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Categoria: Eleição municipal


09:52 · 30.09.2016 / atualizado às 09:52 · 30.09.2016 por

Por Antonio Cardoso

 

O cientista político Francisco Moreira defende que o eleitor deve votar, para contribuir por uma melhor escolha dos candidatos FOTO: Natinho Rodrigues
O cientista político Francisco Moreira defende que o eleitor deve votar, para contribuir por uma melhor escolha dos candidatos FOTO: Natinho Rodrigues

Se não houver mudanças e as pesquisas divulgadas durante esses 45 dias de campanha mostrarem que seus dados representam fielmente a realidade, ao fim da eleição deste domingo pode chamar atenção o grande número de abstenções. Conforme a pesquisa Ibope cujo resultado foi apresentado no dia 15 deste mês de setembro, 28% dos entrevistados, em Fortaleza, disseram aos entrevistadores que não têm nenhum interesse em votar nestas eleições.

Na avaliação de Francisco Moreira, professor de Ciências Políticas do curso de Direto da Universidade de Fortaleza, não é razoável que o eleitor deixe de se dirigir à sua sessão para votar, transferindo a responsabilidade pela maneira como o seu município será governado nos próximos quatro anos. “É de suma importância que ele vá as urnas e escolha seus representantes. O que é fundamental para o sistema democrático. O eleitor é detentor do poder e dele emana o poder”.

Segundo o especialista, indo às urnas, o cidadão cumpre com o direito, que no Brasil também é dever, no sentido de fazer a escolha de quem vai exercer o poder em seu nome. “O voto ainda é o elemento fundamental do processo. Principalmente quando se vive uma crise política nessas proporções e, por isso, é necessária a participação efetiva do eleitor, para depois não sofrer as algúrias das más escolhas, com representação que não cumpre com o seu papel”.

Mas o cientista político também alerta para a importância de que o percurso até o local de votação, o ritual de escolher quais teclas apertar, não ser feito simplesmente pela obrigação de votar. “É importante, também, que haja a consciência desse papel. Não é unicamente dar o voto a qualquer um, sem saber quais são os compromissos e projetos que a pessoa defende. As pessoas acham que agir de forma política é exclusivamente cumprir com o direito e o dever, quando não é somente isso. Os eleitores têm que entender que ao votar têm que saber porque e em quem está votando. Mas ainda há uma distância muito grande, hoje, em relação a isso”, analisa.

Quando aquele que tem o poder de escolha deixa de exercer esse direito legítimo, de acordo com o estudioso, os prejuízos são enormes. “Um dos grandes problemas, nessa dificuldade que temos na prática democrática, é que os períodos de democracia plena são quase sempre muito curtos e não há, ainda, a consciência do eleitor com relação ao seu papel, que é legítimo e importante”, comenta.

Moreira acrescenta que, quando uma pesquisa mostra quase um terço dos eleitores dispostos a abrir mão de um dos seus maiores direitos, reflete o desgaste “imenso” a que passa forma tradicional de fazer política. “Entre os jovens esse percentual é muito maior. Eles demonstram total desinteresse, principalmente pela política partidária. Mas a grande perda, na verdade, é a descrença na política como ação humana, importante, que parte do desenvolvimento da pessoa. A desconfiança nos políticos, é até necessária e deve acontecer sempre”.

Na avaliação do cientista político e professor da Universidade Federal do Ceará, Valmir Lopes, o fato de o voto ser obrigatório faz com que as pessoas tenham a propensão maior de ir às urnas do que deixar de ir. Diante da multa, mesmo considerada irrisória, e causando algum tipo de aborrecimento na hora de justificar, ele afirma que a natureza do voto obrigatório muitas vezes distorce o verdadeiro interesse do eleitorado.

A tradicional desconfiança, segundo Valmir, recebeu o reforço de um importante aliado para que um grande número de eleitores deixe de fazer as suas escolhas. “Se observarmos, nas campanhas anteriores se tinha a presença mais efetiva de campanhas e de uma forma ou outra atraía parcela significativa do eleitorado, seja pela exposição na TV, rádio, na rua ou por carros de som. Em algum momento essa mobilização tocava o eleitor que era mais influenciado”.

O cientista avalia, no entanto, que os 28% de desgostosos com o atual processo não pode ser traduzido como alienação eleitoral, que é o índice de votos brancos, nulos e abstenções. “Não poderia ser lido assim imediatamente, porque o eleitor mesmo estando desestimulado, vai porque é o cumprimento de um dever e se ainda está com esse espírito, certamente vai votar branco ou nulo, sem pensar nas consequências que as escolhas de outros eleitores possam acarretar”.

Para o cientista político Uribam Xavier, o que se tem hoje é uma verdadeira “privatização” da política, refletindo em eleições cujo processo deixou de ser transparente. “Hoje não se sabe quem são os candidatos e não há mais representação. Estamos vivendo uma grave crise na política”.

Ele também acredita que se o voto não fosse obrigatório não haveria sequer o comparecimento apontado nas pesquisas. “Precisa que se faça uma reflexão mais profunda. Quando se apura numa eleição que um grande número deixou de votar, talvez seja uma crítica pela desilusão. Em Fortaleza, por exemplo, não vi um candidato apresentar proposta para que o eleitor possa empoderar o mecanismo de participação na vida política, mas assumem o papel de ‘Salvador da Pátria’, o mais competente”, analisa. “Eles só dizem: eu vou fazer ou eu sou capacitado. Usam a primeira pessoa, e não dizem que querem dar o espaço na vida política ao cidadão. De certa forma os sujeitos fazem esses discursos e, ao assumirem, fazem a política de quem os financiou ou de grupos que os representam e, por isso, votar deixou de ser interessante”, afirma.

