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Categoria: Médicos


10:07 · 28.08.2013 / atualizado às 10:07 · 28.08.2013 por

Por Igor Gadelha

Deputados médicos repudiaram ontem, na Assembleia Legislativa, a hostilização promovida pelo Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec) contra um grupo de 96 estrangeiros inscritos no programa Mais Médicos, do Governo Federal. As agressões foram feitas na noite da última segunda-feira, durante protesto dos profissionais brasileiros em frente à Escola de Saúde Pública, em Fortaleza. No local, os estrangeiros participavam da solenidade de acolhimento organizada pelo Ministério da Saúde. Parlamentares, contudo, mantiveram as críticas ao programa do Executivo Federal.
Durante a manifestação, integrantes do Simec chegaram a criar um corredor humano, por onde os estrangeiros passaram para sair do prédio da Escola de Saúde Pública, no bairro Meireles. Ao passarem entre os profissionais brasileiros, os médicos de outros países foram xingados de “escravos”, “incompetentes” e outras palavras de baixo calão. Segundo o presidente do Simec, José Maria Pontes, o protesto não era contra a vinda dos estrangeiros, mas a favor da aplicação do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida).
“Totalmente perversa a atitude do Simec”, avaliou a deputada Doutora Silvana (PMDB). Para ela, “quem tem de ser xingado é o Governo Federal, que teve a ideia do Programa, e não o ser humano que vem trabalhar no nosso País a convite do Governo”. “Isso é bullying. Protestar, dizer que não concorda com o ‘Mais Médicos’, tudo bem. Julgar a boa fé deles não cabe à nós”, afirmou. A peemedebista, contudo, mantém a opinião de condenar o programa do Governo Federal. Para ela, é preciso mais estrutura de trabalho aos profissionais brasileiros e não mais médicos.
O deputado Lula Morais (PCdoB), por sua vez, classificou a atitude do Sindicato dos Médicos como “preconceituosa”, “desrespeitosa” e “xenófoba”. “Não condiz com a condição política de debate de ideias”, avaliou o comunista, que faz questão de ressaltar estar junto à categoria médica brasileira na luta em prol da exigência do Revalida para os estrangeiros. Mesmo pensamento possui Heitor Férrer (PDT), para quem hostilizações como a que ocorreram na última segunda-feira devem ser “evitadas”. “O Governo Federal, esse sim merece nossa repulsa”, afirmou o pedetista.
O líder do Governo, deputado José Sarto (PSB), também criticou a atitude do Simec. Para ele, todo tipo de hostilização deve ser evitado. “Eles (médicos estrangeiros) não são culpados pelo Programa. Se tivessem interesse econômico, certamente não estariam aqui”, justifica o pessebista, referindo-se ao fato de que, pelo contrato assinado pelo Governo Federal com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e com Cuba, o Brasil fará os pagamentos ao governo cubano, que repassará apenas entre 25% e 40% dos R$ 10 mil pagos aos profissionais.
O deputado Vasques Landim (PR) também repudiou a hostilidade praticada por alguns integrantes do Sindicato dos Médicos contra os profissionais estrangeiros. O republicano lembrou, contudo, que continua não concordando com o programa do Governo Federal. Segundo ele, as críticas à atitude do Simec não eximem os “equívocos” do Mais Médicos. Citando uma série de números, o republicano defende que não há necessidade de mais médicos no Brasil, mas, sim, de mais recursos e condições de trabalho para os profissionais brasileiros.
Landim afirmou que o Brasil tem cerca de 400 mil médicos e é o segundo país do mundo com mais faculdades de Medicina. Segundo ele, são aproximadamente 200 instituições de ensino, das quais 40% são públicas e 60% privadas, as quais formam uma média de 17 mil profissionais por ano. O deputado citou ainda que de 1970 a 2013, o número de médicos brasileiros cresceu 530%, percentual que é maior do que os 105% de crescimento da população. Ele afirma que todos esses números fazem com quem o Brasil tenha uma média de 1 médico para cada 512 habitantes.
“O grande descompasso está na concentração dos médicos nos grandes centros urbanos, porque não têm políticas públicas de atração de médicos para as periferias e para as cidades mais longínquas do interior”, avaliou o parlamentar. Vasques Landim afirma que essa concentração também é consequência da falta de investimentos do Governo na Saúde. De acordo com ele, o Executivo Federal gasta apenas 3,4% do seu PIB com a área, porcentagem abaixo do que gastam países ditos desenvolvidos, como Estados Unidos (16%), Canadá (11%) e Argentina (9,5%).
Apesar de criticar a hostilização promovida por dirigentes e integrantes do Simec, os quais chegaram a xingar os médicos estrangeiros de “escravos”, o republicano diz também avaliar que o Governo brasileiro está explorando atividade médica “quase em regime de escravidão”. Ele afirma que essa política de exportar médicos é positiva para Cuba. “Só o serviço prestado por médicos cubanos na Venezuela rende 100 mil barris de petróleo por dia para Cuba. O nosso Mais Médicos também vai render muito para eles”, diz.

10:03 · 17.05.2013 / atualizado às 10:03 · 17.05.2013 por

Por Georgea Veras

O tema saúde norteou a maioria dos pronunciamentos realizados ontem, no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza. O vereador Adelmo Martins (PR) reivindicou a revalidação dos diplomas de profissionais médicos formados em outros países, que estão sendo chamados para trabalhar no Brasil, enquanto a vereadora Cláudia Gomes (PTC), vice-líder do governo na Casa, pautou sua fala sobre a atenção que, de acordo com ela, a atual administração está dando ao setor primário da saúde.
Adelmo Martins fez questão de deixar claro ser a favor de revalidar o diploma de médicos recém-formados, vindos, principalmente de Cuba, para atuar no Brasil. Segundo o parlamentar, é comum que médicos com diplomas do exterior passem por provas que o qualifiquem a exercer a medicina no Brasil, porém, agora, o Governo quer chamar esses médicos, sem fazer nenhuma avaliação.
Boa parte desses profissionais, conforme o vereador, irão atuar nas cidades interioranas. Não que o Brasil não tenha médicos suficientes para garantir atendimento em todos os municípios brasileiros, o que existe, analisa, é uma má distribuição desses profissionais. O índice aceitável pelo Governo é de 1,8 médicos por mil habitantes, afirmando que a média do País, hoje, é de 1,95.
O que ocorre, conforme pontua o vereador, é que a falta de estrutura e de condições para um bom atendimento nas cidades do Interior, acaba afastando os médicos dessas localidades. Por isso, o Brasil está importando médicos de outros países. Adelmo Martins afirma não ser contrário a essa medida, mas está convencido que esses profissionais devem passar por uma triagem comprovando a competência para exercer a medicina.
O vereador Elpídio Nogueira (PSB) concordou. Para ele, não adianta nada trazer médicos de fora se esses não farão um atendimento de qualidade aos brasileiros. Além disso, compreende o parlamentar, o idioma pode ser um grande empecilho para a comunicação entre médico e paciente.
O vereador João Alfredo (PSOL) entendeu ser necessário cautela sobre a discussão. Em relação aos médicos de Cuba, o parlamentar lembrou que o País é referência na medicina social, destacando que os médicos cubanos garantiram a melhoria do atendimento da saúde na Venezuela. Porém, concorda que esses profissionais tem que mostra serem qualificados para poderem atuar no Brasil.
Enquanto isso, a vereadora Cláudia Gomes destacou que o Governo Federal já levantou a bandeira da necessidade de melhorar a atenção primária da saúde. O governo Roberto Cláudio, garante, tem como um dos focos da sua gestão, melhorar o atendimento na saúde básica e, para isso, está investindo na melhoria dos postos de saúde.
Cláudia Gomes entende que, a rede primária é o primeiro nível de contato da população com o sistema nacional de saúde e o primeiro elemento de atenção continuada da saúde. “A atenção primária é a porta de entrada por onde procuramos assistência. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, é parte integral do sistema de saúde de um país”, defendeu.
Há também uma preocupação da Prefeitura com o atendimento mais humanizado, segundo pontuou a parlamentar. Além dos postos de saúde, salientou a vereadora, a Prefeitura também aposta no Núcleo de Atenção à Saúde da Família (NASF), um programa criado pelo Ministério da Saúde, em 2008, que atua juntamente com o Programa Saúde da Família (PSF).
No dia 7 de maio, o vereador Fábio Braga (PTN) havia feito uma cobrança no plenário para que a Prefeitura retomasse as atividades do Nasf. Cláudia Gomes também fez uma defesa do programa, que, conforme explicou, atua através de uma equipe de multi-profissionais que buscam a prevenção de doenças e a promoção da saúde.

09:34 · 20.02.2013 / atualizado às 09:34 · 20.02.2013 por

Por Igor Gadelha

O estudo divulgado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em que mostra que o Ceará tem menos de um médico para cada mil habitantes levantou ontem, na Assembleia Legislativa, a discussão sobre a carência de profissionais da saúde no interior do Estado. Para alguns deputados, é preciso que haja incentivos do Governo, para que médicos se sintam estimulados a trabalhar fora da Capital. Outros defendem políticas de interiorização das faculdades, como forma de contribuir para a fixação de médicos nesses municípios.
Conforme divulgado ontem pelo Diário do Nordeste, o estudo do CFM mostra que a proporção de médicos para cada mil cearenses é de apenas 0,75 no Sistema Único de Saúde (SUS) – a quarta pior do Brasil. O relatório mostra ainda que 78% dos 9.953 médicos registrados no Estado estão concentrados em Fortaleza, o que faz com que o interior tenha proporção de 0,003 médicos para cada mil habitantes no SUS. Levando em conta a rede pública e privada, a proporção no Ceará é de 1,16, mas, mesmo assim, ainda abaixo da média nacional, que é de 2.
O deputado estadual Roberto Mesquita (PV) avalia que a maioria dos médicos prefere trabalhar na Capital, pois é onde esses profissionais encontram melhores condições de trabalho e possibilidade de conciliar diferentes empregos. “Talvez o grande certo urbano, por oferecer condições para o profissional ter seu consultório e dar plantões em vários hospitais, faça com que haja um desestímulo para ele ir para uma pequena cidade, onde vai ser médico do PSF (Programa de Saúde da Família) ou do pequeno posto local”, comenta.
Para Mesquita, a falta de médicos no interior precisa ser corrigida o mais rápido possível. Ele lembra, inclusive, que há um projeto nesse sentido tramitando na Assembleia. Trata-se de um Projeto de Indicação da deputada Dr. Silvana (PMDB), em que ela propõe que médicos sejam obrigados a cumprir quatro meses de estágio em algum hospital do interior, durante a residência médica. “Minha intenção é aproximar o médico recém-formado da realidade do interior, porque o que acontece é que muitos não vão porque não conhecem a estrutura da cidade”, justifica.
A peemedebista lembra que apresentou a matéria como Projeto de Lei, há cerca de seis meses, mas que infelizmente a proposta parou nas comissões, pois outros parlamentares entenderam que o projeto prevê aumento nos custos do Orçamento do Estado, “e o deputado não pode intervir nisso”. Diante disso, a deputada afirma que reapresentou a matéria, recentemente, como Projeto de Indicação. “Pretendo sensibilizar o governador. Acredito que ele vai sentir esse projeto como algo útil, que vai estimular profissionais a quererem ficar no interior”, diz.
<CF62>Incentivos
</CF>Para a deputada Fernanda Pessoa (PR), é preciso que o Governo dê incentivos que estimulem os novos médicos a irem para municípios interioranos. Ela citou como exemplo um projeto do prefeito de Maracanaú, seu berço eleitoral, aprovado pela Câmara Municipal daquela cidade, em que a Prefeitura se propõe a pagar as mensalidades do último semestre do estudante de medicina de faculdade particular. O valor, segundo ela, seria revestido posteriormente em trabalho prestado pelo profissional em hospitais e postos do Município.
A deputada pontua que, para além da falta de médicos, é preciso também que as unidades de saúde do interior do Estado funcionem plenamente. A republicana citou como exemplo o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) de Maracanaú, cujas obras, segundo ela, estão concluídas há mais de um ano, mas o equipamento ainda não está funcionando. “Eu sempre digo que não adianta somente você construir grandes obras, sem que elas funcionem em sua totalidade. O caro não é fazer, o caro é manter o empreendimento”, afirma.
O líder do Governo na Assembleia, deputado José Sarto (PSB), por sua vez, defende que, para resolver o problema a médio prazo, é necessário criar mecanismos para que o médico construa sua carreira no interior do Estado. Na avaliação dele, a administração dos municípios deve ir além de bons salários; deve investir em melhores condições de trabalho e de infraestrutura da cidade. Outro ponto defendido por ele são políticas de interiorização das faculdades de Medicina no Ceará, o que, de acordo com ele, o Governo do Estado já vem fazendo.
O pessebista cita como exemplo a construção dos hospitais regionais, como o do Cariri e o de Sobral. Conforme ele, o primeiro já disponibiliza residência médica para alunos das faculdades de Juazeiro do Norte e Barbalha e o segundo vai disponibilizar quando começar a funcionar. “A Uece (Universidade Estadual do Ceará) também é um grande avanço, porque já está disponibilizando residência médica”, acrescenta. Na avaliação do deputado, essas são apenas algumas medidas para minimizar o problema da oferta de médicos a médio prazo, mas que é preciso outras políticas.

13:41 · 12.06.2012 / atualizado às 13:41 · 12.06.2012 por

A galeria da Assembleia Legislativa está ocupada por médicos que foram àquela  Casa protestar contra a Medida Provisória (MP) 568/12, oriunda do Executivo Federal e que tramita no Congresso Nacional. Segundo os médicos, a Medida  reduz e congela os salários dos médicos e veterinários.

O presidente da Assembleia, deputado Roberto Cláudio (PSB), inseriu o assunto em uma audiência pública solicitada pela deputada Mirian Sobreira (PSB), para discutir  o lançamento do Projeto de Iniciativa Popular, a fim de alocar mais recursos federais para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O presidente dos sindicatos dos médicos, José Maria Pontes, alega que a MP é inconstitucional, imoral  e perversa, pois a Constituição Federal veda a redução de salários. “No primeiro momento não deu para acreditar que era verdade, parecia piada”, comentou.