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Categoria: Divergências


11:29 · 05.02.2017 / atualizado às 11:29 · 05.02.2017 por

Nos bastidores da Assembleia, após a eleição da nova Mesa Diretora do Senado, um dos assuntos mais comentados era a presença do senador cearense José Pimentel, que é do Partido dos Trabalhadores, na chapa eleita, tendo como presidente o cearense Eunício Oliveira, do PMDB.
Carlos Matos (PSDB) avalia como positiva a participação de Pimentel na composição da chapa com Eunício Oliveira porque, segundo aponta, seria uma negação do golpismo que tanto o PT pregou durante a após o impeachment que afastou definitivamente Dilma Rousseff (PT) da presidência da República. “O PT dialogando com golpista mostra que era tudo papo furado. Se fosse verdade o que eles tentavam dizer, não fariam essa aliança”.
Para o tucano,  com a “aliança” os petistas credenciaram uma articulação de apoio ao Governo Temer. “Além disso, o segundo ponto é que o Parlamento tem que dialogar. Na hora de disputar eleições, apresentar e defender projetos com identidade própria é uma coisa. Mas na hora de governar a Casa, é saudável que todas as forças políticas estejam representadas”. Para ele, isso gera menos conflitos. “O brasileiro não aguentam mais brigas de visões. Precisamos gerar uma coalizão nacional, para tirar o Brasil desta situação em que se encontra. Na hora em que vemos essa capacidade de unir as diferentes forças políticas, vejo como algo muito positivo”, analisa.
Por sua vez, o deputado Renato Roseno (PSOL) diz que a política deve ser, antes de tudo, feita com educação. “A Política é carregada de símbolos. Então não adianta fazer narrativa de que o PMDB é golpista e se aliar a ele. Na prática, isso dá uma sinalização equivocada à população”, prega Roseno.
“Por isso que na Câmara Federal lançamos chapa própria, com a grande companheira Luiza Erundina, que é ícone na luta democrática e popular no Brasil”. Na Câmara também não houve surpresas e o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito presidente da Câmara ao obter 293 votos. Erundina recebeu apenas 10 votos e figurou em quinto lugar. Em segundo lugar ficou Jovair Arantes (PTB-GO), com 105 votos. O cearense André Figueiredo (PDT-CE), que contava com votos das bancadas do PT, tirou o terceiro lugar. Em quarto, Júlio Delgado (PSB-MG), com 28 e, em sexto, Jair Bolsnaro (PSC-RJ), com 4. Houve 5 votos em branco.
Para o deputado estadual petista, Manoel Santana, a polêmica se formou antes e continua após o voto do senador José Pimentel. “Isso ocorre por parte daqueles que acham que ele foi incoerente com a postura que o partido defende a respeito do golpe e, por outra parte, o senador e outras pessoas entendem que a questão da composição da Mesa é uma questão republicana, do direito das minorias participarem da Mesa”.
Santana reconhece que houve “grande mal-estar” dentro da base do partido, por falta de posicionamento firme por parte da legenda. “O PT deveria partir com chapa própria ou seguir a orientação de voto de protesto para demarcar politicamente o espaço. Alguns até relembraram aquele fato ocorrido quando na campanha das Eleições Diretas (1985), a emenda foi derrotada e houve a disputa entre Tancredo (Neves) e (Paulo) Maluf. Tancredo ganhou e o PT recomendou naquela ocasião que os deputados do partido não participassem do colégio eleitoral, uma vez que defendia eleições diretas”, rememora. “É uma situação que avoca certa semelhança e o senador Pimentel enfrenta hoje a fúria das bases do partido”.
Isso ocorre ainda que a decisão, de acordo com Santana, tenha partido de um grupo de senadores, não sendo escolha pessoal de Pimentel. “Na verdade a direção nacional do partido liberou a bancada para tomar sua posição. Alguns já criticaram esta postura da direção, pois acham que deveria ter sido mais enfática e uma vez que deixou liberado, deu margem para que eles tomassem essa posição. Parte foi contra e a outra a favor da eleição do senador Eunício. Agora cabe a ele (José Pimentel) fazer um bom trabalho como secretário da Mesa diretora do Senado”, conta o petista.

11:41 · 05.03.2016 / atualizado às 11:42 · 05.03.2016 por

A condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela Polícia Federal, na manhã de ontem, gerou divergências entre parlamentares cearenses. Único membro do PSDB na Assembleia Legislativa, o deputado Carlos Matos lamentou não ter havido sessão, por falta de quorum, uma vez que levaria a situação ao Plenário 13 de Maio. Ele disse que, embora todos esperassem uma ação como a que houve, mesmo assim teria ficado “chocado” em ver o episódio. “A visita à casa de Lula e de seus filhos mostra que a operação está sendo feita de maneira muito prudente, pois chegaram a ele somente na 24ª fase”, afirmou o parlamentar.

Matos observa que a ação realizada pela Polícia Federal mostra que instituições brasileiras funcionam de forma exemplar. “Estão de parabéns, pois pior seria ver a democracia ir embora. Jamais podemos pensar em ditadura e o PT é o maior promotor de uma possível ditadura. Democracia é sinal de povo civilizado. Não é pelo fracasso de qualquer governo que podemos colocá-la em risco”.