10:06 · 25.09.2016 / atualizado às 10:06 · 25.09.2016 por
Diretórios peemedebistas e republicanos, nas esferas municipais, estaduais e nacional, foram os que mais contribuíram com campanhas nos principais municípios do Estado. Em Fortaleza, as duas siglas estão coligadas em torno da chapa Capitão Wagner (PR) e Gaudêncio (PMDB) Foto: JL Rosa

Diretórios peemedebistas e republicanos  foram os que mais contribuíram com campanhas nos principais municípios do Estado. Em Fortaleza, as duas siglas estão coligadas em torno da chapa Capitão Wagner (PR) e Gaudêncio (PMDB) Foto: JL Rosa

Nos 15 municípios cearenses com maior arrecadação para campanha a prefeito em 2016, 14 siglas fizeram doações partidárias para candidatos ao Poder Executivo municipal. Juntas, essas legendas contribuíram com R$ 6.116.492,11 para as candidaturas que apoiam.

O partido que mais fez doações foi o PMDB, tendo distribuído um total de R$ 1.389.983,00 a candidatos de cinco municípios: Fortaleza, Sobral, Lavras da Mangabeira, Camocim e Pacatuba. Logo em seguida, aparece o PR que fez doações no valor de R$ 865 mil, em dois municípios: Fortaleza e Pacatuba. Na Capital, as duas siglas aparecem coligadas na chapa Capitão Wagner/Gaudêncio.

O PDT é o terceiro maior doador, entre os 15 municípios com campanha mais cara, tendo contribuído com R$ 824.131,34 em cinco municípios: Fortaleza, Juazeiro do Norte, São Gonçalo do Amarante, Pacatuba e Itapipoca. Na Capital, o partido apoia a reeleição do atual prefeito e seu filiado Roberto Cláudio. Na quarta posição, aparece o PT, com doações de R$ 800 mil, concentradas apenas na candidatura da ex-prefeita Luizianne Lins, na Capital cearense.

Fechando a lista dos cinco partidos que mais fizeram doações, entre os 15 municípios cearenses de campanha mais cara, está o PP que doou R$ 745 mil a candidatos de quatro municípios: Fortaleza, Crato, Pacajus e São Gonçalo do Amarante.

Municípios

Considerando apenas os 15 municípios com mais arrecadação na disputa para prefeito, Fortaleza aparece com volume quase dez vezes maior de doações partidárias, em relação ao município com segundo maior total de recursos recebidos por meio dessa fonte.

A Capital, que tem oito candidatos a prefeito, recebeu de 10 partidos um montante de R$ 4.790.025,15. Lavras da Mangabeira, que aparece em seguida recebeu apenas R$ 490 mil, frutos da doação de um único partido, o PMDB. Na sequência aparece Sobral, que recebeu R$ 200 mil também de contribuição peemedebista.

Completam a lista dos cinco municípios que mais receberam doações partidárias: Pacajus e Juazeiro do Norte, que arrecadaram, via contribuições das legendas, R$ 190.210,00 e R$ 136.227,62, respectivamente. A diferença entre essas campanhas é que no caso de Juazeiro do Norte houve doações de cinco partidos, enquanto em Pacajus apenas três partidos fizeram doações.

Na lista dos 15 municípios cearenses com maior arrecadação, apenas Itaitinga e Eusébio não contaram com receitas oriundas de partidos. Confira abaixo o ranking de doações partidárias nos 15 municípios com maior arrecadação no Ceará!

RANKING DE DOAÇÕES POR PARTIDO

PMDB: R$ 1.389.983,00
PR: R$ 865.000,00
PDT: R$ 824.131,34
PT: R$ 800.000,00
PP:R$ 745.000,00
PRB: R$ 487.500,00
PSDB: R$ 400.000,00
PSB: R$ 324.992,15
PHS: R$ 100.000,00
PTB: R$ 75.000,00
PV: R$ 40.000,00
PSOL: R$ 28.693,00
SD: R$ 20.000,00
PMB: R$ 16.192,62

RANKING DE DOAÇÕES PARTIDÁRIAS POR MUNICÍPIO

FORTALEZA: R$ 4.790.025,15
LAVRAS DA MANGABEIRA: R$ 490.000,00
SOBRAL: R$ 200.000,00
PACAJUS: R$ 190.210,00
JUAZEIRO DO NORTE: R$ 136.227,62
PACATUBA: R$ 100.00,00
SÃO GONÇALO DO AMARANTE: R$ 90.168,00
CAMOCIM: R$ 55.000,00
ARACATI: R$ 50.000,00
CRATO: R$ 50.000,00
MARANGUAPE: R$ 40.000,00
ITAPIPOCA: R$ 15.581,34
GRANJA: R$ 20.000,00
ITAITINGA: R$ 0,00
EUSÉBIO: R$ 0,00

DETALHAMENTO POR MUNICÍPIO

1-FORTALEZA:

PR: R$ 815.000,00
PSDB: R$ 400.000,00
PMDB: R$ 599.983,00
PSB: R$ 299.992,15
PSOL: R$ 28.000,00
PT: R$ 800.000,00
PDT: R$ 684.550,00
PP: R$ 575.000,00
PRB: R$ 487.500,00
PHS: R$ 100.000,00

TOTAL: R$ 4.790.025,15

2-JUAZEIRO DO NORTE:

PTB: R$ 75.000,00
PSOL: R$ 00.315,00
PSB: R$ 20.000,00
PDT: R$ 24.000,00
PMB: R$ 16.912,62

TOTAL: R$ 136.227,62

3-MARANGUAPE:

PV: R$ 40.000,00

4-SOBRAL:

PMDB: R$ 200.000,00

5-LAVRAS DA MANGABEIRA:

PMDB: R$ 490.000,00

6-CAMOCIM:

PMDB: R$ 50.000,00
PSB: R$ 5.000,00

TOTAL: R$ 55.000,00

7-CRATO:

PP: R$ 50.000,00

8-PACAJUS:

