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Categoria: Política e Democracia


09:06 · 14.09.2015 / atualizado às 09:06 · 14.09.2015 por

Os direitos políticos estão assegurados no capítulo IV da Constituição Federal de 1988, mas infelizmente, muitos cidadãos ainda não os conhecem e muito menos gozam de tais direitos. Nossa Constituição estabelece em seu preâmbulo que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente.

O filósofo francês Francis Wolff é um ardoroso defensor da democracia, mas evita o romantismo ao analisar aquele que é tido como fonte e sustentáculo dos regimes democráticos. “O povo está para a democracia como Don Juan está para as mulheres: a conquista mobiliza toda a sua energia, mas a posse o entendia”, costuma afirmar.

Wolff classifica o distanciamento entre governantes e governados de “negação da democracia”. “Quando é governado por um tirano, o povo sonha em conquistar o poder. No entanto, ao alcançar a democracia, recusa-se a exercê-lo e abandona a política”, lamenta.

Josênio Parente, doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Ceará, afirma que o desinteresse do povo, que exerce o poder soberano na democracia, representa um sério risco ao interesse público. “O cidadão precisa entender que sua participação política vai muito além do voto. Ele tem que acompanhar de perto o trabalho daqueles que tomam decisões importantíssimas para o desenvolvimento ou não da sociedade”, alerta.

Câmaras

Os vereadores existem para representar os cidadãos dos seus municípios. Cada vereador é representante de uma parcela dessa população, mas seu trabalho deve ser dirigido para toda a comunidade do município. Eles têm o poder de fazer leis que atendam aos interesses dessa comunidade. Por tamanho poder, precisam ser fiscalizados.

Composta por 43 vereadores, a Câmara Municipal de Fortaleza é a maior casa legislativa municipal do Ceará. Durante sessão realizada na última quinta-feira, 10 de setembro, apenas uma pessoa acompanhava atenta os debates que aconteciam no Plenário da Casa.

O autônomo Francisco Darlan, 47, sempre que pode acompanha as sessões de quintas-feiras. “Embora aqui sejam debatidas muitas propostas boas, a falta de confiança das pessoas nos políticos faz com que elas não acompanhem o dia a dia de nossos representantes”, comenta. “Mas posso garantir que há um anseio nas comunidades em saber o que tem sido feito para mudar a realidade. Sinto isso quando me reúno com meus vizinhos todas as terças-feiras para passar a eles o que os vereadores votaram na semana anterior”.

Enquanto Darlan não desviava a atenção, na porta, indeciso se entrava ou não na galeria de onde poderia observar a sessão, o aposentado Edmilson Ramos, 81 anos, após poucos minutos optou por ir para casa, no Bairro Caça e Pesca. “Não costumo vir assistir e pelo que pude ver, o desinteresse não é só meu. Infelizmente as pessoas só costumam procurar os vereadores quando precisam pedir alguma coisa”.

Estratégia

Ocupando pela quarta vez uma cadeira na Câmara Municipal de Fortaleza, o vereador Casimiro Neto (PP) atribui a ausência do povo nas galerias da Casa à dificuldade que os fortalezenses precisam enfrentar para chegar ao prédio que fica no Bairro Patriolino Ribeiro. “Isso (a ausência do povo) também acontecia quando a Câmara ficava na Praia de Iracema. Por isso defendo a ideia do presidente Salmito Filho de transferir para o Centro”, contou. O edifício Philomeno Gomes, que abrigou por décadas o antigo Lord Hotel, no Centro, poderá acomodar a Câmara.

Por outro lado o pesquisador Josênio Parente afirma que a mudança pode não ter o resultado esperado. “A experiência é interessante, mas precisamos observar que de um modo geral a política é uma correlação de forças organizadas, um conjunto de interesses, e nesse projeto os maiores beneficiados serão os comerciantes, não atoa são os grandes defensores da ideia”.

