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Categoria: Drogas


11:07 · 25.05.2013 / atualizado às 11:07 · 25.05.2013 por

Daquelas histórias estarrecedoras. Estava eu fazendo caminhada pela entorno da Barra do Ceará (bairro que moro há dois anos), quando, em certo ponto, escuto uma voz me chamando “ó, o Miguel”. Olho para trás e vejo um “rapaz” de boné, pés descalços, com um pedaço de pão na mão e um sorriso amarelado literalmente. Não reconheci de pronto e questionei de quem se tratava e a pessoa me disse: “Sou eu, a ‘Maria’ (nome fictício para preservar a identidade da moça”, não lembra? Lá do bairro?”. Grande foi o susto que tomei ao me dar conta de que aquele ser humano enegrecido pelo sol escaldante de Fortaleza, com o cabelo escuro e com uma fisionomia quase esquálida, era uma garotinha que conheci quando criança e que convivi ao longo de mais de vinte anos.

Minha surpresa não foi pelo fato de a moça ter se tornado um “menino” na aparência, mas, sim, e somente, pelas condições em que aquele ser se encontrava, visto que outrora, era uma pessoa com um promissor futuro pela frente e família abastada. Troquei duas palavras com ela e segui caminho, até porque outras mulheres que estavam com ela, visivelmente drogadas, começaram a me pedir dinheiro e querer saber quem eu era. Mas aquilo me deixou muito constrangido e resolvi voltar para saber o que havia acontecido.  Encontrei “Maria” novamente e conversamos por uns dez minutos.

Ela contou que havia saído de casa, que não tinha mais a menor vontade de voltar e que a rua era o seu lar. Dizia estar feliz com sua situação, mas em seus olhos via-se a verdade dos fatos. No fundo, “Maria” queria se libertar e não conseguia. Com 22 anos, já com o terceiro filho, todos espalhados nas casas de familiares, ela não tinha mais perspectiva do amanhã. Vive a perambular aqui e acolá, pedindo um pouco disso e daquilo, e, sim, comercializando o corpo para matar o vício do crack. Sempre ele, o crack.

A droga contra com quem travamos uma terrível e árdua batalha. Onde vidas têm sido ceifadas, casamentos destruídos e famílias totalmente desestruturadas. E contra isso o que estamos fazendo? O que os nossos representantes conseguiram ou pensaram em fazer? Nas casas legislativas de todo o País este é um assunto que vez por outra, ou até durante toda uma semana de sessões ordinárias, é abordado e levado pelos parlamentares como uma guerra perdida.

Apesar de existir por eles alguma boa vontade, até porque mesmo o problema das drogas não escolhe cor, raça, credo ou situação financeira e política, nada ou quase nada é feito. Nesta semana mesmo, na Assembleia Legislativa, o deputado em exercício Vasques Landim (PR), levou o tema para a tribuna e disse que a situação no Cariri está caótica, onde aqueles municípios em que nunca se imaginou que tivessem a possibilidade de chegar a tais condições, agora estavam tomados em uma verdadeira epidemia do crack.

O Jornal Nacional da TV Globo apresentou ao longo da semana uma série de reportagens mostrando o consumo de crack em lavouras, garimpos e nos locais mais impensáveis desse País. Mas isso não é novo. Não foi por falta de aviso. Foi por falta de políticas públicas para a população. Foi por falta de equipamentos de recondução da pessoa drogada à sociedade. Foi por falta de uma Segurança Pública que punisse com mais rigor aqueles que traficam drogas para cá e que destroem a vida de milhares e milhares de pessoas.

Ah, a Segurança Pública… Essa vai bem mal das pernas. E não sou eu quem estou dizendo isso, não. Das declarações que o ex-deputado federal Ciro Gomes fez, recentemente, sobre alguns problemas na pasta, o que mais me chamou a atenção, apesar de todo o escarcéu que fizeram em relação à existência de milícia na Polícia Militar, foi o fato de ele ter reconhecido, ainda que de forma sutil, que a política adotada pelo irmão, o governador Cid Gomes, falhou.  Ele disse: “Só o aparato que o Cid montou não parece ser suficiente”. E não parece mesmo, meu caro Ciro Gomes.