PP: R$ 100.000,00
PSOL: R$ 210,00
PSB: R$ 90.000,00

TOTAL: R$ 190.210.000,00

9- SÃO GONÇALO DO AMARANTE:

PDT: R$ 50.000,00
PP: R$ 40.000,00
PSOL: R$ 168,00

TOTAL: R$ 90.168,00

10- PACATUBA:

PMDB: R$ 50.000,00
PR: R$ 50.000,00

TOTAL: R$ 100.00,00

11- ARACATI:

PDT: R$ 50.000,00

12- ITAPIPOCA:

PDT: R$ 15.581,34

13- ITAITINGA:

NENHUMA DOAÇÃO PARTIDÁRIA

14-EUSÉBIO:

NENHUMA DOAÇÃO PARTIDÁRIA

15 – GRANJA:

SD: R$ 20.000,00

TOTAL: R$ 6.116.492,11

Fonte: TSE

22:57 · 21.09.2016 / atualizado às 22:57 · 21.09.2016 por
Foto: JL Rosa
O ex-presidente desembarcou, por volta das 18h, em Fortaleza para participar de ato de campanha da candidata à prefeitura Luizianne Lins Foto: JL Rosa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou, por volta das 18h desta quarta-feira (21), em Fortaleza para participar de ato de campanha da candidata à prefeitura da Capital cearense, a deputada federal Luizianne Lins, também do Partido dos Trabalhadores.

Ao chegar na cidade, Lula foi recepcionado por um grupo de lideranças petistas cearenses. Ele veio acompanhado pelo deputado federal José Guimarães. Entre os que receberam o ex-presidente estava o candidato a vice-prefeito de Fortaleza, na chapa pura do PT, Elmano de Freitas, que é também deputado estadual.

“A presença de Lula nesse ato de campanha hoje tem duas características muito importantes. A primeira, evidentemente, é um ato de solidariedade ao presidente Lula (…) e tem uma segunda característica ato hoje, que é um ato de campanha,que a nossa militância se envolveu bastante”, destacou o parlamentar.

Outro nome de expressão do PT que esteve no chamado “aeroporto velho” de Fortaleza para recepcionar Lula foi o senador José Pimentel. “Dos políticos de atuação nacional, o único que está comparecendo nas várias campanhas, nas 26 unidades da Federação é Lula. Os demais estão todos escondidos”, atacou o petista.

Também estiveram presentes os vereadores de Fortaleza, pelo PT, Deodato Ramalho e Guilherme Sampaio. “Eu acho que o Lula vai ajudar a levar a Luizianne para o segundo turno. Ele, segundo o que as pesquisas apontam recentemente, é o pré-candidato favorito para as eleições presidenciais de 2018. Historicamente, apesar de todo o massacre que a figura do Lula e do próprio partido tem sofrido, ele é a liderança mais bem querida, sobretudo do Nordeste”, exaltou Guilherme.

Além das lideranças políticas, Lula foi recebido por um grupo de populares e de militantes do PT. O ex-presidente não quis conceder entrevista à imprensa.

Interior cearense

Mais cedo, o ex-presidente visitou as cidades de Barbalha, Crato, Iguatu e Juazeiro do Norte, no Interior do Estado.

09:41 · 17.09.2016 / atualizado às 09:41 · 17.09.2016 por

arteRearranjos de coligações nas campanhas majoritárias e proporcionais, mudanças no cenário político nacional, criação de novos partidos e até as dificuldades de captação de recursos financeiros. Esses são alguns dos motivos apontados por dirigentes partidários para os aumentos e as quedas mais expressivas no número de candidatos a vereador na Capital cearense, entre as eleições de 2012 e as realizadas este ano.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 28 partidos que lançaram postulantes a uma das 46 vagas na Câmara Municipal de Fortaleza no pleito passado, 16 aumentaram o número de candidatos em 2016, 11 diminuíram essa quantidade e um não lançou candidato. Por outro lado, quatro siglas que obtiveram registro eleitoral de 2013 para cá entraram na disputa apenas agora.

Entre os partidos que aumentaram o número de candidatos a vereador na Capital , oito tiveram crescimento percentual superior a 100%. O maior aumento, de 650%, foi registrado pelo PSD, que passou de dois postulantes ao Poder Legislativo municipal para 15. A legenda obteve registro definitivo junto ao TSE em 2011 e nasceu de uma dissidência do DEM, liderada pelo ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Conforme o presidente do PSD no Ceará, o deputado federal Domingos Neto, a sigla “tem hoje o segundo maior número de prefeitos no Ceará e estamos com 1.200 candidatos a vereador no Estado. Nacionalmente, o PSD é hoje um partido forte e essa estabilização se reflete em municípios como Fortaleza”. Ele disse acreditar que a origem do partido e o cenário nacional tiveram pouca influência no crescimento da legenda.

O parlamentar e dirigente partidário também comentou o número expressivo de candidatos lançados pelo PMB, sigla registrada oficialmente em 29 de setembro do ano passado, que está coligada com o PSD nas eleições deste ano, não só em Fortaleza, como também na esfera estadual. “Isso é o resultado de um trabalho feito por ambos os partidos”. O PMB terá 17 candidatos a vereador na Capital. PROS, REDE e SD também entram na disputa legislativa municipal , pela primeira vez.

Na sequência, entre os partidos com maior aumento no número de candidatos a vereador, aparecem o PMDB, partido do atual presidente da República, Michel Temer, com 206,25% de crescimento; o PPS, com 185,71%; o PRTB, com 160%; o PRB, com 150%, que em Fortaleza lançou como candidato a prefeito, o deputado federal Ronaldo Martins; o PSL, com 136,84%; o PRP, com 133,33% e o PSDB, com 117,65%.

No caso do crescimento tucano, o presidente do diretório municipal do PSDB, Fernando Façanha, credita o fato a dois fatores principais: a conjuntura política nacional, com o fortalecimento do partido que passou a fazer parte da base do novo governo federal, e a coligação com o candidato Capitão Wagner (PR), que aparece na segunda colocação na pesquisa Ibope/Tv Verdes Mares, publicada na última quarta-feira (14).

