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Categoria: Saúde suplementar


10:26 · 10.07.2016 / atualizado às 10:26 · 10.07.2016 por

Por Antônio Cardoso

A afirmação do ministro da Saúde, deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP-PR), que defenderá a criação de um plano de saúde mais popular, porém com acesso a menos serviços do que a cobertura mínima obrigatória determinada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, foi criticada ontem na Assembleia Legislativa pela deputada Rachel Marques (PT). A parlamentar classificou a declaração como “séria e preocupante”.
De acordo com a petista, a intenção caracteriza “golpe” a Constituição. “É algo sério. E chama atenção porque vejo inúmeras vezes, aqui, parlamentares do PMDB dizerem que precisamos de mais recursos para saúde, quando o ministro da Saúde, afirma de forma categórica que não conseguirá mais garantir esses direitos e propõe a criação de planos de saúde populares e menos acesso aos serviços”, relatou, acrescentando que, se colocado em prática, a expectativa do ministro significará retrocesso diante de tudo o que já foi conquistado de maneira participativa e popular. “Tudo o que temos hoje foi conquistado a duras penas e com muita luta”, afirmou.
Rachel contou que o Sistema Único de Saúde atende a cerca de 200 milhões de brasileiros, assegurando acesso a serviços desde os mais simples aos mais complexos, como neurocirurgias. “A nossa pauta é no sentido de garantir avanços na saúde, mas o ministro afirma que é ministro da saúde e não do SUS. Precisamos é de ainda mais recursos para a saúde pública, mas o Governo propõe reduzir o orçamento. É um retrocesso e tenho certeza que a população reagirá caso essa medida seja tomada, pois vai contribuir para aumentar a pobreza em nosso País”, apontou.
O líder do PMDB na Casa, deputado Audic Mota rebateu a colocação de Rachel quando essa citou a bancada peemedebista. “O ministro é do PP, que é partido aliado ao Governo do Estado. Não é do PMDB”, disse o parlamentar, classificando o discurso como fraco e retrógrado. “Querem cobrar um governo que tem apenas 60 dias, quando o governo petista enviou para Cuba cerca de US$ 6 bilhões, dinheiro que poderia resolver o problema da saúde de uma região inteira do Brasil e até para fazer a refinaria”.
O peemedebista questionou com que autoridade Rachel cobra, agora, melhorias para o SUS, se teria sido o PT responsável pela situação difícil enfrentada atualmente. “Na hora em que o ministro fala em planos com preços mais populares é para estimular o mercado. Será que vão criticar a possibilidade de existir planos de saúde por preços populares?”.
Audic ressaltou não ser favorável ao fim do SUS e destacou que tramita na Assembleia projeto dele cobrando ressarcimento ao sistema público, do dinheiro gasto no atendimento a pessoas com planos de saúde, mas que mesmo assim procuram a rede pública. “Falar é muito fácil. Precisa é olhar o legado. Foram enviados para Cuba e Angola US$ 6 bilhões, enquanto o hospital de Quixeramobim não é inaugurado por falta de recursos”, rechaçou.