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Tag: Camilo Santana


09:04 · 22.03.2017 / atualizado às 09:04 · 22.03.2017 por

Por Antonio Cardoso

A viagem da comitiva liderada pelo governador Camilo Santana (PT) à Holanda repercutiu ontem na Assembleia Legislativa. Os discursos variaram entre comemorações e críticas. O deputado estadual Sérgio Aguiar (PDT) discursou em tom de comemoração para falar sobre investimentos que o Governo do Estado tem buscado para incrementar a economia.

“Deve estar sendo celebrado nesta viagem o processo de parceria entre o Porto de Roterdã e o Porto de Pecém, para que, com isso, se fortaleça ainda mais a atividade que é geradora de desenvolvimento a partir do Complexo Portuário do Pecém”, destacou Aguiar.

Na sequência, subiu à tribuna Evandro Leitão (PDT). Ele comunicou que Camilo Santana esteve reunido na segunda-feira com o prefeito de Roterdã. Sobre a empresa Port of Rotterdam, Evandro ressaltou que segue modelos privados, embora seja estatal. “Da mesma forma que o governador já declarou que não abre mão do controle acionário do Pecém”, apontou.

“Amanhã (hoje) o governador e o presidente da Ceará Portos, Danilo Serpa, assinarão um memorando de entendimento entre o Porto do Pecém e o Porto de Roterdã. Com a credibilidade e expertise do porto holandês teremos mais possibilidade de atrair novos investimentos”.

Heitor Férrer (PSB), por sua vez, elogiou a “concessão” do Porto do Pecém, mas apelou que o governo “leve junto” o Acquário. “Será que não tem alguém que queria administrar essa ruína em construção onde já foram enterrados R$ 144 milhões, para nada?”, questionou.

Ele também classificou como “desrespeito” a ausência de deputado estadual na comitiva e questionou se haveria favorecimento na “concessão” do equipamento a holandeses.
O deputado Julinho (PDT) respondeu que o que estava sendo assinado com o Porto de Roterdã era apenas uma parceria, e não uma concessão. Segundo ele, ainda, o deputado Zezinho Albuquerque foi convidado para compor a comitiva, mas por motivo de saúde não viajou.

09:53 · 18.03.2017 / atualizado às 09:53 · 18.03.2017 por

Por Edison Silva

O prefeito Roberto Cláudio tem um projeto de obras para este ano, parecido com o de 2016, quando disputou o segundo mandato Foto: Fabiane de Paula

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) está com um esquema político-administrativo muito bem estruturado que, se mantido ao longo de todo este ano, e oferecendo os resultados planejados, o credenciará, em 2018, como um dos principais eleitores na sucessão estadual, diferente do pleito de 2014, quando, por uma série de fatores, dentre eles o de estar praticamente iniciando o Governo, após o primeiro ano de organização da sua própria arquitetura de gestão, das dificuldades financeiras para tocar as obras em andamento e a falta de uma consistente base de apoio legislativo.

Naquele ano, ainda sob a sombra do difícil resultado eleitoral da disputa municipal, bem acirrada no seu segundo turno, ele teve de assumir a candidatura ao Governo do Estado de um neófito para o eleitorado fortalezense, Camilo Santana, portanto, dependente total do trabalho político de seus aliados no maior colégio eleitoral do Estado, onde, o grupo liderado por Cid Gomes, desde o após Ciro Gomes prefeito desta cidade, eleitoralmente é bem menos expressivo em se comparando com a situação nos demais municípios cearenses. Camilo foi derrotado na Capital.

Equilibradas

As dificuldades da economia nacional, inevitavelmente, poderão tolher, de certa forma, algumas das ações planejadas pelo prefeito, mas, se não forem agravadas, as expectativas dizem que não serão, o essencial do projetado será executado, posto estar o erário municipal suficientemente capacitado para suportar os encargos a ele atribuídos nesse projeto de estabelecimento de metas para todos os setores da administração, como a de sequência das obras e da prestação dos serviços essenciais, notadamente os da Saúde, da Educação e de Mobilidade Urbana.

A partir do segundo ano do seu primeiro mandato, Roberto Cláudio colocou Fortaleza no topo das capitais brasileiras em razão dos ajustes feitos que deixaram devidamente equilibradas a sua arrecadação e as despesas. Foi e é ajudado pelo Estado, com os governadores Cid Gomes (PDT) e Camilo Santana (PT), apesar de toda crise na administração pública brasileira. A Prefeitura está apostando na autorização federal para a contratação de empréstimos externos, já pactuados com organismos internacionais, e a própria União, garantindo obras já previstas para o próximo ano.

O Governo Central pode até continuar dificultando, mas o prefeito, nos longos caminhos já percorridos para vencer a burocracia, e as reservas de peemedebistas em Brasília, tem contado com o apoio do senador Tasso Jereissati (PSDB), não como aliado político, ele sempre tem reafirmado sua posição de oposicionista, mas por ter espírito público suficiente para separar os interesses do Estado e os do seu partido e aliados. A propósito, Tasso também tem dado ajuda significativa ao governador Camilo Santana, nos pleitos do Ceará em Brasília.

Performance

Fortaleza se ressente de um líder capaz de ser um eleitor qualificado nas sucessões estaduais. Juraci Magalhães (PMDB), por uma década, após substituir Ciro na Prefeitura, e até a eleição de Luizianne Lins (PT) para sucedê-lo, mostrou ter o apoio do fortalezense, elegendo um sucessor e voltando ao cargo logo a seguir, mas pouco influenciou na disputa estadual, embora quando candidato a governador em 1994, perdendo para Tasso Jereissati, tenha conseguido uma boa performance na Capital, ao contrário do que aconteceu em 2006, quando disputou uma vaga de deputado federal, somando apenas 26.893 votos, ficando como um suplente do PL ao ter obtido somente 31.226 sufrágios em todo o Estado.

Luizianne Lins, na sua meteórica carreira até chegar à Prefeitura da Capital, tendo passado rapidamente pela Câmara Municipal e Assembleia Legislativa, era apontada como uma liderança emergente. Não conseguiu fazer o seu sucessor, teve uma votação na eleição de deputada federal nada significante para uma liderança local e na última eleição municipal ficou num sofrível terceiro lugar, frustrando todas as suas próprias perspectivas e da companheirada. São poucas as chances de reconquistar as vitórias das primeiras eleições disputadas.

O eleitorado de Fortaleza, como de resto os das muitas capitais brasileiras, difere dos das demais cidades. Ele tem um nível melhor de discernimento e certo grau de independência para a escolha dos seus representantes. Roberto Cláudio sabe disso. Para não cair nos mesmos erros dos seus antecessores, tem sim de fazer diferente tanto no campo político, como, e principalmente, no administrativo, para realmente ser um eleitor qualificado, capaz até de ficar dois anos sem mandato e ser bem lembrado no pleito seguinte.

Ele quer realmente ficar no cargo até o fim do ano 2020 ao dizer que o seu candidato a governador é Camilo Santana, embora o sucesso de seu Governo, neste ano, possa colocá-lo no páreo na sucessão de Camilo.

Encontro

As principais lideranças do PDT cearense vão estar em Brasília, hoje, para a convenção nacional do partido, quando, também, o nome de Ciro Gomes será enfatizado como o candidato do partido à sucessão presidencial. O ex-governador Cid Gomes e o prefeito Roberto Cláudio, no evento, poderão ser eleitos para a direção nacional da agremiação.

Ciro, como dissemos no último fim de semana, tem sido o centro de todas as atividades públicas da agremiação no País. Nos últimos dias ele ocupou vários espaços da propaganda partidária do partido, defendendo suas posições em relação às mudanças que hoje são discutidas no Congresso Nacional.

 

 

12:48 · 16.03.2017 / atualizado às 12:48 · 16.03.2017 por

O plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará aprovou, na manhã desta quinta-feira (16), um projeto de decreto legislativo que autoriza o governador Camilo Santana (PT) e a vice-governadora Izolda Cela (PDT) a se ausentarem do País em 2017 em viagens com prazo indeterminado. Os deputados Capitão Wagner (PR), Fernanda Pessoa (PR) e Heitor Ferrer (PSB) votaram contra a matéria.

O decreto funciona para todo o período e libera as viagens diplomáticas e/ou em busca de recursos feitas pelo poder executivo. Anualmente, projeto de decreto legislativo similar tem de ser aprovado pela Casa para que as viagens possam ser realizadas.

08:45 · 07.03.2017 / atualizado às 08:45 · 07.03.2017 por

O governador Camilo Santana (PT), ontem, voltou a receber prefeitos e deputados estaduais. Nos últimos dias ele tem reservada um expediente de trabalho para conversar com os seus correligionários. Recentemente, Camilo recebeu uma pesquisa orientada para saber como os cearenses estão avaliando o seu Governo e as perspectivas para a próxima eleição estadual.

A pesquisa foi feita com 8 mil cearenses. Ela deixa o Governo confortável no Interior e com uma certa preocupação na Capital, principalmente em razão dos problemas da Segurança. A conversa com os políticos, segundo aliados, não deixa ser em consequência dos números e rumos apontados pela pesquisa.

Na última semana, o governador definiu o seu quadro de líderes na Assembleia Legislativa, tendo em vista a necessidade de, além do combate à oposição, ressaltar o que sua gestão vem fazendo no Estado. Na Assembleia, antes do Carnaval, o que se via era um Parlamento sem grandes movimentações.

O líder da bancada composta por deputados do PMDB, PMB e PSD, o peemedebista Leonardo Araújo, aponta que os discursos frios e a falta de debate ocorrem por parte dos governistas que não comparecem às sessões.

Conhecimento

Por ter a grande maioria na Casa, somente os apoiadores do Governo teriam número suficiente para que houvesse sessão nos cinco dias da semana. “Não têm interesse porque é indefensável o que o Governo manda em forma de propostas, muitas vezes desvirtuadas, como o caso do projeto de liberação de R$ 44 milhões para a Secretaria de Cultura fazer convênio com entidades, sem enviar para os deputados tomarem conhecimento de quais seriam, como determina a legislação”, aponta o parlamentar oposicionista.

