Edison Silva

Categoria: Igual


20:54 · 17.04.2016 / atualizado às 20:54 · 17.04.2016 por

Lamentavelmente, como Chico Buarque de Holanda, não vamos poder ao dizer “amanhã há de ser outro dia”, qualquer tenha sido a decisão da Câmara dos Deputados, ao fim deste domingo, autorizando ou não a abertura do processo de impeachment para a deposição da presidente Dilma Rousseff. E não cantaremos como o grande artista brasileiro pelo simples fato de continuarem, como estão, as mazelas da política, pois são os mesmos políticos geradores desta realidade que continuarão comandando o Executivo e o Legislativo, as partes apodrecidas do Poder Nacional.
A crise, chegada ao seu ápice hoje, é política e econômica, sim. Mas ela é fruto de uma mais grave ainda que é a moral, e também ética, patrocinadoras dos desmandos das mais diversas matizes, da corrupção desbravada e da cumplicidade da maioria da classe política, ao fim, mesmo a parte não tão entranhada no ambiente delituoso posto dela se beneficiar, em participando, até certo ponto silente, da regra eleitoral vigente, onde a pecúnia é a garantidora dos votos necessários aos mandatos legislativo e executivo, em qualquer das esferas do Poder. E não importa de qual erário brote o dinheiro, sempre sujo, servido também para garantir as riquezas podres, hoje muitas delas desmascaradas pela Lava Jato.
É possível até que os pervertidos se sintam compelidos a conter o ímpeto da malversação dos recursos públicos nos dias seguintes. Mas, com certeza, não será pelo resultado da decisão de hoje da Câmara Federal. A pressão contra os dilapidadores do patrimônio público está em curso há algum tempo. O ainda tímido exercício da cidadania da nossa parte, por certo, tem estimulado as ações dos órgãos fiscalizadores e, claro, contribuído para reduzir a corrupção, porém ainda insuficiente para defenestrar do mundo político nacional, os políticos profissionais da malversação que tanto prejuízos já trouxeram à população brasileira.
Com ou sem Dilma Rousseff, a Câmara dos Deputados continuará, por mais algum tempo, a ser presidida pelo deputado Eduardo Cunha, réu, em processo no Supremo Tribunal Federal, por ações tidas como criminosas, quando relacionadas a desvios de recursos de obras da Petrobras. Permanecerá presidindo o Senado da República, o senador Renan Calheiros, denunciado pelo procurador-geral da República por práticas consideradas delituosas incompatíveis com o exercício de tão honroso cargo na estrutura da República. E não só eles lá permanecerão, pois tantos são os outros de vida pregressa incompatíveis, também para as atividades públicas, cujos mandatos se expiram apenas após o pleito de 2018.
O vice-presidente Michel Temer, mesmo sendo do PMDB de Cunha, Renan e outros, não está no mesmo “balaio” deles, ressalte-se. Porém, está muito aquém, na questão da respeitabilidade, de alguns nomes peemedebistas do passado, onde se incluem, dentre outros, Ulysses Guimarães, Paulo Brossard e Pedro Simon. Michel, também por ter estado ao lado de Dilma ao longo dos últimos 5 anos, dizendo amém às ações governamentais de ordem administrativa e política, sobretudo as ligadas aos seus correligionários peemedebistas no ministério, ou nos demais cargos executivos da União, não oferece segurança à Nação de ser capaz de fazer as mudanças reclamadas.
Toda a patota do vice Michel Temer já esteve no Governo Dilma. É corresponsável pela má gestão. Os que se agregarem, aceitando a liderança dele, no caso do afastamento de Dilma, podem fazer a diferença, se, de fato impuserem um novo estilo de gestão, diametralmente oposto ao que Temer está acostumado a aceitar e apoiar. Diferentemente de José de Alencar, o vice de Lula que sempre se insurgiu contra a política econômica da época, Temer se notabilizou foi pelo dizer, na célebre carta à presidente, que sempre foi, de fato, um vice decorativo.
Dilma, ficando no cargo, permanecerá com o País na UTI. O seu segundo mandato, no início do ano passado, já começou fragilizado. Sua equipe é medíocre. Qualitativamente, sua base política, incluindo os líderes nas duas Casas do Congresso, como os cearenses bem os conhecem, não está a altura de um Governo que a Nação precisa, pois fisiologista e descompromissada com as grandes questões internas e externas. As promessas recém-feitas por ela sobre um grande pacto, vencida com sucesso a disputa deste domingo, como as demais, são palavras soltas, promessas vãs, mais um engodo.
A maioria dos políticos cearenses está com Dilma. O governador liderou o movimento contra o processo de impeachment ao lado de Cid Gomes. Os dois se deslocaram para Brasília e, com Ciro Gomes, tentaram demover deputados de outros Estados da ideia de apoiarem o processo de impedimento da presidente. Dilma, no seu Governo, deixou muito a desejar ao Ceará, principalmente aos irmãos Cid e Ciro Gomes, quando empenhados estavam na eleição do governador Camilo Santana. O apoio dado pelo senador Eunício Oliveira ao Governo Dilma, no Senado, inibiu a intervenção dela na eleição de Camilo Santana.
A bancada do Ceará, no processo contra o ex-presidente Collor, em 1992, votou, na sua quase totalidade pelo afastamento do então presidente. Só os deputados Etevaldo Nogueira Lima e Carlos Virgílio Távora, votaram com Collor. O terceiro parlamentar cearense da relação de apoiadores do ex-presidente, Antônio dos Santos, não compareceu à sessão da Câmara daquele histórico 29 de setembro de 1992.

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Blog da editoria Política, do Diário do Nordeste.
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