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Categoria: Tensão


09:00 · 13.07.2016 / atualizado às 09:00 · 13.07.2016 por

Por Miguel Martins

Nas últimas semanas, devido a aproximação eleitoral nos municípios ou até mesmo por conta da crise de representatividade política que vem sendo observada no País, nos últimos anos, os deputados da Assembleia Legislativa vêm demonstrando discursos mais incisivos, e muitas vezes partindo para agressões verbais. Para alguns parlamentares tais atitudes prejudicam a imagem da Casa e devem ser evitada pelos parlamentares para tentar manter a ordem dos debates propostos.
Não tem sido raras as vezes que, por exemplo, parlamentares tentam afrontar a figura do presidente da sessão ordinária, ou até mesmo do próprio presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT). A maior parte dos ataques, quase que na totalidade das vezes, são oriundas dos deputados de oposição insatisfeitos com a não aceitação de seus pleitos.
Durante uma dessas plenárias, deputados oposicionistas chegaram a abrir uma sessão ordinária sem o número suficiente para inícios dos trabalhos e passaram a fazer críticas aos governistas que não compareciam aos trabalhos. Também tem sido comum parlamentares que reclamam daqueles que se inscrevem para fazer uso da palavra e não o fazem, praticamente, forçando a participação desses nas discussões.
Da tribuna do Plenário 13 de Maio, por exemplo, parlamentares já foram chamados de “babões” e os líderes do Governo. Deputados de primeiro mandato na Casa disseram ao Diário estranhar o posicionamento de alguns colegas. Segundo Carlos Felipe (PCdoB), algumas atitudes têm sido prejudiciais e isso tem ocorrido, de acordo com ele, devido o pleito eleitoral, o que estaria levando a uma postura mais acirrada.
“Também é resultado do confronto nacional, e isso em nada traz de benéfico para as discussões aqui na Casa. Essas discussões deveriam preservar, pelo menos o respeito. Quando extrapola esse limite, não há nada e produtivo. Muitas vezes as discussões são mais político-eleitorais do que pensando na sociedade”, disse.
Para Ferreira Aragão (PDT), alguns deputados não têm preocupação em debater os temas propostos, mas, simplesmente, “contestar tudo”, o que acaba levando as discussões para agressões verbais. “Há uma contestação generalizada aqui na Casa. As vezes a matéria é boa, mas a impressão que dá é que o Governo só manda mensagens ruins, pois a oposição critica tudo”, disse o líder do partido. Segundo ele há por parte de oposicionistas uma “atuação midiática”, o que acaba por desqualificar as discussões na Casa. “Isso acaba prejudicando a qualidade do representante”.
O deputado Bruno Gonçalves (PEN), também em primeiro mandato, ressaltou que isso acontece por ser mais fácil fazer oposição. Segundo disse, os opositores estão “muito empolgados”. No ano passado o parlamentar votou muitas vezes contra o Governo, e isso se deu, conforme disse, por conta da empolgação de primeiro mandato em querer aprovar todas propostas que beneficiem a população. “Mas aprendi que ser situação não é isso, é dar o que se pode dar”.
O parlamentar acredita que muitas das vezes a oposição acaba por demonstrar um descontentamento devido ao resultado das eleições de 2014. “Até hoje o PMDB ainda está amargurando e afrontando os líderes. Não vale a pena falar com a oposição pior que quem está cobrando sabe que não pode fazer. Todo mundo quer melhoria, mas eles sabem que não se pode fazer no momento”.
Manuel Santana (PT) destacou que em determinado momento na Casa, ele fez um apelo aos seus colegas para que tivessem preocupação com o nível do debate, visto que as discussões estavam muito “ríspidas”. “Minha preocupação é que nosso pior exemplo é a Câmara dos Deputados. Em algumas ocasiões assisti verdadeiras agressões verbais e quase agressões físicas. Isso acontece por conta do momento político delicado, e agente deve se mirar pelo que é melhor, mais ético, mais construtivo. Seria importante que a boa educação fosse a regra na maior casa legislativa do Ceará”.