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Deputado pede atenção do eleitor para escolher bem

09:17 · 13.06.2018 / atualizado às 09:17 · 13.06.2018 por

Por Letícia Lima

Durante discurso, ontem, na tribuna da Assembleia Legislativa, o deputado Roberto Mesquita (PROS) comparou o crescimento da corrupção a uma plantação. “Se nós plantarmos um caroço de milho, nós colheremos uma espiga que terá mais de 200 caroços, se nós plantarmos na urna a corrupção, nela, sem dúvida, se colherá duzentas, trezentas vezes mais”. A analogia serviu para o parlamentar pregar o voto consciente nas eleições deste ano e a renovação da classe política. Ele criticou as pessoas que reclamam dos “desmandos” mas, na hora do pleito, vendem o seu voto.

Mesquita começou o discurso, relatando que, nas suas incursões pelo Interior, nota que é “reinante” na população o sentimento de descrédito e “tristeza” em relação ao futuro do País, especialmente, no mundo político. “Tenho perguntado a diversas pessoas se, após esse pleito que se aproxima, teremos a possibilidade de encontrar um novo Brasil e o que mais tem me impressionado é a voz geral de que nada vai mudar, que as mesmas práticas vão continuar como fundamental de uma República, que se desintegra a cada dia”.

No entanto, o parlamentar defendeu, ontem, que o instrumento, pelo qual a sociedade pode promover mudanças no País, é o voto, pois, na visão dele, “torna todos iguais, o homem e a mulher, o rico e o pobre”. Acontece que, segundo Mesquita, quando esse voto é utilizado como moeda de troca para obtenção de “benesses”, a corrupção é “plantada na urna” e a partir dali ela se espalha. “A corrupção se planta quando o voto não sai da vontade soberana, para fazer com que a sua procuração, dada na hora de escolher o seu representante, não saia do seu coração”, expôs.

Roberto Mesquita, que deverá disputar a reeleição para deputado estadual, em outubro próximo, provocou uma reflexão na população sobre a renovação dos agentes políticos e, assumindo um mea culpa, ele mesmo tratou de se incluir nesse hall. “Se todo mundo tá insatisfeito e se os mesmos vão voltar, os resultados vão ser iguais. Não vai haver mudança, se o povo não tiver a coragem de ousar, de, na hora, de sufragar o nome, ele apelar pra sua consciência. De fato, acho que nós precisamos fazer com que haja alternância de mandatos, é impossível vermos pessoas com seis, oito, nove anos de mandato”, criticou.

O parlamentar se disse “espantado” com o resultado do último levantamento do Instituto Datafolha, publicado no domingo passado, que aponta o ex-presidente Lula – preso há 67 dias na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba – na liderança das intenções de voto. “Um homem na prisão, condenado, é o primeiro lugar nas pesquisas, é o primeiro lugar numa eleição, se fosse feita hoje. O que está ocorrendo? Qual a leitura que se pode fazer desta eleição? É o descrédito dos outros (prováveis candidatos)? Pelo menos, o ex-presidente Lula é aquele que algo lhe fez de bom e esses outros não demonstram o mínimo de crédito para a população e vemos situações embaraçosas como essa”, observou.

Para Mesquita, não adianta a população ficar “culpando Brasília, ficar culpando os desmandos que lá ocorrem, se na hora do voto você vende por R$ 50, R$ 100 e troca por qualquer benesse”. “Enquanto não sair do povo, da vontade sagrada, que pode sair das urnas um modelo que representa a população, nós não teremos as transformações que queremos. Se na hora de votar, você vender o seu voto, você não tem mais o que reclamar, você não é mais dono da sua cidadania. Nós devemos discutir. Para cada problema, devem existir várias soluções. É salutar que não haja um pensamento só, que haja situação e oposição”, defendeu.

O deputado criticou, ainda, as divergências entre as alianças feitas a nível federal e estadual, em prol da permanência de políticos no poder, e fez referência às alianças costuradas pelo Governo do Estado, que é administrado pelo PT, com partidos como o MDB, opositores no plano nacional. “Da fronteira do Ceará pra cá, é todo mundo junto, quando a pessoa passa da fronteira, aí um já é Temer, outro já é Lula. Como as pessoas vão se apresentar nesta eleição para a população? Porque essa luta que está sendo feita pelos nossos representantes lá em Brasília, nem de longe é a que nós queremos. Temos o presidente mais impopular da história desse País. O que vamos fazer? Mandar essas pessoas de volta pra lá”, questionou.

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