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Categoria: Partidarização


07:55 · 07.10.2016 / atualizado às 07:55 · 07.10.2016 por

Por Suzane Saldanha

Os pronunciamentos na Câmara Municipal, ontem, foram tomados pela debate de casos de violência no dia da eleição, no último domingo. Os vereadores apontaram um processo de “partidarização” da Polícia Militar e militarização da política. Eles também destacaram o pedido feito por juízes eleitorais para que tropas federais estejam em Fortaleza durante a eleição do segundo turno.
Um dos casos citados pelos vereadores foi a agressão policial sofrido pelo ex-senador e secretário estadual, Inácio Arruda (PCdoB), e por sua família.
Guilherme Sampaio (PT) lamentou o caso e afirmou estar solidário a Inácio Arruda e família. Segundo ele, houve excesso da Polícia Militar ao abordar a família de forma violenta. Adelmo Martins (PDT) afirmou que a Polícia agiu de forma muito truculenta e não trabalhou de maneira correta.
Ao prestar solidariedade ao ex-senador e hoje secretário estadual, o vereador Iraguassú Teixeira (PDT) lamentou a violência e lembrou que na eleição de 1996 vereadores também foram agredidos por policiais. “Lamentavelmente existe esse confronto direto a nós que fazemos política”, disse.
Toinha Rocha (sem partido) afirmou que os vereadores não poderiam se calar diante da violência nas eleições por parte de policiais militares. Ela parabenizou a decisão dos juízes eleitorais ao pedir o reforço nacional. “A quantidade de cabo eleitorais à paisana intimidando as pessoas, meus parabéns aos juizes eleitorais pela altivez de chamar a Força Nacional, chega da violência”, destacou.
Ronivaldo Maia (PT) afirmou estar envergonhado com a passionalidade da polícia que estaria agindo com uma postura fascista a favor de uma candidatura. Ele relatou o abuso sofrido por um parente.
“Me envergonha a farda de certos policiais, estou com vergonha da postura da polícia do meu estado. Não podemos fazer de conta que não é coma gente, que chame a Força Nacional porque esta Polícia está bichada”, disse.
Evaldo Lima (PCdoB) apontou preocupação com a militarização da política em alguns momentos do processo eleitoral deste ano. Para ele, é preciso fazer uma reflexão do que aconteceu nas zonas eleitorais, inclusive do caso sofrido por Inácio Arruda, secretário estadual e ex-senador e por ele próprio quando carregava uma bandeira na votação.
“Tivemos a manifestação de 13 juizes eleitorais. Se nós fomos vítimas, vale a pena fazer reflexão do que aconteceu nas zonas da periferia da cidade”, disse.
Elpídio Nogueira (PDT) afirmou ter presenciei fatos “muito estranhos” no domingo passado. Segundo o vereador, em diversos locais da cidade os policiais militares não cumpriam a distância mínima estipulada pela lei. Deodato Ramalho (PT) afirmou ser uma combinação explosiva a militarização da política e a partidarização da polícia. O vereador criticou candidaturas que estariam envoltas a uma cobertura de um segmento armado da sociedade.
“Dos 16 juízes, 13 assinaram o documento, os juízes constataram a grave e atentatória a democracia. O comandante da Polícia Militar não consegue ter controle da sua tropa, porque o controle está com um candidato”, criticou.
Salmito Filho, presidente da Câmara Municipal, prestou solidariedade a Inácio Arruda e família apontando não haver justificativa para o exagero da Polícia Militar. O parlamentar destacou que, para garantir a liberdade do eleitor, a lei federal aponta a distância de pelo menos 100m de uma autoridade militar da urna eleitoral, o que não teria ocorrido na cidade.
“Prestar solidariedade ao ex-vereador desta Casa, ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-senador e atual secretário do Governo do Ceará, eu me refiro ao cidadão, senhor e pai de família Inácio Arruda. Ele foi vítima de agressão, sua filha e esposa”, reforçou.
Salmito também relatou ter passado por diversos locais de votação da cidade e ter visto muitos policiais militares dentro do local. Para ele, os policiais sabiam do erro por ter orientação e por já terem participado de outras eleições.
“Alguns estavam sem a devida identificação, quero me associar a fala de colegas que me antecederam. A Polícia e qualquer autoridade militar não pode ser partidarizado. A instituição Polícia Militar não pode jamais ser partidarizada para partido A ou B”, ponderou. Ele concluiu dizendo esperar que as instituições de controle tomem medidas cabíveis.