Edison Silva

Categoria: Fim de Governo


12:07 · 23.12.2012 / atualizado às 12:07 · 23.12.2012 por

A Prefeitura de Fortaleza está quebrada. Não há consistência em nenhum dos argumentos apresentados pela prefeita Luizianne Lins, para não promover o Réveillon deste ano. O único motivo de inviabilização da festa, patrocinada pela Prefeitura da Capital, foi o resultado adverso da eleição de outubro passado, ao impor uma derrota ao candidato patrocinado pela chefe do Executivo da cidade, obrigando-a a rearrumar a administração, mais golpeada ainda ao longo da campanha eleitoral, finda em outubro passado.

Em outra oportunidade já nos reportamos sobre a questão. Lá atrás, quando Luizianne disse que precisaria de garantias do futuro prefeito, Roberto Cláudio, para fazer os gastos com a festa, pelo fato de no dia seguinte à sua realização não ser mais a chefe dos ordenadores de despesas, já deixou implícito não estar economicamente em condições de bancar o evento, dada as exigências dos seus atores: cantores, músicos e afins, em qualquer momento do ano ou local do País, dentre elas o pagamento antecipado, sem o qual não sobem ao palco.

E a Prefeitura de Fortaleza, hoje, não tem recurso para bancar qualquer despesa extra. Está a própria prefeita, nos seus últimos dias de mandato, desenvolvendo um grande esforço para conseguir a liberação de alguma verba federal a fim de cobrir despesas feitas sem a devida garantia de pagamento. Fosse outra a situação política, Luizianne entregando o cargo a um seu correligionário, a situação seria diferente. No discurso para os incautos, o quadro era de maravilha e não estaria havendo transição para permitir que parte da realidade viesse ao conhecimento da população.

Fosse o senhor Eudoro Santana, o coordenador da equipe de transição apresentada pelo prefeito eleito Roberto Cláudio, aquele Eudoro dos discursos contundentes na Assembleia Legislativa ou nos palanques, a coletiva de imprensa da última terça-feira, para anunciar o fim dos trabalhos da equipe com os representantes da prefeita, teria feito um relato do já apurado, mais o conseguido de outros servidores, bastante contundente e arrasador.

O secretariado municipal, a partir de janeiro, por decisão do prefeito Roberto Cláudio, não como se fosse fazer uma caça às bruxas, mas para começar sendo transparente, terá que dizer ao fortalezense como está a situação de cada um dos setores da administração de forma pedagógica e realista. Não com a finalidade de execrar a gestão finda, nem tampouco com o sentido de justificar, antecipadamente, uma razão para atrasar a execução do projeto governamental tão publicizado no curso da campanha eleitoral, como ocorreu em 2005, quando a Prefeitura deixou de ser administrada pelo PMDB, e passou ao comando do PT.

Como se não bastasse o desnudar da administração de Luizianne, para enfraquecê-la politicamente, o apoio logístico e financeiro que o Governo do Estado dará à nova administração de Fortaleza vai ampliar o desgaste da petista.  A festa do Réveillon, anunciada pelo governador Cid Gomes ao lado do prefeito Roberto Cláudio, na última quinta-feira, afiança este raciocínio e em termos de resultados é muito bom para a população, ao tempo que político e eleitoralmente beneficiará tanto ao governador quanto ao prefeito.

A favor do governador é a confirmação do seu interesse em ajudar a administração de Fortaleza, e não o fazia pela resistência de Luizianne. E para o prefeito, o benefício é maior ainda posto que a ele serão creditados os benefícios auferidos pela população.

 

 

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Blog da editoria Política, do Diário do Nordeste.
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