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Tag: Camilo Santana


09:13 · 21.05.2018 / atualizado às 09:13 · 21.05.2018 por

Por Miguel Martins

Nelson Martins diz que, se Camilo continuar no Governo, aliados que não forem reeleitos poderão compor a gestão ou voltar à AL por ‘rodízio’ Foto: Bruno Gomes

Diante da preocupação de membros da base governista na Assembleia Legislativa com a possibilidade de não serem reeleitos no pleito deste ano – o que faz alguns, inclusive, proporem a constituição de várias coligações proporcionais entre legendas de mesmo potencial eleitoral –, o Governo Camilo Santana (PT) deu garantias de que aliados não ficarão desassistidos ao fim do período eleitoral. De acordo com o secretário chefe da Casa Civil, Nelson Martins, aqueles que não se consagrarem vitoriosos na disputa de outubro terão espaço na gestão, caso o governador seja reeleito, e até poderão assumir cadeiras no Legislativo Estadual por meio do que ele chamou de “rodízio”.

O secretário citou como exemplo a situação do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa. Segundo ele, ainda que tenha conseguido eleger apenas dois membros no pleito de 2014, durante toda a atual legislatura o partido nunca teve menos do que quatro membros na Casa. “O PT já chegou a ter até cinco membros na Assembleia”, lembrou Martins.

Segundo ele, partindo do princípio de que há condições de ser realizada uma aliança geral na base governista, mesmo nos casos de deputados que não venham a ser eleitos, “poderemos realizar um rodízio com os eleitos para que possam participar e assumir como deputados”.

A prática já é comum entre Legislativo e Executivo em todas as esferas da vida pública do Brasil, mas, ainda assim, tais negociações são criticadas, principalmente, por parlamentares da oposição. Na primeira gestão de Camilo Santana, pelo menos sete deputados estaduais foram designados para assumirem funções no Governo: Dedé Teixeira (PT), Osmar Baquit (PDT), Ivo Gomes (PDT), David Durand (PRB) e Mirian Sobreira (PDT), já no início das atividades. Em seguida, também foram designados Odilon Aguiar (PSD) e Jeová Mota (PDT).

Suplentes

A ida deles para assumirem funções administrativas na gestão estadual permitiu que arranjos fossem feitos na Assembleia Legislativa e que suplentes se beneficiassem da vacância deixada por esses titulares. Atualmente, no entanto, uma vez que todos se colocam como pré-candidatos à reeleição, não há nenhum parlamentar eleito atuando no Governo de forma oficial.

Segundo Nelson Martins, a posição do Governo é de constituição de um “blocão” para a disputa de cargos de deputado estadual e deputado federal. “Quem participar da estadual terá que estar junto na disputa federal também. Não pode ser uma atuação de comodismo para uma disputa, indo sozinho em uma disputa e, na outra, estar unido”, disse. No entanto, ele destacou que as indefinições devem se estender até o fim do próximo mês de julho, visto que o prazo para que as convenções partidárias ocorram é do dia 20 de julho até 5 de agosto.

Já PT e PCdoB chegaram a defender que iriam para a disputa proporcional isolados neste ano, por temerem prejuízos caso estejam coligados com outras legendas. A decisão em definitivo da sigla petista só será confirmada após reunião sobre tática eleitoral que deve acontecer neste mês. O PCdoB também não fechou questão sobre o tema.

Na semana passada, o deputado Osmar Baquit (PDT) disse ao Diário do Nordeste que, na conjuntura atual, o melhor para a agremiação seria formar coligação apenas com o PP. Dessa forma, segundo projeções de aliados, o bloco poderia eleger até 23 parlamentares.

No mês de março, lideranças políticas consideravam a possibilidade de até três coligações proporcionais na base: uma com partidos com maior potencial eleitoral, como PDT e PP, por exemplo; outra com legendas de médio porte e uma com os chamados “partidos nanicos”. Esta tese cresce entre os postulantes na Assembleia Legislativa.

Indefinição

Nelson Martins, porém, afirmou que, da parte do Governo, não houve muita modificação de estratégia, até porque o quadro segue indefinido, principalmente, em relação às coligações. “Ainda está havendo uma reviravolta do pessoal querendo fazer mais de uma coligação, mas a posição do Governo continua a mesma, de montar uma aliança proporcional para estadual e federal com o maior número possível de candidatos”.

Sobre aliança eleitoral com o MDB do senador Eunício Oliveira, o secretário chefe da Casa Civil destacou que não há nada fechado para além da aliança institucional. No entanto, ele sinalizou que, devido à boa relação entre o governador e o presidente do Congresso Nacional, “a aliança institucional pode se transformar em aliança política, mas nada fechado”.

Ainda que a nova direção do Partido Verde (PV) tenha sinalizado a possibilidade de se aliar à oposição, Nelson Martins afirmou, também, que a quantidade de partidos na base continua mais ou menos a mesma de fevereiro passado, quando afirmou ao Diário do Nordeste que o arco de alianças em torno de Camilo Santana teria até 21 partidos.

07:35 · 12.05.2018 / atualizado às 07:35 · 12.05.2018 por
O senador Eunício Oliveira concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste na sexta-feira (11), em visita ao Sistema Verdes Mares Foto: Fabiane de Paula

Uma conversa entre o senador Eunício Oliveira (MDB) e o ex-governador Cid Gomes (PDT), rompidos desde 2014, pode ter inaugurado, no cenário político estadual, um novo passo rumo à consolidação de aliança entre o líder emedebista e o governador Camilo Santana (PT), apoiado pelo pedetista. Ainda que a aproximação pública dos dois não tenha superado, até o momento, todas as ressalvas e o ceticismo de aliados das duas partes, o presidente do Congresso Nacional destaca movimentações que, segundo ele, apontam que a parceria “administrativa” com o chefe do Executivo pode converter-se em uma aliança “política” para as eleições deste ano.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, Eunício revelou que há “conversas avançadas em relação a isso”, e citou não apenas encontro recente com o ex-governador Cid Gomes, mas também uma pesquisa interna que, conforme apresentou, aponta que quase 80% da população cearense aprovam a “aproximação administrativa” entre as duas lideranças.

