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Categoria: Proativo


11:32 · 13.01.2013 / atualizado às 11:32 · 13.01.2013 por

O pronunciamento do prefeito Roberto Cláudio (PSB), na abertura dos trabalhos da Câmara Municipal de Fortaleza, deve ser observado pelo fortalezense com a mais profunda atenção, posto dever ser esclarecedor quanto à realidade da estrutura administrativo-financeira da Prefeitura de Fortaleza, assim como por ser a primeira manifestação oficial do novo chefe do Executivo municipal da Capital, após todo o balanço feito da herança recebida da gestão da prefeita Luizianne Lins (PT), ao longo dos últimos 8 anos.
Mesmo não lhe movendo a ideia de apontar falhas, defeitos ou omissões do Governo de sua antecessora, o novo prefeito, em nome da transparência e do resguardo de sua administração, deverá dizer aos vereadores e à população quais os meios e condições têm a administração municipal, agora sobre sua responsabilidade, para enfrentar os desafios por ele próprio apontados ao longo da campanha eleitoral, além de poder ser explícito quanto às providências adotadas ou a adotar, para alcançar o seu desiderato.
Até o momento, só a dúvida permeia a ambiência social em relação ao deixado por Luizianne. Para os amigos e aliados dela, tudo ficou bem, senão às mil maravilhas, mas muito melhor do recebido em janeiro de 2005. Do outro lado, é voz comum que Roberto Cláudio encontrou o caos na Prefeitura. E o pior, desorganizada de tal forma que, a cada dia, uma surpresa aflora reclamando um constante rearrumar para colocar ordem na Casa e conhecer a situação real em cada um dos setores da máquina administrativa da Capital.
Credores
O pacote de medidas conhecido na última semana foi um passo avançado na busca do conhecer a realidade de pessoal e dos contratos, além de tranquilizar os credores com títulos legais, no caso, os devidos empenhos de bens e serviços realmente entregues e prestados, ao tempo em que se descompromissou com supostos credores cujas contas não foram empenhadas ou sobre empenhos cancelados até o dia 31 de dezembro.
Até o próximo dia 18, quer o núcleo central do Poder, instituído pelo prefeito Roberto Cláudio, integrado pelos secretários de Governo, Finanças, Planejamento, Orçamento e Gestão, da Controladoria e Transparência, do Procurador Geral do Município e do presidente do Iplanfor, ter o quadro de terceirizados em cada um dos espaços da Prefeitura, incluindo o do famoso e enigmático IDGS, centro de questionamentos ao longo de quase todos os anos da administração da ex-prefeita Luizianne Lins.
A eliminação de uma considerável parcela dos terceirizados e a revisão em todos os contratos de gestão da Prefeitura, providências imprescindíveis para ajudar no equilíbrio das combalidas finanças municipais, constituir-se-ão no primeiro grande choque a ser sentido na própria estrutura da máquina, com expressiva repercussão, especialmente no campo político.
Déficit
No centro do Poder Municipal, hoje, tem quem admite estar a Prefeitura, neste início de ano, com um déficit de aproximadamente R$ 500 milhões, incluindo-se várias despesas, dentre as quais o atraso de alguns meses da conta do lixo e de empresas de terceirização, no mês anterior. O grupo que reúne aqueles secretários acima relacionados, denominado de Comitê Municipal de Gestão por Resultados e Gestão Fiscal, tem pressa de concluir esse levantamento das dívidas legais, parte importante na estratégia de definição do equilíbrio financeiro a ser perseguido.
Por tudo isso, um discurso proativo do prefeito se faz necessário a fim de tranquilizar a todos quantos têm acompanhado as informações da herança negativa deixada pela administração anterior. A população, sobretudo aquela que depositou toda a sua confiança no sucesso do Governo recém-instalado, por certo ficará atenta ao pronunciamento de Roberto Cláudio, um estímulo para a manutenção da chama de esperança acesa ainda na campanha eleitoral passada.
A abertura dos trabalhos legislativos é oportuno para o tipo da abordagem em questão. Prefeito, governador e presidente da República têm obrigação legal de falar ao Parlamento, no início do ano, sobre a prestação de contas da gestão relativa ao ano anterior e a perspectiva dos Governos no ano presente. E se a administração está começando, como agora, mais enfático deve ser o pronunciamento do novo go0vernante.