12:37 · 09.12.2012 / atualizado às 12:37 · 09.12.2012 por

Do médico psiquiatra Dr. Régis Eric Maia Barros, recebemos um artigo que gostariamos de compartilhar com os leitores deste blog. O tema é política e, sem dúvida, motivará uma boa reflexão.

E viva a política e a democracia!

Quando li todas as versões das crônicas “Explicando Política às Crianças” do majestoso Rubem Alves, eu fiquei em êxtase, pois, de forma lúdica, tudo que precisava ser dito foi magnificamente escrito. Ao finalizar a leitura da última crônica, imaginei as relações da política com todos os seus personagens desde o miserável que não tem o que vestir e comer até aquele empresário que “apoia” um determinado candidato. A palavra está entre aspas, pois o ato de apoiar, teoricamente, não necessitaria de quaisquer retornos ou agrados. Claro que o “homem político” gosta de ser apoiado, todavia esta relação, geralmente, não é unidirecional, visto que, existirá uma via de mão dupla que sugará muitas coisas sendo travestida de vários interesses. Assim sendo, duas perguntas aparecerão: quem pagará esta promissória? Quem sofrerá as consequências deste intenso trânsito nesta maldita via dupla com muitas idas e vindas?

O conceito Aristotélico que define o ser humano como um animal político talvez fosse mudado pelo próprio filósofo se ele visse a política dos dias de

hoje. Quem sabe ele faria algumas inovações e afirmaria que o

ser humano

muitas vezes é um ser “politiqueiro”

ou o ser humano é um ser político,

sobretudo se a política lhe traz resultados bem objetivos e diretos

. Para muitos,

a política é um grande negócio e, por que não dizer, um ótimo investimento.

Vamos imaginar uma profissão em que o controle do seu horário de trabalho é

frouxo, em que você tem motorista com carro de luxo, em que você tem verba

para vestimenta mesmo aparecendo pouco no trabalho, em que você ganha

ajuda de custo para moradia mesmo ficando pouco neste suposto domicílio, em

que você recebe apoio financeiro para viagens, em que você tem um salário de

luxo com direito a 13º, 14º, e manutenção de salário nos recessos e

campanhas políticas. Para completar, este trabalho permite

links, contatos,

apoios, simbioses bizarras além de trocas de favores e outras coisinhas mais.

Pararei por aqui, pois está crescendo em mim uma raiva dantesca. Então para

muitos, este seria o trabalho dos sonhos. Eu penso um pouco diferente. Este

não pode ser o melhor emprego do mundo, por que não é possível conviver

com tudo isto caso o proponente deste emprego tenha um caráter preservado e

integro. Como acabei de pontuar, para alguns seria “amarrar o burro na

sombra” e “viver na sombra com água”. Esta é uma triste constatação ligada à

política brasileira. Devido ao exagero do ganho financeiro e de outros

agregados, são inúmeros os candidatos que concorrem a uma vaga nas

Câmaras Legislativas durante as eleições sendo cada um mais bisonho e

bizarro do que o outro. Que vergonha! Esta é uma realidade que nada nos

alegra!

Mesmo Aristóteles não tendo sido testemunha ocular desta atual

realidade, é possível confirmar suas postulações ao descrever que a política de

alguma forma envolve toda a massa. Seria uma inesperada satisfação

perceber que os princípios democráticos e do bem comum são os principais

motivadores para o envolvimento com a política. Infelizmente, não é isto que

move o “ser político” nas Terras Tupiniquins. A realidade é outra, pois alguns

comportamentos não salutares da política nacional têm uma devastadora

virulência e são capazes de rapidamente contaminar pessoas e infestar

ambientes. Esta enfadonha constatação reforça o olhar Aristotélico de que a

raça humana, pelo menos a nacional, mistura-se com a política. O

envolvimento político vai daquele que é mais pobre até os nobres Senadores.

Vocês querem um exemplo, aí vai. Na cidade do meu pai, lá no sertão

cearense, todos esperam ansiosamente os resultados das urnas na eleição

para prefeito. Os ânimos se exaltam e a paixão transborda. Seria um censo

político incrustado no DNA? Seria uma odisseia em que todos são politizados?