10:45 · 04.03.2017 / atualizado às 10:45 · 04.03.2017 por

Por Edison Silva

Vários petistas, contrários ao controle que Luizianne tem do diretório municipal, até ontem aguardavam uma posição de Camilo Santana Foto: José Leomar

Os petistas cearenses estão envoltos com as mudanças de comando nos diretórios municipais e no Estadual, cujo processo tem seu primeiro evento, segunda-feira próxima, com os registros das chapas dos candidatos ao comando municipal. Sabem os envolvidos quão difícil será a condução da agremiação que, principalmente por conta do envolvimento de vários dos seus nas ações criminais da Lava-Jato, experimenta um definhamento eleitoral expressivo, no Ceará e no Brasil, e um abalo moral capaz de deixar as suas lideranças, e outros detentores de mandatos, impossibilitados de visitarem, com a desinibição de antes, os diversos espaços públicos onde podem ser reconhecidos.

Do PT, hoje, a maioria da classe política só interessa o seu tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, com a devida cautela de os coligados não se confundirem com petistas. Além do mais, os filiados ao partido no Ceará ainda têm de enfrentar as divergências, de parte expressiva deles, com o governador Camilo Santana, ainda indefinido quanto sair ou não do partido, posto depender da situação política nacional, em abril do próximo ano, quando deverá estar definido o quadro da sucessão presidencial. Camilo, até a última quinta-feira, não havia se manifestado quanto à eleição do diretório do seu partido em Fortaleza.

Nova ordem

Por não ter se manifestado, o secretário da Casa Civil do Governo, Nelson Martins, deixou de ir a uma reunião, na quinta à noite, com o deputado federal José Airton, o prefeito de Quixadá, Ilário Marques, o vereador Acrísio Sena e o secretário do Meio Ambiente, Artur Bruno, todos, como o governador, opositores da deputada Luizianne Lins, a principal liderança e controladora do partido na Capital com o senador José Pimentel, o deputado Elmano de Freitas e outros. Ainda na sexta-feira os mais próximos a Camilo buscavam um posicionamento dele, cuja agenda, para aquele dia, não reservava espaço para questões políticas.

Quase todos no PT defendem uma nova ordem para o partido nas suas diversas instâncias de modo a, pelo menos, estancar a onda de degradação por conta do noticiário constante citando mazelas por petistas praticadas e pelas quais alguns estão presos, e outros à Justiça Criminal denunciados.

O difícil, porém, é dar o passo inicial na busca desse desiderato, posto consistir no reconhecimento das práticas delituosas de companheiros, a necessidade de defenestração de tantos outros, e a formatação de um novo discurso, com certeza, muito difícil de ser assimilado pelo eleitorado menos doutrinado.

Em Fortaleza, os números não são nada animadores para o Partido dos Trabalhadores. No pleito municipal de 2012, Luizianne como prefeita, conseguiu levar o seu candidato a prefeito, Elmano de Freitas, ao segundo turno da disputa com Roberto Cláudio. No primeiro turno da disputa, Elmano conseguiu 318.262 votos.

Relatório

Em 2016 foi a própria Luizianne Lins a candidata. Ficou no primeiro turno, em terceiro lugar, com um total de 193.687 sufrágios, muito aquém de Elmano, por sinal, no pleito passado, o seu companheiro de chapa como vice. Os números para a Câmara Municipal de Fortaleza também não foram diferentes. O partido só conseguiu eleger dois vereadores contra os quatro vitoriosos de 2012.

O relatório do Tribunal Regional Eleitoral, sobre as eleições de 2014 na Capital, também é decepcionante para os petistas, sobretudo para Luizianne e Elmano. Ela obteve 97.842 votos e ele apenas 28.888, isto apenas dois anos depois deste ter saído do segundo turno da disputa para a Prefeitura de Fortaleza com mais de meio milhão de votos, dando motivo a que muitos o apontassem como uma nova liderança política no Estado, do mesmo modo como se repetiu com o deputado Capitão Wagner, logo depois de sua derrota para o prefeito Roberto Cláudio, no ano passado.

Registro

A disputa interna, neste momento, não é interessante para o partido. O ideal era um entendimento. Mas está muito difícil de acontecer. Há restrições ao comando de Luizianne Lins, mas ela tem a maioria dos filiados de Fortaleza e elegerá o presidente do diretório municipal. Ela quer distância do Governo do Estado pelas ligações de Camilo com os seus principais adversários, Ciro e Cid Gomes, além do seu distanciamento do diretório estadual, de há muito comandado pelo deputado José Guimarães, com ideias e posições realmente bem diferentes das dela.

Como o registro de chapas para o diretório municipal termina na segunda-feira à noite, neste fim de semana o bloco de oposição a Luizianne aguardará uma manifestação de Camilo para tomar sua posição. Se ela não vier, pelo menos dois opositores ao nome da ex-prefeita serão apresentados, até como forma de protesto contra sua liderança.

 

09:41 · 25.02.2017 / atualizado às 09:43 · 25.02.2017 por
Lúcio Alcântara disse que trocou algumas ideias com o governador, mas não falaram sobre política partidária. FOTO:  CARLOS GIBAJA – do Palácio da Abolição

O governador Camilo Santana recebeu, na manhã de ontem, sexta-feira, na residência oficial, o ex-governador Lúcio Alcântara, presidente do Partido da República (PR). Adversários políticos os dois estiveram em lados opostos nas duas últimas eleições, em 2014, quando Camilo foi eleito governador do Estado (e Roberto Pessoa, do PR, foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Eunício Oliveira, do PMDB), e no ano passado, quando o chefe do Poder Executivo apoiou o prefeito reeleito Roberto Cláudio (PDT), que esteve disputando no segundo turno contra Capitão Wagner, do PR.

A presença de Alcântara na residência do chefe do Poder Executivo estadual, segundo ele informou ao Diário do Nordeste, tinha como  intuito único fazer convite ao governador para participar de solenidade de posse como presidente do Instituto do Ceará, a ser realizada na tarde do dia 4 de março, no fim da tarde. O dirigente afirmou que queria entregar o convite pessoalmente a Camilo Santana.

Ainda durante o encontro os dois trocaram algumas informações, principalmente, sobre a questão hídrica no Estado. “Naturalmente, que surge uma conversa aqui e ali”, disse Alcântara, ressaltando, porém, que não foi tratado nada sobre política partidária. Nos últimos meses Camilo Santana tem se aproximado de figuras políticas de outras vertentes. Ele chamou para seu secretariado filiado do PSDB e está cada vez mais próximo do  PSB,  quando surgiu, inclusive, rumores de sua saída do PT e ingresso na sigla pessebista.

O governador postou  em sua página no Facebook uma foto com o ex-governador em que agradece o convite feito para a solenidade. “Recebi dele o convite para a solenidade de posse da nova diretoria do Instituto do Ceará, entidade na qual é presidente. Agradeço ao ex-governador pela visita e pelo convite para o evento”. Em princípio, Camilo Santana deve ir ao evento, segundo assegurou Lúcio.

 

12:07 · 19.02.2017 / atualizado às 12:07 · 19.02.2017 por
Audic Mota ingressou na base governista de Camilo Santana após ser agraciado com o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora. FOTO: JOSE LEOMAR

O clima no bloco formado por PSD, PMB e PMDB na Assembleia Legislativa parece que tende a ficar cada vez mais tenso. Depois da saída de Tomaz Holanda da sigla peemedebista e ingresso no PPS, a tendência é que Audic Mota (PMDB) e Agenor Neto (PMDB) façam o mesmo. E o recado já foi dado pelo deputado Danniel Oliveira (PMDB).

Em entrevista ao Diário do Nordeste, ele destacou que as lideranças de PMDB, PSD e PMB estão aliadas em fazer oposição ao Governo Camilo Santana, e em suas palavras “quem não caminhar junto dentro do bloco vai ter que procurar outro caminho”. Segundo ele, houve sensatez por parte de Tomaz Holanda ao deixar os quadros do PMDB, visto que não faz mais parte da oposição.

“O PMDB, junto com o bloco, será de oposição. Não vamos abrir mão disso, e qualquer parlamentar que tenha interesse de fazer parte do Governo por algumas regalias,  que respeite as decisões do partido”, disse Oliveira. Segundo ele, as lideranças partidárias da sigla peemedebista “não vão permitir que nenhum parlamentar constranja o partido”.

O problema de identidade do bloco não está apenas no PMDB. No PSD, por exemplo, os deputados Gony Arruda e Osmar Baquit são governistas, tanto que Baquit é secretário de Camilo Santana. No PMB, enquanto Odilon Aguiar faz oposição dura contra a gestão, Bethrose disse ainda estar avaliando a situação, não sabendo se é opositora ou governista.

09:24 · 18.02.2017 / atualizado às 09:24 · 18.02.2017 por

Por Edison Silva

Apoiadores, preocupados com as eleições do próximo ano, defendem que o Governo Camilo Santana defina uma identidade Foto: Yago Albuquerque

Preocupado com 2018, tem aliado do governador Camilo Santana reclamando uma identidade para a sua gestão. O Governo não é petista, embora o chefe do Executivo ainda seja do PT; a administração não é pedetista, apesar de sua base de sustentação majoritariamente ser do PDT; o Governo acolhe o PCdoB nas suas entranhas, mas nada tem de comunista; incluiu agora, recentemente, um indicado do PSB numa de suas mais importantes Pastas, a das Cidades, e por fim entregou o seu Planejamento a um tucano, cujos ideais administrativos e políticos são diametralmente opostos ao projeto até então colocado para o eleitorado cearense pelo governador e o grupo que o apoiou.

Para completar a mixórdia, ainda se incluem no Governo do Estado representantes do DEM e do PPS que, como o PSDB, são adversários fidagais do PT de Camilo. Não erra quem afirma que todos eles são apenas figurantes. Não têm como aplicar políticas das diretrizes de suas respectivas agremiações.