Tivemos inúmeros pré-candidatos, mais precisamente 98. Acabamos fechando a chapa com 64 candidaturas a vereador, dos quais 61 foram deferidas”, relatou Façanha. “Além desses fatores, nós podemos ressaltar um trabalho que foi feito pelo diretório municipal para atrair novos quadros. Faz dois anos que a gente trabalha fortemente para captar novas lideranças”, disse.

PR, PSTU, PCB e PPL também registraram um número maior de candidatos a vereador em 2016, quando é feita a comparação com o pleito de 2012, com crescimentos percentuais de, respectivamente, 64,86%, 60%, 50% e 37,77%.

Realidades locais

Se partidos como PMDB, PPS e PSDB podem ter se beneficiado da mudança no comando da presidência da República, o contexto nacional é considerado de baixo impacto na formação das chapas para vereador por dirigentes partidários de siglas como o PT e o PSC.

As duas legendas vivem situações inversas tanto no que diz respeito à evolução no número de candidaturas a vereador, quanto à formação de coligações. As composições locais são, contudo, apontadas por ambos os partidos como explicação para o número atual de postulantes do legislativo municipal.

O PT de Fortaleza, por exemplo, não sentiu nenhum efeito da perda de poder na esfera nacional, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Pelo contrário, a sigla teve um aumento no número de candidatos a vereador. Em 2012, foram 40 postulantes e neste ano, a legenda lançou 47 nomes para a disputa na Capital, o que representa um aumento de 17,5%.

Para o presidente estadual do partido, Francisco de Assis Diniz, “nas eleições passadas havia um arco de alianças muito grande em torno da nossa candidatura (de Elmano Freitas) e nós colocamos um número menor de candidatos a vereador. Essa eleição é completamente diferente. Nós temos um maior número de candidatos, porque estamos saindo em chapa pura. No momento em que optamos por uma candidatura própria (de Luizianne Lins) nós passamos a ter a necessidade de um número maior de candidatos”.

O PSC, por sua vez, está entre as siglas que reduziram o número de candidatos a vereador no pleito deste ano. Ao contrário do caso do PT, o partido lançou chapa pura em 2012 e este ano está coligado com PSDC e PV na coligação proporcional e na disputa majoritária apoia o candidato à reeleição e atual prefeito, Roberto Cláudio.

“Nessa divisão nós ficamos com um número menor de candidatos a vereador, mas entramos com um número maior de candidaturas femininas, cerca de 70% do total de candidatas da coligação”, explicou o vereador social cristão, Wellington Sabóia, que não disputará um novo mandato.

A sigla teve a segunda maior redução na quantidade de postulantes ao Legislativo, registrando uma queda de 82,81%.

Maiores reduções

Além do PSC, entre as legendas que tiveram uma maior redução no número de candidatos a vereador está o PP, com redução de 88%. De acordo com Itamar Chaves, membro do diretório municipal do partido em Fortaleza, não há um fator determinante para o baixo número de candidaturas lançadas na Capital este ano.

“Foi uma decisão do partido ter um número menor de candidatos. As questões da sucessão estadual e o quadro nacional não afetaram nessa decisão. Embora essa seja uma eleição diferenciada, por conta das novas regras eleitorais não tomamos essa decisão por conta de dificuldades financeiras”, argumentou.

Vale lembrar que a sigla enfrentou este ano disputas no comando do diretório estadual entre o Padre José Linhares e o deputado federal Adail Carneiro. Linhares havia sido substituído da presidência do PP no Ceará pela executiva nacional do partido por Adail em abril. A mudança se deu após o parlamentar ter votado pelo prosseguimento do processo que resultou na destituição de Dilma Rousseff, mas conseguiu retornar ao posto em maio.

Outros partidos que registraram diminuição significativa no número de candidaturas a vereador de Fortaleza foram: o PMN, com 71,73% menos candidatos; o PC do B, com queda de 68,33%; o PSDC, com queda de 64,17%, o DEM, com 56,66% e o PV, com redução de 54,9%. Já o PT do B, que lançou 59 nomes no pleito passado, em 2016 não lançou nenhum candidato.

21:05 · 15.09.2016 / atualizado às 21:05 · 15.09.2016 por
Foto: Helene Santos
O atual prefeito da Capital e candidato à reeleição, Roberto Cláudio (PDT), segue como o postulante que mais arrecadou e também como o que mais gastou, embora perca para o candidato Capitão Wagner (PR) no quesito despesas contratadas Foto: Helene Santos

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta quinta-feira (15) a prestação parcial de contas dos candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador dos 5.570 municípios brasileiros.

No caso de Fortaleza, todos os oito prefeituráveis enviaram a documentação sobre receitas e despesas de campanha eleitoral no prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. Os candidatos tiveram entre os dias 9 e 13 deste mês para informar arrecadações e gastos realizados entre o início da campanha e o dia 8 de setembro.

Os dados, que podem ser conferidos no sistema DivulgaCandContas do TSE, mostram que o atual prefeito da Capital e candidato à reeleição, Roberto Cláudio (PDT), segue como o postulante que mais arrecadou e também como o que mais gastou, embora perca para o candidato Capitão Wagner (PR) no quesito despesas contratadas. O pedetista arrecadou R$ 5.747.784,00 no período e gastou R$ 2.738.911,90, quase o mesmo valor contratado para campanha: R$ 2.739.611,90.

