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Categoria: Liberar


10:39 · 20.05.2018 / atualizado às 10:39 · 20.05.2018 por

Por Miguel Martins

 

O governador Camilo Santana foi à sede nacional do PDT, ainda em 2015, prestigiar a filiação de Ciro Gomes ao partido, para ser candidato a presidente da República FOTO: Hermínio Oliveira

Apesar de o governador Camilo Santana não esconder sua preferência quanto a disputa à Presidência da República, petistas discordam de um possível apoio no primeiro turno ao nome do pedetista Ciro Gomes. De acordo com parlamentares da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa, o chefe do Poder Executivo terá que respeitar o estatuto da agremiação e apoiar nome da legenda para a disputa.
No entanto, ainda não está claro dentro do PT se o grêmio terá candidatura própria ou se vai apoiar qualquer outro nome do campo de centro-esquerda. Até o momento, porém, qualquer posicionamento contrário à pré-candidatura do ex-presidente Lula é visto com discordâncias dentro da cúpula petista.
Mas não é de hoje que o governador Camilo Santana aponta a possibilidade de Ciro encabeçar uma chapa com um nome do PT como vice. Desde o início de 2017 ele vem defendendo esse posicionamento, inclusive, suas declarações em público, além da participações em eventos do pré-candidato do PDT, demonstram de que lado ele deve estar quando da disputa eleitoral que se avizinha.
Pedetistas, inclusive, lembram que quando da candidatura de Camilo Santana ao Governo do Estado, em 2014, nem o ex-presidente Lula ou a então presidente Dilma Rousseff, que tentava reeleição à época, estiveram ao lado do petista. Na ocasião, Camilo disputava o Governo contra o senador Eunício Oliveira (MDB), que também era aliado do Partido dos Trabalhadores em nível nacional.
Membros do PDT destacam que os irmãos Cid e Ciro Gomes não só apostaram na viabilidade da candidatura de Camilo Santana, como foram os principais financiadores de sua campanha vitoriosa. Não causa nenhuma estranheza na política local o fato de Camilo, já há muito tempo, defender o nome de Ciro no pleito deste ano ao Palácio do Planalto.
Desde o ano passado, o governador do Estado destacava os feitos de Lula, mas salientava que era preciso renovar na política e dar oportunidade para novas lideranças. Já naquela ocasião, ele afirmava que iria defender, no debate, um diálogo para construção de uma aliança nova para as eleições de 2018. O chefe do Poder Executivo sempre foi defensor de uma dobradinha Ciro/Haddad, pela admiração que nutre ao ex-prefeito de São Paulo.
No entanto, desde então isso não tem agradado a algumas alas do Partido dos Trabalhadores. O presidente interino da legenda no Ceará, Moisés Braz, por exemplo, afirmou respeitar o posicionamento do governador, mas disse que tal pensamento está fora de cogitação. Ele ressaltou, porém, que qualquer possibilidade de imposição de voto de Camilo em uma candidatura petista só será debatida quando da reunião de tática eleitoral da sigla, que deve acontecer somente no final de junho.
De acordo com Braz, a conjuntura atual aponta para que todos os partidos de esquerda e centro-esquerda apresentem suas candidaturas, e que Lula será o candidato da legenda. “Não há qualquer possibilidade de plano B. Respeito a posição do governador e de qualquer membro do PT, mas não existe qualquer possibilidade de liberar filiados do partido para votarem em outros candidatos”, afirmou.
O governador deve participar do encontro de tática eleitoral do PT, em junho, e lá poderá emitir sua opinião sobre o momento político pelo qual passa o partido. De acordo com Moisés, qualquer posição da legenda só será definido após o encontro.
O deputado Elmano de Freitas foi mais incisivo, e segundo ele, se há interesse de Camilo em ser candidato pela legenda, ele terá que apoiar o nome do ex-presidente para a disputa. “Não há qualquer chance de isso acontecer. Não há possibilidade de liberar filiado para apoiar outro nome. Se o Camilo quer ser governador pelo PT, a candidatura de presidente é do Lula”.
“Eu divirjo dele, e acho que temos que seguir com o Lula. Se o Camilo quiser fazer o debate, vamos fazer. Mas acho um equívoco político esse posicionamento”, disse o petista. Segundo ele, as declarações do governador não corroboram com a estratégia que a legenda estaria construindo. “O PDT tem sido um aliado, assim como a Manuela do PCdoB, e o Boulos, do PSOL. Respeitamos as candidaturas, mas o PT deve apresentar candidatura, e neste momento é do Lula”.