Busca

Categoria: Parlamentares


10:38 · 18.09.2016 / atualizado às 10:38 · 18.09.2016 por

Por   Miguel Martins

 

Deputado João Jaime é candidato a prefeito de Jijoca de Jericoaquara, Município que ele ajudou a criar FOTO: JOSE LEOMAR
Deputado João Jaime é candidato a prefeito de Jijoca de Jericoacoara, Município que ele ajudou a criar FOTO: JOSE LEOMAR

No início das eleições deste ano, 15 deputados da Assembleia Legislativa colocaram seus nomes para a disputa eleitoral, porém, no decorrer da campanha alguns postulantes foram retirando seus nomes, enquanto outros estão encontrando dificuldades para obterem êxito no pleito do dia 2 de outubro. Cinco deputados federais também estão concorrendo ao cargo majoritário, e pelo menos três deles se apresentam com chances de se consagrarem vitoriosos.
Na semana passada, dois deputados estaduais confirmaram saída da disputa, e enquanto um afirmou desejar permanecer trabalhando nas atividades legislativas, o outro destacou que se aliando a outro candidato teria maiores chances de vencer a eleição contra um adversário direto.
Manuel Santana (PT), que era candidato a vice-prefeito de Juazeiro do Norte, deixou a disputa para, segundo ele, permanecer na Assembleia “por entender que esse é o espaço privilegiado para defender os interesses do Ceará, do Cariri, e, principalmente, do nosso Município, Juazeiro do Norte”. Em seu lugar foi indicado o filho, Gabriel Santana.
Tomaz Holanda (PMDB) desistiu de disputar o pleito para apoiar o candidato do Solidariedade (SD), Clebio Pavone. No entanto, informações de bastidores dão conta de que ele não havia recebido a atenção devida pela sigla peemedebista, que não investiu recursos em sua campanha. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), campanha de Holanda só recebeu R$ 500 de recursos, dinheiro esse doado pelo próprio candidato.
Ao Diário do Nordeste, ele disse que não foi questão partidária, mas apenas o fato de ter percebido a possibilidade de compor com Pavone, que estava melhor que ele, segundo pesquisas internas. “Por ele estar melhor posicionado do que eu, resolvemos apoiá-lo”, destacou. Para ele, manter sua candidatura seria um ato de crueldade para com a população, pois permitiria que o atual prefeito, em sua avaliação, ganhasse a eleição.
George Valentim (PCdoB), antes mesmo da conclusão do prazo para homologação das candidaturas, desistiu da disputa, visto que suas contas quando prefeito de Maranguape tinham sido rejeitadas pela Câmara Municipal. Com isso, ele lançou a mãe, que também desistiu. Agora, o parlamentar apoia um candidato do PHS.
Júlio César Filho (PDT) também encontra dificuldades para se consagrar vitorioso na disputa em Marcanaú. Isso porque, além de enfrentar o atual prefeito Firmo Camurça (PR), que tenta reeleição, ele disputa ainda com o candidato a vice-prefeito, Roberto Pessoa (PR), que tem forte liderança na cidade. Recentemente, o pedetista entrou com ação para impugnar a candidatura de Pessoa, mas o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deferiu a candidatura.
“A população se queixa da saúde, da falta de cresces e de oportunidades para os jovens. Isso tudo em um município rico, com a segunda arrecadação do Estado. Diante disso, o prefeito concorre à reeleição se escondendo atrás do candidato a vice”, disse Júlio César Filho ao Diário do Nordeste.
Dos deputados estaduais na disputa, Tin Gomes (PHS) é quem se encontra em situação mais complicada. O parlamentar está com menos de 1% das intenções de votos, de acordo com pesquisa Ibope divulgada na semana passada pelo Diário do Nordeste. A rejeição ao nome do humanista é a maior registrada, com 41% do eleitorado entrevistado. Ele critica a nova legislação eleitoral por ter aprovado uma “distribuição de tempo injusta” de temo em TV e Rádio, além da redução do tempo de campanha, o que dificulta a chegada do candidato até o eleitor.
