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Categoria: Grito dos excluídos


09:25 · 08.09.2014 / atualizado às 09:25 · 08.09.2014 por

Por Yohanna Pinheiro

Em ato por mudanças na política brasileira, dezenas de pessoas participaram, ontem, da 20ª edição do Grito dos Excluídos em diferentes regiões da Capital. Na ocasião, foram recolhidas assinaturas para projeto de lei de iniciativa popular pela reforma política e a votação de um plebiscito pela criação de uma Assembleia Constituinte Exclusiva voltada para a transformação do sistema político brasileiro.
As duas iniciativas, que contam com o apoio da Regional Nordeste I da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de mais de 400 organizações sociais, acontecem simultaneamente em todo o Brasil e têm o objetivo de exercer pressão social por efetivas mudanças no sistema político do País. As concentrações aconteceram nas praças do Otávio Bonfim, Canindezinho, Conjunto Palmeiras e nas paróquias de São Pedro (Barra do Ceará) e do Mondubim.
De acordo com o padre Luís Sartorel, assessor das pastorais sociais da Arquidiocese de Fortaleza, ainda não há levantamento de quantos votos foram coletados na Capital até o dia de ontem. Embora o plebiscito estivesse programado para acontecer de 1º a 7 de setembro, Sartorel afirma que o prazo foi ampliado por alguns dias e a votação ainda deve acontecer hoje. “O voto na urna termina amanhã (hoje) e a partir de terça-feira (9) deve se fazer a contagem”, explicou.
Já o recolhimento de assinaturas para a lei de iniciativa popular pela reforma política, iniciada ontem, deverá acontecer até que sejam reunidas, em todo o País, 1,5 milhão de assinaturas. O aposentado Manuel Rodrigues de Souza foi um dos cidadãos presentes ao ato na Praça Otávio Bonfim, na manhã de ontem, para votar no plebiscito e assinar o projeto de lei. “Se chegarmos a mudar o sistema político, eu penso que vai ser bem melhor. Estamos num sistema tão degradado que, se não mudar, a tendência é piorar”, afirmou.
Entre as mudanças reivindicadas no projeto de iniciativa popular, está o fim dos financiamentos de campanhas por empresas privadas. “Nós sabemos hoje que os empresários e pessoas até bem intencionadas fortalecem muito um candidato (com recursos) para elegê-lo. De forma simbólica: investe um real e tira dez. Porque a gente sabe como é que isso funciona no Brasil da corrupção”, apontou o Padre Bezerra, vigário episcopal da região São José.
Outra mudança é a realização de eleições proporcionais em dois turnos. Conforme a proposta, no primeiro turno o voto seria direcionado aos partidos, que deveriam apresentar seus posicionamentos e conteúdos programáticos. No segundo turno, já definido o número de vagas pertencente a cada partido, o voto seria direcionado aos candidatos. “Porque, no sistema de hoje, você vota em um e o voto vai para outro”, destacou o vigário.
O projeto também defende maior representação das mulheres nos parlamentos brasileiros e maior participação popular através de plebiscitos e referendos. “Homens e mulheres têm direito a pleitear com os mesmos direitos, as condições de fazer algo pelo seu País”, afirmou.
Para assinar o projeto, é necessário levar o título de eleitor e um documento com foto para qualquer entidade que esteja recolhendo assinaturas. Na Capital, paróquias, associações e sindicatos disponibilizam as fichas para coletas de assinaturas, assim como o secretariado da Pastoral da Arquidiocese de Fortaleza e o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, ambos no Centro.
Embora o Grito dos Excluídos tenha reunido representantes de diversos setores da sociedade, a maioria das pessoas que participaram do evento eram ligadas às pastorais da Igreja Católica. De acordo com o padre Luís Sartorel, a manifestação é uma forma de concretizar a fé cristã. “(Estamos) contribuindo como cristãos, enquanto cristãos, para a construção de uma sociedade mais fraterna, mais justa e mais participativa”, apontou.
Ele ressalta, entretanto, que não é de interesse da igreja católica impor a visão cristã. “Porque isso seria criar um estado religioso, isso já passou da história, mas a contribuição como cidadão, cada cristão não só pode como deve dar. E o grito (dos excluídos) é uma forma de manifestar essa vontade de expressão de cidadania”.
O candidato ao Governo Ailton Lopes (PSOL) também participou das atividades do Grito dos Excluídos, na Praça Otávio Bonfim, na manhã de ontem. Segundo afirmou, sua participação está ligada à militância na pastoral da juventude. “Esse não é um evento da igreja, é um evento de toda a comunidade”, apontou o candidato, afirmando defender a reforma política para garantir a participação popular.