Já o republicano teve receitas totais de R$ 2.060.003,00, despesas pagas de R$ 1.296.463,66, mas tem o maior volume de despesas contratadas entre os prefeituráveis: R$ 3.035.457,98. Na sequência aparecem a candidata Luizianne Lins (PT) e Ronaldo Martins (PRB), respectivamente com as terceiras e quartas maiores arrecadações, gastos e contratações. A petista, por exemplo, declarou ter recebido um total de R$ 760.500,00 em recursos, tendo gastado R$ 709.277,00 e contratado R$ 729.276,82 em despesas. Martins, por sua vez, arrecadou R$ 524.000,00, pagou R$ 454.340,08 em custos de campanha e contratou R$ 519.009,48.

O quinto postulante à Prefeitura de Fortaleza que mais recebeu recursos para a campanha foi Heitor Férrer (PSB), com arrecadação total de R$ 307.992,15. Ele também foi o quinto que mais desembolsou até o momento: R$ 106.971,95. No entanto, o socialista é superado por Tin Gomes (PHS), no que se refere à contratação de despesas. Enquanto Heitor contratou R$ 304.460,26, Tin tem um total em despesas contratadas de R$ 357.978,74. O humanista, por sua vez, teve receitas de R$ 143.000,00 e despesas pagas de R$ 47.675,00.

Nas duas últimas posições em termos de receitas e despesas eleitorais aparecem, respectivamente, João Alfredo (PSOL) e Gonzaga (PSTU). A coordenação financeira da campanha de João Alfredo declarou à Justiça Eleitoral ter arrecadado R$ 36.400,00, ter gasto R$ 29.090 e ter contratado r$ 31.590,00. Já o candidato do PSTU, o único que ainda não tinha informado nenhuma receita ou despesa antes da prestação parcial de contas obrigatória, informou receitas de R$ 8.820,00, além de pagamentos e contratações totalizando R$ 3.120,00.

Ponto em comum

Donos de campanhas que aparecem nos dois extremos em termos de receitas e despesas, Roberto Cláudio e Gonzaga têm pelo menos um aspecto em comum. Os dois são os únicos, entre os oito prefeituráveis, cujo maior volume de arrecadações vem de doações de contribuições feitas como pessoa física. Essa fonte de recurso corresponde a 91,38% das receitas do candidato do PSTU e a 78,08% daquelas arrecadadas pelo postulante do PDT. As receitas de Gonzaga, contudo, são 651 vezes menores que as de Roberto Cláudio.

Brasil e Ceará

Contando apenas os candidatos a prefeito, em todo o País, 88,86% dos 16.571 postulantes fizeram a prestação parcial de contas prevista em lei, totalizando 14.725. Com 184 municípios, o Ceará teve média maior que a nacional, com 91,53% dos 520 prefeituráveis, somando 476 prestações realizadas.

Confira receitas e despesas dos candidatos em Fortaleza!

ROBERTO CLÁUDIO (PDT)

Receitas (total de recursos recebidos): R$ 5.747.784,00
Recursos financeiros: R$ 5.747.784,00
Recursos estimáveis: R$ 0,00
Doação de partidos: R$ 1.259.550,00
Doação de pessoas físicas: R$ 4.488.234,00
Recursos próprios: R$ 0,00
Despesas contratadas: R$ 2.739.611,90
Despesas pagas: R$ 2.738.911,90

CAPITÃO WAGNER (PR)

Receitas (total de recursos recebidos): R$ 2.060.003,00
Recursos financeiros: R$ 2.015.003,00
Recursos estimáveis: R$ 45.000,00
Doação de partidos: R$ 1.814.983,00
Doação de pessoas físicas: R$ 145.020,00
Recursos próprios: R$ 100.000,00
Despesas contratadas: R$ 3.035.457,98
Despesas pagas: R$ 1.296.463,66

LUIZIANNE (PT)

Receitas (total de recursos recebidos): R$ 760.500,00
Recursos financeiros: R$ 757.000,00
Recursos estimáveis: R$ 3.500,00
Doação de partidos: R$ 750.000,00
Doação de pessoas físicas: R$ 10.500,00
Recursos próprios: R$ 0,00
Despesas contratadas: R$ 729.276,82
Despesas pagas: R$ 709.277,00

RONALDO MARTINS (PRB)

Receitas (total de recursos recebidos): R$ 524.110,00
Recursos financeiros: R$ 487.500,00
Recursos estimáveis: R$ 36.610,00
Doação de partidos: R$ 487.500,00
Doação de pessoas físicas: R$ 15.460,00
Recursos próprios: R$ 21.150,00
Despesas contratadas: R$ 519.009,48
Despesas pagas: R$ 454.340,08

HEITOR FÉRRER (PSB)

Receitas (total de recursos recebidos): R$ 307.992,15
Recursos financeiros: R$ 299.992,15
Recursos estimáveis: R$ 8.000,00
Doação de partidos: R$ 299.992,15
Doação de pessoas físicas: R$ 2.000,00
Recursos próprios: R$ 6.000,00
Despesas contratadas: R$ 304. 460,26
Despesas pagas: R$ 106.971,95

TIN GOMES (PHS)

Receitas (total de recursos recebidos): R$ 143.000,00
Recursos financeiros: R$ 143.000,00
Recursos estimáveis: R$ 0,00
Doação de partidos: R$ 100.000,00
Doação de pessoas físicas: R$ 43.000,00
Recursos próprios: R$ 0,00
Despesas contratadas: R$ 357.978,74
Despesas pagas: R$ 47.675,00

JOÃO ALFREDO (PSOL)

Receitas (total de recursos recebidos): R$ 36.400,00
Recursos financeiros: R$ 36.400,00
Recursos estimáveis: R$ 0,00
Doação de partidos: R$ 28.000,00
Doação de pessoas físicas: R$ 8.400,00
Recursos próprios: R$ 0,00
Despesas contratadas: R$ 31.590,00
Despesas pagas: R$ 29.090,00

GONZAGA (PSTU)

Receitas (total de recursos recebidos): R$ 8.820,00
Recursos financeiros: R$ 3.200,00
Recursos estimáveis: R$ 5.620,00
Doação de partidos: R$ 0,00
Doação de pessoas físicas: R$ 8.060,00
Recursos próprios: R$ 760,00
Despesas contratadas: R$ 3.120,00
Despesas pagas: R$ 3.120,00

Fonte: TSE

09:36 · 15.09.2016 / atualizado às 09:36 · 15.09.2016 por
Foto: Agência Brasil
O presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, ressaltou que a prestação de contas no Brasil precisa deixar “de ser um faz de contas” Foto: Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai divulgar nesta quinta-feira (15) a prestação parcial de contas dos candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador dos 5.570 municípios brasileiros.