Não é nada disto! Na verdade, a “política” contaminou a todos pela falta de

oportunidade, educação e capacidade crítica. O desejo de muitos é, quem

sabe, garantir algum trabalho comissionado numa terra de ninguém e de

oportunidades escassas. Enfim, a “

política do mesmismo” e não de mudanças.

Vem candidato e muda candidato e tudo continua o mesmo. A paixão nesta

política é movida pelas necessidades básicas da sobrevivência. A carreata da

vitória mostra isto. É uma comoção sem igual. Os correligionários

ensandecidos nos seus carros apertam as buzinas que estralam com fervor. As

lágrimas brotam dos olhos como se fossem quedas d’águas. Os gritos se

misturam com os apelos. O candidato aparece no meio do povo todo suado e

gosmento e as pessoas o abraçam e gritam de forma histérica “

este é o meu

prefeito, este é o meu candidato

”. Não é incomum, após a divisão dos cargos

comissionados, que são excessivos e isto não é à toa, não ter sobrado nada

para aquele “ser político” e apaixonado que abraçou o candidato na rua

enquanto ele estava pingando de suor. Como num passe de mágica, tudo

muda. O ser amado passa a ser odiado. Adjetivos como sacana, ingrato e

traidor surgem na goela daqueles que tiveram seus sonhos frustrados.

Inclusive, este que apoiava o candidato com as mais viscerais justificativas,

mudará de candidato na próxima eleição. Quem teve suas preces atendidas

com um cargo, manterão a fidelidade ao candidato eleito e repetirão tudo daqui

a 4 anos. E viva a política e viva a democracia! No outro extremo, temos o

político/candidato

experiente e matreiro. Independente de buscar uma cadeira

no poder municipal, estadual ou federal, este político usa da sua astúcia e

capacidade de persuasão. Portanto, ele se associa e busca os aliados. Por

sinal, aliados e oponentes são detalhes, visto que, a base aliada e a oposição

mudam de papeis tão quão os solstícios e os equinócios. Para piorar, não é tão

raro que este “ser político” já esteja vivendo da política há mais de 20 anos,

portanto sua profissão não é aquela descrita na carteira de trabalho e, sim, a

de político. Vê se pode! A política associada com o famoso “

ganha pão” e com

a manutenção de tudo que descrevi acima. Este “ser político”, a cada

legislatura, necessitará fazer contato com os “seres políticos” do outro extremo.

Então, esta cópula doentia acontece recorrentemente. Por ser mais poderoso,

o “ser político” que vive da política promete tudo e mais um pouco. Ele é tão

bom de lábia e de vernáculo que faz com que os eleitores acreditem e até se

emocionem diante daquele “monstro sagrado” da verdade, da bondade e dos

bons costumes. Conclusão: já não são mais 20 anos vivendo da política e

serão 24 anos. Novamente, viva a política e a democracia!

Talvez, estas descrições me façam concordar com o pensamento do

escritor francês Henry de Montherlant sobre política. Segundo ele, “

a política é

a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros

”. Talvez seja por aí e

como a paixão cega, aqueles que seguem o político de profissão estão

inebriados na mais louca paixão, embora a justificativa seja uma escolha

“consciente” por sufrágio universal respeitando os princípios republicanos e

democráticos. Não há dúvidas de que escolhemos nossos candidatos

democraticamente, mas eu te pergunto: existe alguém que consegue ser eleito

sem apoio logístico diferenciado tais como: dinheiro, publicidade, apoiadores e

verba de campanha, mesmo sendo uma pessoa com uma grande

expertise e

com um

background ímpar? Claro que não! Lembram-se daquela pequena

cidade do sertão cearense onde meu pai nasceu? Aquela mesma onde

descrevi acima o dia “D” da vitória. Pois bem, há comentários de que para ser

eleito vereador, o candidato precisou gastar pelo menos R$ 50.000,00. Eu não

sei e nem quero saber da veridicidade desta informação, mas uma coisa todos

nós sabemos – algum grande gasto aconteceu. Será que algum conhecedor

deste processo pensaria diferente? Talvez sim e até me corrigisse com a

seguinte construção: “

isto não deve ser colocado na planilha de gasto, mas de

investimento

”.

