Edison Silva

Categoria: Veneno


11:21 · 27.06.2018 / atualizado às 11:21 · 27.06.2018 por

Por Letícia Lima

Deputado Renato Roseno (PSOL) criticou, da tribuna da Assembleia, a aprovação de projeto sobre uso de agrotóxicos no Brasil Foto: José Leomar

O deputado Renato Roseno (PSOL) repudiou, ontem, durante discurso na Assembleia Legislativa, o projeto de lei, em tramitação na Câmara Federal, que muda a legislação brasileira sobre o uso dos agrotóxicos. A proposta prevê a liberação temporária de produtos, mesmo que ainda não tenham sido analisados e aprovados por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde. Para Roseno, a mudança vai liberar ainda mais “veneno” na comida dos brasileiros.

O projeto, de autoria do ex-ministro da agricultura e senador, Blairo Maggi (PP), já aprovado na comissão da Câmara Federal, prevê mudanças nos critérios de aprovação e análise dos produtos. Uma das principais mudanças é que as análises dos novos produtos e autorização de seus registros ficarão concentrados no Ministério da Agricultura, mesmo se órgãos reguladores não tiverem concluído suas análises. Nesse caso, os produtos receberão um registro temporário, desde que já sejam registrados em outros três países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Roseno considera esse ponto o mais grave, em razão do risco de liberação de substâncias que possam afetar a sáude dos consumidores. “Como registrar venenos, substâncias químicas, que podem causar, inclusive câncer, sem que os devidos estudos de precaução relativos à sáude pública e ao meio ambiente tenham sido realizados? É farta a documentação científica que comprova como a utilização de agrotóxicos causam, dentre outras coisas, neoplasia, problemas neurológicos, má formação fetal, mutações genéticas”, alertou.

Segundo o deputado, apesar do Brasil ser responsável por apenas 4% da produção agrícola mundial, o país é responsável por 20% do consumo de pesticidas. Ele chama atenção que dos 235 produtos agrotóxicos comercializados no Brasil, existem, pelo menos, 22 que já foram proibidos em outros países, mas que continuam sendo utilizados aqui. E mesmo aqueles alimentos, segundo Roseno, produzidos sem agrotóxicos ainda podem apresentar resquícios de sua utilização.

“Existem territórios que, pelo excesso de agrotóxicos, não tem mais abelha, passarinho. Temos pesquisas da COGERH (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos) que colocam a Chapada do Apodi, pela larga utilização dos agrotóxicos, com vários poços que estão contaminados com produtos borrifados há 40, 50, 60 metros acima. Estamos falando da saúde dos nossos filhos, daquilo que eles comem todos os dias em todos os lugares. E nessa situação vemos a pressão da bancada ruralista, que é um lobby poderoso econômico, que quer permitir que o registro desses produtos seja feito pela agricultura e não pela saúde”, criticou.

Para Roseno, as mudanças aprovadas no projeto representam uma “marcha ré” no País. O deputado ressaltou uma pesquisa da Fiocruz, do Paraná, que mostra que a cada dólar gasto em agrotóxico, o sistema público de saúde gasta 1 dólar e 28 centavos em tratamento de desintoxicação. “Nós somos todos afetados, em especial o trabalhador rural. O agro está matando o campo, temos que repudiar a liberação de mais veneno na comida do brasileiro”, bradou da tribuna.

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Blog da editoria Política, do Diário do Nordeste.
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