O emedebista disse ter tido um encontro demorado com Cid Gomes há pouco mais de duas semanas. Embora não tenha detalhado o que foi discutido na ocasião, ele classificou a conversa como “afável, amena e voltada para os interesses do Estado”. “Não foi para candidatura de A ou de B, de quem vai ser o deputado ou a deputada, quem vai somar aqui, qual a aliança proporcional que vai ter. Ninguém discutiu isso. A eleição está longe ainda para se discutir as alianças do ponto de vista prático. O que existem hoje são conversas avançadas em relação a isso”, declarou o senador.

Derrotado no segundo turno do pleito de 2014 para governador por Camilo Santana, Eunício Oliveira ressaltou, ainda, que aquela foi uma “eleição radicalizada no voto”, mas enfatizou não ter tido “nenhum atrito” com o petista ou mesmo com Cid Gomes, que o antecedeu no Governo do Estado. A aproximação com o grupo governista, segundo ele, veio já na posição de presidente do Senado, quando foi procurado por Camilo e também pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), para destravar empréstimos para o Estado e para a Capital que dependiam do aval do Senado.

Recursos para o Ceará

“O Ceará recebeu, nesses últimos 13, 14 meses, quase R$ 10 bilhões”, contabilizou. Foi a partir das conversas que resultaram nestes números que a aproximação administrativa, garante ele, “evoluiu para um encaminhamento de eleições”. “Essa aliança começou do ponto de vista puramente administrativo. Na convivência, no dia a dia, as conversas evoluíram significativamente para, talvez, uma definição do ponto de vista político”, sustentou o emedebista.

Respondendo à preocupação de aliados das duas partes em relação à receptividade de uma aliança eleitoral em 2018 entre os dois ex-adversários, Eunício Oliveira mencionou, ainda, que uma pesquisa interna recebida recentemente por ele mostra que a aceitação da maioria do eleitorado cearense consultado no levantamento à aproximação administrativa é positiva, avaliação que pode ser transposta à esfera eleitoral.

“Quase 80% da população entendem que essa aproximação, do ponto de vista administrativo, não foi boa para o Camilo, não foi boa para o Eunício, foi boa para o Estado do Ceará”, justificou o senador, defendendo que o momento, portanto, é de “unir forças”, independentemente de querelas políticas e diferenças ideológicas. “Essa junção de forças não é apenas para uma reeleição de Camilo, não é apenas para uma reeleição de Eunício. Tem que ser para desenvolver e atender aos interesses do Estado”, pregou.

Rejeição de Ciro

Sobre as declarações públicas de rejeição do ex-governador e pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, a uma eventual aliança entre Eunício e Camilo no Ceará, o presidente do Senado afirmou que pertence a uma corrente do MDB “que não é esse grupo ao que o ex-ministro Ciro Gomes se refere” em críticas que tem feito recorrentemente à sigla.

Em entrevista ao Diário do Nordeste publicada no dia 14 de abril, ao ser questionado sobre como se comportará na campanha estadual deste ano, caso Camilo e Eunício estejam no mesmo palanque, Ciro respondeu que o governador “é quem manda”, mas deixou clara a rejeição à aliança. “Muito improvavelmente, serei fotografado ao lado dessa chapa”, reagiu.

O emedebista, por sua vez, defendeu que eventual aliança eleitoral será concretizada “em prol dos interesses do Estado”, embora tenha reconhecido que, “pela disputa que aconteceu no Estado, aqui e ali, tanto de um lado quanto do outro, ainda têm pessoas que questionam essa possibilidade”.

Questionado se vê, no grupo governista, temor de que, mesmo sendo reeleito senador neste ano, possa disputar novamente o Governo do Estado em 2022, o presidente do Senado disse que, se for reeleito em outubro, ainda vislumbra a conquista de um novo mandato de dois anos na Presidência do Legislativo, mas ponderou que, após mais oito anos no cargo de senador, pretende encerrar a carreira política. “O meu momento de disputa pelo Governo do Estado foi aquele. A gente, na vida e na política, não diz ‘dessa água nunca beberei’, mas não é um projeto pessoal, não é um projeto político”.

Reuniões

O senador desmentiu, ainda, informação publicada na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, na última sexta-feira (11). Segundo a publicação, em reunião com emedebistas na residência oficial do Senado, em Brasília, o parlamentar cearense teria afirmado que uma possível vitória de Ciro Gomes para presidente neste ano seria fatídica para o MDB. Eunício afirmou, ao Diário do Nordeste, que “não houve essa conversa”. “Na reunião nós discutimos sobre tudo. Falamos sobre economia, sobre política, sobre futuro do partido, sobre o momento político que nós estamos vivendo, sobre eleições, sobre aliança, sobre possibilidades, falamos sobre isso tudo, mas não disso especificamente”.

Para a disputa presidencial deste ano, contudo, ele reafirmou que, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja candidato, apoiará o petista, de quem foi ministro entre 2004 e 2005. “Sempre tive uma relação muito boa e real, verdadeira, correta, com o presidente Lula”, justificou.

Eunício informou, aliás, que já externou tal posicionamento ao presidente Michel Temer e disse que, se o partido ou a coligação em que estiver o MDB lhe obrigar a ter outra posição, pretende “fazer um debate interno”. Ele é defensor de que o MDB não lance candidatura própria “sem viabilidade eleitoral” e libere os filiados nos estados para que decidam quem apoiar.

Tamanho do MDB

Já ao tratar das perspectivas para o MDB nas eleições deste ano, após o partido ter perdido representantes durante a janela partidária – apenas no Ceará foram dois deputados federais e dois deputados estaduais a menos, entre março e abril –, ele garantiu ter “convicção” de que a legenda não sairá pequena do pleito de outubro próximo. O MDB foi o partido que mais perdeu deputados federais nacionalmente: de acordo com dados da Câmara dos Deputados, sete nomes deixaram a legenda durante a janela. Com 53 deputados, tem, atualmente, a segunda maior bancada da Câmara.

“Essas eleições vão terminar com o PMDB tendo o maior número de vereadores, de prefeitos, de deputados federais, de senadores e um bom número de governadores, mesmo não tendo uma candidatura própria à Presidência da República. O PMDB está enraizado, esse partido construiu a democracia no Brasil, esse partido ajudou muitos governos a fazer o desenvolvimento desse País”, argumentou. “Só (para) dar um exemplo: se nós não fizermos nenhum senador, o que é quase impossível de acontecer, o PMDB ainda será o maior partido no Senado, e presidirá o Senado, porque é assim que determina o Regimento e a Constituição”, completou.

