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Categoria: Influência


12:21 · 02.08.2018 / atualizado às 12:23 · 02.08.2018 por

O deputado estadual Ferreira Aragão (PDT) alertou para o impacto que o crime organizado pode ter nas eleições deste ano. Em discurso proferido na manhã desta quinta, 2, na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE), o parlamentar afirmou que, em diversas comunidades, não é possível fazer campanha.

“Se você for pedir voto, é assassinado”, declara. De acordo com ele, os criminosos não aceitam a presença de pessoas desconhecidas nas comunidades nas quais atuam, com pessoas correndo o risco de serem mortas por serem confundidas com integrantes de organizações rivais. “É preciso ser muito macho para entrar (nessas comunidades). É preciso não ter medo de morrer”, diz.

Para o parlamentar, o governo federal já deveria ter assumido um maior protagonismo no tema, já que a articulação das facções há muito superou as divisas estaduais.

Em aparte, Manoel Santana (PT) também reconheceu a influência que a criminalidade terá sobre o processo eleitoral. De acordo com ele, não se trata apenas de criminosos impedindo campanhas, mas mesmo apoiando nomes nas disputas para defender seus interesses. “São narcopolíticos que querem apropriar-se dos votos dos pobres”, explica.

Capitão Wagner (Pros), em discurso, afirmou que o País caminha para uma “mexicanização”, com criminosos tendo ampla influência nas eleições, inclusive assassinando candidatos que se contraponham a eles. Entretanto, o parlamentar responsabiliza o governo estadual pela crise da segurança.

 

10:47 · 13.03.2018 / atualizado às 10:47 · 13.03.2018 por

Em artigo na edição do jornal Folha de S.Paulo desta terça-feira, o jornalista Bruno Boghassian escreveu sobre a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República o seguinte artigo:

Sem aliança forte, Ciro pode ser engolido pelo poder de Lula

Presidenciável atrai voto lulista, mas falta de estrutura política ameaça campanha

Ciro Gomes durante o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República
Ciro Gomes durante o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República – Sergio Lima/AFP

Ainda que Lula fique de fora da corrida presidencial, a eleição deste ano será marcada por uma dose significativa de lulocentrismo. A migração dos votos do ex-presidente deve definir o candidato que irá ao segundo turno pela esquerda, sob a forma de uma lista tríplice em que despontam Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e, provavelmente,Fernando Haddad (PT).

O virtual sumiço de Marina e o teatro da indecisão petista sobre seu plano B deram fôlego extra a Ciro na largada. O ex-ministro começou a atrair parte dos eleitores fiéis de Lula —incluindo aqueles que apontam o PT como partido de preferência e dizem que votariam no candidato indicado pelo ex-presidente.

Ciente de que não deve obter o apoio formal dos petistas, Ciro decidiu correr por fora: reforçou o discurso para tentar se transformar em herdeiro natural do espólio de Lula.

O presidenciável passou a divulgar uma plataforma econômica que pode atrair empresários órfãos das políticas de incentivo à indústria implantadas pelos petistas, além de sindicatos e trabalhadores do setor.
O ex-ministro tem potencial para se consolidar como alternativa viável a Lula na esquerda, mas precisará reverter sua falta de estrutura partidária e seus recentes atritos com o PT.

Depois de meses de ataques aos petistas, Ciro acentuou suas críticas aos processos judiciais contra Lula, em um esforço claro de alinhamento a seu eleitorado. O pedetista tem 7% das intenções de voto entre aqueles que concordam com a condenação do ex-presidente e 14% no grupo que considera a decisão injusta.

Falta o mais difícil: força política. O PDT é um partido relativamente pequeno, com direito a apenas 33 segundos na propaganda eleitoral e poucos recursos para financiar campanhas —enquanto o PT tem quase o triplo dessa estrutura. Sem alianças, Ciro pode ser engolido pelopoder de influência de Lula e ver um poste do ex-presidente tirar de suas mãos uma vaga no segundo turno.

Bruno Boghossian