No entanto, apesar de serem apenas figurantes, desfiguram a matriz governamental, além da possibilidade de emperrarem algumas ações governamentais, posto conflitarem com os projetos que em suas agremiações estão sedimentados como os mais viáveis para o desenvolvimento do Estado. Difícil pensar o tucano Maia Júnior planejando os dois últimos anos de Camilo à luz das perspectivas de petistas e pedetistas.

Dispostas

Filiados ao PDT cearense torcem por uma candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Reservadamente, alguns admitem a dificuldade de ela ser viável, por razões diversas, inclusive a da falta de uma estrutura político-partidária, capaz de garantir a musculatura necessária ao embate, a partir do tempo para a propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

As esquerdas, com o PT à frente, não estão dispostas, pelo menos até aqui, a emprestarem o apoio a Ciro para enfrentar os demais concorrentes, sobretudo a chapa saída de uma aliança do PSDB com o PMDB e o DEM, respaldada pela estrutura do Governo Federal, e os espaços na mídia garantidos pelas respectivas legendas, detentoras de grandes bancadas na Câmara.

Uma postulação competitiva de Ciro daria importante sustentação à pretensão de um segundo mandato para Camilo. Do contrário, o sucesso do objetivo do governador (reeleição) só dependerá realmente dos resultados de sua administração e do empenho das lideranças que lhes apoiarem.

Com essa miscelânea de representantes partidários, o eleitor tende a ficar confuso quanto à identidade do Governo e, por óbvio, propenso a buscar um candidato que lhe possa garantir um governo homogêneo, como estará a oposição cearense, a persistir o quadro político atual, quando todos se unirão para derrotar a situação, no caso o grupo liderado pelos ex-governadores e irmãos, Ciro e Cid Gomes.

Entrosados

O PSDB do senador Tasso Jereissati, o PMDB do senador Eunício Oliveira, o PR do ex-governador Lúcio Alcântara e Roberto Pessoa, parte considerável do PT, PSD, PMB, Solidariedade e outras siglas menores no Ceará têm o mesmo objetivo: destronar os atuais governistas.

Mesmo sem qualquer acordo formal, afinal não são amadores para fecharem aliança com tanto tempo ainda a perseguir, os oposicionistas estão bem entrosados, por conta da provocação feita pelo conselheiro Domingos Filho, parte desgarrada do grupo governista, com imensa capacidade de tratar com políticos e determinado a ser um instrumento para ajudar a defenestrar aqueles que, até bem pouco, tinha como líder, o mesmo objetivo de tucanos e peemedebistas.

Domingos, como aqui já relatado, deixa o Tribunal de Contas dos Municípios, no próximo ano, a tempo de se filiar ao PSD ou ao PMB, partidos que comanda através do filho e da mulher, respectivamente, sem preocupação com a aposentadoria de conselheiro. Até lá ele continuará tirando proveito da luta sobre a extinção ou não do órgão.

Na época de sua renúncia ao cargo, ele ainda não terá os cinco anos mínimos exigidos para a aposentadoria no cargo, mas já tem garantida uma aposentadoria parlamentar, cujos subsídios são suficientes para a manutenção de qualquer família. Ele é candidato a um cargo majoritário, preferencialmente de governador, ficando as duas vagas de senador para indicações do PMDB e do PSDB, além das suplências de senador, e o lugar de vice-governador.

09:48 · 12.02.2017 / atualizado às 09:48 · 12.02.2017 por
Tomaz Holanda e Audic Mota estão na base do Governo Camilo Santana. FOTO: José Leomar

Quantidade não é sinônimo de qualidade, e ainda que o governador Camilo Santana esteja consolidando uma base mais robusta do que a que encontrou no início de 2015, ele tende a sofrer pressões por parte da oposição, que a partir deste ano, ao que tudo indica, estará menor e menos organizada. Por outro lado, os aliados do chefe do Poder Executivo nem sempre dão o apoio quando é necessário.

Caberá, mas uma vez, à liderança formada por Evandro Leitão (PDT), Leonardo Pinheiro (PSD) e agora também por Joaquim Noronha (PRP), o papel de tentar evitar o desgaste da gestão. Os demais parlamentares aliados, com raras exceções, no ano passado, preferiram não participar de discussões desgastantes para seus mandatos.

Durante todo o ano de 2016 os líderes do Governo na Assembleia contaram com o apoio do secretário de Relações Institucionais, na pessoa de Nelson Martins, o que pode não ocorrer mais visto a extinção do cargo criado pelo governador no início de seu mandato.

Nos dois primeiros anos da administração, porém, a gestão contou com a oposição constante de Audic Mota e Agenor Neto, ambos do PMDB, que a partir da próxima semana atuarão na base do Governo, sendo que Mota foi agraciado com a Primeira-Secretaria  da Mesa Diretora. Somam-se a eles o deputado Tomaz Holanda (PMDB) e João Jaime (DEM), que recentemente oficializou apoio à base de Camilo Santana.

Sérgio Aguiar (PDT) é outro que, depois da disputa para a presidência do Legislativo Estadual, em dezembro passado, chegou a ameaçar trabalhar de forma independente na Casa, mas deve permanecer entre os aliados da gestão. Com isso, o governador passa a ter no seu grupo de aliados 35 deputados da Assembleia Legislativa, ficando 11 na oposição.

Camilo Santana ainda está longe de ter o tamanho da base que seu antecessor, Cid Gomes, teve quando apenas quatro ou cinco parlamentares faziam parte da oposição. Contra sua gestão estão Capitão Wagner (PR), Heitor Férrer (PSB), Fernanda Pessoa (PR), Renato Roseno (PSOL), Carlos Matos (PSDB), Ely Aguiar (PSDC), Roberto Mesquita (PSD), Aderlânia Noronha (SD), Danniel Oliveira (PMDB), Silvana Oliveira (PMDB) e Leonardo Araújo (PMDB).

Alguns deputados prometem fazer o mesmo barulho  feito em 2016, cobrando da gestão, principalmente, no que diz respeito aos temas de Saúde, Seca e Segurança Pública. No entanto, o impasse quanto à extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) deve nortear boa parte dos embates na Casa. A matéria, porém, foi apresentada e defendida por um dos opositores à gestão de Camilo, o deputado Heitor Férrer.

Parlamentares ouvidos pelo Diário do Nordeste reclamaram a falta de uma liderança junto à oposição na Assembleia, uma vez que lideranças políticas como o senador Eunício Oliveira e Tasso Jereissati têm se dedicado, quase que exclusivamente, às suas pautas no Congresso Nacional. Domingos Neto (PSD), conforme informou Odilon Aguiar, até está buscando uma maior atuação e unidade dos opositores ao Governo atual, mas tudo tem ocorrido de forma incipiente.

Roberto Mesquita é outro que reclama a falta de um “cabeça” que possa ajudar a oposição ao Governo Camilo Santana. Desde dezembro passado que parlamentares do PSD, PMB e PMDB avaliam a possibilidade de montarem um bloco de oposição que faça frente à robusta base governista na Assembleia. No entanto, a ideia deles barra, justamente, no fato de que pelo menos seis membros dessas três siglas serem aliados da gestão atual.

De acordo com Odilon Aguiar é preciso que as lideranças estejam em sintonia com os reclames das bancadas para marcar posicionamento dentro e fora da Casa Legislativa, definir pautas e estarem unidos. O único bloco de oposição formado para os próximos dois anos é composto por cinco deputados e quatro siglas: PSDB, PSDC, SD e PR. Estes, aparentemente, estão coesos, enquanto que os demais, ao que tudo indica, ainda não encontraram unidade.

09:38 · 06.02.2017 / atualizado às 09:38 · 06.02.2017 por
Governador procura atrair parceiros internacionais para tentar obter êxitos em seu intento. FOTO: JOSE LEOMAR

O governador Camilo Santana segue sua jornada para conclusão de obras deixadas no meio do caminho por seu antecessor, o ex-governador Cid Gomes. Um dos mais polêmicos equipamentos iniciados na gestão Cid Gomes é o Acquário Ceará, que Camilo quer concluir mas “sem gastar dinheiro do Estado”, através de uma Parceria Público-Privada (PPP).

Em visita à Assembleia Legislativa na semana passada, o chefe do Poder Executivo voltou a falar do empreendimento, e destacou que há diálogo com empresários chineses, brasileiros, cearenses inclusive.

No entanto, a discussão mais avançada tem sido travada com parceiros espanhois. Segundo ele, a ideia é que tudo o que o Estado construiu até aqui seja parte do negócio e caberia à iniciativa privada a conclusão do equipamento, além do gerenciamento.

“Consideramos o Acquário Ceará um equipamento fundamental e estratégico para o turismo cearense e de Fortaleza. Infelizmente, muitas vezes a burocracia e o momento que o País atravessou nos últimos dois anos deixaram muito instável a segurança jurídica para investidores externos, o que dificultou a concretização das parcerias”, disse.

Ele afirmou que neste ano vai concluir o processo de parceria, para em seguida retomar a conclusão do equipamento. “Repito, o Acquário é um equipamento importante, mas a decisão do Estado é não colocar mais recursos do tesouro estadual, e sim uma parceria com a iniciativa privada”, destacou.

A Lei das Concessões encaminhada para a Assembleia Legislativa ano passado e aprovada pelos deputados estaduais dispõem, além de outras coisas, do processo de Parceria Público-Privada.

Balhmann acredita que até 2018 Governo inicia obras a refinaria

O governador também está empenhado em iniciar de vez os trabalhos de uma refinaria no Cerá, depois que os projetos de instalação da Refinaria Premium II foi cancelado pela Petrobras.

De acordo com o assessor especial para Assuntos Internacionais , Antônio Balhmann, as negociações com chineses e iranianos vão permitir que até o início de 2018 sejam realizados os trabalhos de construção do equipamento. A Refinaria foi prometida algumas vezes pelos governos Dilma e Lula, mas nunca chegou a ser iniciada.

