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Categoria: Secretários na AL


08:48 · 31.05.2016 / atualizado às 08:51 · 31.05.2016 por

Por Miguel Martins

Deputado Júlio César Filho, destaca a ida dos secretários para falarem aos deputados sobre os últimos problemas de Segurança FOTO: José Leomar
Deputado Júlio César Filho, destaca a ida dos secretários para falarem aos deputados sobre os últimos problemas de Segurança FOTO: José Leomar

Após rebeliões e mortes em presídios do Ceará os secretários da Segurança Pública e Defesa Social, Delci Teixeira, e de Justiça, Hélio Leitão, devem comparecer, amanhã, na Assembleia Legislativa para prestar esclarecimentos aos deputados da Casa sobre os investimentos das pastas na área. Parlamentares entrevistados pelo Diário do Nordeste disseram estar esperando transparência por parte dos gestores, bem como propostas que melhorem não só a situação das penitenciárias do Estado, mas diminuam a sensação de insegurança da população.
Roberto Mesquita (PSD) lamentou a situação pela qual passa os presídios no Estado, e afirmou que os problemas são mais graves do que aqueles apontados até aqui após as rebeliões. Segundo ele, os secretários precisam dar uma resposta à sociedade sobre o que de fato está sendo feito, bem como um prognóstico do tempo em que as melhorias poderão ser realizadas. “Eles transferiram uns presos de um presídio para outro apenas para consertar os estragos feitos, mas ninguém garante que a situação da superlotação vai ser minorada. O que aconteceu nos presídios foi uma chacina e a população está preocupada com isso”.
Mesquita criticou ainda a falta de pulso por parte da Secretaria da Segurança Pública para impedir que facções criminosas de outros estados atuem no Ceará, como vem sendo verificado nos últimos meses. “Eles têm se utilizado das redes sociais para amedrontar a população e até atacar equipamentos da Segurança Pública no Estado”, apontou.
Audic Mota (PMDB) lembrou que é de sua autoria um requerimento solicitando do secretário de Segurança, Delci Teixeira, explicações sobre o aumento da criminalidade na região do Inhamuns por conta do tráfico de drogas, bem como dos assaltos a bancos. Segundo ele, o momento vai ser propício para que os gestores esclareçam alguns pontos da real situação dos presídios no Ceará.
No entanto, como o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT) fez um convite aos secretários, alguns parlamentares de oposição temem não poder fazerem os questionamentos necessários. Mota, por exemplo, tem uma série de perguntas a serem feitas para Delci Teixeira, mas acredita que o tempo para o debate será curto diante tantos problemas existentes na pasta da Segurança Pública. O peemedebista lamentou ainda que, devido a falta de controle por parte da pasta, o Estado tenha que se submeter à ajuda da Força Nacional, visto que o Estado não foi capaz de sanar os problemas existentes na área.
Já o vice-líder do Governo, Júlio César Filho (PDT), salientou que o secretário esteve outras duas vezes na Assembleia Legislativa tratando sobre temas ligados à Segurança. De acordo com ele, ainda que os recentes acontecimentos tenham demonstrado alguma falha no sistema penitenciário no Ceará, os índices de violência no Estado seguem decaindo a cada mês.
Segundo informou Zé Ailton Brasil (PP), muitas das ações implantadas pelas duas pastas, bem como aquelas que vão ser apresentadas no debate que acontecerá com os deputados da Assembleia, já são de conhecimento da base governista. De acordo com o parlamentar a ida dos gestores atende a um chamado do presidente da Casa, e assim poderá se tirar qualquer dúvida sobre o que, de fato ocorreu, suas motivações e o que será feito de agora em diante pela gestão do governador Camilo Santana.
“A gente espera que eles falem a verdade e que apresentem um diagnóstico real da situação atual. Eles precisam explicar porque chegamos a esse ponto onde o Ceará está registrando as maiores fugas da história nos presídios cearenses”, disse o deputado Ely Aguiar (PSDC). Segundo ele, a população está preocupada, pois não sabe a quantidade exata de presos fugitivos e nem dos mortos nas rebeliões que ocorreram. Para ele, a questão dos bloqueadores de celular em nada influenciaram nas rebeliões registradas.
“A rebelião aconteceu pela fragilidade do sistema. O sistema em que o Governo vem ‘empurrando com a barriga’, e achava que isso nunca iria acontecer. O Governo está transferindo a culpa disso para os agentes prisionais, mas a culpa é do sistema judiciário que não tem estrutura para atender a demanda, e não há lugar para colocar tantos presos”, lamentou.
O parlamentar reclamou, por exemplo, do fato de presos “e menor potencial” ofensivo para a sociedade estarem misturados com outros de maior periculosidade. “A Secretaria de Justiça não sinaliza em nada com relação a isso, e nem programas de ressocialização são bem direcionados para a população carcerária cearense”, reclamou.