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Categoria: Religiosos


09:35 · 19.11.2016 / atualizado às 11:33 · 19.11.2016 por

Por Miguel Martins

Após as eleições de 2014, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) constatou que o aumento de militares, religiosos e ruralistas motivando uma composição mais conservadora do Congresso Nacional desde 1964. Parlamentares cearenses acreditam que com a queda do Governo do Partido dos Trabalhadores (PT), dito de esquerda, e ascensão cada vez maior do pensamento de direita, o conservadorismo volte de vez a dar o tom das pautas políticas nos próximos anos.
A Assembleia Legislativa, naquele ano, também elegeu deputados com um pensamento mais conservador, como membros de movimentos religiosos (católicos e evangélicos) e um militar foi o parlamentar mais bem votado, com mais de 194 mil votos. Na bancada cearense, um cabo e um ex-delegado federal, este com maior votação, 277 mil votos também foram eleitos.
Para a deputada Silvana Oliveira (PMDB), que em muitos de seus pronunciamentos no Plenário da Assembleia cita a Bíblia como instrumento para justificar muitos de seus posicionamentos, não existe uma “onda conservadora” em ascensão no Brasil, visto que para ela, o conservadorismo é a base e alicerce da sociedade brasileira.
“O que existiu foi uma onda de esquerda, que está acabando. Quem torna a sociedade viável é o conservador, que é responsável pelos princípios básicos da sociedade, que aponta o respeito de todos”, disse. Para a peemedebista, o que se convencionou chamar de esquerda tentou desconstruir muitos dos princípios conservadores, e agora tenta ir contra a base da sociedade, que na opinião da parlamentar é fundamentalmente a família.

Religiosa

“É a sociedade conservadora que mantém os vínculos entre os seres humanos possíveis. Teremos várias ondas de esquerda com o passar do tempo, é legítimo. Agora, dizer que existe uma onda de conservadorismo é piada. Isso porque a sociedade brasileira é conservadora”, afirmou.
Ely Aguiar (PSDC) concorda com Oliveira, e afirmou que isso se dá porque a composição do País é eminentemente religiosa, tendo o maior público católico do mudo e talvez o maior número de igrejas evangélicas. Segundo o parlamentar, tentou-se “empurrar de goela abaixo” uma ideologia que não foi aceita pela população. “Isso tem que ser uma conquista. As pessoas vão evoluindo através da educação, mas quiseram empurrar, por exemplo, a ideologia de gênero goela abaixo. Mas a família brasileira não está preparada para isso”, disse.
Aguiar chamou o pensamento de esquerda vigente no Brasil de “maluco”, afirmando ainda que o momento conservador no País vai durar por muito tempo. Ele só acha prejudicial quando tal pensamento acaba por menosprezar o pensamento contrário de ouras pessoas.
Roberto Mesquita (PSD), por outro lado, reclamou dos extremos, sejam eles de esquerda ou direita. Segundo disse, é preciso ter o mais profundo respeito às minorias, à liberdade religiosa e à possibilidade de ascensão social. De acordo com ele, essas pautas são de toda a sociedade e quando há defesa de determinados segmentos em detrimento de outros, quem perde é o todo. “Nós tínhamos políticas ditas de esquerda, entretanto, os desvios morais que ocorreram quebraram o encanto o que fez com que os ditos conservadores de direita voltassem”.
Um dos representantes do catolicismo, Walter Cavalcante (PMDB) afirmou que o Brasil é, sim, majoritariamente conservador e muito pautado pelos interesses da família. Segundo ele “a coisa afrouxou” quando o PT assumiu o poder, e por isso o povo quis se manifestar. “O Brasil, que passou por uma ditadura muito forte, tem uma democracia ainda nova, e agora que a classe conservadora está se impondo”.
Para Carlos Matos (PSDB) não há ponto positivo com a derrocada da esquerda e ascensão da direita. Segundo ele, é preciso caminhar pra um mundo pós-ideologia, visto que o fracasso da esquerda, na sua opinião, fez surgir a chamada extrema direita.