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Categoria: Eleição petista


07:58 · 12.05.2016 / atualizado às 07:58 · 12.05.2016 por

Por Miguel Martins 

 

Deputado Moisés Braz fala sobre a próxima eleição para mudar a direção petista FOTO: Fabiane de Paula
Deputado Moisés Braz fala sobre a próxima eleição para mudar a direção petista FOTO: Fabiane de Paula

Deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa defendem que seus membros façam uma auto-crítica sobre as atitudes da legenda e procurem maior interação com os movimentos sociais. Membros da legenda querem, inclusive, que a direção do grêmio seja modificada, pois reclamam da falta de empenho de seus dirigentes na luta em defesa do grêmio.
O deputado Moisés Braz informou que foram convocadas reuniões da direção partidária para os dias 17 e 18 de maio, onde o grêmio deve se posicionar sobre os rumos a serem tomados durante o Governo de Michel Temer. “Seria precipitado de minha parte apresentar qualquer posição no momento. Vamos ouvir a executiva e tomaremos as devidas providências”.
Segundo ele, o presidente do partido, Rui Falcão, deixou de tomar decisões diretas na defesa da legenda e até do Governo. Para o petista, o dirigente da legenda não foi “autêntico”. “Ele não conduziu o partido no momento de crise como deveria fazer. Esteve muito acomodado, sem objetivo. Ele é um grande companheiro, mas acho que não teve objetivo de conduzir o partido de modo geral”, afirmou.
Braz destacou ainda que o momento é decisivo para se fazer um debate e convocar um Processo de Eleição Direta (PED) para eleger não somente a direção nacional, mas também as direções nos estados e municípios. “O PT precisa ter lideranças à frente do partido que de fato liderem, que comandem, que façam o trabalho de base. As pessoas à frente da executiva nacional, estadual e até municipal têm que entregar o partido a quem sabe fazer a luta e tenha identidade direta com nossas lutas”, enfatizou.
De acordo com informações, Rui Falcão estaria sendo cobrado por petistas uma maior participação para tentar evitar a crise no partido. Há, inclusive, a tendência de se discutir sua saída do comando do partido nos próximos meses. Indagada sobre a situação do dirigente, a deputada Rachel Marques disse não ter percebido esse clima dentro do PT, e ressaltou não ter nenhuma crítica específica à direção partidária da sigla petista.
Segundo Marques, o processo de impeachment de Dilma Rousseff se deu por conta das conquistas sociais alcançadas pelas classes menos desfavorecidas. Ela ressaltou ainda que o PT estará junto com os movimentos sociais, defendendo tais conquistas, visto que em sua análise, o Governo Michel Temer tem, dentro de suas metas, cortar benefícios trabalhistas, o que deve acontecer, de acordo com a parlamentar, após o processo de afastamento da presidente.
Manuel Santana, por outro lado, disse que o PT precisa fazer “uma profunda reflexão”, sendo primeiro uma auto-crítica, procurando se redimir de seus erros e em seguida definir uma nova política estratégica. “Ao longo de seu Governo, o PT se perdeu no rumo estratégico. Precisamos ver o que queremos e onde queremos chegar, e novamente partir para a luta com a base nessa experiência de Governo. Um reencontro com suas origens adaptada à nova luz da realidade”.
Um dos principais erros do PT na opinião de Santana é que o partido não soube quebrar a hegemonia que existe no que ele chamou de “burguesia de comunicação”. “Existe um processo midiático de criminalização do PT e construção de um pensamento dominante, onde o PT é colocado como sendo o responsável por todos os problemas do Brasil. Essa experiência será amarga, porque as medidas do senhor Michel Temer serão duras. Faltou ao PT um projeto de partido, um projeto de construção e consolidação de sua imagem do ponto de vista ideológico”.
Para ele, o Governo Dilma Rousseff errou ao tentar atender demandas dos trabalhadores e das elites brasileiras. Elmano de Freitas disse que o Partido dos Trabalhadores fará oposição ao Governo Temer, visto que em sua opinião, a gestão que está se formando é feita por aqueles que perderam as eleições em 2014 em aliança com os que querem chegar ao poder sem voto. “Essa aliança afasta a presidente Dilma Rousseff com o objetivo de atacar os programas sociais, os direitos dos aposentados e diminuir os direitos dos trabalhadores”.
O petista demonstrou preocupação na manutenção de programas sociais pela gestão Temer, como o Bolsa Família. “Vamos vivenciar no Brasil um debate intenso e a população perceberá que às vezes temos conquistas e retrocessos, e é aí que teremos um aumento da consciência do povo. As ações concretas vão demonstrar quem defende direitos e quem vai retirá-las”.
Ele destacou ainda que hoje haverá uma reunião da Frente Brasil Popular para discutir qual será a estratégia do grupo. Elmano se disse ainda a favor da resistência da classe trabalhadora “dos ataques que virão”, após as eleições de outubro. Segundo disse, o Ceará será prejudicado, visto que em sua avaliação, o Governo Temer deve priorizar o eixo Sul e Sudeste em detrimento do Norte e Nordeste. “Lamento o apoio que políticos nordestinos tenham dado para o golpe parlamentar”.