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Categoria: Ilícito


09:53 · 11.08.2018 / atualizado às 09:53 · 11.08.2018 por

Por Miguel Martins

Deputados da Assembleia Legislativa cearense estão preocupados com a compra e venda de votos no Interior do Estado, que segundo disseram, ainda são responsáveis pela eleição de muitos parlamentares que não têm interesse com os anseios da sociedade. De acordo com eles, o eleitor que negocia seu voto em troca de favores ou dinheiro é tão prejudicial para a democracia quanto o político corrupto.

Já há algum tempo, deputados da base governista e opositores criticam, da tribuna do Plenário 13 de Maio casos de envolvimento do poder econômico na campanha eleitoral que podem influenciar nos rumos do pleito de outubro próximo. O deputado Heitor Férrer (SD), por exemplo, disse que a cada ano há uma maior conscientização da população, mas também existem aquelas pessoas que não aprenderam ao longo dos anos.

“Se essa crise brasileira, no caso da Operação Lava Jato, não for capaz de trazer mais conscientização ao eleitor, para que serviu?”, questionou. Heitor Férrer afirmou que “ainda é muito forte” no Ceará o ato de seguir lideranças locais que muitas vezes “vendem” o eleitor. “Isso é muito comum à prática de vereadores, de prefeitos, que mesmo o deputado ajudando com verbas parlamentares, quando vai buscar o voto, tem que cair com o dinheiro para a compra do curral”.

O eleitor, segundo os deputados, ainda que não se justifique, muitas das vezes é carente, o que facilita a venda do voto. “Se alguém comete o crime de compra, alguém cometeu o crime de venda”, disse Heitor Férrer.

O parlamentar chegou a sugerir, porém, que o eleitor engane quem transforma o voto em mercadoria. “Quem compra a mercadoria, faz dela o que quer. Joga na panela quente, joga no lixo, dá para os porcos. Os mandatos porcarias existem porque comprou o voto e fez dele o que quis”.

O deputado Manoel Santana (PT), que já denunciou ao Ministério Público Eleitoral casos de utilização do poder econômico na campanha deste ano, mas não citou nomes. Esta semana, porém, na Assembleia, ele afirmou que o vice-prefeito de Juazeiro do Norte, Geovanni Sampaio, chegou a apontar um candidato a deputado comprando lideranças locais.

De acordo com o petista, o número de eleitores conscientes cresceu nos últimos anos, mas ainda existe um percentual relevante que favorece ao mecanismo da compra de votos. “O eleitor que não tem consciência política é quem favorece a manutenção desse processo na medida em que troca seu voto por vantagens, e o pior é que ele vende barato”, lamentou.

Já o deputado Carlos Felipe (PCdoB) disse que os deputados podem utilizar a tribuna da Casa para fazer uma discussão junto ao eleitorado sobre a importância do voto consciente. “Eu acho que, infelizmente, ainda existe muita gente, sobretudo nas regiões do Interior, onde você monitora facilmente a quantidade de votos que vai tirar, em que o poder econômico se liga ao cabo eleitoral e uma pessoa que nunca prestou serviço àquela área, tem votação expressiva”.

Ele afirmou ainda que a Justiça Eleitoral, apesar de tentar solucionar a questão da corrupção durante o pleito, não possui estrutura para realizar o controle e o eleitor é peça fundamental nessa questão.

A deputada Silvana Oliveira (PR), disse que existem regiões em que nada mudou, mesmo com tudo o que aconteceu no País nos últimos anos. “Não vejo mudança na prática de como o eleitor escolhe seu candidato. O cenário que temos nunca foi culpa do político, mas de como pensa a população”.