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Tag: Camilo Santana


09:18 · 20.07.2018 / atualizado às 09:18 · 20.07.2018 por

Por Miguel Martins

Deputados federais e estaduais posam com o governador Camilo Santana e assessores, na residência oficial, onde aconteceu o jantar da última quarta-feira. Alguns deles exibem o envelope com os convites do jantar Foto: Assessoria do Governo

Os deputados estaduais e federais que jantaram quarta-feira com o governador Camilo Santana (PT) saíram da residência oficial, ao fim da refeição, cada um deles com um envelope com 10 convites, ao preço individual de R$ 1 mil, para venderem a seus amigos e correligionários que queiram participar do jantar com o governador, no dia 30 de julho. No dia anterior, os prefeitos que estiveram com Camilo à noite, em um hotel da Capital, também receberam envelopes semelhantes.

A ideia de vender convites para jantares, em véspera de eleição, como forma de arrecadar recursos para a campanha, foi lançada pelo ex-governador Cid Gomes (PDT), tanto para sua reeleição, quanto para a eleição do prefeito Roberto Cláudio (PDT), em Fortaleza. Ontem, reservadamente, alguns deputados falavam da dificuldade de venderem os convites para despesas de campanha do governador, quando estão precisando de recursos para as próprias campanhas.

Os encontros do governador Camilo Santana com prefeitos e deputados, nesta semana, serviram para estreitar ainda mais os laços do chefe do Poder Executivo com os seus correligionários, e mostrar aos adversários a dimensão da base que foi construída nos últimos anos. Na próxima semana, ele se reúne com vice-prefeitos, vereadores e outras lideranças municipais, representantes dos movimentos sociais e sindicais, para depois, no dia 30 de julho, lançar, oficialmente, sua pré-candidatura à reeleição.

Bancada federal

Na última quarta-feira, a conversa de Camilo com os deputados durou pouco mais de uma hora. Ao todo, estiveram presentes 36 deputados estaduais, além de dez federais, segundo a sua assessoria, pois o encontro foi reservado, diferente do dia anterior, com os prefeitos.

O presidente do Legislativo Estadual, Zezinho Albuquerque (PDT), discursou sobre o papel da Casa na aprovação de matérias de interesse do Governo, bem como a aliança entre o Legislativo e o Executivo no Estado. Já Cabo Sabino (Avante), representando a bancada federal cearense, lembrou dos recursos que os deputados federais conseguiram aprovar para o Ceará nos últimos anos e pediu que o governador lembrasse mais da atuação de seus pares durante suas aparições em público.

O secretário-chefe da Casa Civil, Nelson Martins, disse que as reuniões desta semana tiveram como objetivo realizar convite a todos para que estejam presentes no jantar do dia 30 de julho, e solicitar que os aliados se mobilizem a fim de atrair mais governistas para o último encontro antes da convenção dos partidos aliados, programada para o próximo dia 5 de agosto, o último dia do Calendário Eleitoral para a realização dos eventos que oficializarão todas as candidaturas no pleito deste ano.

O jantar tem como objetivo arrecadar recursos para a campanha de Camilo Santana. Na reunião, o chefe do Poder Executivo declarou que pretende lançar sua pré-candidatura oficialmente no dia 30. Foi a primeira vez que ele se apresentou, para os deputados, como pré-candidato à reeleição, como fizera, no dia anterior, diante dos prefeitos.

Blocos

Apesar de não estar na pauta oficial de discussão do encontro, o tema coligação proporcional foi um dos mais tratados, informalmente, entre os deputados presentes. Eles têm preocupação com as coligações, pois também delas dependem suas chances de retornarem ao Legislativo. O chefe da Casa Civil alertou, porém, que a possibilidade de um único grande bloco está praticamente descartada. Segundo ele, a tese mais possível é de existência de até dois grandes blocos e outros menores.

Outra especulação dos deputados era quanto à participação do MDB do senador Eunício Oliveira na coligação majoritária. A posição de Camilo Santana quanto ao assunto continua a mesma, a de tentar montar uma aliança que envolva todos, inclusive Eunício, presidente do Congresso Nacional. “Na reunião, ele agradeceu o apoio que o Eunício tem dado ao Ceará”, relatou o secretário Nelson Martins.

Nelson também destacou que todos esses movimentos realizados nesta semana pelo governador Camilo Santana foram combinados com o ex-governador Cid Gomes, envolvido na convenção de hoje, em Brasília, de oficialização da candidatura do irmão, Ciro Gomes, à Presidência da República. Além dessas duas atividades, com prefeitos e deputados, na próxima semana, o governador realizará outros três eventos, todos à noite. Um com ex-prefeitos e lideranças municipais, inclusive, Fortaleza, e outro com vereadores de todo o Estado. O terceiro evento será com representantes de movimentos sociais e sindicais, urbanos e rurais do Estado.

09:27 · 18.07.2018 / atualizado às 09:32 · 18.07.2018 por

Por Miguel Martins e William Santos

Camilo reuniu, ontem, 119 prefeitos, deputados e secretários em primeiro evento oficial de pré-campanha. Hoje, encontro é com deputados Foto: Kleber A. Gonçalves

O governador Camilo Santana (PT) disse ontem que terá até o dia 5 de agosto para dialogar com seus pares sobre as alianças a serem consolidadas, em especial aquela com o presidente do Congresso Nacional, o senador Eunício Oliveira, do MDB. Já o ex-governador Cid Gomes, líder do grupo político do qual o petista é membro, afirmou ao Diário do Nordeste, também ontem, que a condição para que ele se engaje na campanha de Camilo é que não haja aliança formal com o MDB no Ceará.