E o pior é que este funcionamento enojado no ato de fazer política vem

extrapolando a política partidária. Você pode perceber isto nas eleições e nos

mandatos, por exemplo, de alguns sindicatos, conselhos de classes e

associações representativas da sua atividade profissional. Nossas caixas de

email são invadidas com um grande número de informações que de fato não

objetivam informar, pois o desejo subliminar é tentar mostrar como este grupo

eleito está fazendo muito por você, mesmo que não esteja fazendo nada.

Muitas fotos com integrantes da gestão e com apoiadores são enviadas por

newsletters

e adicionadas nas mídias eletrônicas e nas redes sociais. Aqueles

que são clicados nestas fotografias e registrados nestes vídeos estão sorrindo

havendo uma reportagem tendenciosa ligada as suas imagens. Portanto,

sempre passando a ideia de que o bem prevalecerá e que os problemas foram

resolvidos e que “tudo entrou no eixo”. Será difícil definir ao certo em qual eixo.

É bem possível que tenha sido o eixo do afã pessoal no qual permeia outros

interesses com pitadas de narcisismo. Aquele exemplo da cidadezinha do meu

pai, infelizmente, poderá também ser utilizado aqui. As eleições destas

entidades tomaram um formato similar com as dos Poderes Executivos

municipais. Você quer ver? Aí vai: os grupos em suas chapas se digladiam.

Tentativas de desqualificar o oponente são recorrentes. A necessidade

“marqueteira” de passar uma imagem de bons moços é imperativa. São criados

websites

, impressos de campanha, adesivos, mailling list e até benefícios para

os partidários. A votação, independente da metodologia utilizada, é tensa e os

ânimos ficam exaltados. Ao final o grupo vencedor festeja e a alegria

transborda. O discurso da vitória é inflamado e o novo presidente mostrará que

sua gestão não será para ele e, sim, para todos, inclusive ele tenta convencer

que tudo será diferente e que nunca o Sindicado, o Conselho e a Associação

tiveram pessoas tão envolvidas e uma gestão tão competente. Aqueles que

não apoiaram o grupo vencedor são exorcizados e colocados no ostracismo e

de preferência banidos para sempre. As relações ficam intensas e a gana pelo

poder faz com que o grupo vencedor, tão amigo, tenha algumas arestas. A

busca de distribuir cargos e funções começa a aparecer na tentativa de conter

os ânimos e o risco de rompimento. Esta distribuição de cargos assemelha-se

àqueles cargos comissionados das eleições municipais, embora a moeda não

seja financeira. Talvez, estes cargos tenham como motivador outros interesses.

Ao final, a diretoria ainda informa que a gestão é participativa com a inclusão

de todos. Do meio para o fim da gestão, quando não há uma briga com

rompimentos, surgirá outro nome que transmitirá a ideia de que ele, um novo

paladino, será capaz de dar sequência ao que foi feito e melhorará muita mais

aquilo que foi construído além de trazer inovações. Novamente, viva a política

e a democracia!

Assim sendo, nós todos somos de alguma forma “seres políticos”,

embora alguns gostem em demasia dela e outros queiram viver dela. Não foi a

toa que o escritor luso Eça de Queiroz desqualificou alguns políticos ao pontuar

que “

políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo

motivo

”. Imagina se ele soubesse da vitaliciedade na política de alguns

políticos brasileiros! Como eu já te cansei com este longo texto, prezado leitor,

desejo que o (s) candidato (s) em que você votou nas últimas eleições não

tenha (m) tais características que foram tão descritas neste texto.

Dr. Régis Eric Maia Barros

Médico Psiquiatra

psiquiatria@stabilispsiquiatria.com.br