“Eles ainda deixam divulgar pesquisas eleitorais piorando a situação. Ou seja, acabou as condições de campanha para os pequenos e médios partidos. O consolo é de estar participando dos debates e das entrevistas nos espaços democráticos concedido pela imprensa”, disse. O deputado Heitor Férrer (PDT), que no pleito de 2012 terminou em terceiro lugar na campanha eleitora, atrás apenas de Roberto Cláudio e Elmano de Freitas (PT), aparece na quarta posição, mas com apenas 7% das intenções de votos, contra 18% da terceira candidata, Luizianne Lins (PT).
Dos deputados federais, o que está em melhor posição na disputa eleitoral deste ano, é o petebista Arnon Bezerra, que de acordo com pesquisa Ibope divulgada pelo Diário do Nordeste, está na primeira colocação e poderá ser eleito prefeito de Juazeiro do Norte. Ele aparece com 36% das intenções de voto para a disputa no Município da Região Norte.
Os demais deputados federais que estão disputando o cargo de prefeito não estão tão bem quanto o presidente do PTB no Ceará. Moses Rodrigues do PMDB, em Sobral, apesar de estar empatado tecnicamente com o deputado estadual Ivo Gomes (PDT), aparece ligeiramente em vantagem com 40%, enquanto o peemedebista é apontado com 37%. Como a margem de erro da pesquisa foi de 4 pontos percentuais para mais ou para menos, a decisão no Município da Região Norte ainda está incerto.
Luizianne Lins (PT), que já foi prefeita de Fortaleza e tenta retomar o cargo máximo da gestão pública da Capital cearense, está tendo dificuldades em convencer o eleitorado, e na pesquisa eleitoral realizada recentemente pelo Ibope e publica no Diário, ela aparece em terceiro lugar, bem distante dos dois primeiros colocados, o ex-deputado estadual e atual prefeito da cidade, Roberto Cláudio, e o deputado estadual Capitão Wagner (PR). Moroni Torgan (DEM), candidato a vice de Roberto Cláudio, aparece na primeira colocação na disputa. A petista tem como candidato a vice o deputado estadual Elmano de Freitas, também do PT.
O deputado federal com situação mais complicada nas eleições deste ano é o republicano Ronaldo Martins. Apesar de todo o otimismo que o parlamentar vem demonstrando em seu programa eleitoral, ele ainda é desconhecido pela maior parte do eleitorado fortalezense, e aparece somente com 3% das intenções de votos, de acordo com a amostragem recente do Ibope divulgada pelo Diário do Nordeste na semana passada.
Para Martins, a população não está mais sendo influenciada por pesquisas eleitorais, e querem mudança. Segundo ele, no entanto, a pesquisa apresentada serviu de “combustível” para sua campanha, pois passou a trabalhar mais. Apesar de não dar crédito à pesquisa, o parlamentar destacou que tem uma das menores rejeições, segundo o que foi apresentado. “Uma coisa eu garanto, o povo nos bairros por onde tenho trabalhado a pesquisa não passou”.
<CF62>Deputados estaduais candidatos a prefeito
</CF>João Jaime (DEM) – Jijoca de Jericoacora
Bethrose (PMB) – São Gonçalo do Amarante
Tin Gomes (PHS) – Fortaleza
Capitão Wagner (PR) – Fortaleza
Carlomano Marques (PMDB) – Pacatuba
Heitor Férrer (PSB) – Fortaleza
Ivo Gomes (PDT) – Sobral
Júlio César Filho (PDT) – Maracanaú
Laís Nunes (PMB) – Icó
Naumi Amorim (PMB) – Caucaia
Zé Ailton Brasil (PP) Crato
<CF62>Deputados estaduais candidatos a vice-prefeito
</CF>Elmano de Freitas (PT) – Fortaleza
<CF62>Deputados estaduais que desistiram da disputa
</CF>Tomaz Holanda (PMDB) – Quixeramobim
Manuel Santana (PT) – candidato a vice – Juazeiro do Norte
George Valentim (PCdoB) – Maranguape
<CF62>Deputados federais candidatos a prefeito
</CF>Arnon Bezerra (PTB) – Juazeiro do Norte
Luizianne Lins (PT) – Fortaleza
Moses Rodrigues (PMDB) – Sobral
Ronaldo Martins (PRB) – Fortaleza
<CF62>Deputados federais candidatos a vice
</CF>Moroni Torgan (DEM)