10:05 · 03.02.2017 / atualizado às 10:05 · 03.02.2017 por

Por Antonio Cardoso

O governador Camilo Santana (PT) compareceu à Assembleia Legislativa do Ceará na manhã de ontem. Em discurso de cerca de duas horas, ele apresentou ao Parlamento a mensagem do Governo com o balanço das ações realizadas em 2016, além das intenções da gestão para este ano. O anúncio mais esperado, sobre o reajuste dos servidores, só foi feito em coletiva de imprensa após o pronunciamento. A fala do petista no Plenário 13 de Maio foi acompanhada por parlamentares, secretários, superintendentes e autoridades. Servidores ocuparam as galerias em manifestação pacífica.

Já no início do discurso, Camilo sustentou que seria dever de Justiça, neste momento de conjuntura adversa, mas também de superação, ter um gesto afetuoso de gratidão não só ao Parlamento, mas aos servidores estaduais que ajudaram no desenvolvimento do Estado, com competência e espírito público. “Mesmo diante desse quadro recessivo, agravado no Ceará com uma seca que se prolonga nos últimos cinco anos, nosso governo vem buscando recuperar e dinamizar nossa atividade econômica”.

Segundo o governador, o volume de investimentos públicos em 2016, que superou R$ 3,7 bilhões, coloca o Ceará entre os estados que mais investiram no ano passado, com destaque para as áreas de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Saneamento, Desenvolvimento Agrário e Urbano.

Ele relatou ainda que, mesmo com o cenário de recessão econômica, há razões para comemorar no que diz respeito aos mais de 140 mil servidores, que, em virtude da “eficiente gestão dos recursos públicos”, não perceberam atrasos no pagamento de seus vencimentos. “Ao contrário da situação vivenciada na maioria dos estados brasileiros”, acrescentou Camilo.

Ao tratar da crise hídrica, o governador ressaltou que o Governo “tem trabalhado diuturnamente para garantir água a todos os cearenses, envidando esforços para evitar que falte água na Região Metropolitana de Fortaleza e em todo o Estado, diante dos referidos cinco anos consecutivos de seca, quando nossas reservas hídricas estão reduzidas a somente 6,6% da capacidade”.

No sentido de evitar colapso total, continuou o gestor, foram realizados investimentos “maciçamente” em ações emergenciais, em especial na construção de adutoras, perfuração de poços profundos e instalação de cisternas, e em ações estruturantes, como Cinturão das Águas, projetos de dessalinização e de planta de reúso.

Contribuição social

“Neste contexto, o Palácio da Abolição foi o cenário frequente das reuniões semanais do Comitê da Seca no debate e planejamento das ações de infraestrutura hídrica realizadas ao longo do ano passado e das obras em andamento para 2017”, disse. Camilo também convidou “cada cearense” a contribuir, como parte do esforço coletivo, na campanha de conscientização pelo uso racional da água.

Na área da Segurança Pública, o governador disse estar orgulhoso por apresentar o balanço de Crimes Violentos Letais Intencionais acumulado até dezembro de 2016, que registrou uma queda de 15,2%, com 612 vidas salvas. Camilo destacou, ainda, a mensagem enviada à Assembleia que prevê equiparação salarial de bombeiros e policiais militares à média do Nordeste como “reconhecimento” pelo trabalho dos profissionais de segurança.

14:22 · 02.02.2017 / atualizado às 14:22 · 02.02.2017 por

Um tapete vermelho direcionava o caminho que as autoridades do Estado deveriam tomar para sair do complexo de gabinetes da Assembleia Legislativa do Ceará em direção ao Plenário 13 de Maio. Ao redor dele, um grupo de estudantes do Colégio da Polícia Militar prestaram continência quando chegaram à Casa os chefes do poder Executivo e do Legislativo.

Lado a lado, Camilo Santana (PT) e Zezinho Albuquerque (PDT) seguiam pelo caminho estabelecido acompanhados de diversos integrantes do governo, além de deputados e deputadas. A vice-governadora, Izolda Cela, também estava na comitiva, assim como o Chefe de Gabinete do governo, Élcio Batista, o Secretário da Casa Civil, Nelson Martins e o Secretário da Fazenda, Mauro Filho.

Às 11h, a sessão foi aberta pelo Presidente da Assembleia fazendo o convite para a composição da Mesa de autoridades da sessão solene. Além de Zezinho, Camilo e Izolda, foram convidados o vice-presidente da AL, Tin Gomes (PHS) e a 4ª Secretária da Mesa Diretora, a deputada Augusta Brito (PCdoB).

Discurso

A fim de realizar um balanço sobre o ano de 2016, o governador se dirigiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará em tom de agradecimento pela parceria com o Executivo. “Venho mais uma vez com muita alegria a esta Casa não só cumprir um preceito constitucional e apresentar o exercício do ano de 2016, mas também agradecer aos parlamentares pelo apoio”, afirmou.

Camilo disse que o governo do Estado investiu em 2016 cerca de R$ 3,7 bilhões nas áreas prioritárias, como a de recursos hídricos, saúde e educação. “Tal volume coloca o Estado entre os estados que mais investiram em 2016”, pontuou.

O governador comemorou os dados relativos à educação do Ceará, que aparecem com destaque no País, e a manutenção dos salários dos servidores, quadro diferente de outros estados como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul que parcelaram os vencimentos dos profissionais públicos desses estados.

“O governo tem trabalhado diuturnamente para garantir água para todos os cearenses e em todo o estado diante dos cinco anos consecutivos de seca”, relatou Camilo ao informar que investiu “massivamente em ações emergenciais de enfrentamento à seca”, como a implantação de adutoras, poços profundos e cisternas.

O governador também citou a queda no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) na casa de 15,2% no Ceará e 28,7% em Fortaleza. “Tal desempenho pode ser considerado de alta relevância para nossa sociedade”, definiu.

Utilizando um discurso de união e pacificação, Camilo afirmou que irá começar 2017 com “energia renovada” para superar os dois anos de crise que acometeram o País e o Estado. “Quero reafirmar o desejo sincero para o diálogo com a sociedade cearense. Somente juntos construiremos um Ceará mais pacífico, mais justo e mais acolhedor”, finalizou.

14:19 · 02.02.2017 / atualizado às 14:19 · 02.02.2017 por

Galerias lotadas, plenário à todo vapor. Enquanto o governador do Estado do Ceará, Camilo Santana (PT), não chegava para fazer o discurso anual de abertura dos trabalhos no poder Legislativo, deputados, secretários, repórteres e assessores se dividiam entre os poucos espaços que restavam no local. As cadeiras, quase totalmente vazias, tomavam o centro e os entornos na sala oval do Plenário 13 de Maio.

Apesar de o relógio já ter passado do horário que havia sido marcada a sessão (10h), poucos parlamentares haviam dado a presença até a chegada do governador. Até às 10h20 só 13 dos 46 tinham nome cativo na lista de presença do dia. Alguns deputados se encontravam em Plenário, mas não fizeram o seu registro no painel, outros tinham a marcação “P” no local, mas não estavam no palco das discussões legislativas cearenses.

Até as galerias, tão utilizadas por servidores em reivindicação, estavam lotadas de policiais militares e oficiais para acompanhar o que seria o primeiro discurso do último biênio da gestão Camilo.

A expectativa é que o petista apresente uma proposta para o reajuste dos servidores públicos do Estado, que amargam há dois anos um salário sem correção. Ontem, Camilo disse ao Diário do Nordeste que iria se reunir com a equipe econômica do governo e, caso chegassem a um denominador comum, a proposta seria entregue ao presidente da AL, Zezinho Albuquerque (PDT), nesta quinta (2).

10:11 · 24.01.2017 / atualizado às 10:11 · 24.01.2017 por

Por Miguel Martins

O governador Camilo Santana (PT) realizou, ontem, no Palácio da Abolição, a primeira reunião do ano com o seu secretariado e, em coletiva de imprensa, desconversou sobre a possibilidade de deixar os quadros do Partido dos Trabalhadores (PT). Questionado sobre a saída da sigla petista, o chefe do Executivo Estadual afirmou apenas que tem recebido convites de diversos partidos, mas que tem se dedicado apenas a questões administrativas.

Camilo está mantendo a mesma postura que o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, adotou quando se cogitava que sairia do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) para ingressar no Partido Democrático Trabalhista (PDT). “Todas as minhas energias têm se voltado para administrar o Estado, superar os desafios. Eu tenho recebido diversos convites de diversos partidos, mas estarei discutindo a questão política no momento certo”, disse o governador.

Há especulações de que Camilo Santana vá para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), mas, para disputar reeleição ao Governo, isso poderá ser definido até o início de 2018. O PT, no entanto, não quer perder o governador, tanto que a deputada estadual Rachel Marques, em entrevista ao Diário do Nordeste, chegou a cogitar que ele poderia ser eleito presidente do partido no Ceará.

O presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, já havia negado a possibilidade de saída do governador da sigla. Principal representação política do PT no Estado, Camilo, entretanto, tem enfrentado dificuldades no partido. Em 2016, ele não conseguiu manter a sigla unida para apoiar Roberto Cláudio na eleição municipal. Hoje, o petista termina a primeira reunião do ano com o secretariado e o tema mudança de partido deve ficar para outro momento.

09:35 · 23.01.2017 / atualizado às 09:35 · 23.01.2017 por

Por Miguel Martins

Pontos da pauta da reunião foram adiantados pelo secretário Nelson Martins. Algumas mudanças têm relação com a PEC que limita gastos Foto: Érika Fonseca
Pontos da pauta da reunião foram adiantados pelo secretário Nelson Martins. Algumas mudanças têm relação com a PEC que limita gastos Foto: Érika Fonseca

O governador Camilo Santana (PT) inicia hoje uma reunião de dois dias com o seu secretariado, após oficializar mudanças em seis das 25 pastas da estrutura do Governo do Estado – o novo titular da Secretaria do Esporte, nome que fecha as alterações, ainda não foi anunciado. No encontro, que vai da manhã de hoje até a noite de amanhã, o chefe do Executivo deve discutir, dentre outras pautas, medidas que serão adotadas pela gestão com o objetivo de reduzir os custos da máquina pública nos próximos anos. Após apresentar gestores que assumiram recentemente algumas pastas, ele também ouvirá as metas de cada um para o corrente ano.

