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Categoria: Falta cearense


09:25 · 18.05.2016 / atualizado às 09:25 · 18.05.2016 por

Por Suzane Saldanha

 

O presidente da Câmara, Salmito Filho, foi quem abriu a discussão sobre a composição do ministério de Temer FOTO: José Leomar
O presidente da Câmara, Salmito Filho, foi quem abriu a discussão sobre a composição do ministério de Temer FOTO: José Leomar

A ausência de cearenses na composição dos Ministérios do governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) foi alvo de críticas, ontem, na Câmara Municipal de Fortaleza. Os vereadores relataram preocupação com possíveis retaliações ao Estado, como com cortes de repasses e financiamentos, pelo fatos das lideranças, em sua maioria, não terem apoiado o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT).
As observações foram impulsionadas pelo presidente da Casa, Salmito Filho (PDT), que afirmou ser difícil para os cearenses aceitarem a ausência de um representante do Estado no primeiro escalão de Temer. Segundo ele, se não teve espaço para o Ceará em Ministérios em pouco tempo deve estar faltando recursos.
“Sem entrar no debate ideológico, partidário, sem citar como esse governo se articulou, para nós cearenses, independente do partido, fica difícil aceitar um governo com quatro ministros de Pernambuco e nenhum do Ceará”, apontou. O vereador destacou que os aliados PSDB e PMDB contam com bons nomes em seus quadros e poderiam ter feito parte dos Ministérios.
Ele lembrou dos cearenses que já ocuparam o primeiro escalão de governos federais. E defendeu não ser possível aceitar que os senadores cearenses aliados Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB) não lutem ou defendam a população cearense.
“Tivemos Cid, Ciro gomes, Leônidas Cristino, Eunício, Francisco Teixeira, José Pimentel, Pedro Brito. Não estamos preocupados não é com PT, PDT que está fora do governo e temos lado. O que estamos debatendo são os recursos para saúde para o povo cearense, obras de infraestrutura que precisam ser mantidos e parte é do governo federal”, disse. Salmito finalizou chamando atenção para que governo federal não faça retaliação pelo Ceará contar com um governador petista e um prefeito da Capital do PDT.
Deodato Ramalho afirmou que o mesmo desprestigio com o Ceará aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele comparou o discurso de Tasso Jereissati na época ao dito hoje por Eunício Oliveira, de não desejar ocupar Ministérios e sim receber recursos.
Adail Júnior (PDT) questionou a capacidade de articulação dos parlamentares federais a favor do impeachment da presidente Dilma. Ele aponta que, até o momento, nenhum deputado federal se manifestou na defesa de ministérios para o Ceará.
Carlos Mesquita (PROS) lembrou da recente repercussão de que Eunício iria emplacar para o primeiro escalão Gaudêncio Oliveira, vice-prefeito e vice-presidente do PMDB no Ceará. O parlamentar sugeriu que a Câmara elaborasse um documento de protesto a composição dos Ministérios. “Estou temeroso com retaliações que possam a vir contra o Estado porque nossas principais lideranças se postaram contra o impeachment. O prefeito precisa do apoio do governo federal para manter os projetos”, defendeu.
Guilherme Sampaio (PT) criticou a formação por entender ter sido uma aliança política de apoio ao golpe. Ele apontou como um governo interino mudaria toda a estrutura do país, inclusive acabando com ministérios. “Não é de estranhar o boicote do Ceará na composição de ministros, não é o critério republicano de montagem da equipe de Ministério é o de sustentação ao golpe dado”, atestou.
Didi Mangueira (PDT) ressaltou que historicamente o Ceará é chamado nos piores momentos da República para compor o Governo Federal, citando o caso de Ciro Gomes, ministro da Fazenda e Beni Veras, ministro do Planejamento, ambos no governo Itamar Franco. Para ele, há um desejo de enfraquecer o Estado e cortar verbas com a intenção de começar a derrubar o Estado para confundir o eleitor.
Didi apontou que o PSDB e o PMDB contam com nomes para ingressar no governo interino. “O PSDB tem nomes, o deputado Raimundo Gomes de Matos está no sexto mandato deputado federal, foi prefeito de Maranguape, vereador de Fortaleza, tem capacidade de representar bem o Ceará. Será se no PMDB não tem nomes? Tem sim, o que não tem é desejo de contemplar o Ceará”, disse.
Antônio Henrique (PDT) afirmou que a bancada federal deve lutar pelos recursos federais cearenses. Segundo ele, a ausência de cearenses nos Ministérios ocorre pela falta de apoio da maioria do Estado no processo de impeachment. Salientando um retrocesso cultural e no movimento LGBT, Paulo Diógenes (PSD) afirmou que o governo foi construído de ódio e não pensa nas minorias.
Pedro Matos (PSDB) afirmou que o futuro do país não depende de partido políticos, sendo preciso a unificação e diálogo, o que faltou no governo Dilma. O vereador atestou que o PSDB não está no governo Temer em troca de cargos e que os partido não deixaria de trabalhar pelo futuro do Brasil por isso. “Nós não estamos no governo temer em troca de cargos, fico abismado quando dizem que vamos perder força nos ministério. A Dilma não sabia o nome de um deputado federal”, disse.
Ele afirmou também que o seu pai, Raimundo Gomes de Matos, não teria votado a favor do impeachment pensando em conquistar cargos ou Ministérios.