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Categoria: Esfacelamento


09:37 · 30.06.2017 / atualizado às 09:37 · 30.06.2017 por

Por Miguel Martins

 

Deputado Roberto Mesquita (PSD) fala da insatisfação dos partidos, o dele, PSD e o PMB, integrantes do mesmo tronco, com as medidas adotadas pela deputada Silvana Oliveira, após ser escolhida como a líder do bloco. Ele não cita o nome dela, mas deixa implícito isso Foto: José Leomar

O dia de ontem contou com mais uma reviravolta na novela que tem como protagonistas os membros do bloco formado por PMDB, PMB e PSD, na Assembleia Legislativa. A presidente nacional do PMB, Suêd Haidar, autorizou a permanência de Patrícia Aguiar na presidência estadual da legenda, acatando a decisão de saída da sigla da bancada. Já o PSD, através de comunicado assinado pela presidência local, também decidiu pela saída da legenda do grupo.

Na nota assinada por Haidar, ela explica que o PMB do Ceará teve “um dos melhores resultados eleitorais do país”, autorizando, dessa forma, a continuação de Aguiar na direção do partido e a validação da Comissão Executiva Provisória. Segundo a dirigente, “por entraves meramente burocráticos ainda não consta como ativa a Comissão no sistema do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, o que deverá está sendo solucionado em breve espaço de tempo”.

Na nota, ela diz que deputado Odilon Aguiar deve ser indicado líder da legenda, que conta ainda com a deputada Bethrose como membro na Casa. Haidar solicitou ainda a redistribuição das vagas nas comissões técnicas, a fim de que o líder do partido possa indicar os representantes, dentro do número que a proporção da bancada couber. Atualmente, Bethrose é presidente da comissão da Infância e Adolescência, através de indicação do bloco PMDB/PSD/PMB.

Já o PSD, conforme informou no Plenário 13 de Maio o deputado Roberto Mesquita (PSD), decidiu, na segunda-feira passada, também sair do bloco partidário. Com teor semelhante à nota do PMB, o presidente do partido, Almircy Pinto, indicou Mesquita para liderança da sigla na Casa.

Além de Mesquita, também faz parte do grêmio o deputado Gony Arruda, que preferiu não se pronunciar sobre a decisão partidária. Osmar Baquit, que até o mês passado era membro da legenda, foi expulso por decisão da executiva nacional da legenda. O parlamentar recorreu da decisão partidária e espera retornar aos quadros da agremiação.

Durante sessão ordinária, ontem, ele disse ao Diário do Nordeste que acredita que o intuito do grêmio em solicitar saída do bloco seria apenas para lhe prejudicar, visto que em retomando filiação ao PSD poderia não ser indicado para compor a Comissão de Constituição e Justiça, nem ser relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

Atualmente, porém, ele está relatando a matéria, devido à indicação feita pelo líder do bloco PDT/PEN/PP, o deputado Ferreira Aragão (PDT), inclusive já apresentou parecer favorável, . Para que Baquit integrasse o colegiado foi preciso que José Sarto (PDT) abdicasse de sua participação no grupo.

De acordo com o deputado Leonardo Araújo (PMDB), que outrora foi líder do bloco, a tentativa de saída dessas legendas do grupo não fragiliza nenhum dos partidos, visto que eles estariam saindo por motivação estratégica.

“Os vínculos dessas siglas com o PMDB permanecem fortes e ratificados. Essa estratégia visa apenas gerar novos questionamentos a cerca da tramitação da PEC 07 (que extingue o TCM)”, disse o peemedebista. Eleita pela maioria do bloco como líder do bloco, a deputada Silvana Oliveira (PMDB) disse estar tranquila quanto a saída dessas legendas da bancada, ressaltando que em grupo ou isoladamente ela tem maioria dos votos para permanecer líder.

No PMDB, além de Oliveira, Agenor Neto e Audic Mota são aliados do Governo Camilo Santana, e favoráveis à extinção do TCM. Já Leonardo Araújo e Danniel Oliveira fazem oposição à gestão e são contrários à qualquer medida que extinga o órgão fiscalizador.

“Acho que essas medidas são constrangedoras, e provam desconhecimento do Regimento da Casa. Eu aconselho que estudem o que é formação de bloco e quem pode desfazer o bloco”, disse Silvana Oliveira, destacando que quem decide sobre saída ou não do grupo não são as executivas das legendas, mas os próprios membros de tais composições na Casa.

Questionado sobre o ato da presidente nacional do PMB não ter qualquer validade, uma vez que a comissão provisória da legenda está inativa no Ceará, o deputado Odilon Aguiar afirmou que o partido está buscando corrigir tais questões junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

Roberto Mesquita, por outro lado, afirmou que os partidos estão insatisfeitos com as movimentações recentes feitas pelo bloco. Segundo ele, havia um acordo que foi totalmente alterado o que teria prejudicado alguns membros da bancada. “O Regimento Interno permite que a gente possa desembarcar desse barco, promovendo nova alteração das comissões da Casa”, disse o parlamentar.