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Categoria: Reação petista


11:39 · 05.03.2016 / atualizado às 11:39 · 05.03.2016 por

Partindo em defesa do ex-presidente Lula, petistas cearenses reagiram com críticas e a indicação de mobilizações contrárias a 24ª fase da Operação Lava Jato em que Luiz Inácio Lula da Silva foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal para prestar depoimento como investigado. Ele também foi alvo de mandado de busca e apreensão. Na tarde de ontem, o diretório estadual realizou uma reunião fechada com integrantes e militantes do PT para debater o acontecimento e definir ações.
Estavam presentes o deputado federal José Guimarães e os deputados estaduais Elmano de Freitas e Moisés Braz, além do presidente estadual do PT, Francisco De Assis Diniz.
De Assis Diniz classificou a ação como uma peça midiática para desgastar, desmoralizar e colocar o ex-presidente Lula em uma situação constrangedora. Para ele, a convocação tem o intuito de destruir um mito popular que construiu harmonia e crescimento no Brasil. “O que está em jogo é essa direita voltar ou se vamos continuar avançando. Essa ação midiática destrói o mito que é a última figura popular, um líder do popular”, avaliou.
O presidente estadual do partido ainda afirmou que as acusações tem conteúdo falacioso para alimentar um golpe. Ele apontou como desnecessária a decisão do juiz Sérgio Moro e ressaltou que os militantes não vão aceitar a situação reagindo ao “golpe” com protestos e mobilização social. “É uma violência sem precedentes em se tratando da força descomunal com homens fortemente armados para cercar o Instituto Lula, mais de 80 homens, no próprio conteúdo não tinha necessidade”, afirmou.
De acordo De Assis, a operação não tem intenção de apurar prática de corrupção no Brasil e sim de destruir a imagem do PT. Ele questionou o motivo de denunciados do PSDB não passarem pelo mesmo tipo de ação.
De Assis ainda disse haver uma aliança entre setores do Judiciário, do Ministério Público e parte da Polícia Federal para desgastar o Partido dos Trabalhadores, inclusive com vistas o processo eleitoral deste ano. “Essa é a grande questão, o que eles querem é a partir desse processo midiático desgastar o PT para perder nos grandes centros”, atestou.
Ponderando não haver ninguém acima da lei, o líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara Municipal, o vereador Deodato Ramalho, avaliou que a Operação Lava Jato tem sido seletiva e a condução coercitiva de Lula foi arbitrária ofendendo o estado de direito. Segundo o parlamentar, a intenção da ação foi movimentar o noticiário negativo contra o PT.
Deodato argumenta existir uma politização na Lava Jato para criminalizar as lideranças e criar dificuldades políticas para o Partido dos Trabalhadores. Ele acusou o juiz Sérgio Moro de agir politicamente e ter ligações com os partidos de oposição pelo fato da esposa ser advogado do PSDB. “O Lula não foi intimado para prestar qualquer depoimento, o que deixa claro é que há politização da Operação Lava Jato tentando criminalizar o PT e suas lideranças, seja por agir seletivamente ou nesse tipo de espetáculo que tem sido promovido para alimentar o noticiário negativo”, destacou.
Deodato Ramalho justificou não defender que não exista uma investigação e afirmou que se Lula for culpado que pague pelos atos, mas ressaltou ser contra a situação de ser eleger um criminoso. “Tem algo mais claro do que ter cinco delações que citam Aécio (Neves) e Fernando Henrique (Cardoso) e sequer ter início a investigação, e quando é alguém ligado ao PT tem esse tipo ação. O que está em jogo é de fato uma ação premedita e politizada”, avaliou.
O vereador Guilherme Sampaio, ex-secretário de Cultura do Estado, defendeu existir uma tentativa de construção de golpe pelas vias institucionais com a utilização do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal com finalidades partidárias. Para ele, o Partido dos Trabalhadores está enfrentando uma ofensiva nunca antes enfrentada pela dimensão do alcance do projeto do partido que elegeu Lula e a presidente Dilma Rousseff.
Guilherme salientou que a militância do partido vai lutar em defesa da democracia para fazer um enfrentamento ao “golpe político” e contra ações com fins políticos. “O sentimento da militância é de ir para ruas e fazer enfrentamento de um golpe político. Vou lutar para que eles estejam nos nossos palanques e programas de televisão porque o povo se identifica com a liderança que fala em nome dos movimentos sociais”, apontou.
Em nota, a deputada federal e ex-prefeita Luizianne Lins afirmou que a ação é mais um dos abusos cometidos na Operação Lava Jato e manifestou solidariedade ao ex-presidente. A parlamentar apontou a crença no estado democrático de direito e ressaltou que a política não seria terreno para eliminação fascista.
“Ações cinematográficas, espalhafatosas, turbinadas pela grande imprensa e baseadas apenas em delações levianas e vazamentos seletivos (e ilegais), estão promovendo não o amadurecimento de nossas instituições republicanas mas insuflando o justiçamento midiático e o ódio de classe”, disse o texto.