10:21 · 22.12.2013 / atualizado às 10:21 · 22.12.2013 por

Os legisladores brasileiros estão de férias. Merecidas? Indiscutivelmente não. É forçoso reconhecer ter sido, 2013, mais um ano frustrante para todos quantos esperavam mais trabalho dos vereadores, deputados e senadores, com o objetivo de responderem questões tão caras à universalidade dos segmentos sociais pátrios, incluindo-se os relacionados aos de suas próprias condutas no exercício do cargo, de há muito carentes de profunda autocrítica, e mais ainda após os protestos públicos em diversos pontos do País.
Em todas as Casas legislativas, final de ano, é temporada de apresentação de números, a maioria engabeladores, fantasiosos, pois realçam o fútil, os votos de louvores, os títulos de cidadania, as menções honrosas, as audiências públicas com fins demagógicos ou outras manifestações distantes de iniciativas dignas dos realmente preparados e com espírito público para bem exercer o mandato perseguido nas urnas, com as promessas quase sempre ao fim não cumpridas, também, até certo ponto, pelo próprio desinteresse do eleitor.
A falta de disposição para o trabalho dos nossos parlamentares salta aos olhos. Há exceções, sim, mas apenas para confirmar a regra. Como se justificar, às vésperas de um ano eleitoral, o Congresso não ter feita a Reforma Política, considerada de importante significado para tornar menos impuras relações políticos-eleitorais hoje existentes? No campo local, é triste testemunhar o menoscabo da grande maioria dos deputados estaduais cearenses no dia a dia das atividades da Assembleia.
Instrumento
O blog de Política do <CF61>Diário do Nordeste,</CF> ao registrar as presenças dos deputados em plenário, a cada hora da manhã, quando das sessões plenárias naquela Casa, confirma o desrespeito à primeira obrigação de todos quantos se elegeram deputados, participar das sessões plenárias.
E quando se trata das reuniões das comissões técnicas, onde todas as questões relacionadas à administração estadual e à vida dos cearenses deveriam ter um maior espaço de discussão, aí o descaso é maior ainda, sedimentando a ideia de ser o mandato um mero instrumento de interesse pessoal para fins alheios ao de servir à coletividade. E eles são muitos integrando a extensa relação dos negligentes, servível apenas para onerar a máquina estatal.
O Poder Legislativo cearense oferta todas as condições materiais, estruturais e financeira aos 46 deputados para o bom desempenho dos seus mandatos. Menos de 10%, porém, têm coragem, desprendimento e competência para, utilizando com seriedade esses meios disponibilizados, ser um parlamentar atuante. O pior. No próximo ano quase todos eles vão querer voltar a ser deputado estadual ou congressista com a conivência dos seus respectivos partidos e de parte do eleitorado responsável pelas suas eleições.
Discursos
Com os meios colocados à disposição do exercício parlamentar, o resultado da produção legislativa poderia ser realmente considerável. E não se trata aqui de reclamar produções de leis, mas de pelo menos ter-se discutido, qualitativamente, propostas e soluções para os muitos problemas do Estado, sobretudo nos serviços prestados à população.
Falaram de seca durante o ano todo, mas só repetiram os discursos de outrora, quando os efeitos dela eram mais agressivos. Falou-se de segurança pública, mas para citar números apontados pelas estatísticas feitas pelo Governo, tudo no contexto da superficialidade e do interesse político momentâneo.
A pauta do Legislativo foi traçada pelo Executivo. Sequer a ida de secretários estaduais para discutir ações de suas competências no plenário da Casa foi bem aproveitada pelos aliados governistas e os pouquíssimos relacionados como oposicionistas. Faltaram questionamentos, sugestões para mudanças do considerado inadequado.
Refinaria
Não fosse a ação quase isolada do presidente da Casa, o deputado José Albuquerque, em mobilizar a população cearense em defesa da implantação da Refinaria Premium II, no Ceará, respaldando popularmente o trabalho da esfera administrativa empreendido pelo governador Cid Gomes, o Parlamento cearense não teria um só grande movimento a registrar ao longo de um ano de atividades.
É chegado o momento de atentarmos mais para as responsabilidades do Legislativo. O Executivo, nas esferas estaduais e federal tem avançado, lento, é verdade, mas já é bem diferente de antes, graça, além dos nomes apresentados pelos partidos para tais posições, os mecanismos de transparência e de fiscalização de organismos sociais, cobrindo a omissão dos deputados e senadores.
O Poder Legislativo, lamentavelmente, não experimenta essa mesma vigilância, nem tampouco merece a atenção dos partidos quanto à seleção dos nomes daqueles relacionados para, em nome deles, representarem o povo do Estado. Mudar esse quadro é caminhar para uma nova ordem na política brasileira, posto se caminhar em direção a colocar o Parlamento no seu devido lugar de importante pilar de sustentação da democracia.