Busca

Deputados federais cearenses e a denúncia contra Temer

11:47 · 23.09.2017 / atualizado às 11:47 · 23.09.2017 por

Por

Deputado Cabo Sabino acredita que a Câmara Federal não dará autorização para a abertura de processo contra o presidente Temer Foto: Fabiane de Paula

Os problemas que levaram à suspensão dos benefícios dos delatores da holding J&F – proprietária da empresa JBS – devem influenciar a avaliação dos deputados federais em relação à segunda denúncia formulada contra o presidente Michel Temer (PMDB) pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda durante a gestão recém-encerrada de Rodrigo Janot. De acordo com integrantes da bancada cearense, a suspeita de fraude fortalece a posição do Palácio do Planalto.

Segundo Domingos Neto (PSD), o clima na Casa é favorável ao governo. O motivo é justamente a suspeita de fraude na delação, que ele caracteriza como “falta de credibilidade que  ficou o Janot com a sua relação com o Marcelo Miller”. Este último, ex-procurador que era tido como próximo a Janot, é suspeito de ter orientado os delatores sobre suas propostas de colaboração premiada enquanto ainda estava na PGR, algo que é vedado por lei.

De acordo com o coordenador da bancada, Cabo Sabino (PR), “o presidente Temer deve ter um apoio maior do que na primeira denúncia”. Segundo ele, a crise que levou à suspensão dos benefícios dos delatores da J&F por parte da PGR levou a um enfraquecimento de ambos. “Há um sentimento de que a denúncia foi arranjada”, declara o parlamentar.

Segundo ele, o tempo também joga a favor do peemedebista. Com a proximidade do pleito de 2018, ele diz que muitos de seus colegas de Parlamento não têm demonstrado interesse em afastar um presidente por seis meses – prazo previsto pela Constituição no caso de autorização da Câmara da investigação – para, no caso de condenação, ter que realizar uma eleição indireta. “Soaria como algo incoerente e traria mais instabilidade ainda”, diz. Os sinais de recuperação da economia também favorecem o Planalto. De acordo com o republicano, há um sentimento de que o afastamento poderia prejudicar esse processo.

Apesar dessa avaliação, o parlamentar diz-se favorável ao afastamento. Para Sabino, “o Brasil não pode ter a frente como seu chefe maior alguém que é acusado de obstrução da Justiça, de fazer parte de uma organização criminosa. É vergonhoso para o País”. De acordo com ele, a denúncia apresentada pela PGR dessa vez tem mais substância do que a primeira. “As denúncias não são apenas da JBS, mas também trazem a delação do (Lúcio) Funaro (apontado como operador financeiro do PMDB)”, declara.

Se para Sabino o resultado deve ser favorável ao presidente, José Guimarães (PT), líder da oposição ao governo federal na Casa, não tem tanta certeza. “Tem muito deputado querendo mudar o voto”, afirma. Segundo ele, os parlamentares estariam tentando evitar o desgaste de chegar às vésperas de 2018 com suas imagens associadas à uma administração impopular como a de Temer. “Muito deputado que não quer morrer abraçado com ele”, declara o petista.

Para ele, a denúncia apresentada por Janot é mais robusta do que a primeira, e isso também precisa ser levado em consideração. Guimarães, entretanto, admite que a suspeita de fraude na delação da J&F poder ter influência sobre os deputados. “É claro que o Janot se desgastou muito. Há um ambiente de desgaste do Ministério Público”, declara. Segundo o petista, a expectativa é de que a Câmara decida sobre o assunto em até 30 dias.

Raimundo Gomes de Matos (PSDB), por sua vez, afirma que é difícil tentar prever um resultado nesse momento, porque a denúncia ainda nem começou a tramitar formalmente na Casa, alegando que tudo o que sabe até o momento é o que teve acesso através da imprensa A leitura estava prevista para ontem, 22, entretanto, apenas dois parlamentares estavam presentes. Eram necessários 51 deputados. Uma nova tentativa deve ser feita na segunda, 25.

Segundo o tucano, elementos como a escolha do relator e eventuais mudanças na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa podem ter impacto sobre o resultado final do processo. “Como ainda não houve a leitura, nada disso foi feito”, declara o tucano. Perguntado sobre a influência da suspeita de fraude, ele declara apenas que “desde o começo, o modus operandi está errado”.

Comentários 0

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *