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Categoria: Michel Temer


09:10 · 13.06.2017 / atualizado às 09:10 · 13.06.2017 por

Passado o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que poderia cassar o mandato do presidente Michel Temer (PMDB), o questionamento é se o peemedebista terá força suficiente para conduzir o país até o último dia de dezembro de 2018 e, sobretudo, se conseguirá ver aprovadas no Congresso Nacional as reformas previdenciária e trabalhista. O deputado Domingos Neto (PSD) responde na Câmara Federal pela vice-liderança do Governo Temer. Ele acredita que as reformas, para além de ser pauta para o governo, são pautas de Estado. “Naturalmente vários partidos embarcam na ideia de que o apoio deve ser algo separado. É evidente que ainda não se encontrou estabilidade e não seria o julgamento do TSE que daria essa estabilidade. O que todos estão imediatamente preocupados é com a questão econômica do país”.
Para o deputado federal, a discussão não deve ser personalista, mas vinculada às reformas e às transformações necessárias. “Não sinto que o julgamento por si tenha trazido a total estabilidade. Mas ajuda. Evidente que há um conjunto à frente. Sabemos que tem ainda grandes discussões dos pontos de vista político, de processos e eventuais delações, que podem trazer instabilidade. O que vários partidos e o nosso também fazem é a discussão fria das reformas, tentando dissociar como questão pessoal de qualquer presidente. É uma questão de estado brasileiro”, avalia. “Essas são as discussões que estão sendo travadas pelos partidos no Congresso Nacional”.
A despeito dos impactos resultantes do julgamento, Domingos aponta que, de forma a imediata, implica diretamente naqueles que esperavam o resultado do julgamento para discutir embarques e desembarques do Governo. “Vamos esperar para saber o que eles vão fazer depois de passado o processo. Mas, para agora, o principal de tudo é termos agenda de política econômica. Isso que é urgente e precisa ser bem discutido. O projeto ainda não está perfeito, naturalmente precisa de melhoras, e isso vale tanto para a reforma trabalhista quanto para a previdenciária e a política. Essas são as três principais pautas”.
Raimundo Gomes de Matos (PSDB) considera que mesmo com o julgamento do presidente resultando na absolvição, o peemedebista permanece a ter grandes dificuldades para levar a frente as propostas de reformas. “Isso porque existe uma instabilidade do dia de amanhã em relação às delações. Não se sabe se fatos novos virão, que possam desestabilizar o Palácio do Planalto. Uns ficam temerosos e mesmo reconhecendo a necessidade de dar celeridade à pauta legislativa, há temor em concretizar, o que para a retomada do crescimento do país é de suma importância”.
Por outro lado o tucano observa que ninguém apresentou plano B para caso se concretize o afastamento do presidente Temer por outros fatos. “Isso gera a instabilidade. Mas, de qualquer forma, o julgamento deu oxigênio para ele retomar o diálogo com vários partidos”. No caso do PSDB, Matos conta que o presidente da República manteve contato com os governadores tentando consenso de governabilidade. “Ele fará isso com outros partidos. Temer precisa ter uma base de 50 senadores e uns 340 deputados para levar a frente as reformas”.
Ao decidir pela manutenção dos direitos políticos de Dilma Rousseff (PT) e de Michel Temer no comando do Brasil, o deputado federal Chico Lopes (PCdoB) afirma que o judiciário também mostrou caminhar para a vala comum. “Nenhuma novidade paras as militâncias, mas dessa vez exageraram na dose. Se não fosse a execução das leis, que são duras, poderíamos até gozar desses caras, mas infelizmente temos de respeitar o judiciário, mesmo fazendo críticas”.
Ele também observa que nada mudou e que Temer vai continuar fazendo as “estripulias que determinaram para ele”. “Agora, o desgaste se fosse só dele, seria excelente. O problema é que sobra para todo o mundo político. Primeiro, uma Câmara que vota toda e qualquer estupidez do Executivo, uma Câmara subalterna, que tira direitos dos trabalhadores, implica na aposentadoria das pessoas que pagaram justamente”, aponta.
Segundo o comunista, o Brasil vive crise política junto com a crise econômica, com aparelhos policiais deixando a desejar. “O país está numa insegurança muito grande porque a economia e a política não cumprem com o seu papel. É preocupante e nos faz ser criticados até pela imprensa internacional”. Ainda que o povo vá para as ruas Chico Lopes diz que as reformas passarão pela Câmara e Senado.
André Figueiredo (PDT) aponta que o presidente Michel Temer saiu ainda mais enfraquecido do julgamento, depois de uma “decisão de ministros indicados recentemente pelo por ele mesmo para salvá-lo da cassação”. De acordo com o parlamentar, seu governo agoniza às vésperas de ser denunciado pela Procuradoria Geral da República e se tornar réu no Supremo Tribunal Federal. “Aliás, o presidente já se comporta como um réu confesso, que assim como criminosos comuns prefere guardar silêncio, recusando-se a responder perguntas da Polícia Federal. Certamente age assim para evitar produzir provas contra si e seus assessores mais próximos”.
Na sua visão, Temer cada vez mais perde a legitimidade e o resto de força política que tinha para governar. “Já a Justiça Eleitoral ficou desmoralizada e sinaliza para a sociedade que as campanhas eleitorais se tornaram uma terra sem lei para os poderosos”. Depois dessa absolvição “vergonhosa”, André questiona com que moral os tribunais eleitorais em todo o país vão se reunir para cassar vereadores e prefeitos de pequenos municípios do interior do Brasil. “Esse processo mostrou ser evidente que o Brasil precisa além de uma reforma política profunda visando coibir o uso de propinas e caixa 2 nas campanhas, passar também por alterações nas regras de indicação de membros dos tribunais, sobretudo, nas cortes eleitorais”, opina.