O secretário de Segurança Pública, coronel Francisco Bezerra, na quinta-feira passada, aparentemente, depois de séculos, resolveu aparecer na televisão. Mas não foi para falar do problema da segurança no Estado, não. Foi para discorrer sobre a vinda das Forças Armadas para dar segurança à turista durante a Copa do Mundo. Palmas.

Ele anunciou ainda, na sexta-feira, durante coletiva de imprensa, que os bairros mais violentos da cidade irão receber reforço no programa Ronda do Quarteirão, quando cada viatura passará a ter três homens por veículo. São 32 áreas a mais com novo policiamento. Mas parece que somente isso não basta.  E a assessora especial de políticas públicas sobre drogas, a ex-procuradora de Justiça, Socorro França, já disse a que veio? Frequentemente seu nome é citado nos questionamentos feitos pelos parlamentares da Assembleia Legislativa.

Há pouco mais de dez dias, depois dos reclames da sociedade, a Assessoria, criada por Cid Gomes no fim do ano passado, iniciou uma série de visitas a municípios do Interior, com o objetivo de firmar parcerias com os prefeitos dessas localidades para ações emergenciais em três eixos: prevenção, atenção e reinserção social.  “Esse é um tema complexo, mas não pode continuar sendo jogado para debaixo do tapete, sem uma discussão ampla e séria”, disse Socorro França, lembrando que, sim, o assunto está sendo jogado e há muito tempo, para debaixo do tapete.

Em Fortaleza, criou-se a Secretaria Municipal de Segurança Pública. E essa terá como assessor para constituição de uma “Polícia Comunitária”, nas palavras de Ciro Gomes, o ex-deputado federal, Moroni Torgan, agora, além de amigo pessoal, aliado do governador do Estado. “Minha função é ser uma voz da população junto ao prefeito. Eu acho que ele vai levar em consideração e já levamos o nosso plano de segurança para ele”, disse Moroni ao Diário do Nordeste, lembrando as dificuldades, principalmente, orçamentárias, para por o plano em ação.

Tanto em nível Estadual quanto na Capital foi proposto pelos deputados e vereadores a construção de equipamentos de tratamento de drogados. Em matéria do Diário, assinada pela repórter Beatriz Jucá no ano passado, ficou claro que não há a intenção dos poderes de manter tais instituições. Na época, o então líder do Governo do Estado, Sérgio Aguiar (PSB), disse algo que deixaria qualquer mãe ou pai de filhos dependentes estarrecidos. “O Governo deve fazer financiamentos. Mas quem deve tratar isso e tentar recuperar são as casas de repouso mantidas pelas ONGs”. Foi o que ele declarou à repórter.

Na Prefeitura de Fortaleza, o pensamento não era tão diferente. A ex-prefeita Luizianne Lins teve dois anos para atender aos reclames dos vereadores e tirar do papel aquele que foi o maior anseio dos parlamentares desde 2010, quando aprovaram, através de uma emenda coletiva no valor de R$ 2 milhões, a construção de um centro de recuperação de drogados. O Governo petista na cidade tanto procurou fazer pelos mais necessitados, que é a grande parte da população que sofre com o aumento do tráfico de drogas, mas nesse quesito deixou muito a desejar.

Entidades Religiosas

“Maria” é só mais uma na multidão. Há mais de dez anos, no Município de Barroquinha, uma cidade muito pequena do Interior do Ceará, já fronteira com o Piauí, eu, então com 17 anos, vi um familiar entrar para este mundo. Um mundo quase sem volta, não fosse o trabalho e a dedicação de entidades religiosas que fazem das tripas o coração (como se diz por aqui) para tratar e recuperar essas pessoas. E eu, o que poderia fazer naquela época, ainda saindo da adolescência? Corri, inclusive, o risco de ser mais um nas estatísticas. E o que os pais desta pessoa poderiam fazer, se aquilo para eles era uma novidade e no local não existia qualquer tipo de assistência?