O prazo para o envio obrigatório dessa documentação à Justiça Eleitoral, por candidatos e partidos, acabou às 23h59 de terça-feira (13). Conforme informou, por telefone,  a assessoria do TSE, o intervalo entre o recebimento da prestação de contas dos postulantes aos cargos municipais no Executivo e no Legislativo e a divulgação desses dados na internet deve-se ao grande volume de informações a serem compiladas. A assessoria informou ainda que não há horário estipulado para a divulgação da prestação de contas dos candidatos.

Outro desafio para a Justiça Eleitoral é o fato da maioria dos candidatos ter deixado para enviar suas respectivas prestações de contas na última hora. No site do TSE, a última atualização sobre o número de candidatos que já haviam fornecido essas informações, que ocorreu às 16h da tarde de terça, informava que até aquele momento apenas 31,31% dos prefeituráveis em todo o País haviam enviado documentações sobre receitas e despesas de campanha, no período que abrange o início da campanha e o dia 8 de setembro.

Ainda segundo o TSE, eram esperados 16.566 envios, mas apenas 5.187 prestações de contas tinham sido entregues, a oito horas do fim do prazo legal. No caso dos candidatos a vereador, o percentual era um pouco maior, 38,71%, ou 179.389 de 463.356 envios esperados pela Justiça Eleitoral.

Todos os candidatos devem fazer uma segunda prestação, 30 dias após o fim do pleito.

Alerta

Na quinta-feira passada (8), o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, ressaltou que a prestação de contas no Brasil precisa deixar “de ser um faz de contas”, ao firmar parceria com a Receita Federal para analisar os dados informados pelos candidatos na eleição deste ano.

Antes disso, a Corte Eleitoral já havia firmado parceria também com o Tribunal de Contas da União (TCU), com o objetivo de melhor averiguar a veracidade das informações dos postulantes a cargos eletivos.

09:33 · 15.09.2016 / atualizado às 09:33 · 15.09.2016 por
Foto: Helene Santos
Heitor Férrer (PSB), por exemplo, deve seguir sua agenda sem alteração, indo às feiras livres, comércio, ruas do centro e distribuindo material, além de fazer uso das redes sociais Foto: Helene Santos

Por Miguel Martins

Faltando pouco mais de duas semanas para a realização do primeiro turno da campanha eleitoral em Fortaleza, alguns candidatos disseram que não vão modificar a forma como vêm atuando no pleito deste ano e seguirão realizando as mesmas atividades feitas até aqui. Em uma disputa com menos ataques entre os adversários, como ocorreu em outras eleições, os postulantes têm apresentados propostas parecidas, inclusive, defendendo manter muito do que foi feito na atual gestão municipal.

Capitão Wagner (PR) afirmou que vai manter o mesmo estilo de trabalho feito até então. Segundo ele, o programa na TV está atendendo as expectativas, destacando, porém, que é preciso intensificar mais a presença nas ruas. “A gente sente muito quando tem o contato, porque consolida o voto. O Voto fica consolidado e o caminho é esse. Como os recursos são restritos, não tem como ter grande estrutura de rua. Mas a ideia é usar a imagem do candidato no maior número de bairros”.

Para Wagner, o eleitor está cansado dos candidatos que só pensam em atacar seus adversários. Segundo ele, as pessoas querem saber de propostas. “Lógico que é importante apresentar proposta e o problema também. Acho que dessa forma atrai muito mais a atenção do eleitor”, disse. No entanto, o parlamentar afirmou que quando há um ataque e não se apresenta uma proposta, o eleitor fica desestimulado com o candidato. “Essa estratégia está sendo utilizada por todo mundo, porque o eleitor está cansado de tudo isso”.

O republicano destacou que nas próximas duas semanas vai apresentar outras propostas, visto que o programa de governo dele é amplo. Até o momento ele destacou ações somente para as áreas de Saúde, Segurança, Educação e Geração de Emprego.

Na reta final da campanha outros assuntos devem ser pautados, como melhor estrutura das feiras livres, cultura, bem como ampliação do leque de propostas para Educação. “A gente não está entrando num campeonato de propostas, porque muitas inexecutáveis. Vamos manter o que estar bom”.

Heitor Férrer (PSB) deve seguir sua agenda sem alteração, indo às feiras livres, comércio, ruas do centro e distribuindo material, além de fazer uso das redes sociais. Segundo ele, sua característica de trabalho não vai mudar, visto que desta forma tem conseguido o apoio popular. “Essas minhas condutas não vão ser orientadas pelas pesquisas eleitorais, e vou me manter assim. Vou continuar da mesma forma até o dia 2 de outubro”, afirmou.

O candidato também tem como carro-chefe de sua campanha o tratamento da saúde pública como prioridade, e afirmou que vai buscar garantir remédios para toda a população, através de compras integradas, que segundo ele, são mais baratas. Além disso, o parlamentar pretende ainda “quebrar mecanismos que geram a violência”, e para isso deve investir em praças, qualificação de pessoas para o primeiro negocio e pavimentar as ruas da cidade. Ele quer ainda “retirar os assaltantes que roubam o contribuinte”, os fotos-sensores da cidade.

Férrer disse que vai também criar o posto de saúde móvel, para levar atendimento primário na casa das pessoas. “A sociedade não quer ataques, não quer confrontos. Temos que propor ideias e atrair o eleitor por essas ideias”, defendeu.

