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Categoria: PT e PSB


19:42 · 22.09.2013 / atualizado às 19:42 · 22.09.2013 por

por Lorena Alves

Derrotado nas últimas eleições municipais de Fortaleza, o Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta hoje mais uma crise de disputa de poder entre os próprios correligionários, divididos em correntes divergentes e separados por uma aliança com o PSB do governador Cid Gomes. Para cientistas políticos ouvidos pelo Diário do Nordeste, o partido só verá seu destino desenhado no cenário eleitoral de 2014 após as intensas negociações no âmbito nacional, embora reconheçam que o que poderia ser um trunfo para a legenda – uma possível candidatura ao Governo Estadual – tem se mostrado cada dia mais inviável.

De acordo com a professora de ciência política Carla Michelle, da Faculdade Integrada do Ceará (FIC), apesar de a ex-prefeita Luizianne Lins – presidente estadual da legenda até fevereiro próximo – ainda possuir capital político, a inclinação do PT é manter a aliança com o Governo do Estado, mesmo contra a opinião da dirigente. “A tendência é que haja um isolamento da Luizianne. Desde o início, com a candidatura do Elmano, que foi unilateral, que não foi apoiado pelas outras correntes, já se esperava isso. Desagradou muito o partido e fez com que ela se isolasse no PT”, argumenta.

O cientista político Rosendo Amorim, professor da Universidade de Fortaleza, faz coro à hipótese de desgaste da imagem de Luizianne no PT. “Ela quis dar um salto maior do que a perna. Tinha chance de ganhar a eleição, mas quis demonstrar que tinha poder político muito grande – e de fato tinha – mas não levou a eleição”, avalia.

Apesar de algumas lideranças petistas levantarem a possibilidade de candidatura própria ao Governo do Estado, especialistas ressaltam que, pelo momento político, o mais esperado é que eles sigam o candidato do governador Cid Gomes. “Há figuras importantes, não sei se com potencial de concorrer a governador do Estado. Quadros o partido tem, mas não tem interesse. Para eles, é mais interessante manter o apoio ao PSB na condição de ganhar o Senado”, comenta.

Na última sexta-feira, Luizianne Lins declarou que foi convidada pelo PSB a ser candidata a governadora pela sigla no próximo ano e chegou a defender que o PT saia com um postulante ao Governo do Estado. Em entrevista, ela disse que iria conversar com os correligionários sobre o convite e não descartou a adesão ao partido de Cid Gomes.

Senado

Conforme comentários que extrapolam os bastidores, o deputado José Guimarães é um provável nome do PT à vaga no Senado em 2014. O petista tem deixado claro o interesse pelo cargo. Na visita do presidente nacional do partido, Rui Falcão, a Fortaleza, no último dia 12, Guimarães não escondia a satisfação ao ser chamado de senador pelos aliados. Na última visita de Dilma Rousseff ao Ceará, a presidente da República se confundiu e chamou o deputado de senador. Na ocasião, ele foi à rede social Twitter e registrou a gafe.

Para Rosendo Amorim, mesmo com a capilaridade da sigla, o PT não tem condições de lançar candidatura ao Executivo estadual no próximo ano. “A possibilidade de o PT sair com candidato majoritário é despropositada. Nem o Lula consegue eleger alguém aqui. Para o Senado, é mais viável”. E completa: “O fato de o grupo do Cid ter ganhado a Prefeitura (de Fortaleza) e estar no Estado há sete anos dificulta a situação do PT. Acho difícil o PT fazer governador, não vejo nome para eleger governador”.

Se para PT e PSB já é difícil o entendimento – tendo em vista a ala petista que é contra o projeto pessebista – outro fator é determinante no pleito de 2014: o PMDB. Segundo Rosendo Amorim, há especulações de que o candidato a governador do ex-presidente Lula seja o senador peemedebista Eunício Oliveira. Partindo dessa premissa, o PT teria de optar por seguir um possível candidato do PSB ou apoiar o PMDB, que hoje é alvo de controversas no Governo Federal, embora um setor do PT defenda a manutenção da aliança.

“A variável complicadora é o PMDB. Há uma incerteza em relação à manutenção entre PMDB e PT. O PMDB vai de acordo com as arestas de poder. O que vem sendo falado nos bastidores é que o candidato do Lula é o Eunício”, arrisca o especialista. A professora Carla Michele discorda da hipótese: “Eunício é uma figura que tem vida própria. Acredito que o PT se mantenha ligado ao PSB, principalmente se o Eunício for candidato”.