Apesar de ocorrer periodicamente, a reunião de planejamento deste início de ano tem um diferencial por se tratar do primeiro encontro entre os gestores e o governador após aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do limite dos gastos do Governo pelos próximos dez anos na Assembleia Legislativa. Portanto, cada secretário deve apresentar aquilo que deve ser reduzido para tentar manter o limite estipulado na legislação que já está em vigor no Estado.

Segundo o novo secretário da Casa Civil, Nelson Martins, dentre as pautas está o Plano de Sustentabilidade do Governo, apresentado no ano passado, e dentro dele a reforma administrativa. Está contida no plano a redução de custeio em 10%, além da extinção de secretarias, o que só deve acontecer após votação de matéria no retorno dos trabalhos da Assembleia, em fevereiro. A matéria estava em discussão na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, mas a pedido do líder do Governo, deputado Evandro Leitão (PDT), foi retirada.

Mudanças

Dentre as pastas que devem perder o status de secretaria estão a Secretaria de Políticas Sobre Drogas, a Casa Militar, o Conselho Estadual de Educação e a Secretaria de Relações Institucionais, que passarão a ser vinculadas ao gabinete do governador. Além delas, o Departamento de Arquitetura e Engenharia (DAE) será atrelado ao Departamento de Estradas e Rodovias (DER), que será denominado Departamento de Infraestrutura de Transporte e Edificações (DITE). O Instituto de Desenvolvimento Institucional das Cidades do Ceará (Idece) também será incorporado à Secretaria de Cidades.

Já o Metrofor passará ao comando da Secretaria de Infraestrutura, conforme emenda apresentada pelo líder do Governo, Evandro Leitão. As ações internas, conforme explicou Nelson Martins, foram definidas pelo conselho de gestão fiscal do Governo e são prioridades para a gestão neste início de ano.

Na reunião, o governador Camilo Santana e os secretários vão apresentar todo o programa de ajuste fiscal do Estado, as ações que serão implantadas dentro do Plano de Sustentabilidade, bem como algumas aprovadas pela Assembleia Legislativa, como a PEC que limita o crescimento dos gastos públicos. Segundo Nelson Martins, o que cabe à redução dos salários dos secretários ainda está em apreciação na Assembleia, e deverá entrar em votação já no retorno das atividades legislativas.

De acordo com o secretário da Casa Civil, também será anunciada a redução de até 25% do número de terceirizados da gestão, além da redução de passagens e diárias em 25%, fora o custeio da máquina, que terá redução de 10%. Os contratos de gestão também sofrerão redução que varia de 10% a 15%. “Tudo isso tem a ver com a PEC que aprovamos, até porque nosso Orçamento para 2017 será executado com base no que foi executado em 2016, com, no máximo, o crescimento de 7%, como aprovado pela emenda constitucional”.

Novos

O governador vai, ainda, apresentar aos secretários as mudanças nas pastas de Infraestrutura, Casa Civil, Segurança Pública, Justiça, Cidades, e Planejamento e Gestão. Nelson Martins informou que o novo gestor da pasta de Planejamento, o empresário Maia Júnior, participaria da reunião, mas não como secretário, uma vez que só toma posse em fevereiro. Ao Diário do Nordeste, Maia Júnior, porém, disse que não estará no encontro.

“Não temos ainda nenhuma indicação concreta de que o País voltará a crescer de imediato, o que só deve ocorrer no segundo semestre. O governador quer manter o grau de investimentos na economia, e para manter esse grau de investimento precisa de ajustes na parte de despesas”, acrescenta Nelson Martins.

O conjunto de ajustes do Estado, segundo ele, visa a manutenção da máquina e de investimentos. No encontro, será tratado também o Monitoramento de Projetos Prioritários do Governo do Estado (MAPP) para 2017, no qual cada secretaria apresentará prioridades. Normalmente, esses encontros do Governo iniciam pela discussão de projetos de maior impacto financeiro.

09:23 · 19.01.2017 / atualizado às 09:23 · 19.01.2017 por

Por Miguel Martins

Pela legislação atual, Camilo Santana (PT) tem até abril de 2018 para decidir se muda de partido para disputar reeleição ao Governo do Estado Foto: José Leomar
Pela legislação atual, Camilo Santana (PT) tem até abril de 2018 para decidir se muda de partido para disputar reeleição ao Governo do Estado Foto: José Leomar

Os rumores de que o governador Camilo Santana poderá deixar o Partido dos Trabalhadores (PT) e ingressar no Partido Socialista Brasileiro (PSB) se intensificaram nos últimos dias após conversa entre ele e Paulo Câmara (PSB), chefe do Poder Executivo de Pernambuco. Enquanto o presidente da sigla pessebista no Ceará, o deputado federal Danilo Forte, vê com bons olhos tal possibilidade, o deputado estadual Heitor Férrer (PSB), que dirige o diretório de Fortaleza, não gostou da ideia.

Férrer já deixou o PDT após ingresso dos irmãos Cid e Ciro Gomes e do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, todos aliados do governador. Já os petistas entrevistados pelo Diário do Nordeste não creem como possível a ida de Camilo para o PSB. As conversas com o chefe do Executivo cearense acontecem desde o ano passado, e ele é bem visto no PSB, até porque seu pai, Eudoro Santana, já presidiu a sigla em momento difícil para o grêmio no Ceará.

Interesse

O último encontro de Camilo com Paulo Câmara, conforme noticiou ontem a “Coluna Comunicado”, deste jornal, ocorreu em Fortaleza antes da viagem oficial do petista ao Oriente Médio, quando o governador de Pernambuco esteve no Ceará para uma reunião de família, em Quixeramobim. Questionado sobre as especulações, o presidente estadual do PSB, Danilo Forte, afirmou que tem acompanhado as conversas “de longe” e elogiou o trabalho do petista à frente do Governo do Estado.

“É um cara aberto ao diálogo com os mais diversos segmentos da sociedade, e qualquer agremiação se orgulharia muito de tê-lo como membro”, disse. No entanto, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os dois partidos passaram por afastamento. A sigla pessebista compõe a base aliada do Governo Michel Temer (PMDB).

“O PSB ainda não tem uma pré-definição para 2018, mas pretendemos atravessar o momento em condições melhores para a economia”, pontuou Danilo. Nos bastidores da política local, o que se comenta é que há um interesse no grupo dos irmãos Ciro e Cid Gomes, ambos do PDT, de ampliar o leque de possibilidades de apoios com vistas a 2018, quando haverá eleição para o Governo do Estado e para a Presidência da República.

O PSB, portanto, seria opção para o ingresso de Camilo, mantendo relações próximas com PT e PDT em nível local, mas com o empecilho de que o PSB tem projeto presidencial diferente do pedetista. Presidente da sigla pessebista em Fortaleza, Heitor Férrer não vê com bons olhos a possibilidade de mudança, pois, para ele, não há como dissociar Camilo de Cid e Ciro Gomes.

No entanto, Danilo Forte destacou que Férrer tem adotado linha de independência na Assembleia Legislativa, tanto que, ao propor a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), atendeu a desejo do Governo. “O Heitor não é um deputado preso, assim como o PSB não quer ser. Dá para ter os dois no mesmo partido, pois são duas pessoas inteligentes, sérias com a coisa pública”, declarou.

Férrer afirmou, porém, que Camilo é “o miolo da linha política dos Ferreira Gomes”, não tendo qualquer desvinculação entre eles. “Apesar de estarem em siglas diferentes, o Camilo só é governador por conta do apoio dos Ferreira Gomes, tanto que Camilo tem no seu secretariado o Mauro Filho, Arialdo Pinho, Antônio Balhmann, todos já secretários do Cid, e o Lúcio Ferreira Gomes, fortalecido na Infraestrutura, e Nelson Martins, que foi líder do Cid, e hoje está na Casa Civil”, apontou.

Os petistas também não acreditam na ida de Camilo ao PSB e veem com estranhamento a possibilidade de que o governador deixe os quadros do PT. De acordo com o presidente estadual da sigla, Francisco de Assis Diniz, Camilo já teria ratificado seu posicionamento de não sair do partido. O dirigente ressaltou, inclusive, que o chefe do Poder Executivo Estadual, como membro do diretório estadual, participará efetivamente do processo de eleição interna da sigla, marcado para março. “Não há o que dizer, isso é apenas especulação. O governador já disse que isso não vai acontecer”, minimizou.

Bancada

A deputada estadual Rachel Marques também disse desconhecer a informação, destacando ainda que não há qualquer tratativa neste sentido dentro do PT. Na tarde de ontem, ela e os outros três deputados do PT com representação na Assembleia – Elmano de Freitas, Manuel Santana e Moisés Braz – se reuniram com o secretário da Casa Civil, o também petista Nelson Martins, para discutir, dentre outras pautas, o posicionamento dos representantes da legenda na Casa nos próximos meses.

Segundo Marques, há discussões preliminares no PT sobre a mudança dos diretórios municipais e estadual e, neste debate interno, o nome de Camilo poderia, inclusive, ser escolhido por consenso para a presidência estadual do partido. Já Manuel Santana afirmou que, caso seja confirmada a ida do governador para o PSB, em nada mudaria a relação dele com os petistas da Assembleia Legislativa.

“Não queremos romper com o governador em hipótese alguma, por isso não muda em nada nossa relação”, disse. Pela legislação, Camilo tem até abril de 2018 para decidir se muda de partido com vistas a disputar um segundo mandato no Governo.