Qualidade

Ao comentar perdas de quadros cearenses pela sigla, caso, por exemplo, dos deputados federais Aníbal Gomes e Vitor Valim, que ingressaram no DEM e no PROS, respectivamente, ele disse não ter preocupação “de número no partido”. “Tenho a preocupação de que as pessoas que venham para o partido queiram estar no partido, concordem, mesmo debatendo, mesmo divergindo no partido, no final convirjam para uma posição. Esse é o PMDB que eu espero que venha das urnas. Aqueles que entraram no partido, que ficaram no partido”, disse.

Segundo Eunício, a falta de apoio de correligionários, inclusive, contribuiu para a derrota amargada em 2014. “Por exemplo, tenho muito respeito pelo deputado Aníbal Gomes, mas não ganhei as eleições porque o deputado Aníbal Gomes, que era do PMDB histórico, não votou com o candidato do PMDB. Então, para que ter um número, mas não ter o resultado? O ex-deputado, ex-vice-governador e meu amigo pessoal, Domingos Filho, era do PMDB, saiu e foi para o PSD. Se eu tivesse recebido os votos daquele grupo que era do PMDB, eu seria hoje não senador, não presidente do Congresso. Seria hoje governador do Estado”, analisou.

10:12 · 05.05.2018 / atualizado às 10:12 · 05.05.2018 por

Por Edison Silva

O governador Camilo Santana, que tem participado de eventos ao lado de Ciro Gomes, vota no pedetista também pela reciprocidade Foto: Kleber A. Gonçalves

Hoje, completa um mês da decretação da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para cumprir uma pena de 12 anos, resultado da condenação no processo por recebimento de um apartamento conhecido como o tríplex, em São Paulo. Ao contrário dos momentos anteriores à decisão do juiz federal Sérgio Moro, condutor da Ação Penal cujo principal réu era Lula, já não mais pululam aquelas manifestações e ameaças contra a detenção do ex-presidente.

Hoje, com a constatação da realidade, alguns petistas já admitem o PT não como o protagonista principal de uma das chapas concorrentes à Presidência da República, mas coadjuvante, pois reconhecem não contar, em seus quadros, com nome à altura de substituir Lula na disputa eleitoral, quando o partido experimenta dificuldades diversas, sobretudo de ordem moral.

Coincidentemente, tanto o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, quanto o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, referem-se a Ciro Gomes (PDT) como uma opção de esquerda na disputa presidencial deste ano. Evidente que, entre reações isoladas de petistas quanto a uma composição com Ciro na cabeça e a concretização dessa hipotética saída, há uma distância consideravelmente grande.

Amealhou

Não é uma situação intransponível, por não existir na política o impossível, mas não estará equivocado quem admitir essa possibilidade como improvável. De todo modo, porém, o presidenciável do Ceará, no contexto nacional, já amealhou alguns benefícios com os posicionamentos dos dois próceres ligados a Lula.

O discurso de Lula candidato a cada dia perde mais força. Um número bem menor de petistas ainda alimenta tal sonho. E não é apenas por ele já estar há um mês trancafiado e não se vislumbrar sua libertação tão imediata. Lula pode até ser solto antes do início da campanha eleitoral, em agosto próximo.

Sua pretensão de ser candidato não é impedida pelo fato de estar preso, mas em razão da causa motivadora da prisão, a prática delituosa que o levou a um Tribunal, incluindo-o no rol dos atingidos pela Lei da Ficha Limpa, que torna inelegíveis os condenados em segundo grau por práticas delituosas tais como a improbidade administrativa.

Só a anulação do processo causador da condenação tornaria Lula elegível. E até a conclusão dos prazos da legislação eleitoral para registro de candidatura, agosto vindouro, impossível será ter-se uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), num recurso Especial, ou do Supremo Tribunal Federal (STF) em recurso Extraordinário, cometendo aquilo que os estudiosos do Direito poderiam considerar aberração, posto ter o processo tramitado seguindo os ditames estabelecidos pelo Código de Processo Penal, e sob a vigilância constante e eficaz da competente defesa do réu.

Musculatura

Lula fora da campanha, Ciro obterá um melhor resultado eleitoral no Ceará. Nenhum outro candidato petista chegará perto da votação que o ex-presidente teria neste Estado. Os aqui filiados ao Partido dos Trabalhadores não têm musculatura para fazer uma campanha de sucesso em favor de outro nome que não o de Lula da Silva.

Ademais, inibidos ficarão os petistas insurgentes contra o nome de Ciro, principalmente, sabendo da potencialidade do pedetista e do envolvimento do governador, com toda a estrutura de Governo em favor da postulação de Ciro, o que não aconteceria sendo o ex-presidente o candidato. Camilo vota em Ciro em qualquer situação da disputa presidencial, também por uma questão de reciprocidade.

As candidaturas de Ciro e de Camilo vão ser únicas no palanque em todo o Estado. Os petistas divergentes ficarão fora dele. Cid, na maioria dos eventos públicos da campanha de Camilo, vai estar no palanque como candidato ao Senado e representando seu irmão Ciro.

E como a principal liderança da coligação com o PT de Camilo, não ficará confortável se alguém ousar pedir votos para um outro presidenciável, compreensível é admitir-se que o próprio governador agirá para evitar constrangimentos. O sucesso eleitoral do PDT no Estado não será contado apenas como uma vitória de Camilo, e dele próprio ao Senado, mas, sim, se for Ciro, postulante ao Palácio do Planalto, o destinatário da mesma ou maior quantidade de votos conquistados, isoladamente, por Camilo e Cid Gomes.

Inegavelmente, Ciro teria que desenvolver um esforço hercúleo para ter uma votação digna da liderança política do seu grupo no Ceará, com Lula candidato a presidente, não pela influência dos petistas do Estado, mas pela afinidade de expressivo número do nosso eleitorado com o ex-presidente.

Os demais candidatos à sucessão do presidente Temer, inclusive Geraldo Alckmin, do PSDB, não têm a empatia necessária para concorrer com Ciro no seu próprio Estado e com a estrutura de Governo que detém, somando as gestões do Estado e de inúmeras prefeituras.