Esse não é um fenômeno novo, cara presidente da República. Esse não é um fenômeno novo, caro governador do Estado. Esse não é um fenômeno novo, caro prefeito de Fortaleza. Mas a vocês, a quem foi dado a autoridade de administrar nossas cidades, estado e nação, cabe apresentar medidas, e urgentes, para mudar tal situação.

Indignação

Cabe a vocês, políticas emergenciais de Segurança Pública, visando o bem-estar e o direito de ir e vir da população. Cabe a vocês a construção de equipamentos que deem o retorno adequado para essas pessoas, afinal de contas, é do Estado o dever de dar a saúde necessária para a população. E o problema das drogas é de segurança e de saúde também. Cabe a vocês impedir que nossas fronteiras sejam utilizadas para a entrada de entorpecentes que venham destruir a nossa sociedade.

A nós cabe apenas o lamento, o choro e a indignação. Esta é uma batalha que estamos perdendo e perdendo feio mesmo. A “Maria” é só mais uma na multidão de milhares e milhares de pessoas que pedem socorro e na maioria das vezes não são ouvidas.

08:57 · 04.04.2013 / atualizado às 08:57 · 04.04.2013 por

Por Miguel Martins

O aumento da violência no Brasil, e em especial no Ceará, pode estar relacionado às políticas sociais implantadas nos últimos anos pelo Governo Federal, segundo avaliação do deputado Fernando Hugo (PSDB), ontem, na Assembleia Legislativa. O parlamentar embasou seus argumentos com dados da publicação do Instituto de Pesquisas e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) sobre o número de homicídios no Estado durante a década de 2000. Segundo a pesquisa, a partir de 2003, aumentou consideravelmente a criminalidade.

Conforme disse, “só um ensandecido tem coragem de ser contra os programas sociais criados pelo Governo Federal, a partir do Governo Fernando Henrique Cardoso”. Porém, o tucano defende que aliado ao Bolsa Família, as pessoas beneficiadas passem a trabalhar e recebam projetos de melhorias de suas vidas, assim como de inserção no mercado do trabalho.  “Muitos disseram que eu era contra o Bolsa Família, mas é preciso que as pessoas estudem, porque a violência está reinando, assim como o consumo de drogas em todo o País”, afirmou.

Fernando Hugo afirmou ter procurado o presidente do Ipece, economista Flávio Ataliba, para que este lhe mostrasse os dados sobre a criminalidade e foi-lhe apresentado o artigo da publicação Enfoque Econômico, com um gráfico que apresenta que, a partir de 2003, quando o Bolsa Família foi implantado no Brasil, o crescimento dos homicídios por armas de fogo aumentaram.

Já o petista Dedé Teixeira chamou de “no mínimo descabida” a tentativa do deputado tucano em fazer uma ligação entre o Bolsa Família e o aumento da criminalidade no Estado. “Fortaleza foi a que mais cresceu o número de jovens e isso aumenta esses indicadores do Ipece. Mas isso não é evidenciado pela criação do Bolsa Família”, afirmou, argumentando, ainda, que o programa virou um instrumento em que mais de 60 países procuraram o Brasil para incluir essa política em seus estados.

“Eu acho que partir desse pressuposto, citando essa informação, sugerindo que os deputados possam  usar mais essas informações, nós queremos enfatizar isso. Existem diversos fatores que fazem com que se aumente a violência, principalmente, o consumo de drogas, que virou uma atividade econômica”, pondera.

Wellington Landim (PSB) afirmou ter ficado preocupado com os dados do Ipece e declarou que, caso tenha consistência, será um “divisor de águas” das políticas públicas para a população. Ele propôs que os responsáveis pelo documento sejam convidados a mostrar, ao deputados, na Assembleia Legislativa, se existe uma ligação entre programas sociais e o aumento da criminalidade. Dedé Teixeira, no entanto, afirmou que 72% das famílias que recebem o Bolsa Família têm atividade complementar.