Prejuízo

Para a cientista política Carla Michelle, a divisão vivenciada hoje no partido – o diretório estadual é aliado do PSB e o municipal, não – faz parte da formação da sigla, historicamente composta por inúmeras tendências ideológicas. “O PT sempre apresentou essa característica de divisão e cisão interna. Na primeira eleição da Luizianne, ela não contava com o apoio do PT. O apoiado era o Inácio (Arruda). O prejuízo maior é do ponto de vista ideológico, já que algumas bandeiras foram abandonadas”, pondera.

Já o professor Rosendo Amorim afirma que as diferenças de postura entre os correligionários não podem interferir no projeto político da sigla. “As divergências devem e podem existir, mas as pessoas que fazem os partidos, principalmente os caciques que têm o poder nas legendas, precisariam avaliar com mais acuidade até onde os seus interesses pessoais e objetivos não estão atrapalhando o projeto maior do partido”, declara.

Para o cientista político Hermano Ferreira, docente da Universidade Estadual do Ceará, a instabilidade entre os líderes cearenses pode enfraquecer o poder de barganha do Estado no âmbito nacional. “O receio é de as lideranças se esfacelarem muito e o Estado que acaba perdendo, com a redução da representação no cenário nacional”, destaca.

Rosendo Amorim opina que o governador Cid Gomes deverá ficar ao lado da presidente Dilma Rousseff no pleito de 2014, mesmo com uma provável candidatura do presidente nacional da sigla, Eduardo Campos, à presidência da República. Na última quarta-feira, Cid foi voto vencido na reunião do partido que deliberou pela entrega dos cargos do PSB do Governo Federal.

O especialista acrescenta que a indicação de Ciro Gomes à Secretaria da Saúde é uma sinalização do governador Cid Gomes de apoio à presidente Dilma, através do fortalecimento do programa Mais Médicos. Na avaliação do professor, o incremento de médicos nos municípios deverá ser cabo eleitoral da reeleição de Dilma. Alguns aliados de Cid comentam, nos bastidores da Assembleia Legislativa, que o governador cearense estará ao lado do PT em 2014, mesmo que fazendo “campanha branca”.

11:36 · 08.02.2013 / atualizado às 11:36 · 08.02.2013 por

O encontro nacional do Partido dos Trabalhadores marcado para o último dia deste mês, em Fortaleza, dará espaço para duas lideranças do PSB, o vice-presidente nacional da agremiação e ao governador Cid Gomes. Esta informação abre a Coluna Painel, da Folha de S.Paulo, edição de hoje. A nota não faz referência à participação da ex-prefeita Luizianne Lins, defensora do rompimento da aliança entre o PT e o PSB cearense.

Textualmente é este o registro na coluna do jornal paulista: “O PT aproveitará as primeiras caravanas de Lula pelo país, com início previsto para o fim do mês, para afagar aliados do ex-presidente que ensaiam voo solo em 2014 e representariam ameaça à coalizão reeleitoral de Dilma Rousseff. O seminário inaugural dos dez anos do partido à frente do governo federal, que deve ocorrer no dia 28, em Fortaleza (CE), terá espaço para dois dos expoentes nacionais do PSB: o vice-presidente da sigla, Roberto Amaral, e o governador Cid Gomes”.

 

17:07 · 09.09.2012 / atualizado às 17:07 · 09.09.2012 por

Os governadores Cid Gomes e Eduardo Campos, abos do PSB, o segundo presidente nacional da sigla, aceitaram o convite do ex-presidente Lula para participarem, em São Paulo, no próximo dia 16, de um comício em apoio à candidatura de Hadda à Prefeitura da Capital paulista, com a finalidade de atraírem os nordestinos, residentes naquela cidade, e incentivá-los   a votar no candidato petista.

Em troca desse apoio, os dois governadores teriam recebido a sinalização de que Lula não iria a Recife, nem veria a Fortaleza, participar da campanha municipal em favor dos candidatos petistas, ficando apenas sua intervenção nas duas campanhas nas gravações que ele já fez.  Tanto em Fortaleza quanto no Recife, a disputa entre PSB e PT tem sido bem acirradas.

Os líderes petistas daqui admitem, em reservado, a existência desse acordo implícito, mas continuam falando para o grande público, gerando expectativas de que Lula virá fazer comício para Elmano de Freitas.