para compra de remédios, realização de exames e até de enterros. “Não tem quem faça enterro e temos que fazer, a situação crítica para se fazer campanha”, pontuou.
Ziêr Férrer (PDT) avalia o respingo do cenário político nacional na atuação de políticos com e sem mandato, mas ressalta que o eleitor tem a consciência de quem desenvolve um trabalho correto. Férrer afirma que quem entra na vida pública deve servir às pessoas com menos oportunidade e não pode se intimidar com a hostilidade.
Ele relata que o vereador é o político mais cobrado por estar mais presente nas comunidades e tomar conhecimento de todos os problemas do bairro. “Eu me sinto 24 horas dentro da comunidade, logicamente que respinga nos profissionais da política que não atuam nos bairros e no vereador que atua nos bairros”, disse.
Alípio Rodrigues (PTN) lembra que fazer campanha eleitoral em Russas, cidade em que nasceu, nos anos 80 era bem mais difícil por terminar, em alguns casos, em violência diferente do presenciado hoje na Capital. Para ele, o fortalezense sabe diferenciar o cenário local e nacional. “A vida política sempre foi difícil e hoje eu acho mais fácil, eu moro no meu bairro 30 anos”, disse.
Atuante no Pirambu, o parlamentar também aponta que o número de pedidos de emprego aumentou nesse período de crise. “Antes de eu ser vereador era comerciante atacadista e tenho relacionamento bom. A gente arruma, uns se aposentam, e o jeito de ajudar”, salienta.
Além de emprego, segundo ele, a população da Capital, inclusive conterrâneos de Russas, pedem cadeira de roda, muletas, liberação de corpo no Instituto Médico Legal, entre outras coisas. Apesar das ajudas, ele afirma ter mais trabalho desenvolvido na própria Câmara Municipal do que com esses serviços.