Edison Silva

Categoria: Inesperada


09:38 · 29.06.2014 / atualizado às 09:38 · 29.06.2014 por

Finalmente, na manhã de ontem, o governador Cid Gomes chamou os seus correligionários do PROS para anunciar sua decisão sobre quem será o candidato do partido ao Governo do Estado. Na noite anterior, Ciro Gomes arrancou de todos eles: Domingos Filho, Izolda Cela, Leônidas Cristino, Mauro Filho e Zezinho Albuquerque, o compromisso de aceitarem, sem objeções, o nome escolhido.

Essa reunião foi suspensa antes do jogo do Brasil, depois que o deputado federal José Guimarães, aceitando  ponderações dos correligionários desistiu de disputar a vaga de senador, mas indicou o nome do deputado estadual petista Camilo Santana, para ser o candidato a governador. Aceitaram, sem questionamentos, para surpresa de políticos cearenses que acompanhavam a disputa dos cinco filiados do PROS para um  deles ser o candidato a governador.

Mas o PT estadual precisava referendar a indicação de Guimarães. Camilo, no PT é visto como cidista e não petista propriamente. O partido referendeu e à noite, uma nova reunião acertou que Camilo seria o candidato a governador, José Albuquerque ficaria na vice, e Mauro Filho disputaria o Senado.
Governança
Nunca, candidatos com perspectivas de governar este Estado foram escolhidos de forma tão personalista como os que serão apresentados oficialmente hoje. Prevaleceram, de ambos os lados, da situação e da oposição, o poderio político e econômico, sem qualquer debate com apoiadores e nem sequer com os integrantes das respectivas chapas que, se conhecem pessoalmente por morarem no mesmo território, mas com ideias e propostas diferentes, pois sempre, politicamente, caminharam por trilhas diferentes.
A democracia brasileira, como o nosso próprio País, é de uma singularidade, sem similaridade. Ela existe com arremedos de partidos, pois são cartórios comandados, não por tabeliães, mas por políticos pequenos que com eles (cartórios) sustentam suas vaidades e de onde chegam a tirar proveitos econômicos.
E o resultado dessa situação anômala são alianças firmadas, a cada eleição, para apresentação de candidaturas questionáveis nos mais diversos sentidos, dentre eles o da falta de preparo e espírito público de muitos dos que aí estão, sem se falar nos rompimentos, logo depois da eleição, por conta dos conflitos de interesses pessoais e de governança, causando sérios prejuízos à administração.
Ora, como se admitir uma aliança, como a do Governo, com mais de 20 partidos, firmada sem que qualquer deles soubesse quem era o candidato à sucessão estadual, o cargo mais importante em disputa? E a da oposição, liderada pelo PMDB, fechada no limite do Calendário Eleitoral, por imperiosa necessidade dos partidos que a integram? Óbvio que são agrupamentos fisiológicos, sem nenhum compromisso com a governança, meta primeira dos entendimentos feitos entre agremiações comprometidas com os seus estatutos, com o fortalecimento da democracia, e com o engrandecimento do Estado e do seu povo.
Importante
O País reclama uma urgente mudança dessa fatídica realidade político-partidária. E não se trata só de Reforma Política, que seria, com os personagens de hoje, apenas mais um engodo. A relação dos candidatos apresentados, com honrosas exceções, deixa muito a desejar e projeta um quadro de futuro nebuloso, sobretudo no Legislativo, onde teremos uma renovação, como aqui já foi dito, expressiva numericamente, mas inexpressiva qualitativamente. E como o Poder Legislativo é importante numa democracia representativa! É nele, onde deputados e senadores, tendo altivez, competência e respeito à Constituição, independentemente dos humores do Executivo, respondem aos anseios da sociedade.
Senador
Aliados do governador estão preocupados com a repercussão do nome do candidato ao Senado, deputado José Guimarães, apresentado pelo PT. Alguns deles lembraram ao chefe a disputa em 1970, quando o hoje deputado federal Mauro Benevides, então filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), a minoritária agremiação de oposição ao único partido da Revolução de 1964, derrotou, de maneira fragorosa, o candidato Edilson Távora, apresentado pelo governador César Cals, nome de prestígio no comando militar que estava à frente do Governo brasileiro à época.
O nome de Edilson sofria restrições da parte do ex-governador Virgílio Távora. Também não era simpático ao outro ex-governador, Adauto Bezerra, mais próximo de Virgílio do que de César. Não havia contra Edilson objeções de ordem moral, só políticas. E isso foi o suficiente para o nome de Mauro ter a avalanche de votos que o levou ao Senado.
As pesquisas de consumo interno no Governo já demonstravam, antes da reação de correligionários de Cid, ser temerosas, para toda a chapa majoritária, a inclusão do nome do deputado petistas. Gestões, de forma delicada foram feitas no sentido de ele evitar o constrangimento, indicando um outro nome para o cargo ou negociando outra posição na chapa.
Não surtiram efeito, e outras tentativas de solucionar o problema foram buscadas com lideranças nacionais petistas, aceleradas na sexta-feira, após o Governo ter sido informado da disposição de Tasso de ser candidato ao Senado na chapa do candidato Eunício Oliveira ao Governo do Estado e os números mostrarem as boas perspectivas que tem de ser o preferido do eleitorado cearense neste ano.

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Edison Silva

Blog da editoria Política, do Diário do Nordeste.
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