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Categoria: Equipamentos


09:21 · 06.09.2018 / atualizado às 09:21 · 06.09.2018 por
Por Letícia Lima
O deputado Renato Roseno (PSOL) alertou, na Assembleia Legislativa, ontem, para a conservação do patrimônio histórico cultural do Ceará e citou o museu paleontológico da Universidade Regional do Cariri (Urca). O parlamentar chamou atenção para os poucos recursos do orçamento estadual que são destinados e foram gastos, efetivamente, com a conservação dos equipamentos culturais cearenses. Para Roseno, a tragédia do Museu Nacional é “símbolo” de um país que tem “desapreço” pela sua cultura.
Segundo Roseno, a rubrica reservada no orçamento estadual de 2018 para “educação do patrimônio” é de R$ 200 mil, que ele considera “bastante diminuta”, mas que, até agora, ainda não foi executada. Ele disse, ainda, que da verba de R$ 1 milhão 888 mil, prevista para preservação da memória e do patrimônio, apenas R$ 333 mil foram destinados à conservação efetiva de imóveis. “R$ 494 mil foram para Mestres da cultura, que é um programa importante, mas precisamos de mais recursos. Eu queria chamar atenção para que tragédias como essa que aconteceu no Rio de Janeiro não aconteça aqui, nós precisamos ampliar o orçamento para cultura e para o patrimônio”, pediu.
Roseno cobrou mais atenção do poder público para o Museu Paleontológico da Universidade Regional do Cariri (Urca) e relembrou a denúncia que fez do fechamento da biblioteca Menezes Pimentel. “Pra nós é, absolutamente, estratégica a defesa de investimento no patrimônio histórico e cultural como política estratégica para ampliação da educação, da sensibilidade da memória. Muitos dos problemas que estamos enfrentando na arena política no Brasil deve-se, dentre outras coisas, ao fato de que está havendo uma disputa de narrativa sobre o que é o Brasil e qual é a história do Brasil. Vozes políticas que negam, dentre outras coisas, a escravidão negra, a ditadura, tentando escrever de forma, absolutamente, equivocada a história do Brasil. Isso só pode ter guarida hoje porque nos faltou e nos falta no presente o devido investimento em educação, cultura e preservação do nosso patrimônio histórico material e imaterial”.
Para Roseno, o que aconteceu no Museu Nacional no Rio de Janeiro é um “símbolo de um país que tem desapreço a partir das suas elites dirigentes à cultura”. “Pior que isso, as elites dirigentes desse País parece que querem, intencionalmente, que o povo não possa ter acesso à cultura e à educação para que, exatamente, a sociedade não reflita sobre si mesma. O maior instrumento de dominação de um povo é fazer com que ele não pense sobre si mesmo”, acredita.