09:44 · 14.04.2018 / atualizado às 09:44 · 14.04.2018 por

Por Edison Silva

Fac-símile da matéria publicada no último sábado, apontando que até a realização das convenções partidárias, surgirão muitos comentários e especulações

Ciro Gomes (PDT), na quinta-feira, antes de falar para empresários cearenses, reportou-se ao episódio da União Pelo Ceará, de 1962, quando Virgílio Távora foi eleito governador do Estado pela primeira vez, para ressaltar suas reservas quanto a uma aliança, como se prenuncia, com o MDB do senador Eunício Oliveira, ainda adversário e desafeto dele, desde a eleição de 2014 vencida por Camilo Santana contra o próprio Eunício.

No início da década de 1960, os políticos que mais se digladiavam na política nacional, e consequentemente em todos os estados da federação, representando a UDN (União Democrática Nacional) e o PSD (Partido Social Democrático), se uniram no Ceará, aparentando ser, a coligação resultante do acordo deles, uma força invencível. E realmente não foi, pois teve uma baixa na disputa por vagas no Senado. Carlos Jereissati (PTB), como adversário, foi eleito senador, juntamente com o pessedista Wilson Gonçalves.

Para o presidenciável do PDT, ainda está muito recente a troca de insultos entre eles, por conta da eleição do governador Camilo Santana (PT), e da reeleição do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). Ele admite que o eleitorado pode repugnar a união dessas forças.

“No momento em que lhe falo, assentado em pesquisas, ainda não há naturalidade da percepção popular para isso”. Na entrevista concedida ao repórter Miguel Martins, deste Diário do Nordeste, registrada na página seguinte desta edição, em outras palavras ele afirma que não será fotografado ao lado dos candidatos da chapa do petista Camilo com o emedebista Eunício.

Esdrúxulas

Não há a figura do impossível na política nacional. A irresignação de hoje do pedetista pode dar lugar, pelas conveniências do momento oportuno, ao consentimento aparente, e todos se confraternizarão nos palanques como se nada houvesse acontecido entre eles, embora, intimamente, todos tenham ressalvas a fazer sobre o comportamento futuro do outro, sem esquecerem do grande juiz que é o eleitor, o competente para dizer se quer ou não continuar experimentando situações esdrúxulas do tipo, sem que qualquer deles faça um mea culpa, pedindo perdão pelas trocas de aleivosias, ao longo de quase três anos, tempo do rompimento, quando o ex-governador Cid Gomes coordenava sua substituição e negou apoio para a postulação de Eunício.

No último sábado, neste espaço, nos reportamos aos muitos comentários e especulações a serem registrados até o período de realização das convenções partidárias, quando, oficialmente, serão efetivadas as coligações e candidaturas.

A chapa do governador Camilo Santana, com ou sem inclusão do senador Eunício Oliveira, por óbvias razões, será a maior geradora de fatos. Ciro, pelo exercício da sua liderança e da condição de candidato a presidente da República, terá poder de veto na formação da chapa majoritária da situação, acrescentando-se a essa sua condição o fato de não interessar ao seu grupo político, fortalecer Eunício para vir a ser, como no passado recente, potencial adversário após o próximo pleito eleitoral.

Musculatura

Foi no curso do seu mandato de senador, eleito com o apoio do grupo político dos irmãos Ciro e Cid Gomes, que Eunício adquiriu musculatura para enfrentá-los, tanto na campanha estadual seguinte à sua eleição de 2010, no caso em 2014, quanto na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, em 2016, quando os dois irmãos empenharam todas as suas forças em favor da reeleição de Roberto Cláudio. A possibilidade de Eunício estar fortalecido em 2020 e 2022, as duas próximas disputas, municipais e estadual, também é um complicador para ser fechada a coligação entre o PDT, PT e MDB para a disputa deste ano.

Ainda lembrando eleições passadas, vale citar a de 1970, quando o governador César Cals, no exercício do cargo, indicou o à época deputado federal Edilson Távora para disputar a vaga de senador, na chapa com Adauto Bezerra, designado pela Revolução de 1964 para o Governo do Estado. Um dos três Coronéis que comandavam a política do Ceará, Virgílio Távora, discordou. Ausentou-se da campanha e Mauro Benevides, do original MDB, a única agremiação de oposição da época, muito pequeno realmente, conquistou o seu primeiro mandato de senador.

Participação

Os adversários do governador Camilo Santana e dos irmãos Ciro e Cid Gomes estão admitindo a reedição da eleição de 1970, embora, na verdade, ainda esteja longe de formatar a sua chapa majoritária deste ano.

Mesmo lançando os dois candidatos ao Senado, a oposição, pelos questionamentos que continuarão a ser feitos quanto à participação de Eunício na relação de candidatos governistas, pode optar por concentrar toda a sua mobilização para um só nome ao Senado, na tentativa de fragilizá-lo, posto a ser o motivo da frustração oposicionista por ter se afastado do grupo e se aliado ao Governo estadual.

O senador fez e continua fazendo um trabalho de sensibilização de antigos aliados, convictos adversários de todo o esquema governista no Estado, para continuar votando nele. Chegou a ter a garantia de apoio, mas a retomada de posição, com a articulação do senador Tasso Jereissati (PSDB), já se tem notícia de reversão do quadro, sob o argumento de que oposicionista não vota em candidato governista.

Último momento

Tanto oposição quanto Governo só tornarão públicas as suas chapas nos momentos antecedentes à realização das convenções, em julho. São estilos parecidos de tucanos e pedetistas, hoje representados por Ciro e Cid Gomes, de não anteciparem as indicações de candidatos. No último pleito estadual, os nomes de Camilo e de Mauro Filho, candidatos ao Governo e ao Senado, só foram conhecidos no último momento, ou seja, instantes antes da realização da convenção que homologou os nomes deles e dos candidatos proporcionais.

A surpresa da indicação do nome de Camilo, para disputar o Governo do Estado, inclusive, chegou a motivar insatisfações no grupo político de Cid, a partir de Zezinho Albuquerque, hoje presidente da Assembleia, e de Mauro Filho, ambos pretensos candidatos ao cargo. Eles chegaram até a recusar a oferta de disputarem a vaga de senador e de vice-governador, problema solucionado posteriormente.

Neste ano, a dúvida que persistirá no meio situacionista, até a realização da convenção, será a oficialização ou não da coligação com o MDB, hoje, apesar de todas as demonstrações de proximidade entre Camilo e Eunício, é motivo de inúmeros questionamentos nos ambientes mais reservados de governistas.