09:44 · 14.05.2016 / atualizado às 09:44 · 14.05.2016 por

 

Ciro Gomes foi um dos dois ministros cearenses no Governo Itamar Franco, que substituiu o presidente Collor. O outro foi Beni Veras, já falecido Foto: José Leomar
Ciro Gomes foi um dos dois ministros cearenses no Governo Itamar Franco, que substituiu o presidente Collor. O outro foi Beni Veras, já falecido Foto: José Leomar

O ceticismo, de certa forma, domina o sentimento de boa parte da nossa população em relação ao governo, recém-instalado, sob o comando do peemedebista Michel Temer, apesar de toda mudança motivar expectativa favorável, principalmente quando o substituído era tão ruim como, quanto estava a gestão comandada pela hoje afastada presidente petista Dilma Rousseff. Mas como os políticos brasileiros estão tão desgastados, o brasileiro sempre tende a duvidar das suas pretensas ou prometidas ações.
Natural a torcida dos verdadeiros cidadãos pelo sucesso do Governo nascente, pois vítimas somos todos do desgoverno que estava aniquilando os sonhos da juventude e as perspectivas dos demais, quando, por sua inércia ou mesmo inação, motivava a redução dos empregos, brecava o surgir de oportunidades de vida melhor, e privava os mais necessitados dos serviços essenciais pela falta de políticas universais eficientes de Educação, de Saúde, de Transporte e de Segurança.
Responsabilidade
Mas, só o discurso anunciando boas novas não basta para se fazer acreditar em um novo tempo, principalmente por se fazer, de primeiro, algumas restrições à equipe reunida pelo presidente em exercício e, nessa condição, ter o natural desejo de agradar o Congresso, ou especificamente ao Senado Federal, para efetivo vir a ser.
Na interinidade como está, o presidente trabalhará não só para mudar o cenário da administração pública nacional, mas, sobretudo, para agradar a classe política representada pelos senadores, pois do Senado, como dependeu a sua chegada ao posto, em razão do afastamento da titular, também será de lá a decisão, proximamente, com o encerramento do processo, garantindo ou não a sua permanência no cargo até o fim do mandato, no último dia do ano de 2018.
Vários dos auxiliares de Temer já serviram a Lula, a Dilma e até antes a Fernando Henrique Cardoso. Formam, assim, o “grupo dos mesmos” a que nos reportamos no dia 17 de abril, o domingo em que a Câmara dos Deputados autorizou a abertura, pelo Senado Federal, do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
De qualquer forma, esses ex-ministros dos governos passados, por quaisquer das razões que venham a ser apontadas, têm, nos setores a eles ligados, responsabilidade pelo quadro atual. E não vale responsabilizar os presidentes de então pelo não feito o que seria necessário para evitar o que ainda agora continua fazendo falta. Plagiando Geraldo Vandré, “quem sabe faz a hora não espera acontecer (ser mandado)”.
Mereciam