 

09:12 · 19.01.2017 / atualizado às 09:12 · 19.01.2017 por

Por Miguel Martins

O presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, afirma que a relação da sigla com o PDT será discutida “com calma” nos fóruns adequados Foto: Nah Jereissati
O presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, afirma que a relação da sigla com o PDT será discutida “com calma” nos fóruns adequados Foto: Nah Jereissati

Para buscar caminhos à crise de representatividade pela qual tem passado ao longo dos últimos dois anos, o PT realiza, a partir de março, uma série de encontros para a renovação de seus diretórios, com vistas a uma maior aproximação com movimentos sociais. No entanto, em meio às eleições internas, está a possibilidade de aliança com siglas que fazem parte do mesmo espectro político que a legenda petista, como o PDT.

Em Fortaleza, por exemplo, há um impasse sobre como o partido deve se comportar em relação à gestão do pedetista Roberto Cláudio. Enquanto parte do grupo defende manutenção da postura de oposição à gestão, outros querem que haja uma maior proximidade com o segundo mandato do prefeito.

Na última reunião do diretório nacional, o PT decidiu antecipar as eleições para a renovação das direções. Em âmbito municipal, haverá um Processo de Eleição Direta (PED), e em nível estadual e também federal o partido realizará congressos.

“Vamos ter uma etapa municipal, estadual e nacional. A busca da renovação da direção visa construir um amplo processo de mobilização a constituir-se a partir da renovação, relação que possa estar vinculada ao reflexo dos institucionais com movimentos sociais, militância e o processo que o PT sofreu no último período”, disse o presidente do PT no Ceará, Francisco de Assis Diniz.

O Congresso Municipal acontecerá, simultaneamente, em todas as cidades do Brasil onde o PT tem diretórios, no dia 12 de março. As chapas concorrentes ao comando da sigla na Capital, contudo, devem ser registradas até o dia 30 deste mês.

Se ainda houver interesse do governador Camilo Santana (PT) de manter alguma influência no partido, o secretário da Casa Civil, Nelson Martins, deve ter o seu primeiro teste na articulação política do Governo, mediando conflitos em torno dos grupos que miram o comando do PT em Fortaleza.

O deputado Elmano de Freitas é o atual presidente do diretório municipal, e tem adotado postura opositora à gestão do prefeito Roberto Cláudio (PDT), aliado do governador. No entanto, em nível estadual e federal, PT e PDT são aliados. O desejo do prefeito é contar também com o apoio dos petistas na Capital, o que já é sinalizado pelo vereador Acrísio Sena.

Apoio

Enquanto o outro vereador da sigla, Guilherme Sampaio, insiste com a tese de oposição, Acrísio trabalha com o objetivo de se alinhar cada vez mais com Roberto Cláudio – ele, inclusive, participou da campanha do prefeito no segundo turno das eleições de 2016, assim como Camilo.

Francisco de Assis Diniz diz que o posicionamento do partido sobre a questão só deve ser definido após a escolha do novo diretório municipal, em março. “Vamos discutir, sim, essa relação do PT com o PDT, mas com calma, dentro dos fóruns adequados”, afirmou. “Não podemos colocar essa discussão agora no centro do debate. A ideia primordial no momento é a renovação”.

Os congressos estaduais do PT ocorrerão entre 24 e 26 de março. É quando serão escolhidos os delegados que participarão do Congresso Nacional, este entre os dias 7 e 9 de abril.

15:33 · 12.01.2017 / atualizado às 15:33 · 12.01.2017 por

Por Beatriz Jucá e Antonio Cardoso

Nelson Martins, Jesualdo Farias, Maia Júnior e Lúcio Gomes Fotos: Arquivo/Diário do Nordeste
Nelson Martins, Jesualdo Farias, Maia Júnior e Lúcio Gomes Fotos: Arquivo/Diário do Nordeste

Sete das 25 secretarias do Governo do Estado passam por mudanças de gestores para, segundo o Palácio da Abolição, impulsionar ações nos dois últimos anos de mandato do governador Camilo Santana (PT). As mudanças envolvem pastas centrais da administração estadual.

Após anunciar novos gestores para as secretarias de Segurança Pública e de Justiça na última semana, o chefe do Executivo oficializou, ontem, os novos nomes que irão gerir a Casa Civil e as pastas de Planejamento, Cidades e Infraestrutura. Dentre as mudanças previstas, apenas o novo secretário do Esporte ainda não foi divulgado, mas o anúncio está previsto para os próximos dias.

Atualmente no comando da Secretaria de Relações Institucionais, o secretário Nelson Martins foi anunciado para a Casa Civil, que estava sob o comando de Alexandre Lacerda Landim. A Secretaria de Relações Institucionais, por sua vez, deverá ser extinta, conforme prevê proposta do Governo que já foi enviada à Assembleia Legislativa.

A Secretaria do Planejamento, até então gerida por Hugo Figueiredo, ficará sob o comando do ex-vice-governador Maia Júnior, que também já foi secretário nas pastas de Transportes, Desenvolvimento Urbano, Infraestrutura e Planejamento. Na Secretaria das Cidades, Lúcio Ferreira Gomes deixa o cargo para Jesualdo Farias, ex-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC). Lúcio, por sua vez, assume a Secretaria Estadual de Infraestrutura. O anúncio conjunto das mudanças foi feito por Camilo Santana no Facebook.

Ele já havia anunciado alterações também na Secretaria de Segurança Pública e Desenvolvimento Social, que já passou a ser gerida por André Costa, e na Secretaria da Justiça, sob o comando de Socorro França desde a última terça-feira (10). Conforme a assessoria do Governo, o novo gestor da Secretaria do Esporte deve ser anunciado nos próximos dias.

Ao anunciar os “ajustes” no secretariado, o governador agradeceu aos que deixam o Governo “pela relevante contribuição” dada ao Estado do Ceará.

Repercussão

Dentre as mudanças que, nas palavras de Camilo, buscam “imprimir um ritmo ainda maior nas nossas ações nesta segunda metade de governo”, uma, em especial, repercutiu entre deputados estaduais. Parlamentares entrevistados pelo Diário do Nordeste aprovam tecnicamente a escolha de Maia Júnior, mas dizem que ela ainda deve render discussões políticas.

Afinal, o ex-vice-governador, ligado aos quadros do PSDB e próximo do senador tucano Tasso Jereissati, que faz oposição ao Governo do Estado, foi escolhido para, à frente de uma das principais secretarias da gestão estadual, coordenar ações de um Governo petista.

Fernando Hugo (PP), que já foi da ala peessedebista, diz ter certeza de que o Governo Camilo fez “um golaço” em termos de conquista administrativa. “Ele (Maia Júnior) é audacioso e dará impulsão governamental, trazendo para o Ceará melhorias e conquistas substanciais”, disse.

Ações ‘suprapartidárias’

Para Hugo, pelo bem-estar dos cearenses e do crescimento progressista, o Governo deve se munir de ações suprapartidárias. “Para isso, Maia Júnior, assim como a ex-tucana Socorro França, estão competentemente à disposição dessa governabilidade produtiva”, opinou. A nova secretária de Justiça já integrou os quadros do PSDB, tendo sido, inclusive, candidata à Prefeitura de Fortaleza em 1996.

Único tucano na Assembleia, o deputado Carlos Matos avalia a ida de Maia Júnior para o Governo como decisão pessoal e, portanto, ressalta que não significa aproximação entre as siglas historicamente opostas. “O que se percebe é que o modelo político atual estava equivocado. Caso contrário, não chamaria um peessedebista para planejar”.

Inusitado

Por sua vez, o deputado estadual Roberto Mesquita (PSD) disse acreditar que a escolha terá consequências, mas espera que sejam do ponto de vista do mérito do escolhido. “É uma pessoa capacitada e não representa unicamente um interesse politiqueiro, pensando em se aproximar do PSDB. Na Assembleia, é certo que vai render assunto, uma vez que se trata de um fato inusitado, posto que um peessedebista vai compor um governo petista”.

Já na opinião do deputado estadual Manoel Santana (PT), escolher para o cargo de secretário um nome fora da base de apoio ao Governo não é problema. “O governador tem a liberdade de escolher aqueles que têm mais qualificação técnica. Precisamos ter essa visão diferenciada de gestão, priorizando a capacidade técnica e não a legenda a qual pertence”, apontou.

09:14 · 02.01.2017 / atualizado às 09:14 · 02.01.2017 por
Cid e Camilo assistiram à posse de Roberto Cláudio da mesa de comando dos trabalhos da Câmara Foto: Fabiane de Paula
Cid e Camilo assistiram à posse de Roberto Cláudio da mesa de comando dos trabalhos da Câmara Foto: Fabiane de Paula

Unidos em torno da candidatura de Roberto Cláudio (PDT) ao longo da campanha que o levou à reeleição, em outubro de 2016, o ex-governador Cid Gomes (PDT) e o seu sucessor, Camilo Santana (PT), aplaudiram ontem, da Mesa Diretora da Câmara Municipal, a posse do aliado político para mais quatro anos à frente da Prefeitura de Fortaleza. Após a solenidade, ambos traçaram perspectivas acerca das novas gestões municipais – um sob a ótica de chefe do Executivo Estadual, outro como liderança de grupo político que já mira a eleição presidencial de 2018.

Ao Diário do Nordeste, Camilo projetou que, assim como já anunciaram o Governo do Estado e a Prefeitura da Capital, 2017 deve trazer medidas de austeridade para outras administrações municipais no Ceará. “Os desafios não são pequenos nesse momento, diante da economia, diante da questão hídrica do Ceará, mas acho que, sempre mantendo as parcerias importantes entre União, Estado e Município, principalmente com diálogo com a população, a gente consegue superar os desafios e construir uma cidade, um Estado cada vez melhor para a sua gente”, disse.

O governador ressaltou que o momento exige dos gestores responsabilidade com as contas públicas para a garantia de equilíbrio fiscal. “Nenhum gestor pode gastar além da sua arrecadação, então é preciso ter muita responsabilidade, muita austeridade, e início de governo é o momento propício para fazer as mudanças necessárias”, defendeu.