08:57 · 26.02.2018 / atualizado às 08:57 · 26.02.2018 por

Por Miguel Martins

A sucessão estadual é tema recorrente de conversas entre deputados no Plenário 13 de Maio. Para alguns, até opositores locais apoiarão Camilo Foto: Saulo Roberto

Apesar de o governador Camilo Santana (PT) ter ao seu lado pelo menos 128 dos 184 prefeitos do Ceará, segundo informou o secretário da Casa Civil, Nelson Martins, deputados da Assembleia Legislativa acreditam que, devido a problemas financeiros e por conta da crise de representatividade política, a maioria dos gestores municipais pouco vai influenciar efetivamente para que haja transferência de votos. Por conta disso, de acordo com parlamentares entrevistados pelo Diário do Nordeste, no momento de apostar o voto, o eleitor estará mais atento às ações implementadas pela atual gestão nos últimos quatro anos.

Em outras palavras, os prefeitos, por conta dos problemas internos que enfrentam nos municípios, não devem ser as lideranças que darão viabilidade a uma eventual candidatura do petista à reeleição. Além de serem dependentes dos recursos oriundos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), as prefeituras também são necessitadas das ações do Governo.

Para o deputado Heitor Férrer (PSB), o discurso de que 128 prefeituras cearenses ou 23 partidos estão alinhados ao Governo do Estado reflete um cenário de cooptação, uma vez que a maioria dos municípios do Estado, segundo ele, vive em situação de pobreza. “Para se ter uma ideia, 80% do ICMS produzido no Estado estão concentrados em Fortaleza, Caucaia e Maracanaú. O restante está em Iguatu, Crato, Juazeiro do Norte e Sobral. O resto é só pobreza”, disse.

De acordo com o pessebista, quanto mais pobre for o município, mais dificuldades o respectivo prefeito enfrenta e, com isso, fica mais fácil para o “Governo entrar”. “Por isso é tão difícil fazer oposição, que é um grupo que apenas cobra, pois quem executa é o Governo”.

O parlamentar ressaltou que o cidadão quer políticas de resultados, o que é possível por meio de serviços, tais como liberação de sementes, ordem de serviço para construção de estradas e atuação de secretarias para atenderem à coletividade. “O prefeito que não tem dinheiro se socorre no deputado estadual, que se socorre no secretário do Governo, que atua em políticas de assistencialismo. É assim que o Governo age no sentido de mostrar sua força”, apontou.

O deputado Sérgio Aguiar (PDT), por sua vez, sustenta que “o grande eleitor é o povo”, e mesmo aqueles que foram eleitos com sucesso no pleito municipal não são considerados “bons eleitores”, uma vez que a maioria das prefeituras do Estado enfrenta dificuldades financeiras. Ele afirmou ainda que pesquisas internas de prefeituras chegaram à conclusão de que há gestores com até 70% de rejeição pela população.

Avaliação

“Não quero crer que apenas o apoio de prefeitos signifique vitória nas urnas. O povo é o grande responsável pela eleição de um candidato”, ponderou Aguiar. De acordo com ele, as ações do governador nas mais diversas áreas serão o foco de avaliação do eleitorado no pleito de outubro próximo, e não as administrações públicas municipais.

Presidente do Poder Legislativo, o deputado Zezinho Albuquerque (PDT) lembrou as dificuldades enfrentadas pelas prefeituras do Ceará no que diz respeito à arrecadação, bem como às transferências de recursos por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Segundo ele, ainda que as administrações municipais estejam com dificuldades junto à população, as ações do Governo do Estado estão sendo aprovadas pelo eleitorado. “Se o prefeito não tiver o apoio popular, não resolve. Mas pelos números que temos visto, o governador tem apoio grande da população”.

Necessidade

“Todos os governadores do presente e do passado já tiveram 70% das prefeituras. Elas são pobres, cheias de dificuldades. Elas veem no Governo a solução dos seus problemas”, disse, por sua vez, o deputado Roberto Mesquita (PSD). De acordo com o opositor, 128 dos 184 gestores municipais estão ao lado do governador Camilo Santana por necessidade e falta de outro caminho de garantir melhorias para a população dos municípios. “Da mesma forma, o Camilo, que tem profundas diferenças com o Governo de Michel Temer, vive em Brasília à procura de apoio, porque os estados também têm muitas dificuldades”, comparou o parlamentar.

O deputado Julinho (PDT), por outro lado, lembrou que o atual governador não tem apenas apoio de 70% das prefeituras do Estado, mas também das oposições locais nos municípios. Segundo ele, o eleitorado não pode “misturar joio com trigo” e ligar a crise financeira e de representatividade das prefeituras à imagem do gestor, pré-candidato à reeleição. “É preciso que a população analise direito. Mas, agora, o eleitor está acompanhando os políticos mais de perto, e ele analisará e fará justiça na hora de avaliar o Governo de Camilo Santana”, defendeu.

08:56 · 26.02.2018 / atualizado às 08:56 · 26.02.2018 por

Por Miguel Martins

Gorete chamou ex-correligionários de “machistas” por não aceitarem a mudança na sigla Foto: José Leomar

Futura presidente do Partido da República (PR) no Ceará, a deputada federal Gorete Pereira chamou de “machistas” seus ex-correligionários de legenda que, segundo disse, não a queriam no comando do grêmio. Agora, ela espera contar com a orientação do governador Camilo Santana (PT) para fortalecer a sigla no Estado. Enquanto deputados da base governista comemoram o ingresso da sigla no grupo de sustentação do Governo, a oposição lamenta ter perdido uma de suas principais agremiações.

Segundo a dirigente, está havendo um “acerto final” com a presidência nacional do partido para se ter uma ideia do tamanho que o PR deve ter no Estado a partir dos próximos meses, uma vez que, com a saída de Capitão Wagner, Cabo Sabino e do grupo liderado por Roberto Pessoa, a tendência é que a sigla se esvazie. Parlamentares da Assembleia Legislativa, por outro lado, acreditam que, com a “janela partidária”, que deve ter início no próximo dia 7 de março, muitos políticos devem ingressar no partido para fortalecê-lo para o pleito de outubro.

Enquanto Cabo Sabino deve ingressar no PHS, Capitão Wagner ainda tenta se filiar e comandar o PROS do Ceará. Já Roberto Pessoa e seu grupo ainda estão conversando com partidos ligados à cúpula da oposição. Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a executiva nacional do PR afirmou que a nova composição da legenda ainda não foi fechada e que “oportunamente o partido disponibilizará em seu site a nova composição da sigla republicana no Estado do Ceará”.

