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Categoria: Vaias


09:39 · 23.08.2018 / atualizado às 09:39 · 23.08.2018 por
Os dois candidatos ao Senado apoiados pelo governador, Cid Gomes (PDT) e Eunício Oliveira (MDB), receberam agradecimentos de Camilo e suscitaram reações diferentes do público Foto: JL Rosa

Em plena campanha, as divergências na base aliada do governador Camilo Santana (PT) em relação ao apoio dele à reeleição do senador Eunício Oliveira (MDB) parecem pacificadas nas declarações e aparições públicas do chefe do Executivo estadual e do candidato ao Senado da chapa do governador, Cid Gomes (PDT), ao lado do emedebista, que encabeça uma segunda coligação governista, mas ontem à noite (22), durante a inauguração do comitê central de campanha de Camilo, em Fortaleza, a reação negativa de parte do público presente ao ato em relação ao senador Eunício causou constrangimento no palanque que reunia candidatos de diferentes partidos do arco de aliança do governador. Camilo, por sua vez, ressaltou a liberdade garantida pela democracia e saiu em defesa do aliado emedebista, em um discurso pautado, sobretudo, pelo destaque de políticas implementadas – e resultados – na área da Educação.

O comitê central da campanha do petista foi instalado na Avenida Sebastião de Abreu, no Cocó, no mesmo espaço que concentrou atividades de campanha do prefeito Roberto Cláudio (PDT) na última eleição municipal, em 2016. O chefe do Executivo municipal, aliás, era um dos que compunham a linha de frente do palanque disputado por dezenas de candidatos, assim como o ex-governador e candidato ao Senado Cid Gomes, o senador Eunício Oliveira e a vice-governadora e candidata à reeleição Izolda Cela, além do próprio governador Camilo Santana. Juntos a eles, estavam o vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan (DEM), os presidentes da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), e da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), a primeira-dama do Estado, Onélia Santana, a primeira-dama de Fortaleza, Carol Bezerra, e a esposa de Cid Gomes, Maria Célia.

Também dividiam o espaço – que ficou apertado – do palanque deputados federais e estaduais, prefeitos de municípios do Interior e candidatos que não ocupam cargo eletivo.

Foi no início do pronunciamento de Camilo, porém, que, ao citar nomes de seus apoiados, Camilo Santana teve que contornar momento de constrangimento. Após enaltecer qualidades da vice-governadora Izolda Cela e puxar gritos de “ela merece, ela merece!” junto ao público, o petista referiu-se ao ex-governador Cid Gomes como “amigo”, “irmão” e “o melhor governador desse Estado e que agora vai levar a voz dos cearenses para o Senado Federal”. Em seguida, contudo, quando foi falar de Eunício, Camilo discursou sob vaias direcionadas ao emedebista desde que o nome dele foi citado.

Reação

“Eu queria, aqui, dizer que, nesses três anos e oito meses que sou governador, nós atravessamos muitas dificuldades, uma crise econômica sem precedentes no Brasil, que afetou o Ceará, que afetou a arrecadação, que afeta a capacidade de investimento do Estado. Seis anos de seca no Ceará, vocês não imaginam o que aumentei os meus cabelos brancos, passei noites sem dormir preocupado em garantir água para os irmãos e irmãs cearenses. E sou o tipo de pessoa que vou buscar ajuda a quem quer que seja, qualquer partido, de qualquer lugar, para ajudar os meus irmãos e as minhas irmãs cearenses. E eu procurei o senador Eunício Oliveira e ele abriu as portas do Congresso Nacional,  e aqui eu queria cumprimentar Eunício e agradecer a sua presença e a sua participação”, disse, sob vaias ao senador. Da plateia, também era possível ouvir, neste momento, gritos de “golpista!”.

Eunício manteve o sorriso enquanto ouvia os agradecimentos do governador e, para minimizar o constrangimento visível em alguns rostos no palanque, o petista reagiu: “Gente, depois (quero) dizer que na democracia todo mundo é livre, mas é importante ter a coragem e a sinceridade de dizer as coisas no momento, como eu sempre tive coragem de dizer e nunca me escondi de nada”, disse Camilo, desta vez sendo aplaudido. Na plateia, havia também um grupo de apoiadores de Eunício, com camisas e bandeiras verdes com o nome do senador.

 

Com 64% das intenções de voto na primeira pesquisa Ibope para a eleição deste ano, divulgada na última semana pela Televisão Verdes Mares e o Diário do Nordeste, ele frisou, ainda, que a campanha demandará trabalho e humildade. No comitê, por sua vez, o petista ressaltou que haverá debates e discussões com diversos grupos sociais durante o processo eleitoral. Durante o pronunciamento, Camilo não citou nenhuma vez os nomes de Ciro Gomes (PDT), candidato do PDT à Presidência da República, ou do ex-presidente Lula (PT), oficializado pelo PT como também candidato ao Palácio do Planalto. No público, algumas pessoas estampavam adesivos de apoio a Ciro, enquanto outras tinham, em mãos, máscaras do rosto do ex-presidente.