Ordem e Progresso, de fato, é de que mais precisa o Brasil. Essas duas palavras gravadas no centro da nossa bandeira, citadas pelo presidente como lema do seu Governo, já mereciam ser o objetivo dos novos governos desde quando elas lá foram colocadas. Por serem, pelo menos até agora, apenas figurativas no símbolo maior da Pátria é que testemunhamos desordens sociais e desmandos administrativos, temos um povo desrespeitado, também pelos agentes públicos, nas suas mais significativas necessidades, sem se falar nos malfeitos outros responsáveis pela corrupção que esvazia os cofres do erário e enche os bolsos de muitos.
E pela ausência da Ordem, o Progresso parece ficar “deitado eternamente em berço esplêndido”. O Governo Central é o principal responsável pela timidez do crescimento da economia nacional, posto ser devedor da execução de obras de infraestrutura necessárias e imprescindíveis ao estímulo da produção, não apenas quanto ao seu custo, pela carga excessiva de impostos sobre os próprios produtos gerados e seus insumos, além dos agregados à folha de pessoal, mais ainda pela falta de uma malha viária, ferroviária, aérea e fluvial para o escoamento da pretendida produção.
Nomes
Itamar Franco, o vice-presidente da República já falecido, efetivado na chefia do Executivo nacional com a cassação do mandato do ex-presidente Fernando Collor, primeiramente afastado do cargo como Dilma Rousseff está agora, no curso de um processo de impeachment, chamou dois cearenses para ajudá-lo a governar o País. O primeiro foi Beni Veras, na época senador da República pelo PSDB. O outro foi Ciro Gomes, também do PSDB, na época governador do Ceará. Ciro teve que renunciar ao mandato e para o seu lugar foi eleito pela Assembleia o então deputado estadual Francisco Aguiar, hoje presidente do Tribunal de Contas dos Municípios. O desembargador Adalberto Barros Leal, na época presidente do Tribunal de Justiça, ficou no lugar de Ciro até que o Legislativo elegesse Aguiar.
Beni Veras foi ministro do Planejamento. Ciro foi ministro da Fazenda, substituindo Rubens Ricupero, vítima de comentários politicamente incorretos, antes de uma gravação de programa de televisão, captados através de antenas parabólicas. Mas, abstraindo-se as digressões, a lembrança dos dois cearenses na composição do ministério de Itamar Franco é para chamar a atenção da necessidade de os cearenses atentarem para a qualidade de sua representação política, não apenas na esfera Federal, mas no campo estadual e principalmente dos municípios.
O senador Tasso Jereissati (PSDB) foi sondado para estar na equipe do presidente Michel Temer. Foi o único cearense abordado, até aonde as informações confiáveis foram transmitidas. Ele coordenou a equipe tucana que elaborou o documento entregue a Michel, definindo a posição do partido, e como pressuposto para o apoiamento da agremiação à nova gestão. Já no Governo Itamar Franco, Jereissati optou por indicar Beni e Ciro, dois dos seus liderados na época, para o ministério a aceitar uma das duas pastas.