Gorete Pereira, por sua vez, chamou os ex-correligionários de “machistas”, visto que não queriam aceitar que “uma mulher que está no partido há 20 anos presida o partido”. Ela disse que não pode deixar de “levar o PR para o governador”, uma vez que ele teria destinado cerca de R$ 180 milhões para o Município de Maracanaú e a aliança seria a “retribuição”.

A deputada está avaliando os quadros que querem permanecer ou ingressar na legenda, a fim de apresentar um partido “robusto” para a direção nacional. “Estamos vendo o que o governador pode nos oferecer de deputados. Já que a gente fez pelo governador, queremos ver o que ele pode fazer pelo partido”.

A dirigente disse, inclusive, que vai convidar Camilo Santana para ingressar no PR, até porque há histórico de questionamentos sobre a permanência do chefe do Executivo no PT.

Para o secretário da Casa Civil, Nelson Martins, com o ingresso do PR na base governista, “o tempo de TV e Rádio vai ajudar muito, principalmente quando o Governo tem o que mostrar de trabalho. A vinda do PR, com a deputada Gorete, amplia apoios políticos importantes”.

Para o líder do Governo na Assembleia, Evandro Leitão (PDT), o ingresso de mais um partido de oposição na base decorre de realizações positivas da atual gestão. No entanto, ele disse ser cedo para falar em filiações de governistas ao PR, destacando que o momento é de tocar projetos do Governo.

Opositores

A oposição, por outro lado, vê com dificuldade a possibilidade de retomar protagonismo na política local. Para o deputado Carlos Matos (PSDB), o peso que os deputados federais têm para as agremiações é uma “deformação” da legislação eleitoral, além do peso da “cooptação do Governo” junto à oposição.

Já Fernanda Pessoa (ainda no PR) afirmou que, apesar da derrota, seu grupo político continua coeso. Ela também lamentou a “força” que a função de deputado federal terá no pleito eleitoral, por conta da cláusula de desempenho, e criticou a atitude de Gorete Pereira. “O doutor Roberto (Pessoa) ajudou ela a manter seu mandato através de votos em Maracanaú. Mas não podemos perder a coerência, e não podemos caminhar em mesmo grupo com ideias diferentes”.

09:00 · 20.02.2018 / atualizado às 09:00 · 20.02.2018 por

Por Miguel Martins

Francisco de Assis Diniz, presidente do PT, diz que Camilo “não vai ficar como fantoche” no pleito Foto: Reinaldo Jorge

Na próxima sexta-feira, a executiva nacional do PT fará reunião para dar início às negociações para o pleito nos estados. Os cinco governadores do partido, dentre eles Camilo Santana, terão total liberdade para fechar alianças. No Ceará, o chefe do Poder Executivo está cada vez mais próximo do senador Eunício Oliveira, do MDB, e tem como principais aliados os irmãos Cid e Ciro Gomes. Este, pré-candidato à Presidência pelo PDT.

Integrantes da executiva estadual do partido participarão do evento, mas o governador só estará presente em outro encontro, este do diretório nacional, na segunda quinzena de março. “Nós vamos registrar o nome do Lula, ele preso ou não. É Lula lá e Camilo cá”, disse o presidente do partido no Ceará, De Assis Diniz.

De acordo com ele, as declarações e movimentações que o governador Camilo Santana tem adotado indicam que ele deve estar ao lado de uma candidatura petista ao Palácio do Planalto. No entanto, conforme o Diário do Nordeste divulgou no fim de semana, somente o nome do presidenciável Ciro Gomes, do PDT, deve ser defendido em palanques de Camilo no Ceará.

Autonomia

“O Lula será nosso candidato, ele terá seu (pedido de) registro de candidatura no dia 15 de agosto. Vamos registrar, ele preso ou não. Se tiver qualquer questão contestando, nós vamos recorrer ao TSE, ao STJ, e isso deve levar uns 30 a 40 dias”.

No que diz respeito ao posicionamento do governador Camilo Santana, De Assis Diniz afirmou que o chefe do Poder Executivo assumiu autonomia e personalidade nos últimos anos e “não vai ficar como fantoche nas mãos de alguém. As decisões passam, hoje, pelo Camilo”.

O deputado Elmano de Freitas corroborou com o presidente do partido quanto à candidatura de Lula. No que diz respeito ao Ceará, o petista é defensor da tese de que a legenda siga na disputa proporcional de forma isolada, afirmando ser preciso manter a candidatura de Camilo e buscar melhor estratégia eleitoral que fortaleça o PT e a esquerda estaduais.

Para o deputado Moisés Braz, o palanque no Ceará deverá ter Lula como postulante à Presidência e não Ciro Gomes. “Cremos que isso não deve se concretizar, da mesma forma como vimos no começo do atual Governo, quando se dizia que o Camilo deixaria o PT”, disse. De acordo como o parlamentar, o objetivo da legenda é fortalecer as bancadas nos legislativos e ampliar o foco na candidatura à reeleição do governador. “O Lula é a única alternativa capaz de reverter os retrocessos que Temer e sua turma submeteram o País. O PT não trabalha com a hipótese de um plano B”, sentencia.

09:09 · 19.02.2018 / atualizado às 09:09 · 19.02.2018 por

Por Miguel Martins

Partidos adversários do governador no último pleito devem apoiá-lo na disputa deste ano Foto: José Leomar

O governador Camilo Santana (PT), apesar da crise que vem enfrentando na área da Segurança Pública, continua atraindo o apoio da maioria dos partidos políticos no Ceará, que devem apoiar sua candidatura à reeleição. Ao longo dos últimos quatro anos, desde o pleito de 2014, algumas agremiações mudaram de lado, umas indo para a base e outras para a oposição.

De acordo com levantamento feito por meio de consultas a dirigentes partidários cearenses, pelo menos 19 siglas devem apoiar, oficialmente, a candidatura do petista à reeleição. Outros tendem a liberar seus filiados para apoio a qualquer um dos candidatos colocados na disputa eleitoral. Em entrevista recente ao Diário do Nordeste, o secretário da Casa Civil, Nelson Martins, disse que o Governo projeta o apoio de 21 legendas a Camilo no pleito deste ano.

