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Categoria: Discussões


09:30 · 05.10.2017 / atualizado às 09:30 · 05.10.2017 por

Por Letícia Lima

Após polêmicas recentes envolvendo uma exposição artística no Museu de Arte Moderna, em São Paulo, ou mesmo debates sobre o movimento “Escola sem partido” que, algumas vezes, incitam discursos de ódio nas redes sociais, deputados foram levados ontem à reflexão sobre o combate à intolerância no Brasil. O deputado Manoel Santana (PT), que levantou o debate na tribuna da Casa, defendeu o direito das pessoas de manifestarem suas ideias, por mais “absurdas” que pareçam. E ressaltou também a aplicação adequada da Lei, com amplo direito à defesa.

O debate realizado na última segunda-feira (2), na Assembleia Legislativa, com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSDC), sobre o tema “escola sem partido”, movimento que pretende, entre outros objetivos, especificar os limites da atuação dos professores e impedir que eles promovam suas crenças particulares em sala de aula, causou burburinho. Apesar de a audiência pública ter durado mais de cinco horas, Manoel Santana acredita que é preciso também ouvir a versão de quem é contra o projeto, tanto que afirmo que deve apresentar um requerimento solicitando nova audiência.

Diante do cenário de intensas discussões e comoções populares, o parlamentar subiu à tribuna para demonstrar preocupação com o estímulo das pessoas ao conflito físico, em virtude da divergência de ideias. Ele alerta que seguir o caminho da intolerância é perigoso e pode levar a uma situação de desrespeito à democracia.

A gente pode não concordar com a ideia das outras pessoas, mas devemos defender o direito das pessoas de manifestarem as suas ideias, por mais absurdas que elas pareçam. Quando entrei nessa Casa conversei com um parlamentar e a gente teve uma divergência e assim que terminou o debate, ele me procurou e disse: olha, Santana, o debate lá dentro é uma coisa e aqui fora está superado, a gente não guarda mágoa”.

Santana diz que a partir do momento em que a opinião do outro, diferente da sua, não é aceita, isso pode levar a um totalitarismo, principalmente no campo da política.

As posições políticas você combate com posições políticas, com a força dos seus argumentos, mostrando que o seu projeto é melhor e dizendo porque é melhor e, se for o caso, mostrando exemplos aonde ele se fortalece. Esse é um dos princípios fundamentais da nossa democracia. Eu sou contra qualquer tipo de escracho seja de esquerda, de direita, eu acho uma falta de respeito à pessoa humana em si”.

O parlamentar saiu em defesa da aplicação adequada da lei que, segundo ele, se transformou em um “instrumento de perseguição política, com manipulação de informações”.

O deputado Elmano de Freitas (PT) também concordou com a fala do colega e defendeu que é preciso ser capaz de entender o outro. Em referência à polêmica envolvendo a exposição em que um artista ficou nu, o petista disse que ninguém deve ser dono do que é certo ou errado.

O Brasil compreende que uma peça de teatro pode ser apresentada e vai à peça quem quer e ler o livro quem quer. Claro que aquilo que for absolutamente excessivo deve ser controlado. Ainda que as pessoas tenham boa intenção de preservar a sua fé, os seus valores, elas não entendem que levantar esta bandeira através de um sentimento de ódio, gera um sentimento de intolerância e práticas violentas?”, questionou.