Intensificação

Coordenador da campanha de Luizianne Lins e candidato a vice-prefeito, Elmano de Freitas (PT), foi o único que disse que na reta final vai procurar intensificar os trabalhos de rua. Segundo ele, além de dois míni-comícios por noite, o PT fará comícios itinerantes, caminhadas porta a porta, bem como movimentos na entrada de escolas, fábricas, lojas e comércio no Centro da cidade. A postulante também participará mais ativamente dos eventos dos candidatos a vereador.

“Queremos assumir, de maneira mais forte, os sinais e massificar o máximo que pudermos, com militância nas ruas. Vamos agora fazer uma reta final de massificação”, disse. De acordo com Freitas, devido ao bom nível dos candidatos na disputa deste ano, tem havido menos embates e críticas a determinadas candidaturas e mais propostas. “Da nossa parte existe a maturidade de quem já foi gestão e que sabe que não há condições de apresentar propostas que não teria condições de realizar. O PT, durante algum tempo, achou que poderia fazer tudo em quatro anos, mas percebeu que não”.

Dentre as principais propostas apresentadas pela candidatura de Luizianne até aqui está a promessa de garantir remédios no sistema de saúde para toda a população de Fortaleza, além da reestruturação do Programa Saúde da Família (PSF), na área da Saúde. Na Educação, o candidato destacou a valorização do professor, além de melhoria da qualidade da merenda escolar. Na habitação, o PT pretende construir 10 mil moradias, além da construção de banheiros para 60 mil imóveis que se encontram atualmente sem.

09:32 · 15.09.2016 / atualizado às 09:32 · 15.09.2016 por
Foto: Kléber A. Gonçalves
Conforme Ronivaldo Maia, a pauta da segurança é estadual e não deve ser feita de forma sensacionalista nas campanhas Foto: Kléber A. Gonçalves

Por Suzane Saldanha

Os vereadores petistas Ronivaldo Maia e Deodato Ramalho criticaram, ontem, na Câmara Municipal, a campanha feita pelo candidato à Prefeitura de Fortaleza pelo PR, Capitão Wagner, que, segundo eles, tem apostado na cultura do medo e se baseia em um debate não pertinente ao governo municipal.

Conforme defenderam, a discussão sobre a área da segurança pública abordada por Wagner deve ser feita na esfera estadual. Eles apontaram que os postulantes majoritários devem tratar de saúde, educação, entre outros temas. Ronivaldo Maia iniciou o pronunciamento defendendo que os candidatos à Prefeitura e à Câmara Municipal devem ter responsabilidade ao fazer o debate na campanha.

Segundo ele, a discussão deve ser correta e dispondo sobre temas pertinentes às suas atribuições. O vereador afirmou que o candidato Capitão Wagner se utiliza do discurso do medo. Classificando como um discurso esquizofrênico, o vereador argumentou não ser razoável que candidaturas majoritárias tratem do tema apontando para “o senso comum piorado”.

“O policial Wagner ao mesmo tempo que fica aproveitando o sentimento do senso comum, fica criando uma cultura do medo, sob a lógica que não pode estar numa parada do ônibus. Qual é a lógica? Para as pessoas se lembrarem do medo?”, questionou.

O vereador argumentou ser preciso apostar no futuro e que os postulantes à Prefeitura devem se apresentar ao fortalezense tratando de temas como Educação, Saúde e políticas sociais. “O mais importante para o governante são as pessoas e as pessoas sentem medo por conta do abandono das políticas públicas ineficientes.

Conforme Ronivaldo Maia, a pauta da segurança é estadual e não deve ser feita de forma sensacionalista nas campanhas apenas para conquistar votos. Ele recomendou que Wagner aponte o que já fez como deputado estadual nessa área. “Tratar as pessoas com o devido cuidado que não estamos na campanha querendo ganhar o voto pelo sensacionalismo. Fazemos críticas a bancada da bala que adora fazer política com o medo dos outros”, pontuou.

Ronivaldo concluiu afirmando que “os ricos nessa cidade também brigam e têm desavenças”, mas a campanha é sempre feita às custas das misérias dos mais pobres.

Debate sincero

Deodato Ramalho avaliou que a população fortalezense espera, daqueles que se propõem a representar o povo, um debate sincero e sem fantasias, com temas pertinentes aos papéis do prefeito e do vereador.

Segundo ele, alguns candidatos à Prefeitura têm abordado aspectos sobre “a fantasia e a mentira”. Para o parlamentar, um dos temas mais pertinentes e urgentes é o tema da saúde pública. O vereador relatou ser preciso discutir o financiamento da saúde, funcionamento dos postos, atendimento da população em relação à saúde bucal, o recebimento dos remédios básicos, entre outros.

09:13 · 13.09.2016 / atualizado às 09:13 · 13.09.2016 por
Os dados prestados pelos prefeituráveis ao TSE podem ser acessados no site do órgão na página “Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais” Foto: José Leomar
Os dados prestados pelos prefeituráveis ao TSE podem ser acessados no site do órgão na página “Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais” Foto: José Leomar

Se os oito candidatos a prefeito de Fortaleza, quinta maior cidade do País, sofrem com a escassez de recursos para campanha em 2016, a situação dos que concorrem às prefeituras dos outros 183 municípios cearenses é ainda mais precária. De acordo com informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, excluindo a Capital o município de campanha que mais arrecadou, até a noite de sexta-feira (9), era Juazeiro do Norte, que também tem oito postulantes à chefia do poder Executivo municipal. A diferença é que todos eles somados declararam até agora ter arrecadado R$ 1.048,492,12, menos de um oitavo do total arrecadado na Capital.

E as disparidades entre os pleitos é ainda mais fácil de verificar quando se analisam as receitas do terceiro município com campanha mais cara. Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, tem arrecadações de seus quatro prefeituráveis somados equivalentes a R$ 407.200,00.

