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Categoria: Oposição na CM


08:47 · 11.02.2014 / atualizado às 08:47 · 11.02.2014 por

Por Alan Barros

Os vereadores que compõem a bancada da oposição na Câmara Municipal de Fortaleza, formada por sete parlamentares, afirmaram sofrer dificuldades em conseguir contribuir para a gestão do prefeito Roberto Cláudio por serem enxergados muito mais como inimigos do Poder Executivo em vez de servidores públicos responsáveis pela fiscalização da Capital.
A oposição alegou que os obstáculos impostos pela maioria governista presente na Casa impediu uma atuação mais propositiva dos vereadores contrários à gestão do prefeito Roberto Cláudio. Apesar de reconhecer que essa relação tenha evoluído durante o ano passado, o vereador Guilherme Sampaio (PT) reclamou que, mesmo quando as propostas não trazem tanto impacto à Capital, elas são rejeitadas pela base aliada.
“Mesmo quando os requerimentos não trazem nenhum teor de crítica, eles são derrubados. Acho que a relação com os colegas vereadores evoluiu um pouco, mas essa evolução foi muito mais por conta da nossa relação pessoal. Até porque os líderes não são do grupo principal que tem a hegemonia no Estado. Eles são de outros partidos”, explicou o petista em referência ao fato de Evaldo Lima ser representante do PCdoB e Didi Mangueira ser filiado ao PDT.
A vereadora Toinha Rocha (PSOL) defendeu que a oposição tem tentado contribuir para o aperfeiçoamento da atual gestão, mas lamentou que quase todas as proposituras que vêm da bancada minoritária da Casa são encaradas como projetos contra o desenvolvimento da Capital.
“Cada um de nós tem tentado contribuir, mas parece que tudo o que vem da oposição é como se tivéssemos trabalhando contra a gestão. No semestre passado, essa Casa derrubou um projeto de Lei do vereador João Alfredo para que, em frente às escolas, tivesse passagem de pedestre. Nada impedia que esse projeto fosse aprovado, mas era da oposição”, reclamou Toinha Rocha.
O líder do prefeito Roberto Cláudio na Câmara, Evaldo Lima (PCdoB), negou que a atual gestão trate a oposição como inimiga ao ressaltar que, apesar de sempre destinar uma atenção especial às proposituras dos parlamentares do PSOL, PR e PT, muitas foram aprovadas após os devidos esclarecimentos.
“Não é absolutamente nada direcionado. Obviamente que os requerimentos da oposição são analisados com mais atenção, mas não foram raras as vezes que a gente destacou os requerimentos e, após os esclarecimentos, a gente retirou e encaminhou o voto favorável”, respondeu Evaldo Lima ao assegurar que a rejeição das propostas apresentadas pela oposição acontece somente quando há apenas interesse político.
Guilherme Sampaio lembrou, no entanto, um requerimento em que ele solicitava informações sobre o projeto de construção da Ponte Estaiada, mas foi rejeitado.
“Quando surgiu o projeto da Ponte Estaiada, pedi informações para saber detalhes por ser uma obra que será realizada em Fortaleza, mas derrubaram. Qual era o interesses político em apenas solicitar informações? Como esse, foram várias outras situações”, apontou.
O vereador Capitão Wagner (PR) acredita que, na medida em que a gestão não encarar a oposição como inimiga, a Câmara conseguirá ser mais atuante na busca de contribuir com o projeto do Poder Executivo para a Capital. “Essa visão atrapalha o resultado que a Prefeitura poderia alcançar. A partir que ele perceber que a oposição está exercendo o papel de fiscalização e apenas alertando o Poder Executivo para os problemas da Capital, a gestão será aperfeiçoada”, defendeu.
“Quando o Capitão Wagner vai à tribuna chamar a atenção de que o concurso da Guarda Municipal não contemplava a questão de gênero, não contemplava as pessoas com deficiência física, ele prestou um serviço. Quando o vereador João Alfredo e eu fomos tentar negociar a questão do viaduto na avenida Antônio Sales, estávamos tentando ajudar a gestão. Quando o Guilherme apresenta sugestões à educação, ele também está tentando contribuir”, acrescentou Toinha Rocha ao avaliar como a oposição tentou ajudar a gestão do prefeito Roberto Cláudio durante o ano passado.