Prestes a anunciar  mudanças no secretariado estadual, porém, ele não deu nenhum detalhe além do que já havia declarado na semana passada, quando, em entrevista ao Diário do Nordeste, sinalizou que modificará o comando da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). O anúncio, assegurou Camilo, será feito ainda nesta semana e inclui mudanças em mais de uma pasta. Ele não quis responder quantas ou quais.

Extinção do TCM

Poucos dias após vir à tona a medida cautelar da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou, na última quarta-feira (28), a suspensão dos efeitos da emenda constitucional que extinguia o Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM), o governador também foi questionado  se vê impactos de eventual insegurança jurídica gerada a partir da decisão liminar. Apesar de, em declarações públicas anteriores, já ter se mostrado favorável à extinção da Corte de Contas, Camilo, desta vez, respondeu apenas que “caberá à Assembleia o questionamento, vamos aguardar”. O presidente do Legislativo Estadual, deputado Zezinho Albuquerque (PDT), esteve na posse e informou que a Procuradoria da Casa “está trabalhando nisso”.

Já Cid Gomes pontuou que “assuntos que estão sob a esfera do Poder Judiciário não devem ser muito comentados”, mas disse esperar que, em fevereiro, quando haverá uma decisão definitiva do Supremo sobre o caso após o recesso do Judiciário, a Corte respeite a autonomia do Ceará e a independência da Assembleia Legislativa.

“O momento era de véspera de fim de ano, de recesso. Acho que a petição que foi feita levou a ministra a incorrer numa preocupação de que a fiscalização fosse uma tarefa que ficasse comprometida, quando a gente, que estava aqui acompanhando as coisas, sabe que estava longe disso acontecer, porque o Tribunal entraria em recesso, está em recesso, mas mesmo antes disso se teve o cuidado de redistribuir os processos, de maneira que todas as fiscalizações, todas as tarefas corriqueiras do Tribunal já estavam distribuídas e entregues a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado”, ponderou.

Contrariando argumento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) impetrada pela Associação Nacional dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), a qual motivou a decisão da ministra, o ex-governador sustentou, ainda, que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) são órgãos auxiliares da Assembleia com uma mesma função: fiscalizar gestores públicos.

O conselheiro Domingos Filho, que costurou a ADI junto à Atricon e será empossado presidente do TCM nesta sexta-feira (6), havia dito, em entrevista ao Diário do Nordeste na semana passada, que o “primeiro e mais importante” argumento da peça era, justamente, o do “vício de iniciativa”. “O Ministério Público, a Defensoria Pública e os Tribunais de Contas são órgãos autônomos nos termos da Constituição Federal. Eles só podem ser alterados, só podem se reorganizar por iniciativa dos próprios órgãos”, afirmou, na ocasião.

Cid Gomes, ontem, foi de encontro a esta tese. “Eu acho que, na medida que essas informações chegarem, até porque a decisão foi sem ouvir a outra parte, na medida que o Judiciário toma conhecimento de como o processo estava sendo feito, que era uma matéria que foi apresentada há sete anos na Assembleia, eu acho que todos esses fatores, sendo levados ao conhecimento do Judiciário, farão com que essa decisão seja tomada respeitando a autonomia do Estado do Ceará, respeitando a independência da Assembleia Legislativa, de gerir sobre órgãos auxiliares seus”. Antes aliado do grupo político capitaneado pelos irmãos Ferreira Gomes, Domingos Filho rompeu a aliança em dezembro último, durante a eleição da Mesa Diretora do Legislativo Estadual.

2018

Ao referir-se, ainda, à posse de prefeitos pedetistas no Ceará, o ex-governador ressaltou que os eleitos – foram 52 no total, a maior quantidade do Estado – serão acompanhados pelo partido, uma vez que suas gestões podem influenciar positivamente – ou não – na pretensão de candidatura do irmão, Ciro Gomes (PDT), à Presidência da República em 2018.

“Se você tem mais municípios com prefeitos filiados ao PDT, isso aumenta a nossa responsabilidade. Um comprometimento de um, as falhas de um, um equívoco de um, tudo isso terá reflexos. Então há um bônus óbvio, mas há um ônus, que nós queremos cuidar,acompanhar, ajudar, apoiar a todas as nossas administrações. Os bons exemplos aqui certamente serão ressaltados numa campanha do Ciro”, afirmou.

Nomeado nos agradecimentos do prefeito Roberto Cláudio em seu discurso de posse, Cid Gomes aproveitou a ocasião para, ao ser perguntado sobre possível contribuição ao segundo governo do prefeito da Capital, destacar “o talento, a inteligência, a competência” do pedetista. “Eu e o Ciro, o que fizemos foi estimulá-lo para que ele possa dar os vôos que tem dado: antes presidente da Assembleia, prefeito de Fortaleza, reeleito, e certamente é um nome que ainda dará grandes contribuições ao Estado do Ceará”.

 

19:13 · 31.12.2016 / atualizado às 19:13 · 31.12.2016 por

Por Beatriz Jucá e Edison Silva

Camilo destaca que implantação da siderúrgica, resultados na Educação e redução de homicídios foram importantes conquistas neste ano Foto: Eduardo Queiroz
Camilo destaca que implantação da siderúrgica, resultados na Educação e redução de homicídios foram importantes conquistas neste ano Foto: Eduardo Queiroz

Ao fim do segundo ano de mandato à frente do Executivo estadual, o governador Camilo Santana (PT) diz não estar totalmente satisfeito com os resultados de sua gestão. Segundo ele, a crise econômica brasileira dos dois últimos anos dificultou a administração estadual e atrasou parte de suas promessas de campanha, como por exemplo a construção dos hospitais regionais da Região Metropolitana de Fortaleza e da região do Jaguaribe. Na entrevista a seguir, o governador também comenta os desafios para 2017, a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios, a crise na sua base aliada e a possibilidade de sair do PT. Camilo admitiu ter dificuldades com o partido e disse que analisará, junto com aliados, a possibilidade de deixá-lo visando às eleições de 2018.

Governador, é possível contabilizar saldo positivo neste seu segundo ano de governo, com toda a crise econômica e política que o Brasil enfrentou?

2016 foi um ano de muitos desafios, um ano em que enfrentamos uma instabilidade política muito forte e uma crise econômica consecutiva a 2015. Foram dois anos de crise, e isso era algo que não acontecia no Brasil há muito tempo, então claro que afeta estados, municípios e a população. O maior desafio de 2016, pra mim, foi a questão hídrica. São cinco anos consecutivos de seca no Ceará, e isso tem sido um esforço muito grande do governo e da sociedade para minimizar as dificuldades e garantir o abastecimento em Fortaleza e na Região Metropolitana. Nós superamos muitas dificuldades. Vemos estados com dificuldade até de honrar a folha, e nós conseguimos manter o Ceará equilibrado e fazendo investimentos. Ano passado, Ceará foi o 3º Estado que mais fez investimentos públicos, abaixo de São Paulo e Rio de Janeiro. Em relação à receita corrente líquida, fomos o primeiro. Este ano também conseguimos manter um nível de investimentos satisfatórios. São resultados que considero importantes no atual cenário que vivemos. Mas tem três pontos que eu acho que são importantes como resultados de um processo que vem se implementando. Primeiro, a conquista da siderúrgica. Conseguimos colocar para funcionar. Embora seja um investimento privado, foram precisos investimentos públicos para garantir esse empreendimento que hoje gera 18 mil empregos e vai mudar o perfil do Ceará, abrindo uma perspectiva muito forte para o setor metalmecânico. Outro ponto positivo é a Educação. O Ceará virou destaque nacional pelos resultados. Das 100 melhores escolas públicas estaduais, 77 são do Ceará. Isso é fruto de uma política que vem sendo implementada no Estado. O terceiro ponto é que a gente conseguiu em 2016 manter a queda de homicídios no Ceará. Fazia 17 anos que o índice de homicídios só crescia. Em 2015, reduzimos 9,5% e, neste ano, até novembro, reduzimos 15,5%. É uma área muito delicada a segurança pública, e agora vou fazer mudanças porque ainda não estou completamente satisfeito com os resultados, apesar dos avanços. O Ceará está em curva descendente em relação aos homicídios. Quando estive na China, perguntaram se Fortaleza era a cidade que estava entre as mais violentas do mundo. É uma imagem que precisamos mudar, e isso precisa ser prioridade.

O senhor iniciou o governo em 2015 anunciando medidas de austeridade e termina 2016 anunciando novas medidas de austeridade, embora também fale de investimentos. Quando sentiu essa necessidade de ser mais austero ainda no Governo?

O cenário da economia não tem gerado confiança no sentido da retomada de crescimento. Enfrentamos um 2015 muito ruim em termos de arrecadação. Se não tivéssemos iniciado o governo com austeridade – eu cortei 25% dos cargos comissionados, que me deu economia anual de R$ 30 milhões – talvez não estivéssemos equilibrados. Em 2016, esperávamos crescimento, mas não houve. Então tivemos que retomar a austeridade porque não sabemos o que será de 2017. Há um cenário político ainda muito inseguro, e isso é ruim para a economia do Brasil. Tomamos ações de redução de custos, desde a redução de secretarias até a extinção de alguns órgãos. Vamos reduzir o tamanho da máquina do Estado e priorizar as ações para a população, que é o que ela cobra.

O senhor começou falando do sucesso da administração em pelo menos três pontos. O senhor está satisfeito com o governo que está fazendo?

A gente sempre quer melhores resultados. Não estou satisfeito porque gostaria de ter alcançado mais resultados. Também não esperava governar em um momento com tantos desafios, talvez poucos gestores tenham assumido em um momento como este, que une crises econômica, política e hídrica. Isso tem exigido muito esforço para manter equilibrado o governo, com a folha em dia e investimentos, além de garantir o abastecimento de água em todo o Estado. Nestes dois anos, gastamos em torno de R$ 15 milhões em ações emergenciais ligadas à seca. Comprei máquinas perfuratriz, fiz muitos poços, adutoras. Aqui na Região Metropolitana, inaugurei um sistema que custou quase R$ 7 milhões para pressurização no açude Gavião. Se não fizesse isso, Fortaleza poderia ficar sem água. A nossa prioridade número um tem sido garantir o abastecimento de água.

