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Categoria: Dinheiro


10:36 · 12.08.2018 / atualizado às 10:36 · 12.08.2018 por

Por Renato Sousa

As eleições deste ano, será a primeira vez que os deputados estaduais terão que lidar com a nova legislação eleitoral que veda o financiamento empresarial de campanha, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015. Entretanto, parlamentares ouvidos pelo Diário do Nordeste afirmam não acreditar que isso terá maiores impactos em suas campanhas. De acordo com eles, suas principais fontes de financiamento já eram seus próprios partidos e doações de pessoas físicas, o que segue sendo permitido.

De acordo com Heitor Férrer (SD), na eleição deste ano, há mesmo a possibilidade de que ele tenham mais verba do que nos anos anteriores. Segundo o parlamentar, como seu partido só lançou dois candidatos para a Assembleia Legislativa e dois para a Câmara dos Deputados, há chances de que ele tenham mais recursos a disposição, mas destaca que isso ainda não foi discutido com o presidente estadual da sigla, o deputado federal Genecias Noronha. “Com certeza, ele comunicará como ficará isso a cada um de nós”, explica.

Heitor, que tem a grande massa de sua concentrada em Fortaleza, afirma que a cidade o permite ter uma estrutura de campanha mais enxuta. O parlamentar, que gastou pouco menos de R$240 mil em sua última eleição, diz que “o voto no interior é um voto mais difícil”, já que haveria uma atuação muito grande de outras lideranças políticas. Na Capital, entretanto, “o voto não é concentrado em uma única área, na qual alguém possa chegar e tentar prejudicar-me”.

Com grande parte de sua votação também na Capital, Walter Cavalcante (MDB), por sua vez, afirma que deverá percorrer distâncias maiores, já que teria esforçado-se em levar sua atuação para outras regiões do Estado, com a de Crateús. Ele, entretanto, diz que conta principalmente com recursos próprios e doações de aliados para financiar sua candidatura este ano. “Não fico esperando recurso do partido. Sou muito descrente com esse tipo de coisa. Estou vendo é o que vou fazer eu mesmo”, explica o emedebista. A direção partidária, segundo ele, ainda não discutiu o tema com aqueles que devem participar da eleição porque, inclusive, há questões que precisam ser acertadas antes. “Há o problema desses ajustes que estão fazendo na base aliada do governo, para saber quais partidos irão coligar-se”, explica.

Quem também conta com doações de aliados é Carlos Felipe (PCdoB). O parlamentar, que arrecadou cerca de R$100 mil para sua última campanha, diz que suas fontes foram apenas duas: R$25 mil chegaram através do partido e o restante de doações individuais. Ele, inclusive, afirma que não se pode contar com grandes recursos vindos da sigla pois ela tem outras prioridades, como a formação de uma bancada federal que permita ao partido superar a cláusula de desempenho, outra novidade da eleição deste ano. “Já há uma compreensão de todos nós estaduais sobre isso”, declara. O que Felipe espera que o PCdoB possa fornecer são os materiais de campanha que utilizará ao longo da gestão.

De acordo com o parlamentar, ao longo do mandato, ele buscou retornar regulamente aos municípios nos quais teve boa votação. Isso permitiria que, durante a campanha, o comunista não precise investir em fazer grandes deslocamentos por todo o Estado. “O que mais me ajuda a reduzir custos de campanha é o trabalho contínuo”, declara.

Se, para Felipe, as prioridades de sua sigla não o beneficiam, o inverso ocorre com Rachel Marques (PT), que disputará a eleição para deputada federal. Para os petistas, a formação da bancada federal é um dos objetivos centrais dessa eleição. Além disso, a hoje deputada estadual também será beneficiada pela meta de eleger mulheres e pela determinação do STF para que os partidos destinem 30% do fundo eleitoral a candidaturas femininas. “Sob esse ponto de vista, acho que (as novas regras) vão democratizar mais o acesso, especialmente para as mulheres. Para nós, é mais uma oportunidade de disputar”, explica.