Edison Silva

Categoria: Saúde pública


12:01 · 07.07.2013 / atualizado às 12:01 · 07.07.2013 por

Mais de uma dezena de milhares de cearenses, só em Fortaleza, a Capital do Estado, aguarda por um procedimento cirúrgico nos hospitais públicos do Estado. Com certeza, muitos deles morrerão sem ter recebido o atendimento médico recomendado. Hoje, o número de leitos à disposição de uma  população de 2.5 milhões de habitantes desta cidade é  proporcionalmente muito menor ao existente em 2010.

De lá até hoje 400 mil novas pessoas ampliaram as estatísticas e o Poder Público não ampliou a oferta desse serviço indispensável. Nos últimos dez anos, Prefeitura, Estado e União fizeram muito pouco para minorar o sofrimento dos fortalezenses. A grande obra do Município é da gestão do ex-prefeito Juraci Magalhães, a ampliação do Instituto José Frota e alguns postos de saúde. O Hospital da Mulher, do final da administração de Luizianne Lins, ainda não  funciona, como pensado e mesmo assim não é considerado um hospital com portas abertas, isto é, para todo tipo de atendimento.

O Estado, fez reformas em alguns dos seus próprios, aumentou um poucos leitos, mas muito aquém das necessidades de expressiva parte da nossa população. E a União, ajudou sim na construção do Hospital da Mulher e nas construções do Estado, mas não foi capaz de fazer o Hospital das Clínicas, ou Walter Cantídio, crescer como a Universidade Federal do Ceará e muito menos torná-lo exemplo de gestão para os estaduais e municipais.

Os governantes brasileiros, a partir da presidente Dilma Rousseff, estão confirmando não ter ouvido os clamores dos insatisfeitos com o gerenciamento da administração pública nacional. Os manifestantes protestaram por melhores condições de saúde, de educação, de segurança, de mobilidade urbana, contra a corrupção, enfim, sobre todas as mazelas da vida administrativa e pública do País. A resposta dada até aqui, além da redução de algumas tarifas de transporte coletivo foi uma discussão sobre se a Reforma Política deve ou não ser precedida de um plebiscito.

A presidente não anunciou uma nova ordem remuneratória para os procedimentos do Sistema Único de Saúde, motivo do afastamento de médicos e hospitais conveniados, hoje praticamente restrito aos filantrópicos, apesar dos protestos constantes, tanto pelos valores  quanto pelo atraso no desembolso, atualmente feito através das prefeituras. Ela também não fez referências a um novo modelo de gestão do próprio SUS, para otimizar os serviços, sobretudo nos hospitais municipais, estaduais e universitários.

Do mesmo modo como respondeu as questões relacionadas à saúde, também não o fez quanto à educação, a segurança, e os demais. Focada na Reforma Política, muito importante, por sinal, a presidente passa a ideia de estar preocupada com as próximas eleições, prioridade diferente dos necessitados dos serviços essenciais de obrigação do Estado brasileiro, nas suas diversas esferas de governança.

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Edison Silva

Blog da editoria Política, do Diário do Nordeste.
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