Ainda segundo o deputado tucano, o que ocorreu foi apenas uma “convocação” para depor depois de “debochar” da Justiça. “Ele escolhia para quem faria o depoimento. Agora com o que aconteceu, o brasileiro se sente mais brasileiro ao ver que a impunidade não está prevalecendo. A Justiça pega poderosos e políticos do mais alto escalão”.

O deputado petista Elmano Freitas afirmou que a operação não surpreendeu, e que já era esperada. “Há uns dias havia a informação de que essa operação ocorreria. Estamos diante de uma situação completamente absurda em um Estado democrático de direito”. Ele diz haver uma investigação em curso que pode ocorrer sobre qualquer fato e contra qualquer pessoa. “Um mandado de busca e apreensão se solicita em regra, e por lei quando a Justiça quer algum objeto ou documento e encontra dificuldade. Não foi o que aconteceu”.

O presidente do colegiado de Fortaleza assegurou que em nenhum momento, e em qualquer fase de apuração o presidente Lula se negou a dar as informações solicitadas. “O pedido de condução coercitiva não passou de uma mera vontade de humilhar o presidente Lula, motivada por uma disputa política no País, por ele ser a maior liderança política”, analisa. “O que se busca é persegui-lo numa disputa antecipada de 2018”, continuou.

Elmano disse lamentar que ocupantes de cargos por concurso no Ministério Público e na Magistratura utilizem de seus cargos por motivações ideológicas para fazer perseguição. “Com relação a Polícia Federal, ela está apenas cumprindo ordem judicial. Agora a ação juiz Sérgio Moro e do Ministério Público não deixa nenhuma dúvida de que se trata de motivação ideológica”. Segundo o deputado, se esses quisessem ter a informação, não estariam “proibidos” de convidar o ex-presidente Lula para ouvi-lo. “Não é necessário ação policial da forma que foi feita, conduzir coercitivamente. Isso é tentativa de tentar envolver o presidente Lula em fato delituoso para preparação de disputa eleitoral daqueles que temem sua campanha em 2018”, acredita. “Só por isso optaram por não convidar, mas preferiram ordenar a operação para que todo o Brasil tomasse conhecimento, com o sentido de humilhar”.
Renato Roseno (PSOL) pregou que a 24ª fase da Lava Jato, concomitante com a citação da presidente Dilma na delação premiada do senador e ex líder do PT no Senado, simbolizam o fim do ciclo petista, partido que nasceu na luta contra a ditadura e chegou ao poder central no ano de 2002 “utilizando seus princípios de programa, fazendo alianças com setores econômicos e grupos políticos que antes criticava”.

Roseno acredita que, caso não haja o impeachment de Dilma Rousseff, “sem dúvida” em 2018 será sacramentado o fim da era petista no País. “Há que se observar que o Brasil está dividido, muito polarizado, o que não tem sido muito bom. Com tudo isso, quem está ganhando espaço é a direita conservadora, que se aproveita de todo esse cenário de crise generalizada”.

Mostrando concordar em parte com Elmano, ele afirma que há um aspecto simbólico muito evidente na operação realizada no início da manhã de ontem. “No dia seguinte a posse do novo ministro da Justiça, a Polícia Federal mostra não estar manietada ao novo ministro. Quem conhece um pouco de processo penal, sabe que o que a Polícia Federal faz não é cumprir ordem do ministro, mas da Justiça Federal. Quem faz o controle externo da atividade policial é o Ministério Público”, analisa. “O ministro toma posse, e pelo que tomei conhecimento, saiu de seu gabinete após as 11h da noite de quinta-feira. Logo pela manhã a Polícia Federal amanhece na porta da figura principal do PT”, desconfia.

Desgaste

Roberto Mesquita (PSD) espera que Lula, por ter visto nele um dos maiores presidentes do País, não tenha o que a sociedade passa acreditar e não esteja envolvido em tão massacrante episódio de corrupção. “Ser alvo da operação desgasta, mas não acusa”. Ele afirma que enquanto o País enfrenta constantes casos de corrupção e acusações, a economia se torna cada vez mais frágil. “A economia está prejudica, estamos regredindo. As empresas em dificuldade e os negócios desempregando. Esse ambiente não favorece a ninguém, portanto, precisamos nos encontrar como Pátria e ressurgir dessas cinzas que nos soterram”.

Outro que mostra apreço ao ex-presidente Lula é o deputado Zé Ailton Brasil (PV). “Não podemos negar a contribuição de Lula para o País, principalmente para as classes que mais precisam do poder público. Foi um presidente que teve grande contribuição com sua capacidade de diálogo, portanto merece serenidade e responsabilidade para fazer o julgamento”.

Zé Ailton prega cautela e fala em justiça sem atropelos. “Acho que ele poderia depor sem a necessidade de ser convocado por escolta policial, por iniciativa própria ao receber o convite. Existiu intimação, mas entrou com pedido na justiça, o que é direito de qualquer cidadão”, relata. “Percebemos que há uma verdadeira caça ao Lula. As pessoas comuns são intimadas para depor, então porque com ele tem que ser diferente e se realizar da forma que aconteceu?”, questiona.