A líder do PT na Assembleia, Raquel Marques, chamou de “ridícula” a comparação de Fernando Hugo entre o aumento da violência e o Bolsa Família. Segundo ela, existem estudos acadêmicos que provam o contrário, mostrando que famílias que recebem o Bolsa Família aumentaram a autoestima e empreendem negócios de forma autônoma, o que, para a parlamentar, leva à garantia de inserção social e desenvolvimento da economia local para as comunidades.

O deputado João Jaime (PSDB) disse que o Bolsa Família pode não ser o responsável pelo aumento da violência, mas também não serviu para diminuí-la. Os tucanos reclamam uma contrapartida dos beneficiados com os programas sociais, como forma de a ajuda não ser entendida como uma esmola. Já Ferreira Aragão (PDT) ressaltou a importância do programa, mas alertou que só a educação resolverá o problema, sem, no entanto, entrar no mérito da discussão levantada por Fernando Hugo.

Leonardo Pinheiro (PSD), por sua vez, defendeu o programa e enalteceu a relevância do Bolsa Família. Porém, cobrou a concretização da transposição do Rio São Francisco, explicando que ele será melhor do que qualquer outro programa.

09:58 · 15.03.2013 / atualizado às 09:58 · 15.03.2013 por

Por Georgea Veras

O vereador Paulo Diógenes (PSD) comemorou, ontem, durante pronunciamento no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza, a criação do Comitê Gestor do Crack, por meio da Coordenadoria de Políticas sobre Drogas, da Prefeitura. Na avaliação do parlamentar, agora foi dado um primeiro passo para a construção de uma política de combate e prevenção das drogas na Capital cearense.
O vereador fez questão de lembrar que já tinha defendido a necessidade de unir várias secretárias em uma mesma ação de combate às drogas. Na sua concepção, o problema deve ser enfrentado pelas áreas da saúde, do esporte, da cultura, da segurança, dentre outras. De acordo com ele, o Comitê optou pelo mesmo caminho, o de juntar vários setores da administração pública para trabalhar no enfrentamento às drogas.
Conforme Paulo Diógenes, farão parte do Comitê: a Coordenadoria de Políticas sobre Drogas; a Coordenadoria da Juventude; a Secretaria Municipal de Saúde; a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos; a Secretaria Municipal de Educação; a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã; a Secretaria Municipal de Cultura; a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer e a Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Outra medida adotada pela Prefeitura que também ajudará a manter crianças e jovens longe das drogas e da criminalidade, analisa Paulo Diógenes, é a abertura dos Centros Urbanos de Cultura Arte Ciência e Esporte (Cuca) aos sábados e domingos. “Dando possibilidade de tirar os jovens das ruas e oferecendo à eles esporte, cultura e lazer”, destacou o parlamentar.
Paulo Diógenes disse ter visitado a unidade de desintoxicação do Hospital de Messejana onde é feito um trabalho, na avaliação do vereador, que merece atenção. Segundo o parlamentar, o tratamento inicia no hospital, onde os pacientes passam por um período de desintoxicação das drogas e, depois, são encaminhados ao projeto Elo de Vida, mantido pelo Hospital de Messejana, onde é feito o trabalho de reinserção dessas pessoas na vida sem drogas, através de cursos profissionalizantes.
Paulo Diógenes defendeu que o modelo adotado no Hospital de Messejana possa ser copiado nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Ele alerta que não adianta apenas tratar do vício se a pessoa não tem uma perspectiva para o futuro, por isso, entende, a importância de programas que capacitem esses pacientes a fim de que eles possam reestruturar suas vidas.
O vereador Vitor Valim (PMDB) também parabenizou a Prefeitura pela criação do Comitê Gestor do Crack e pela iniciativa de abrir os Cucas aos sábados e domingos. Assim como Paulo Diógenes, o peemedebista está de acordo que, para combater às drogas, é necessário um trabalho em conjunto, principalmente, entre as secretárias municipal e estadual que tratam da área da segurança com as policias. “Com essa integração quem vai ganhar é a sociedade”, avalia.