Edison Silva

Categoria: FHC


10:55 · 16.06.2017 / atualizado às 10:55 · 16.06.2017 por

Está na revista Veja em circulação, uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual ele, implicitamente sugere a renúncia do senador Aécio Neves, embora não faça qualquer referência ao nome dele.

Aécio é um problema para o PSDB. O partido rompendo com o presidente Temer, por conta das acusações que lhes são feitas de malfeitos que denigrem a imagem de qualquer cidadão, para ser coerente tem que tomar uma providência drástica contra Aécio, um dos seus principais expoentes.

Só o fato de ele estar afastado da presidência do diretório nacional da agremiação, não confere ao PSDB o direito de dizer que o puniu pelos seus malfeitos, parecidos com o de Temer.

Há uma perspectiva de que Aécio renuncie ao cargo de presidente do PSDB, para o partido fazer uma eleição e escolher o seu presidente, cujo nome, natural, seria o do senador cearense Tasso Jereissati, atualmente vice-presidente no exercício da presidência.

Leia parte da entrevista de Fernando Henrique que está no site da revista Veja, e atente para a última frase do ex-presidente:

‘Se ficar difícil, cabe a quem tem responsabilidade renunciar’

Para o ex-presidente FHC, dependendo das explicações que Temer apresentar para a denúncia da PGR, não restará melhor saída que ‘tomar ele próprio a decisão’

Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer terá uma chance de “se explicar ao país” no momento em que a Procuradoria-Geral da República oferecer denúncia contra ele. Mas, a depender dessa explicação, e do surgimento de fatos novos, não restaria ao presidente melhor saída que “tomar ele próprio a decisão”.

O comentário mais ameno entre os críticos da decisão do PSDB de permanecer no governo foi que, com ela, o partido deixou de se diferenciar do PT no plano ético e se igualou ao PMDB no modo de fazer política. O senhor discorda disso?

Eu compreendo esse modo de ver as coisas. Porém, se você encarar de outro ponto de vista, o que houve foi que o PSDB pesou o que aconteceria com o governo e com o país. Não foram todos, claro. Uns tomaram a decisão pensando em si, outros pensando na imagem do partido. Quando se pensa na questão com mais responsabilidade, o que se conclui é que o PSDB, ao sair, tira o tapete do governo. E fazemos o que depois? A racionalização da questão por parte dos mais responsáveis é que a saída do PSDB do governo desequilibra o sistema. Mas, como a situação está complicada e a cada dia há fatos novos, é natural que as pessoas mais responsáveis também acompanhem essas transformações.

Qual o limite de tolerância do PSDB?

Acho que já passou do limite.

Então o que falta para o partido desembarcar?

Os fatos vão aparecendo semana a semana. A questão que vai se colocar, vai continuar se colocando, é como o governo vai reagir ao que está aí. O governo vai convencer a sociedade de que aquela conversa com o Joesley foi apenas uma cilada ou onde tem fumaça tem fogo?

Qual a sua opinião sobre isso?

Minha opinião é que ele tem de explicar duas coisas: as malas. São duas malas de dinheiro. Para quem foram? Que caminho tomaram? A segunda coisa: houve alteração na fita? Por isso é que o PSDB tomou tempo: você tem de dar o direito de defesa ao presidente da República. Mas, dado o direito, ele tem de se defender. Tem de convencer o país.

Mas ele já não teve tempo suficiente?

Vamos ver o que o procurador-geral da República vai dizer. A denúncia é vazia ou concreta? Se for concreta, o governo vai ter de se explicar. O mesmo vale para todos.

 

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Blog da editoria Política, do Diário do Nordeste.
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