Edison Silva

Categoria: Petistas debatem


11:56 · 21.09.2013 / atualizado às 11:56 · 21.09.2013 por

Por Igor Gadelha

O PT deve repensar seu arco de alianças, de forma a priorizar partidos de centro-esquerda comprometidos com seu projeto político, entre eles o PCdoB, PDT e setores do PSB. Esse foi o discurso defendido pela maioria dos candidatos à presidência nacional do PT que participaram de debate ontem à noite em Fortaleza. Dos cinco entrevistados pelo <CF61>Diário do Nordeste</CF>, apenas o atual presidente, Rui Falcão, deseja a continuidade da aliança com o PMDB. Os outros defenderam o rompimento ou a “reavaliação” da parceria.
Apesar de reconhecer o erro dos envolvidos no escândalo do “Mensalão”, a maioria dos candidatos também pregou uma defesa maior do partido aos acusados. Para alguns, a sigla lidou de forma “covarde” com o caso, por medo de enfrentar instituições tradicionais. Os candidatos à eleição defenderam ainda uma maior aproximação do PT dos movimentos sociais e a criação de uma política de comunicação eficiente, para aproximar a legenda da militância e da população em geral.
Atual secretário geral do PT, o deputado federal Paulo Teixeira (SP) defendeu que o partido deve formar um núcleo central de alianças composto prioritariamente pelo PCdoB, PSB e PDT. “Temos que insistir que o PSB apoie a reeleição da presidente Dilma”, frisou. Na avaliação dele, somente essa política de alianças vai dar condições para que o PT consiga se renovar enquanto partido, para dar início a um novo ciclo de mudanças. Para ele, o PMDB deve continuar como parceiro, mas essa relação deve ser “qualificada”.
“Precisamos nos renovar, porque a sociedade já mudou”, afirmou Teixeira. Apesar de elogiar o governo petista, ele defende que o partido precisa dialogar mais com as novas gerações, atualizando seus programas, e se aproximar ainda mais dos movimentos sociais. No Ceará, a candidatura de Paulo é apoiado por lideranças petistas como a ex-prefeita Luizianne Lins, os deputados federais Artur Bruno e Eudes Xavier, o deputado estadual Antônio Carlos e o vereador Ronivaldo Maia.
Apoiado pelo vereador Acrísio Sena (candidato à presidência do PT Fortaleza), o filósofo Renato Simões, por sua vez, defendeu que um dos principais desafios do partido é resgatar seu “protagonismo”. “Não se pode viver na sombra do ‘lulismo’. Temos que reafirmar os valores socialistas do petismo”, disse. Na avaliação dele, o partido deve trabalhar para a realização de cinco grandes reformas: agrária, urbana, política, tributária e de regularização dos meios de comunicação de massa.
Para realizar todas essas reformas, ele avalia que a sigla precisa de outra política de alianças, tirando partidos de centro-direita que são “adversários da luta popular”, entre eles o PMDB, PTB e PR. Na avaliação dele, todas essas legendas apoiam o Governo, mas vêm “sabotando” as reformas que o PT vem lutando para implantar. Simões também defendeu uma nova política de comunicação do partido para incentivar a participação dos filiados. “O PT é uma esquerda analógica no mundo digital”, criticou.
Apoiado pelos vereadores Deodato Ramalho e Guilherme Sampaio, o historiador Valter Pomar defende que o PT deve realizar mudanças profundas de estratégia, tática e atuação. Segundo ele, o partido deve fazer alianças partidárias visando principalmente a seu programa eleitoral e não apenas às eleições, sob a pena de “perder o pleito ou de ganhar e decepcionar todo o País” . Dentro desse pensamento, ele avalia que o partido deve se aliar principalmente ao PCdoB, a alguns setores do PDT e do PSB e a setores minoritários do PMDB.
“O PSB mudou muito. O PSB de 2013 não é o mesmo de 1989. O PSB do Miguel Arrais não é o mesmo do (atual presidente nacional e governador de Pernambuco) Eduardo Campos”, avaliou. Pomar afirmou ainda que vai focar sua gestão em cinco pontos: a volta do autofinanciamento por meio da contribuição militante; fortalecimento da formação política dos militantes; criação de uma política de comunicação, recuperação da base social e fortalecimento da democracia interna do partido.
Membro do diretório nacional do PT, o economista Markus Sokol afirma que vai trabalhar sua candidatura à frente do PT Nacional para que o partido convoque uma Constituinte, para promover uma reforma no Estado “de cabo à rabo”. De acordo com ele, tal reforma só não foi implantada até agora, porque a presidente Dilma foi “sabotada” pelo PMDB, partido o qual, na avaliação dele, é o maior entrave do PT atualmente. Para ele, o arco de alianças deve focar partidos como PCdoB, PDT e setores populares do PSB.
Markus Sokol defende ainda que o partido deve dar maior defesa aos condenados do “Mensalão”. “A atual direção foi covarde. Evitou defender, com medo de enfrentar as instituições tradicionais”, avalia. Para o economista, os envolvidos não cometeram apenas um crime político: “se filiar a partidos, como o PMDB e outros, que funcionam por caixa dois”. Sokol defendeu ainda que o PT deve entregar cargos que possui em alguns estados, sobretudo no Ceará e em Pernambuco.
Diferentemente dos outros candidatos, o atual presidente do PT, Rui Falcão, que concorre à reeleição, defendeu a permanência do PMDB como principal aliado do PT no Governo Federal. “Acho que o PMDB tem a vice e deve ser mantido, juntamente com PCdoB, PSB, PDT, PR, PTB, PRB e todos que queriam participar do nosso programa de transformação”, afirmou. Para Falcão, o partido nunca se afastou dos movimentos sociais. “Mas quanto maior a aproximação melhor”, disse.
Rui afirmou ainda que vai trabalhar para aplicar todas as resoluções do 4º Congresso do partido, realizado em 2011, sobretudo a paridade de gêneros, a cota geracional e racial. Disse ainda que vai buscar fortalecer os diretórios estaduais e municipais do PT. Sobre o Mensalão, ele avalia que o caso não comprometeu a história de 33 anos do PT, apesar do impacto eleitoral. “Ninguém comprou votos. Foi um crime eleitoral de caixa dois e deve ser tratado como tal”, minimizou.
No Ceará, Rui Falcão é apoiado pelos deputados federais José Guimarães e José Airton, pelo senador José Pimentel e por Elmano de Freitas. O debate realizado ontem foi o quarto encontro dos candidatos à presidência nacional do PT. O próximo está marcado para 27 de setembro, em Porto Alegre (RS). O único candidato que a reportagem não conseguiu contato foi Serge Goulart, que não possui nenhum apoiador no Ceará. Hoje, a partir das 9h, candidatos à presidência do PT Ceará também realizam debate na Câmara Municipal de Aracati.

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Blog da editoria Política, do Diário do Nordeste.
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