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Categoria: Enem


11:20 · 16.11.2013 / atualizado às 11:20 · 16.11.2013 por

Por Miguel Martins

Em  pronunciamento na Assembleia Legislativa,  o deputado Professor Teodoro (PSD), enalteceu a realização do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No entanto, se disse preocupado com a composição do questionário apresentado, que não faz com que o aluno reflita, e passe apenas a decorar questões e fórmulas. Ele voltou a defender uma reforma urgente no Ensino Médio para mudar o perfil dos estudantes do Brasil.
O parlamentar ressaltou que, depois de 15 anos criado, o Enem passou a ter a inserção de todas as 59 instituições de ensino federal que utilizaram o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) como forma de ingresso na instituição, ainda que em seja algumas de forma parcial. Com inscrição de mais de 7,1 milhões de pessoas e um incremente de 20% em relação a 2012, e disputa de mais de 5,9 milhões de pessoas interessadas em estudar em uma entidade de ensino federal, o Enem 2013 foi o maior da história já realizado.
“Pela primeira vez também não houve problemas mais graves como nas outras edições passadas. Também, não houve desvios graves como os acontecidos nas edições anteriores, que iam desde o vazamento de questões, problemas de logísticas e fraudes diversas, além de erros grosseiros”, ressaltou Teodoro.
O que o Enem ainda não conseguiu fazer foi a constituição de dois exames ao ano, o que melhoraria sua regionalização e também serviria como ponto de discussão do ensino no Brasil. Segundo ele, o problema do Enem é que não produz maior debate sobre a melhoria do ensino dos jovens brasileiros, mas apenas apresenta, em sua maioria, fórmulas e perguntas levando os alunos apenas a decorar os exames e não uma reflexão e raciocínio das questões apresentadas.
“O exame ainda apela para questões de decorebas e os cursinhos estão levantando apenas ao adestramento dos alunos para que eles possam realizar seus exames. Tem que buscar aperfeiçoar o Enem, diminuindo até as matérias, regionalizando-o e fazendo com que ele seja  realizado até duas vezes ao ano”, sugeriu o parlamentar.
“Caso sua realização fosse feita em duas edições anuais, serviria não apenas para monitorar a evolução do aprendizado, como evitaria a concentração do teste em apenas um período, o que significa mais estresse para os alunos”, disse.
Na sua primeira edição, em 1998, o Enem se definia como um exame individual, de caráter voluntário, oferecido anualmente aos estudantes que estavam concluindo ou que já tinham concluído o ensino médio. O objetivo era avaliar a partir das competências e habilidades. Atualmente, o modelo do Enem valoriza a autonomia do jovem na hora de fazer escolhas, colocando o estudante diante de situações-problema, para aplicar o aprendizado. É assim que se faz avaliação nos países desenvolvidos.
Um dos aspectos a que se atribui a nota baixa dos alunos brasileiros nos testes internacionais do Pisa é que, nesse tipo de questão, o estudante brasileiro costuma deixar em branco. As mudanças no Enem ao longo dos anos foi uma menor cobrança de interpretação de texto e mais aplicação de fórmulas, o que foi criticado por Teodoro.
“Criado para avaliar o ensino e provocar mudanças no currículo do Ensino Médio e na forma de ensinar dos cursinhos, o Enem pode se transformar num mero vestibular de alcance nacional. E ainda com a desvantagem de não cobrar aspectos da cultura regional”, ressaltou o parlamentar.
O parlamentar criticou a constituição de mais questões de matemática e ciências da natureza, quando os questionamentos passaram a exigir mais aplicação de fórmulas. Ele lamentou tal mudança e disse que o Enem veio para quebrar com a lógica de cursinhos preparatórios e de colégios, que “em vez de transmitir ensinamentos, se especializaram em adestrar alunos para passar no vestibular”. Ele também defendeu a reforma do Ensino Médio, pois em sua opinião, é o principal gargalo da educação brasileira. Dos jovens de 19 anos, apenas 51% haviam concluído o ensino médio e dos que concluíram, menos de 30% apresentam formação satisfatória em português. Em matemática somente 10% têm o domínio da disciplina, ressaltou Teodoro.
Segundo o último censo de 2010, havia mais de 5 milhões de jovens entre 18 e 25 anos que nem estudavam nem trabalhavam. “A principal causa de tanta evasão escolar, que pode comprometer o futuro do país, é a desmotivação provocada por uma grande curricular engessada. O currículo nacional nem garante a aquisição dos conhecimentos básicos nem se aproxima da realidade dos jovens. O estudo, longe de ser um prazer, tornou-se irrelevante para um contingente enorme de alunos”.
De acordo com ele, a reforma do Ensino Médio é um desejo do Ministério da Educação, mas é preciso um maior debate nas casas legislativas para produzir os melhores resultados, visto o nível econômico em que vivem os brasileiros. No Congresso, há dois movimentos no sentido de melhorar a educação. Um deles é a Comissão Especial para a reforma do Ensino Médio, que deve ter foco no currículo. O outro visa estabelecer o custo de uma escola de qualidade.