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Categoria: Mandatos


10:11 · 28.08.2017 / atualizado às 10:11 · 28.08.2017 por

Uma série de parlamentares da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) estuda disputar a eleição do ano que vem, seja para a Câmara dos Deputados seja para a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE). Apesar de apontarem que a discussão sobre 2018 ainda é preliminar e precisa ser amadurecida com os respectivos partidos políticos e apoiadores, eles demonstram o desejo de tentar um novo cargo em outubro do ano que vem.

Um desses parlamentares é Célio Studart (SD). O vereador pode tentar chegar a Brasília: ele estuda uma candidatura a deputado federal. “Se percebermos que há uma condição, uma necessidade nesse sentido, poderemos ir”, diz. Studart afirma que, no momento, a sua prioridade é fazer um bom mandato na CMFor, mas que existe a necessidade de uma renovação na bancada cearense. “Essa situação do Brasil pede que o Ceará tenha bons representantes”, declara.

O PR, maior partido de oposição ao prefeito Roberto Cláudio (PDT), também avalia lançar parte de sua bancada. De acordo com Julierme Sena, se o partido escolher nomes entre os parlamentares, serão o dele e o do terceiro vice-presidente da Casa, Idalmir Feitosa. Este afirma que pode concorrer a deputado federal, enquanto aquele avalia tentar chegar à AL-CE. Os dois, porém, afirma que as candidaturas precisam ser negociadas com o partido.

O presidente da Casa, Salmito Filho (PDT), é outro que deve disputar a eleição do ano que vem. O trabalhista, em entrevista, confirmou o desejo de deixar a CMFor e tornar-se um deputado estadual. “Tanto a equipe do nosso mandato quanto os líderes do nosso grupo político (referindo-se ao prefeito Roberto Cláudio e aos ex-governadores Cid e Ciro Gomes, todos do PDT) entenderam que pode ser um bom momento de eu continuar trabalhando pela população de Fortaleza e também pelo Ceará”, declara. Salmito deixou claro que a iniciativa partiu dele.

O parlamentar, ao defender sua candidatura, faz também uma defesa da vida pública. “O Brasil está enfrentando uma grave crise política. Mas não há saída, na vida em sociedade, que não seja pela política”, explica. De acordo com o postulante à AL-CE, “não se pode matar a vaca por causa do carrapato”. Ele declara que é preciso aperfeiçoar os processo políticos, e isso é feito através “de militância política, transparência, regras claras…”.

No PDT, maior partido da Casa, pelo menos dois outros legisladores municipais demonstram interesse em participar da disputa do próximo ano. Um deles é Ziêr Férrer. De acordo com o vereador, ainda não há conversas dentro do PDT sobre a formação da chapa proporcional. Entretanto, ele gostaria de apresentar seu nome, pautando-se, principalmente, pela busca de recursos para a Saúde e para obras de saneamento básico.

Já o primeiro vice-presidente da Casa, Adail Jr. (PDT), pretende disputar vaga para deputado estadual. “Como em toda profissão, o político não quer ficar parado”, explica. O trabalhista afirma que é “apaixonado pela Câmara”. Entretanto, gostaria de chegar à AL-CE para também poder ajudar a população de sua cidade natal, Saboeiro. “Acho que esse é o momento”, diz.

O PPL também já iniciou as discussões sobre 2018. Dos três vereadores que o partido têm em sua bancada municipal, pelo menos dois são sondados para a disputa do ano que vem: a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, Larissa Gaspar, e o líder da bancada e presidente da Comissão de Legislação e Justiça, Gardel Rolim. Larissa afirma que ela e Gardel podem concorrer ou à Assembleia ou à Câmara dos Deputados, sendo a segunda a mais provável. “Acho que seria importante para o partido ter um deputado federal, até pela conjuntura política”, explica. Larissa, entretanto, diz que as conversas são preliminares, e que a legenda aguarda a votação da reforma política para traçar uma estratégia.

Gardel Rolim, entretanto, não demonstra interesse. Segundo ele, seu nome foi sondado pelo partido para disputar não o posto de deputado federal ou estadual, mas de senador. Entretanto, no que depender de sua vontade, ele deve encerrar seu mandato na CMFor. Em junho, ele não excluiu a possibilidade de concorrer na disputa do ano que vem. Entretanto, afirmou que o faria como uma determinação partidária. “Se for uma determinação do grupo, do partido, eu posso até encarar a missão”, declarou. Agora, porém, ele diz que sua candidatura só aconteceria “em última instância”.

Já o Partido dos Trabalhadores planeja transferir toda a bancada do partido da Câmara para a Assembleia. De acordo com Acrísio Sena (PT), vereador e presidente municipal do partido, tanto ele quanto Guilherme Sampaio devem tentar chegar ao Legislativo estadual. “A intenção é manter a bancada que nós temos hoje na Assembleia”, declara, destacando que a meta é que todos sejam eleitos como titulares da vaga. Dos cinco membros da bancada do partido na Casa, apenas dois – Elmano de Freitas e Moisés Braz – foram conseguiram o feito, com os outros três – Dr. Santana, Raquel Marques e Dedé Teixeira – assumindo inicialmente como suplentes. Após as eleições de 2016, os dois últimos foram efetivados no lugar de parlamentares que se elegeram prefeitos.

O próprio Acrísio já fez um evento de pré-lançamento de seu nome para deputado estadual. No dia 1 de julho, a pré-candidatura do petista foi lançada, em ato na sede da Federação dos Trabalhadores do Comércio no Estado do Ceará (Fetrace), por sua corrente interna dentro do PT, o Movimento Socialista. “Acredito que nossa candidatura possa dialogar e aglutinar setores importantes e históricos na reconstrução do PT, como os movimentos sindical, popular e estudantil”, afirmou o vereador na ocasião.

Sampaio, por sua vez, deve deliberar sobre sua candidatura apenas em outubro. Mas ele diz que vem discutindo isso com sua corrente interna, a Casa Vermelha. “Já fizemos essa avaliação de que deveríamos considerar a nossa candidatura à deputado estadual”, explica. O parlamentar afirma que cogita lançar-se em uma “dobradinha” com a deputada federal Luizianne Lins (PT), que deve buscar a reeleição. Procurada por telefone, Lins não atendeu às ligações da reportagem.

Nas eleições de quatro anos atrás, também diversos parlamentares tentaram trocar de Casa Legislativa. Três conseguiram: Vitor Valim (PMDB) chegou ao posto de deputado federal, enquanto Walter Cavalcante (então no PMDB; hoje no PP) e Capitão Wagner tornaram-se legisladores estaduais.