Busca

Categoria: Pedido de CPI


10:16 · 29.05.2013 / atualizado às 10:16 · 29.05.2013 por

Por Igor Gadelha

Uma semana após apresentar pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembleia, para investigar a existência de suposta milícia ligada ao narcotráfico dentro da Polícia Militar, o deputado Roberto Mesquita (PV) só conseguiu, até ontem, duas assinaturas a mais, além das quatro que já tinha conseguido na última terça-feira. Ao todo, ele precisa de 12 apoios para instalar a CPI. Segundo ele, muitos deputados apoiam “informalmente” o pedido, mas, como a maioria é da base aliada, estariam esperando um “aval” do Governo para assinar o requerimento.
Mesquita apresentou o pedido de CPI na última terça-feira (21), um dia após o ex-deputado federal Ciro Gomes (PSB) ter declarado, em entrevista à imprensa, durante a posse de Moroni Torgan como presidente estadual do DEM, na Assembleia Legislativa, que haveria uma suposta milícia ligada ao narcotráfico dentro da PM. De acordo com o irmão do governador Cid Gomes, o chefe dessa milícia seria o vereador Capitão Wagner Sousa (PR), uma das principais lideranças do movimento paredista da Polícia Militar que ocorreu no ano passado.
Roberto Mesquita explica que seu requerimento para a instalação da CPI tem como fator determinante a greve, considerada ilegal, que ocorreu entre o fim de 2011 e o começo de 2012, que culminou, em 3 de janeiro, em um dia inteiro de desespero e boatarias de roubos e outros crimes, em Fortaleza e outras cidades do interior do Estado. Conforme o parlamentar, na última sexta-feira, os deputados Antônio Carlos (PT) e Fernanda Pessoa (PR), ambos da oposição, foram os últimos a assinar o pedido para instalar a Comissão, que já conta com seis assinaturas de apoio.
Além de Mesquita, Antônio Carlos e Fernanda Pessoa, já assinaram o pedido de CPI na Assembleia os deputados Heitor Férrer (PDT), Perboyre Diógenes (PMDB) e Vanderley Pedrosa (PTB). Diferentemente do Legislativo Estadual, na Câmara Municipal, são necessárias 15 assinaturas para que uma CPI seja instalada. Na manhã de ontem, o vereador Capitão Wagner anunciou que já tinha conseguido apoio dos 15 parlamentares para instalar a Comissão, para investigar as denúncias de ligação dele com a suposta milícia dentro da PM.
Na avaliação de Roberto Mesquita, contudo, a prerrogativa de investigar a denúncia deve ser da Assembleia Legislativa, uma vez que a Polícia Militar é vinculada ao Governo do Estado, bem como segurança é uma área de responsabilidade do Executivo Estadual. O deputado comentou que tem conversado com vários parlamentares, pedindo que apoiem o pedido de CPI dele, e que muitos se mostram “convencidos” da necessidade de apurar as denúncias, mas não assinam a solicitação até o momento, pois estão esperando “autorização” do governador Cid, que possui maioria aliada na Casa.
“Espero que os parlamentares usem suas prerrogativas para decifrar esse enigma que por ventura possa existir dentro da PM”, apela Mesquita, ressaltando a gravidade das acusações feitas pelo ex-ministro Ciro Gomes. Prova disso, lembra, é que o Ministério Público Estadual já encaminhou à Secretaria da Segurança Pública pedido de abertura de procedimento administrativo para investigar as denúncias. A Pasta tem até 40 dias para apurar as acusações e remeter as informações ao MP, que irá se pronunciar, podendo pedir novas investigações ou arquivar o caso.