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Categoria: Enfermagem


10:07 · 17.05.2013 / atualizado às 10:07 · 17.05.2013 por

Por Miguel Martins

A situação de trabalhos dos profissionais de enfermagem foi o tema levantado pela deputada Mirian Sobreira (PSB), em seu pronunciamento, ontem, na Assembleia Legislativa. Segundo disse, é importante e urgente a realização de concurso público para a categoria, além de ter reclamado da situação em que se encontram os enfermeiros que estão “reféns” de cooperativas que brigam pela exclusividade de taxas de administração.
De acordo com a parlamentar, tais cooperativas não se preocupam com os interesses de seus cooperados, o que resulta também na queda de qualidade de serviços. Dentre as cobranças dos técnicos em enfermagem estão a redução da jornada de trabalho para 30 horas, pelo Congresso Nacional; a fixação do piso salarial da categoria; realização de concurso público para o preenchimento de cargos públicos existentes; e o fim da discriminação na ocupação de cargos de direção.
Mirian Sobreira lembrou que a cooperativa que ganhou a licitação para administrar o setor por até um ano, está responsável pela administração de R$ 66 milhões. No caso da redução da jornada de trabalho, a pessebista salientou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina tal mudança está tramitando há mais de 10 anos no Congresso Nacional, e que os parlamentares pouca importância tem dado ao tema. Para ela, isso se motiva visto que unidades de saúde particulares, assim como lideranças políticas acreditam que a medida irá aumentar a despes das instituições públicas e reduzir lucros de hospitais privados.
Segundo ela, a PEC foi apresentada em 2000, ou seja, há 13 anos, mesmo passando por todas as comissões necessárias e recebendo parecer favorável dos colegiados, voltou à discussão no dia 9 de abril, e ainda que tenha sido prometido a sua colocação em pauta para votação, isso não aconteceu. “Hoje só encontramos enfermeiros recebendo muito abaixo do que deveria. Eu não acho que seja injusto o juiz ganhar o que tem, eu só acho que temos que receber melhor”, afirmou a parlamentar.
Ela disse ainda que o sistema de terceirização da profissão é “uma escravidão”, além, é claro da briga entre as cooperativas para ver quem irá administrar o setor. “Em nenhum momento é visto essas cooperativas brigando por melhores condições financeiras e de trabalho para os profissionais”, criticou ela, ressaltando que não se sente representada pela direção de tais cooperativas.
“Nosso protesto é porque não aceitamos contratação como está sendo feita. Isso fica de mensagem. Se não conseguirmos essas mudanças, vamos organizar uma paralisação nacional. Isso para que os profissionais da enfermagem sejam respeitados”, reclamou.
Conforme informou, os baixos salários pagos para os enfermeiros obrigam tais profissionais a terem até três empregos devido o ritmo de trabalho que acaba por provocar erros que, em muitos casos, levam alguns pacientes à morte. “Os erros vão continuar enquanto os salários aviltantes obrigarem todos a correr de um lado para outro para ter o mínimo para a sobrevivência”, disse a deputada. Segundo ela, devido ao fato de a categoria ser composta, em sua maioria, de mulheres, acaba sofrendo discriminação quando vão ser preenchidos os cargos de direção. “Há casos em que a enfermeira que foi aprovada em seleção dá a vez para o segundo, porque esse é médico”.
“A enfermagem é a arte do cuidar. É a ciência cuja essência é a assistência e o cuidado do ser humano. Cuida de modo integral, desenvolvendo a promoção, a proteção, a prevenção, a reabilitação e a recuperação da saúde. Não existe patrimônio maior que a saúde”, ressaltou.
A deputada Silvana Oliveira (PMDB) também se posicionou favorável às lutas dos enfermeiros e também cobrou melhorias financeiras para a categoria de enfermeiros. Ela disse ainda ser contrária à “importação” de profissionais de saúde de outros países, ressaltando que os profissionais da saúde não têm interesse de ir ao Interior do Estado devido a problemas causados pelos gestores de municípios interioranos.
“Eles  não querem ficar no Interior porque estão nas mãos dos prefeitos e quando esses prefeitos perdem seus mandatos, troca-se todos os quadros de profissionais. Eu peço para a área da saúde que sejamos beneficiados como deveríamos”, disse a deputada que também atua na área de medicina. Ana Paula Cruz (PRB) também afirmou que os erros ocasionados com troca de medicamentos, por exemplo, é ocasionado pelo acúmulo de funções e que isso irá continuar devido a essa sobrecarga de trabalho.