Outros três municípios da RMF, excetuando a Capital, aparecem entre as dez campanhas mais caras. Pacajus, em sétimo, com R$ 198.950,00 e quatro candidatos a prefeito; São Gonçalo do Amarante, em oitavo, com R$ 185.300,00 e também quatro postulantes; além de Pacatuba, em nono, com R$ 184.873,00, e cinco prefeituráveis.

À frente desses municípios, mas abaixo de Juazeiro do Norte e Maranguape, aparecem Sobral, na quarta posição, com receitas dos candidatos a prefeito somando R$ 401.500,00; Lavras da Mangabeira, na quinta colocação, com R$ 339.132,00; Camocim, em sexto lugar, com R$ 253.802,00; e Crato, com R$ 248 mil. Na décima posição desse ranking, por sua vez, aparece o município de Aracati, com receitas somadas dos seus quatro candidatos de R$ 170 mil.

Dificuldades

As dificuldades das campanhas no Interior do Estado pode ser melhor avaliada analisando o conjunto dos municípios. Em apenas seis deles, as arrecadações dos candidatos a prefeito somam mais de R$ 200 mil.

Outros 19 têm campanhas com receitas que variam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, incluindo o quarto maior colégio eleitoral cearense, Maracanaú. Lá os dois prefeituráveis arrecadaram um montante de R$ 125 mil.

Um total de 32 municípios têm prefeituráveis com arrecadações que somam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Entre eles, está a cidade de Caucaia, segundo maior colégio eleitoral do Ceará e único município, além de Fortaleza, que pode ter segundo turno em 2016. Em termos de receita declarada pelos seus seis candidatos a prefeito, Caucaia soma apenas R$ 56.002,00, ocupando a 52ª colocação entre os 184 municípios cearenses.

O maior número de cidades cearenses, 42, têm campanhas de postulantes à Prefeitura com receitas de R$ 25 mil e R$ 50 mil.

Outros 36 municípios têm arrecadações de seus prefeituráveis com valores entre R$ 10 mil e R$ 25 mil. Por sua vez, 25 municípios têm campanhas para cargos no Executivo somando receitas entre R$ 290,00 e R$ 10 mil. A situação mais grave é a de 23 municípios cujos candidatos a prefeito ainda não declararam nenhuma receita arrecadada.

Prestação parcial

Todos os 511 prefeituráveis e 13.781 postulantes a cargos nas câmaras municipais do Estado têm até amanhã para fazer uma primeira prestação parcial de contas à Justiça Eleitoral. O mesmo vale para candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador de todos os municípios brasileiros.

15 maiores arrecadações no Ceará*

1.JUAZEIRO DO NORTE
R$ 1.048.492,12
2. MARANGUAPE
R$ 407.200,00
3.SOBRAL
R$ 401.500,00
4.LAVRAS DA MANGABEIRA
R$ 339.132,00
5.CAMOCIM
R$ 253.802,00
6.CRATO
R$ 248.000,00
7.PACAJUS
R$ 198.950,00
8.SÃO GONÇALO DO AMARANTE
R$ 185.300,00
9.PACATUBA
R$ 184.873,00
10.ARACATI
R$ 170.000,00
11.ITAPIPOCA
R$ 156.981,34
12.ITAITINGA
R$ 153.920,00
13.EUSÉBIO
R$ 134.324,81
14.GRANJA
R$ 127.200,00
15.MARACANAÚ
R$ 125.000,00

* Excluindo Fortaleza

09:10 · 13.09.2016 / atualizado às 09:11 · 13.09.2016 por
Giselle da Maura (PHS) é o terceiro nome indicado como vice de Guimarães (PP) Foto: Joselito Araújo/Prefeitura Municipal de Aquiraz
Giselle da Maura (PHS) é o terceiro nome indicado como vice de Guimarães (PP) Foto: Joselito Araújo/Prefeitura Municipal de Aquiraz

A troca de candidato a vice em uma chapa majoritária não pode ser considerada uma coisa muito frequente na política cearense, mas duas trocas em menos de 40 dias é um fato ainda mais incomum.

Contudo, tal situação aconteceu no 12º maior colégio eleitoral do Estado, Aquiraz (município que faz divisa com Fortaleza), envolvendo justamente a chapa do prefeito e candidato à reeleição Guimarães (PP).

No dia 5 de agosto, em convenção da coligação “Aquiraz Pra Crescer Ainda Mais” (PP, PPS, PHS, PROS e PC do B), o pepista havia anunciado a esposa, a primeira-dama Valcídia Pinheiro, como candidata a vice.

Três dias depois, por desistência da própria postulante, Guimarães fez a substituição dela pelo empresário Ednardo Freitas Filho, conhecido no meio político como “Ednardo do Viola” (PP). Neste domingo (11), o postulante a um segundo mandato consecutivo como chefe do Poder Executivo municipal de Aquiraz, anunciou um novo nome para compor sua chapa, o terceiro em menos de 40 dias. A escolhida foi a também empresária Giselle Façanha, de 34 anos, cujo nome oficial de campanha é “Giselle da Maura” (PHS).

De acordo com nota da assessoria de Guimarães, a nova troca ocorreu por conta da desistência de Ednardo. Ainda conforme o comunicado, a nova candidata a vice-prefeita é atuante na área de assistência social, tem formação em Administração e Comércio Exterior e, além de exercer a atividade empresarial, cursa Direito. Giselle da Maura já disputava o pleito deste ano, concorrendo como candidata à vereadora daquele município e participou de atos da campanha de seu companheiro de chapa já no domingo (11), poucas horas após o anúncio.

Julgamento pendente

O pedido de registro da coligação “Aquiraz Pra Crescer Ainda Mais” ainda aguarda julgamento da Justiça Eleitoral e não há informações de receitas ou despesas de campanha no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, que pode ser acessado no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).