Logo que o senhor assumiu, recebeu um presente de grego da Petrobras, que foi o fim do sonho da Refinaria. Que novo sonho o cearense pode ter para os próximos anos?

Primeiro, eu acho que nós nunca poderemos desistir da nossa Refinaria. Dou como exemplo a nossa Siderúrgica, que todos diziam que não iria se concretizar e hoje temos a primeira Siderúrgica integrada do Nordeste e uma das mais modernas do mundo. A refinaria é algo estratégico para o Ceará, ela abre setores para a economia do Estado. Tenho mantido contatos com empresas chinesas, em breve irei ao Irã para entrar em contato com outras empresas. Temos a única zona de processamento em funcionamento, que é algo que atrai investimentos. Precisamos trabalhar para trazer isso para o Estado. Outro ponto que pode alavancar a economia é o hub da Tam, e já conseguimos incluir a concessão do Aeroporto Pinto Martins. Saiu o edital em dezembro e em março sai o resultado da empresa vencedora. Isso vai trazer novos investimentos para o Ceará. Devemos também investir em tecnologia da informação porque estamos em uma localização geográfica privilegiada. Essa é uma área que cria um potencial muito grande de mercado e de geração de emprego. E tem também o Turismo, que é um setor grande que nós temos. Estamos duplicando a CE 040 de Beberibe a Fortim. Precisamos criar boas condições não só de transporte aéreo, mas também das nossas rodovias.

O senhor vai iniciar agora o seu terceiro ano de mandato. Como ficam as suas promessas de campanha? Vai dar para cumpri-las?

O compromisso da linha sul do metrô, de colocá-lo em funcionamento pleno, está sendo cumprido. Temos reduzido tempo e aumentado os trens. Também vou concluir o VLT de Fortaleza. Já está em teste o trecho de Parangaba à Avenida Borges de Melo e pretendemos concluir o trecho da Borges de Melo ao Mucuripe no ano que vem. É que tem um problema com as desapropriações, mas é uma obra importante para a mobilidade de Fortaleza. Também implantei neste ano o Bilhete Único Metropolitano, que traz uma economia de cerca de 100 reais por mês ao trabalhador da Região Metropolitana. Estamos ampliando as UPAs, que é um compromisso que fiz, em todos os municípios acima de 50 mil habitantes. Vamos entregar até o final do meu governo. Temos o compromisso dos dois hospitais, na Região Metropolitana e na região do Jaguaribe. Estamos atrasados nisso pelas dificuldades atuais, mas busquei um empréstimo que deve apenas passar na comissão do Senado. Com esse recurso, vamos construir os hospitais. Começaremos pelo da região do Jaguaribe, com uma parceria com a iniciativa privada e com as universidades de medicina para bancar o funcionamento desses hospitais porque não basta só construir, o custo para operar é alto e estamos aí com problemas para os repasses dos recursos federais. Eu guardo os meus compromissos de campanha e vou procurar honrá-los. Assumi e cumpri os compromissos de promoções na Segurança Pública, a interiorização do Raio. Enfim, há pontos que realizamos, outros em andamento e outros que ainda estamos vendo como realizar.

Em toda administração, as áreas de Saúde, Segurança e Educação são as mais críticas. Pelo destaque nacional, a educação no Ceará está bem. Na Segurança, o senhor anunciou mudanças. E para a Saúde?

O Ceará tem uma rede de atendimento e houve uma ampliação muito grande, com as UPAs e as policlínicas. Só em Fortaleza o Estado mantém seis UPAs. Colocamos em operação o Hospital Regional de Quixeramobim. Mas com as restrições de recursos que estamos tendo, a prioridade é manter funcionando o que já existe e melhorar esse serviço. Ano que vem, vou implementar um compromisso da campanha para a população avaliar o atendimento, porque a gestão pública tem que trabalhar a eficiência e a qualidade. A gente tem tido avanços importantes. Assumi o governo com um problema de sarampo, zeramos a fila de transplante de córnea e recebemos prêmios por equipamentos de saúde do Estado. Precisamos melhorar ainda muita coisa para garantir um serviço de qualidade. Para isso, precisamos de mais recursos. Hoje, o Ceará recebe um terço do que Pernambuco recebe de recursos federais, e isso é uma briga grande minha. Este ano, vou gastar em torno de R$ 1,6 bilhão só com o custeio da saúde, e recebo R$ 500 milhões do Governo Federal. Geralmente, é metade para cada. Precisamos resolver essa deficiência.

Governador, ajudar a extinguir o Tribunal de Contas dos Municípios resulta em quê para o Estado?

Há muito tempo, o Ceará pensava em fazer isso. É importante que o leitor saiba que só quatro estados tinham dois tribunais. A grande maioria apenas possui um tribunal que cumpre as duas funções, de fiscalizar o Estado e os municípios. Então a Assembleia, aproveitando o momento econômico e político, tomou a decisão de extinguir o TCM. Todas as funções passam para o TCE, que estará mais fortalecido e terá todo o corpo técnico para cumprir bem o seu papel.

Neste momento, o País clama por moralidade e transparência. Ter uma só corte não é uma perda?

Acho que não. Se em 23 estados um tribunal pode cumprir esse papel, porque o Ceará não poderia? O TCM tem grandes técnicos e auditores que agora passarão a compor o TCE, que também tem grandes profissionais. Eles serão um só tribunal para fiscalizar os recursos públicos com toda a moralidade que exige o povo cearense.

Neste fim de ano, o senhor propôs, e a Constituição estadual foi alterada em sete artigos para um novo ajuste fiscal. O que isso representa na gestão?

Representa regras mais austeras para a utilização dos recursos públicos, que são do povo cearense. Eu não posso gastar mais do que tenho. Estive com um governador do Nordeste que está com a folha atrasada. O Estado do Ceará teve a sorte de os últimos governantes terem a preocupação com o equilíbrio fiscal, e nós estamos tentando manter esse gerenciamento equilibrado. Ajustamos, mas preservamos áreas vitais, como Educação, Saúde e Segurança. É uma medida diferente da que o Governo Federal adotou, porque retiramos da limitação os investimentos, que é o que a população quer. Essas ações são para garantir melhores serviços para a população.

Esse pacote tolhe a atuação dos demais poderes?

Todos os poderes precisam ter a mesma responsabilidade porque o dinheiro só sai de um canto. Para pagar a Assembleia, o Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas, o recurso sai do mesmo caixa, que é o tesouro estadual. Apesar da independência entre os poderes, não posso gastar mais do que o que tenho condições. Haverá limitações para todos, inclusive para mim, para o Executivo. Precisamos garantir o equilíbrio fiscal. Fundamentalmente, o Estado existe para a população, para garantir os serviços às pessoas. Esse é o papel de um Estado eficiente e moderno, e é isso que estamos tentando fazer.

Até que ponto a queda da Dilma afetou o seu projeto de governo?

Tenho mantido uma relação institucional regular com o Governo Federal. Tenho mantido parcerias, convênios, e tenho sido bem recebido nos ministérios. Independentemente do presidente, vamos sempre defender o povo cearense.

Com o atual pacto federativo, o governador aliado ao presidente não teria mais condições de angariar recursos?

Isso é natural do nosso sistema político. Mas depois que um presidente é eleito, ele é gestor de todos os brasileiros, e a relação precisa ser respeitosa. Tenho tido muito apoio de toda a bancada cearense, inclusive de aliados do presidente Temer, e isso tem nos ajudado a garantir recursos. Atualmente, temos as obras da Transnordestina paradas, que são muito importantes. O presidente se sensibilizou e já liberou os recursos para a retomada. Fizemos o mesmo com a transposição das águas do São Francisco. Com diálogo, temos conseguido garantir investimentos e obras.

Quando o senhor assumiu, em 2015, fez observações sobre o comportamento do PT em relação ao mensalão. Depois, veio a operação Lava-Jato. O PT continuará sendo seu partido?

Independentemente de qualquer partido, tudo precisa ser investigado e quem cometeu qualquer crime contra o erário precisa ser punido. O que estamos vivendo no Brasil deve servir de aprendizado e de mudança. Em relação ao PT, tenho problemas de relacionamento há algum tempo. Na minha campanha, não tive apoio de parte do partido, nem da presidente Dilma nem do Lula. Recentemente, apoiei o prefeito Roberto Cláudio, e meu partido se colocou contra. Tudo isso está sendo avaliado, mas minhas energias neste momento estão voltadas para governar o Estado. Claro que a política é importante, mas vou ainda fazer uma avaliação com aliados para ver como será 2018, que ainda está muito distante.

O senhor encerra o ano com dificuldades na base aliada. Houve rompimento com Domingos Filho, conselheiro do Tribunal de Contas, e com o deputado Sérgio Aguiar. Como está o relacionamento do senhor com esta base?

Aprendi que a política tem dois princípios, que são a gratidão e a lealdade. Quando você é aliado, não pode ser só da boca pra fora. Tem que ser nos momentos bons e nos ruins. Eu tenho muito respeito pelo Domingos Filho e acho que a esposa dele, Patrícia Aguiar, foi uma das melhores prefeitas do Ceará. Agora, eu faço parte de um projeto coletivo que tem trazido frutos e resultados para o Ceará. A partir do momento que projetos individuais superam os interesses coletivos, é preciso rever essa relação, e foi isso que aconteceu. Não era o momento para criar uma conturbação em uma situação difícil como essa que estamos vivendo, numa eleição da Assembleia. A saída do Domingos foi uma decisão que ele tomou. Consolidamos a nossa base, talvez até tenha um aumento de deputados. Nunca quis indisposição com o deputado Sérgio Aguiar, mas o que estava em jogo era o projeto para o Ceará. Não poderíamos criar um momento de instabilidade agora. Perdemos aliados, ganhamos outros. Nosso compromisso é trabalhar para melhorar a vida da população cearense.