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Categoria: Reclamação


10:37 · 25.11.2012 / atualizado às 10:37 · 25.11.2012 por

A partir de 2013, o Ceará terá um cenário diferente em sua política local, segundo observou o deputado Antônio Carlos (PT), durante pronunciamento na Assembleia Legislativa, na manhã de ontem. O parlamentar atenta que teremos uma “hegemonia política”, já que Estado e o município de Fortaleza, além de outras cidades, serão governados por um mesmo grupo, no caso o PSB. Tal situação, destaca, ocorreu poucas vezes na história do Estado, argumentando que é preciso ter atenção para com a democracia.
Na opinião do parlamentar, é fundamental questionar a administração quando necessário for, porém defende que esses questionamentos devam ser embasados e fundamentados. Se há uma hegemonia nos Executivos (estadual e municipal) e bases governistas largas nos legislativos, é temeroso que, por falta de críticas e apontamentos, tenhamos, conforme denominou, uma “democracia incompleta”.
Até bem pouco tempo o parlamentar era líder do governo Cid Gomes na Assembleia e sempre subia à tribuna para defender a atual administração estadual quando esta era questionada. Agora, após a eleição municipal, em que PT e PSB romperam em Fortaleza, o petista defende que, na Assembleia, o partido faça oposição ao atual governo. Na Câmara Municipal de Fortaleza, os deputados eleitos pelo PT já tomaram a decisão de que serão oposição ao governo de Roberto Cláudio (PSB).
Para Antônio Carlos, faz parte da democracia questionar e criticar quando for preciso, pedindo para que essa sua defesa não deve ser vista como um “ato oposicionista dos desgostosos e dos derrotados”. A hegemonia, atesta, existe sim, já que o PSB comanda não apenas o Governo do Estado, mas também várias prefeituras cearenses. Além disso, destaca, outro deputado do PSB presidirá a Assembleia Legislativa, lembrando que o atual presidente da Casa, Roberto Cláudio, será substituído, muito provavelmente, pelo deputado José Albuquerque (PSB).
O fato do governo ter maioria, na opinião de Antônio Carlos, não é motivo para achar “que está tudo perfeito”, acreditando que essa supremacia “é uma coisa nunca vista antes na contemporaneidade cearense”. O petista defendeu a necessidade de elevar o nível dos debates e das críticas na Assembleia, entendo que agora, mais do que nunca, a base aliada do governo deve ouvir e debater. “Sem o pensamento de que está tudo perfeito porque conseguiram conquistar todo esse poder de forma legítima e democrática”, ponderou.
Conforme o parlamentar, há problemas sérios ocorrendo no Estado e que precisam ser discutidos, como a seca. “Me parece que quem estuda clima aponta que também em 2013 não será um ano fácil para quem vive no sertão. Será um acúmulo de dois anos de estiagem com consequências severas para a nossa economia”, alertou. Outro tema que também merece atenção, destacou, é a violência no Ceará.
O deputado Sérgio Aguiar (PSB), atual líder do governo Cid Gomes na Assembleia, discordou do colega petista quando esse disse que se instala, na política do Ceará, uma hegemonia. Para o parlamentar, o que vigora é uma união de forças que defendem o mesmo projeto político em âmbito nacional, da qual o PT faz parte.
“Nós fazemos parte de um mesmo projeto político nacional. E ele está sendo reprisado no Ceará, com a visão da presidente Dilma Rousseff, que é a visão desenvolvimentista para fazer verdadeiras renovações e mudar significativamente a vida das pessoas”, argumentou.
O pronunciamento do deputado Antônio Carlos foi no mesmo dia em que deputados tanto da base quanto de oposição, reclamaram que o Governo do Estado estaria impedindo a imprensa de ter acesso aos boletins de ocorrência divulgados pelo Instituto Médico Legal (IML) do Ceará. Ely Aguiar (PSDC), Fernando Hugo (PSD), Roberto Mesquita (PV), Eliane Novais (PSB) e Heitor Férrer (PDT) reprovaram a atitude e disseram não acreditar que tal ordem seja do conhecimento do governador Cid Gomes.