Presidentes partidários apontaram ao Diário do Nordeste que as seguintes agremiações devem dar sustentação à provável candidatura do governador: PT, PDT, MDB, DEM, PSB, PP, PTB, PRB, PCdoB, PRP, PRTB, PPL, PMN, AVANTE, PEN, PMB, PV, PPS, PSC e até o PHS, que recentemente mudou de direção. De acordo com o presidente da sigla humanista, Francisco José Sabino, há rejeição interna quanto a apoio a qualquer membro da família Ferreira Gomes. Com relação a Camilo, a tendência é que os filiados sejam liberados.

Apesar de ter lançado a pré-candidatura do senador Álvaro Dias para presidente, o PODEMOS também está na lista de possíveis apoiadores de Camilo no Ceará, mas o presidente estadual da legenda, Toinho do Chapéu, preferiu não comentar o assunto. Já o PTC, que tem o senador Fernando Collor (PTC-AL) como pré-candidato à Presidência da República, tem afirmado que lançará candidatura própria ao Governo do Estado.

O presidente do PDT no Ceará, André Figueiredo, vem destacando que o objetivo principal da sigla é apoiar a candidatura de Camilo à reeleição e de Ciro Gomes para presidente. Membro da base de sustentação do Governo e com o vice-prefeito de Fortaleza, o DEM também tende a apoiar o governador, conforme informou o representante do partido na Assembleia, deputado João Jaime.

O deputado Leonardo Araújo, do MDB, afirmou que a tendência da legenda no Ceará é apoiar o governador, devido a aproximação entre o chefe do Poder Executivo e o senador Eunício Oliveira, principal liderança emedebista no Estado. “A tendência é participar de ampla coligação com todos os partidos”, citou o parlamentar.

Odorico Monteiro, presidente do PSB, afirmou que o partido vai apoiar o governador, assim como o presidente do PCdoB, Luiz Carlos Paes. O PP é outro que deve compor a coligação de apoio à candidatura governista.

Siglas com menor densidade eleitoral também tendem a estar no palanque de Camilo, afirmaram seus presidentes. André Ramos, do PPL, disse que o apoio ao governador já é certo, assim como Marcelo Silva, do PV, e Reginaldo Moreira, do PMN.

Bancada oposicionista

Na oposição, apenas o PSOL lançou pré-candidatura até o momento. A legenda deve contar com o apoio de PCB e PSTU, conforme informou o presidente da legenda e pré-candidato socialista, Ailton Lopes.

PSDB, PSD, PR, SD e PROS ainda estão juntos em outra linha de frente da bancada oposicionista e acreditam que até abril possam indicar um nome que consiga aglutinar todos os interesses do grupo.

Enquanto isso, outras legendas de oposição têm ficado de fora da discussão sobre o pleito, caso do PSDC, de Ely Aguiar, e do PSL. Heitor Freire, presidente da legenda, informou que o partido poderá lançar, inclusive, uma candidatura própria.

09:32 · 17.02.2018 / atualizado às 09:32 · 17.02.2018 por

Por Edison Silva

Lideranças do PDT cearense não permitirão que, no palanque de Camilo Santana, alguém defenda outra candidatura presidencial que não a de Ciro Foto: José Leomar

No apoio incondicional dos pedetistas à pretensa reeleição do governador Camilo Santana (PT), no pleito deste ano, está implícita a reciprocidade deste ao candidato Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República. Assim, têm certeza os pedetistas, no palanque de Camilo não haverá espaço para alguém falar em outro presidenciável, apesar de a coligação a ser efetivada pelo chefe do Executivo, até o fim do prazo para a realização das convenções partidárias, agosto próximo, poder reunir partidos com candidatos próprios à sucessão do presidente Michel Temer.

O projeto do PDT, sob a liderança de Cid Gomes, é garantir uma expressiva maioria de votos no Ceará para Ciro Gomes, daí admitir-se não haver concessão para qualquer aliado pedir, explicitamente ou não, voto para outro presidenciável.

O senador Eunício Oliveira (MDB), no momento oportuno, será cientificado dessa situação, embora já tenha percebido que o seu acolhimento ao grupo, para compor a chapa majoritária, juntamente com Cid Gomes, disputando as duas vagas no Senado, tenha essa condicionante. Ele poderá até nem pedir votos para Ciro, mas não lhe será permitido defender, no palanque, outro nome para presidente.

A propósito, afora essa situação, não há mais qualquer óbice para todos os políticos do MDB, do PT e do PDT, anunciarem que o senador, presidente do Congresso Nacional, está no bloco estadual governista. O temor à reação dos eleitores com essa aliança, depois da troca de acusações entre eles, durante aproximadamente quatro anos, desapareceu.

Alguns poucos burburinhos, até a realização da convenção homologatória da aliança, não mudarão os entendimentos já acertados. O compromisso de Eunício com Lula, por certo, é menos importante que o seu projeto de reeleição, mesmo tendo sido Lula um dos fiadores da aproximação do senador ao governador.

Petistas mais próximos a Camilo reconhecem a significação do apoio dos irmãos Cid e Ciro Gomes para o projeto do governador. Ao tempo que guardam na lembrança o distanciamento de Lula, quando ainda no auge de sua força política, da campanha de Camilo para ser governador do Ceará. Se ele fosse depender do ex-presidente, dizem alguns, não estaria onde está.

Propósito

Lula teria impedido até a ex-presidente Dilma Rousseff, disputando a reeleição, de vir ao Ceará, na campanha de 2014, apesar de toda a atenção que ela dispensava ao ex-governador Cid Gomes, a quem fez ministro da Educação.

Toda a consideração emprestada por Camilo a Lula, nos últimos tempos, entendem alguns, tem o propósito de credenciá-lo a poder aproximar petistas a Ciro, ciente da impossibilidade de Lula ser candidato, agora, principalmente, após a sua condenação em processo criminal, tornando-o inelegível por imposição da Lei da Ficha Limpa.

Mesmo antes desse quadro, Camilo já defendia o apoio do PT a Ciro, ao ponto de ter sugerido o nome do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, como vice de Ciro Gomes. Realmente, Camilo precisa ser agradável ao PT, pois sem o aprovo do partido no Ceará, ele não poderá ser candidato, a não ser por outra agremiação que venha a se filiar até o início de abril vindouro.

