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Categoria: Saúde municipal


09:43 · 22.05.2013 / atualizado às 09:43 · 22.05.2013 por

Por Igor Gadelha

Vereadores de Fortaleza voltaram a cobrar, da Prefeitura, medidas que visem a melhoria do sistema de atenção básica de saúde do Município. Durante a sessão de ontem na Câmara Municipal, o vereador Fábio Braga (PTN) defendeu, mais uma vez, a descentralização dos postos de saúde da Capital cearense, como forma de melhorar a gestão dessas unidades. Já Iraguassú Teixeira (PDT) denunciou a falta de medicamentos nos postos para tratamento de hipertensão e diabetes.
A proposta defendida por Fábio Braga é de que os postos de saúde tenham autonomia para gerir seus próprios recursos. De acordo com ele, da forma em que são administradas atualmente, todas essas unidades de atenção primária, que sofrem com a falta de estrutura, são “dependentes” da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). “Como já explanei aqui, o caminho para resolver coisas pequenas, como quebra de equipamentos, é muito longo”, alega.
“Por isso, queria que a SMS avaliasse não só dotar a unidade básica de profissionais, ou comprar equipamentos, construir novas unidades, fazer reformas, ampliações, mas também em dar autonomia financeira para elas, porque, sem isso, elas não vão funcionar bem”, pediu. Segundo o parlamentar, essas unidades são muito importantes, pois funcionam como porta de entrada, no acesso à saúde pública, para 80% da população.
Em seu discurso, Fábio Braga avaliou também que a chegada de médicos Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que devem trabalhar em um turno de 6h por dia, vai melhorar o atendimento prestado à população nessas unidades. Apesar de cobrar a descentralização dos postos, o parlamentar pediu a todos que tenham “paciência” e que deem sugestões “para melhorar esse (saúde) que é o maior desafio do Executivo nesse momento em Fortaleza”.
Já Iraguassú Teixeira denunciou que a comissão de Seguridade Social e Família, da qual é membro, vem recebendo, diariamente, reclamações da falta de medicamentos para tratar diabéticos e hipertensos. Ele comentou que, inclusive, já marcou audiência com a secretária de Saúde, Socorro Martins, mas que o encontro não aconteceu. “Estou esperando também audiência com o prefeito, pois tenho essa preocupação de o problema se tornar uma verdadeira bola de neve”, disse.
O pedetista também cobrou melhoria no atendimento aos pacientes dos postos de saúde. De acordo com ele, a falta de qualidade tem feito com que muitas casos clínicos, que deveriam ser atendidos pela atenção básica, estejam sendo atendidos em hospitais da rede secundária, como Instituto Doutor José Frota. “Frotão não é para receber paciente de clínica médica, só é para receber trauma”, reforçou, acrescentando que espera ser recebido pela nova gestão para discutir o assunto.

09:27 · 09.05.2013 / atualizado às 09:27 · 09.05.2013 por

Por Georgea Veras

Um dia após os vereadores terem reivindicado atenção da Prefeitura para a melhora no acesso ao atendimento médico e o avanço na prevenção de doenças, ontem, os parlamentares voltaram a falar de saúde no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza. De acordo com o vereador José do Carmo (PSL), os parlamentares atuam como verdadeiros assistentes sociais, pois são eles quem a população procura quando precisa de atendimento médico, enquanto o vereador Iraguassu Teixeira (PDT) alertou para a falta de qualidade no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a falta de competência dos planos de saúde para garantir uma cobertura plena aos seus clientes.
“O povo está sofrendo por falta de saúde”, alertou José do Carmo. O vereador diz que se sente um assistente social, pois são constantes os pedidos de pessoas que o procuram solicitando serviços ligados à área da saúde, como exames ou mesmo um veículo para que possam chegar aos hospitais. “É tanta gente pedindo socorro que nos sentimos impotentes porque não temos como resolver”, lamentou.
José do Carmo entende que é providencial a vinda de mais médicos para Fortaleza, porém, também é necessário dotar as unidades de atenção básica, como os postos de saúde, de infraestrutura necessária para atender bem quem necessita. Ele defendeu que todos devem cobrar, constantemente, uma saúde de qualidade.
De acordo com o vereador Iraguassu Teixeira, o SUS ainda não conseguiu se firmar como um sistema único de qualidade, com cobertura universal e atendimento integral. Paralelo à isso, salientou, os planos de saúde vêm mostrando que não são uma solução decente para garantir uma cobertura de saúde de qualidade.
O parlamentar argumenta que o Brasil já apresenta novos desafios epidemiológicos e demográficos, além disso, há o envelhecimento da população e a incorporação de tecnologias na saúde. Do outro lado, destacou, há um sistema público de saúde que não acompanhou as mudanças do País e um mercado de planos de saúde que não consegue atender bem à demanda.
Conforme Iraguassu Teixeira, cerca de 50 milhões de brasileiros possuem plano de saúde e, a cada ano, o número de pessoas que aderem à saúde suplementar cresce 4%, ao mesmo tempo em que aumenta a quantidade de reclamações de usuários e médicos em relação às operadoras de planos de saúde.
O vereador aponta que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, há 11 anos, os planos de saúde continuam liderando o ranking de reclamações recebidas. No último dia 25 de abril, lembrou, foi celebrado o Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde, segundo Iraguassu Teixeira, um alerta para os gestores das operadoras dos planos de saúde, gestores públicos e para a sociedade em geral.
A classe médica também não está satisfeita com os planos de saúde, garante o vereador. Isso porque, explicou, essas operadoras pagam menos por uma consulta do que o valor definido pela classificação brasileira hierarquizada de procedimentos médicos, cerca de R$ 67, 82. “Segundo estudos das entidades médicas do Ceará, esse valor deveria ser de 80 reais aqui no Estado, mas a grande maioria delas paga menos de 66 reais”, pontuou, afirmado que, em 12 anos, as operadoras de plano de saúde reajustaram as mensalidades dos usuários de planos coletivos em 127% e nos planos particulares o valor chegou a 170%.
Iraguassú Teixeira apontou que o Governo Federal cogita oferecer uma série de estímulos aos convênios particulares, o que incluiria a redução de impostos e o repasse de verbas da União para que mais pessoas pudessem ter acesso aos planos, todavia, o vereador alerta que especialistas e órgãos empenhados na regulamentação da saúde estão receosos de que a medida enfraqueça ainda mais a rede pública, destacando que o Conselho Federal de Medicina já aprovou um manifesto em defesa do SUS.
O parlamentar entende que, o financiamento de planos privados com recursos federais fere a Constituição, defendendo que não se pode admitir que “interesses políticos, financeiros e de mercado decidam sozinhos os rumos e o futuro de um modelo enraizado na Constituição”.