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Categoria: Relatório


09:29 · 16.07.2015 / atualizado às 09:29 · 16.07.2015 por

A crise da saúde pública no Ceará voltou a ser discutida, ontem, com o relato do deputado Carlos Matos (PSDB) sobre a visita realizada por parlamentares estaduais e federais a hospitais públicos na Capital na última sexta-feira (10). Matos avaliou que o Governo errou ao não valorizar entidades filantrópicas e ter preferido construir novos hospitais a um custo mais alto, em um cenário que faltam recursos para o custeio dos equipamentos públicos de saúde.
Segundo o deputado, há uma fila de 3.400 cirurgias na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza que poderia ter sido evitada com a realização de um convênio. Ele explicou que há um teto de 506 cirurgias a serem realizadas por mês pela instituição, quando há capacidade para serem feitas 700, que ainda pode ser expandida com baixo investimento. “É muito mais inteligente zerar a ociosidade da Santa Casa que construir prédios novos”, apontou.
Em relação ao Instituto José Frota (IJF), Matos informou que mais de 50% dos pacientes são provenientes de outros municípios, inclusive de Sobral, onde há um hospital regional. Ele afirmou que 53% dos pacientes deveriam ter sido atendidos pelos hospitais pólos ou de menor complexidade, como Frotinhas e Gonzaguinhas. “Falta ser instalada uma rede especializada capaz de dar uma resposta melhor no atendimento à saúde”.
O tucano apontou ainda que não há comitê da região metropolitana para coordenar o envio de pacientes provenientes de outros municípios. A superlotação do hospital, conforme apontou o parlamentar, só será superada com a nova área a ser construída, o IJF II. “Hoje, o déficit do hospital é de R$ 1,5 milhão por mês. Após o IJF II, será de R$ 5 milhões por mês, R$ 60 milhões ao ano. Não sabemos se tem dinheiro nem para o investimento, quanto mais para o custeio”, pontuou.
Já sobre o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), o deputado destacou que 70% dos servidores contratados são provenientes de cooperativas, em cobrança por concursos públicos. Ele ainda lembrou que, com o risco de os hospitais entrarem em colapso devido a falta de recursos, o Governo recuou da tentativa de cortar 20% das despesas do setor. “Ainda assim, há salas de cirurgias fechadas por falta de pessoal”, criticou.
Matos ainda destacou que haverá uma nova reunião na próxima segunda-feira (20) para debater o tema. Segundo o parlamentar, serão discutidas soluções para se acabar com a ociosidade da Santa Casa, diminuindo as filas de cirurgias; para valorizar os profissionais da saúde; e para resolver a crise pela qual passa o Ceará. “Os gestores ficaram de apresentar um plano emergencial de 90 dias para ver o que vai ser feito de imediato”.
Em aparte, a deputada Silvana Oliveira (PMDB) defendeu que parte das emendas parlamentares dos deputados estaduais sejam utilizadas para enviar recursos às entidades filantrópicas que oferecem serviços de saúde à população. “Se cada deputado enviasse R$ 100 mil ou R$ 200 mil para a Santa Casa já seria de grande ajuda”, pontuou. “Dá para alavancar a situação da Santa Casa com alguns recursos”.
A proposta também foi defendida por Carlos Felipe (PCdoB), que elaborou um projeto nesse sentido. Na visão do parlamentar, os recursos provenientes das emendas deveriam ser utilizados, preferencialmente, para a compra de insumos ou para auxílio no custeio dos equipamentos públicos, podendo ainda servir para executar programas do Governo. “É importante que nós possamos ajudar, atendendo a pedidos dos camilianos, dos vincentinos”, reforçou.
Já o deputado Capitão Wagner (PR) ressaltou que a maior dificuldade do Governo tem sido a de lidar com o custeio dos equipamentos públicos. Para o parlamentar, o problema deveria ser resolvido antes de se pensar em ampliar a rede de atendimento, com a construção do IJF II. “O custeio é o grande gargalo e em vez de ser trabalhar nisso, se amplia a rede novamente. Somos a favor de ampliar, mas com responsabilidade”, pontuou.