O PDT cearense, realmente, não está preocupado com a relação do governador com a postulação de Ciro. O reiterado discurso de Camilo, sobre gratidão e lealdade, soa como recado de comprometimento.

Ademais, a consciência de deter uma expressiva força político-eleitoral o deixa convencido de ter no governador o seu primeiro aliado. As atenções dos pedetistas estão realmente voltadas, agora, para o avanço dos entendimentos mantidos pelo presidente nacional da agremiação, Carlos Lupi, com representantes de outras siglas, buscando alianças.

As indefinições que permeiam o ambiente político brasileiro ainda não permitem fechamentos de acordos, embora as conversas tornem mais próximos os de ideias parecidas. A missão de Ciro, até o momento do fechamento das alianças, é fazer o maior número de pronunciamentos possíveis pelo País.

07:31 · 06.02.2018 / atualizado às 07:31 · 06.02.2018 por

Por Miguel Martins

O presidente do PT, Francisco de Assis Diniz, acredita que, para além da Segurança Pública, não há outra pauta que cause desgaste para o Governo Foto: José Leomar

Apesar de ter atraído para a base aliada o maior número de partidos, prefeituras e parlamentares do Estado, o governador Camilo Santana tem pela frente o desafio de manter a bancada unida em torno de seu projeto político. De acordo com lideranças entrevistadas pelo Diário do Nordeste, com o grupo cada vez mais robusto, os aliados tendem a demandar ações do Governo, que vão desde solicitações de serviços em suas bases até reclamações de “invasões” em seus colégios eleitorais, como já vem sendo explicitado por aliados.

No entanto, lideranças afirmam que a tendência é que o número de partidos e prefeitos que apoiarão a reeleição de Camilo cresça nos próximos meses. Isso porque as indefinições da oposição e até mesmo a dificuldade da bancada para encontrar um nome de peso para a disputa podem favorecer o governador. Disputas e demandas locais terão que ser equacionadas por meio de mais diálogo e busca de consenso entre as partes.

O presidente do PT no Ceará, Francisco de Assis Diniz, avalia que outras duas ou três legendas, para além daquelas praticamente fechadas com o governador, devem se alinhar com a base antes do pleito de outubro. No que diz respeito às prefeituras, esse número pode ser maior. Ontem, o Diário do Nordeste havia publicado que o Governo projeta, hoje, que o arco de aliança de Camilo já conte com 21 siglas.

“O número de partidos apoiando o governador pode ter leve ascensão, crescer mais uns dois ou três. O número de prefeituras vai crescer muito mais. Quanto mais frágil e vulnerável esteja a situação da oposição por indefinição e questões políticas, a tendência é que haja deslocamento para que outros possam se aproximar”, disse o dirigente.

Segundo ele, porém, é preciso “trabalhar com humildade para que as coisas se definam”. De Assis ressaltou ainda ser necessário ter “bom senso” para a manutenção dos grupos e trabalhar com respeito às especificidades de cada cidade. “Em grande maioria, oposição e situação locais estarão trabalhando de forma unificada em torno da candidatura ao Governo. Temos que trabalhar para não degringolar”.

Violência

Dirigentes ouvidos pelo Diário destacaram ainda que, para além da Segurança Pública, não existe, até o momento, qualquer pauta que venha causar maior desgaste para o Governo. “O Camilo tem muitas atitudes positivas e a avaliação dele é super positiva”, argumentou De Assis.

Presidente do PDT, André Figueiredo disse que um dos desafios da base deve ser a composição das coligações em nível proporcional, visto que alguns partidos pretendem ir sozinhos à disputa para deputado estadual e querem se coligar para federal, como PT e PCdoB. Segundo ele, para a sigla pedetista, contudo, a maior dificuldade é aceitar a composição de chapa com “partidos que representam o que tem de pior na política, como o próprio MDB, que quer vir para uma base da qual nunca fez parte”.

Figueiredo defendeu que as legendas tenham “tranquilidade para evitar falta de sinergia”. Quanto aos impasses, ele ressaltou que o governador saberá resolver qualquer problema em prol de sua coligação.

Deputados estaduais, por sua vez, destacaram que a tendência é que o número de aliados de Camilo aumente devido a falta de nomes na oposição. Segundo eles, não se trata apenas de encontrar um nome viável para a disputa, mas ter toda uma estrutura com condições de disputar o cargo de governador.

Eles afirmaram ainda que há prefeitos do MDB que já anunciaram apoio aos nomes de Camilo para o Governo do Estado e de Eunício Oliveira para o Senado, assim como gestores do PSD, que faz oposição ao Governo na Assembleia. “Alguns prefeitos do PSD já declararam que vão votar com o governador Camilo. A tendência é aumentar mais o número de prefeitos”, afirmou o deputado Julinho (PDT).

De acordo com ele, é natural que, em alguns municípios, tanto a situação quanto a oposição apoiem o governador. “O Camilo tem assessores, chefe de gabinete, o chefe da Casa Civil, que vão trabalhar em busca da harmonia política”. Em 2017, alguns aliados até espernearam contra a gestão, uma vez que secretários estariam “invadindo” suas bases eleitorais. No entanto, isso foi minimizado após diálogo do chefe do Executivo com gestores e parlamentares.

Camilo Santana já informou ao Diário do Nordeste que os secretários que tenham interesse de disputar um cargo público em 2018 só vão se desincompatibilizar dos cargos no prazo eleitoral previsto. “Não existe eleição fácil, mas o governador está caminhando para que possamos dar continuidade ao projeto que ele está capitaneando hoje”.

Oposição

Alguns parlamentares atestaram ainda que, mesmo que alguns partidos fechem questão com a oposição, os filiados não necessariamente vão votar em candidato oposicionista. Eles destacaram que há vereadores, prefeitos, vice-prefeitos e lideranças locais no PSDB, PSDC, PSL e PTC, por exemplo, que já declararam voto em Camilo.

Para o vice-líder do Governo na Assembleia, deputado Leonardo Pinheiro (PP), o apoio dado pelas siglas cearenses reflete o reconhecimento da capacidade de trabalho do governador e o esforço de cumprimento dos compromissos assumidos. Segundo ele, entretanto, será necessária muita coerência para administrar uma base aliada tão larga. “No geral, dará para conciliar os interesses da maioria. Penso que a tendência é o Camilo não ter maiores dificuldades em sua reeleição”, argumentou.