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Categoria: Pau de Arara


08:49 · 11.09.2015 / atualizado às 08:49 · 11.09.2015 por

Por Miguel Martins

O deputado Manuel Santana (PT), em seu pronunciamento, ontem, na tribuna da Assembleia Legislativa, defendeu o direito de ir e vir dos romeiros que se deslocam por Juazeiro do Norte e Canindé em veículos conhecidos como “Pau de Arara”. De acordo com o parlamentar, os religiosos acreditam que este tipo de transporte tem todo um significado de penitência, mesmo que vá de encontro à resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contram) de 1988.
O parlamentar, que já foi prefeito de Juazeiro do Norte, defende as práticas de condução nos “Pau de Arara”, ressaltando que com isso os romeiros buscam atender às regras religiosas de penitência. Essa visão já foi, inclusive, apoiada pela Pastoral Diocesana de romarias, que congrega a Basílica de Nossa Senhora das Dores, o Santuário de São Francisco, o Santuário do Sagrado Coração de Jesus e a Administração da Colina do Horto.
A romaria realizada nesse tipo de transporte, conforme defendeu o petista, promove um ambiente místico de orações e um clima de solidariedade motivadas, principalmente, por razões de caráter cultural, social e histórica. No entanto, em 1988, o Contram, através de resolução, que dispõe sobre autorização para transportar passageiros, sob pena de ser alvo de multas e apreensões durante fiscalizações realizadas nas estradas que cortam o Estado.
O deputado defendeu um maior diálogo com o Poder Executivo Federal para readequação da norma, visando a realidade local dos peregrinos, uma vez que os religiosos, na opinião do petista, devem ter a liberdade de escolha do transporte e terem garantidos o direito de ir e vir. Ele disse ainda que, como no passado, os romeiros estão passando por preconceito religioso e intolerância religiosa por parte dos agentes rodoviários.
Segundo ele, essas pessoas têm sofrido todo tipo de desrespeito quando de suas incursões para o Interior do Estado em carros pau de arara. “Interessante na história de Juazeiro é o caso da beata Maria de Araújo, que por conta do acontecido (conhecido como o milagre da hóstia), foi perseguida e discriminada, e por isso passou o resto da vida enclausurada. A beata morreu precocemente, e após ser sepultada, seu corpo foi escondido, desapareceu. Há quem diga que foi por orientação da Diocese da região que temia ter peregrinação ao seu túmulo”.
O parlamentar lembrou também que Juazeiro do Norte é uma cidade santuário dos nordestinos do Brasil, e que a maioria dos romeiros é proveniente do Nordeste, cujas localidades têm condições precárias de transporte, tornando o Pau de arara a única alternativa de deslocamento à cidade para realizar a romaria. Ele ressaltou também que desde o dia 1º de setembro vem ocorrendo um novo ciclo de romarias em Juazeiro do Norte para louvar em procissão à Nossa Senhora das Dores, que deve acontecer até o próximo dia 15.