Edison Silva

Categoria: Pauta bomba


09:23 · 03.06.2016 / atualizado às 09:23 · 03.06.2016 por

Por Miguel Martins

 

Para o deputado Manoel Santana, o Governo Temer quer manipular a verdade, quando fala em rombo e apoia o aumento Foto: José Leomar
Para o deputado Manoel Santana, o Governo Temer quer manipular a verdade, quando fala em rombo e apoia o aumento Foto: José Leomar

Petistas e até um peemedebista criticaram votação na Câmara Federal, na quarta-feira passada, que reajustou salários de servidores públicos federais, o que pode gerar um impacto nas contas do Governo Federal de R$ 58 bilhões até 2019. De acordo com alguns parlamentares cearenses a medida vai de encontro com a argumentação do presidente interino, Michel Temer, de que recebeu a gestão da presidente afastada Dilma Rousseff com déficit fiscal de mais de R$ 176 bilhões.
O mega-pacote de reajuste para o funcionalismo federal estava represado na gestão de Dilma Rousseff, e agora, com aprovação na Câmara terá impacto nas contas públicas. A medida que mais aumentou foi a do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passando de R$ 33.763 para R$ 39.293. O efeito cascata gerado em todo o Judiciário deverá, segundo o Ministério da Fazenda, ter um impacto de R$ 6,9 bilhões até 2019.
O peemedebista Agenor Neto disse que o Governo interino está sendo avaliado e monitorado a todo momento pela opinião pública, e portanto, quando cobra coerência dos parlamentares têm que ser coerente em suas ações. “Eu me choquei quando vi o Governo do presidente Michel Temer aprovar aumento de despesas da folha de mais de R$ 50 bilhões, enquanto estamos vivendo o pior momento da crise no Brasil. Como o Governo dá um aumento abusivo desse aos funcionários?”, questionou o parlamentar chamando a atitude de “decepcionante”.
De acordo com Neto, a ação vai repercutir também na expectativa do mercado internacional, visto que os analistas estão acompanhando o funcionamento do Governo interino. “Não resta dúvida que a avaliação não é boa e que só tende a piorar tendo um comportamento como esse. Eu fico preocupado como os mercados vão ver isso. Lamento, me preocupa e me choca esse comportamento do presidente Michel Temer”, disse.
Para Manuel Santana (PT) a ação prova que o Governo do PMDB tem postura de “querer manipular a verdade”. Ele ressaltou que o déficit dos primeiros meses do ano no Governo Dilma Rousseff ficaram em R$ 5 bilhões e foram apresentados outros dados pelo presidente Temer. “Se esse déficit é verdadeiro, de onde ele vai tirar o dinheiro? Há manipulação dos números e da verdade. Isso estimula uma reação em cadeia nos servidores dos estados e municípios que passam a reivindicar a reposição de seus salários. É uma contradição e provada que o Governo está perdido e tentando de todas as formas assediar o servidor público para apoio político”.
Para Santana, Michel Temer tem demonstrado incapacidade de ação e apresentado reiterados equívocos, como a extinção do Ministério da Cultura e Ministério do Desenvolvimento Agrário. “O Governo tem feito idas e vindas em uma aparente postura de consolidar o golpe e partir de forma mais radical para uma agenda neoliberal”, disse.
Na contramão do que ressaltou o colega, o deputado Elmano de Freitas destacou que o pacote de reajustes votado na quarta-feira foi acordado ainda com a presidente Dilma Rousseff, e foi aprovado por unanimidade, visto que os petistas já tinham acatado a medida quando do Governo do PT. Para ele, contradição há apenas naqueles que faziam oposição à Dilma e que apresentaram um “rombo” nas contas do Governo afastado e agora estão votando no aumento.
“Nós fizemos negociações com servidores públicos e queríamos negociar mais até 2019. Os gastos de R$ 60 bilhões estão dentro de um orçamento total de mais de R$ 2 trilhões, o que garante a reposição”, defendeu Elmano.
Para Tomaz Holanda (PMDB) a medida tomada pelo presidente interino, Michel Temer, em apoiar a votação foi correta, visto as distorções nos salários dos servidores. “Eu acho que o presidente teve muita coragem em ter dado esse aumento. Ele tem uma equipe competente, e se o presidente aumentou os benefícios para mais categorias, ele fez porque dialogou com o ministro da Fazenda, Henrique Meireles. O presidente não agradou a categoria apenas por questões eleitorais, mas porque não havia reajuste há nove anos”.
Silvana Oliveira (PMDB) disse que a aprovação do pacote foi “extremamente prudente”, uma vez que, em sua análise haverá também cortes de gastos na máquina pública para garantir o reajuste dos servidores. A parlamentar, inclusive, citou uma velha política econômica para justificar o aumento do salário do funcionalismo público.
“As pessoas, com esse reajuste, começam a comprar e vender mais. É uma boa tática oprimir menos e pagar mais. Não há contradição porque ele está implantando medidas de enxugar a máquina para poder retirar esse dinheiro”, defendeu Oliveira.

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Blog da editoria Política, do Diário do Nordeste.
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