O governador e a cúpula da base realizaram ontem reunião com prefeitos e, hoje, têm encontro com deputados estaduais e deputados federais governistas, oficialmente para tratarem da promoção de eventos visando arrecadar recursos para a campanha no Estado. Aliado do presidenciável Ciro Gomes (PDT), Camilo não deve comparecer à convenção que homologará a candidatura do pedetista nesta sexta-feira (20), segundo afirmou Cid Gomes, “para evitar constrangimentos” com o PT, visto que a legenda tem pré-candidatura própria ao Palácio do Planalto.

De acordo com o Governo do Estado, estiveram presentes no encontro realizado, na noite de ontem, em um hotel na Praia de Iracema, 119 prefeitos, além de deputados estaduais, secretários e outros apoiadores do governador. Em discurso, Camilo disse que anunciava ali, pela primeira vez, publicamente, que é pré-candidato à reeleição. Ele também destacou ações do Governo e pediu apoio dos gestores, anunciando que fará um jantar-palestra de adesão no dia 30, em local ainda a ser definido.

Mais cedo, em entrevista coletiva antes da reunião do Monitoramento das Ações e Projetos Prioritários (MAPP), o governador afirmou que manterá a agenda interna como chefe do Executivo, respeitando as determinações legais de não participação em inaugurações e solenidades públicas. Salientou, ainda, que desde a semana passada intensificou as atividades com vistas às eleições gerais deste ano.

Questionado sobre eventual apoio formal a Eunício e possibilidade de coligação com o MDB, o petista desconversou, afirmando apenas que o prazo para definições é 5 de agosto, limite para a realização das convenções. “A nossa convenção está agendada para o dia 5 de agosto e meu compromisso era, após início do prazo legal de preparação das convenções, iniciar as tratativas com os partidos”, disse. “Não tenho dúvidas que com muito diálogo vamos procurar caminhos necessários para essa aliança”.

Sobre diálogo com seus líderes políticos, Ciro e Cid Gomes, o governador afirmou que sempre tem dialogado com os dois e com o próprio partido, o PT. “Esse é o meu estilo”, frisou.

Arrecadação

Ao Diário do Nordeste, na manhã de ontem, o ex-governador Cid Gomes foi taxativo ao afirmar que existe uma “pré-condição” para que ele se engaje na campanha de Camilo com Eunício Oliveira como candidato à reeleição ao Senado. “Que não haja aliança formal com o MDB. Não pode se coligar. Essa é a condição. Não podemos nos aliar ao MDB”. De acordo com Cid, a decisão é do PDT nacional, “e não vai ser o Ceará, que tem o nome à disputa presidencial, que vai ser contra isso”.

“Eu defendo que tenhamos um só candidato (ao Senado) na nossa chapa formal”, afirmou o ex-governador, indo de encontro ao que disse, recentemente, o irmão, Ciro Gomes, que em evento do PDT na Capital defendeu o nome do deputado André Figueiredo para a segunda vaga ao Senado. Ao tratar de financiamento, Cid ressaltou que Ciro já iniciou a arrecadação virtual, mas ainda de forma modesta. Ele salientou que recomendará a Camilo que inicie a arrecadação virtual para a campanha.

23:51 · 17.07.2018 / atualizado às 23:51 · 17.07.2018 por
Evento foi realizado na noite de terça (17) em um hotel na Praia de Iracema Foto: Kleber A. Gonçalves

No primeiro ato oficial de pré-campanha pela reeleição, o governador Camilo Santana (PT) reuniu, na noite desta terça-feira (17), 119 prefeitos em evento realizado no Hotel Praia Centro, na Praia de Iracema, em uma demonstração de proximidade com os gestores municipais que o apoiam no pleito deste ano. Camilo disse que, pela primeira vez, estava colocando publicamente o próprio nome como pré-candidato à reeleição e anunciou que realizará um jantar-palestra de adesão no próximo dia 30, em Fortaleza, para arrecadar recursos para a campanha. Nesta quarta-feira (18), o governador faz reunião semelhante com deputados federais e estaduais da base governista.

Dentre os prefeitos, estiveram presentes os gestores dos dois maiores colégios eleitorais do Estado – o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e o prefeito de Caucaia, Naumi Amorim – e o presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), o prefeito de São Benedito, Gadyel Gonçalves. Além destes, o evento reuniu os deputados estaduais Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa, Osmar Baquit, Manoel Duca, Sérgio Aguiar, Bruno Pedrosa e Tin Gomes e os secretários estaduais Nelson Martins (Casa Civil) e Francisco de Assis Diniz (Desenvolvimento Agrário).

Em discurso, Camilo Santana fez questão de cumprimentar nominalmente todos os prefeitos presentes e foi bastante aplaudido ao dizer que, pela primeira vez, colocava-se, publicamente, como pré-candidato à reeleição. “É um evento reservado, mas é um momento em que eu me pronuncio para vocês para dizer da nossa caminhada daqui para a frente. Eu acredito que é importante a gente dar continuidade a esse projeto que o Ceará vem construindo, e vocês sabem que sou uma pessoa que, além de diálogo, de parceria que a gente tem feito com os municípios, sou uma pessoa que gosta de honrar os compromissos”, pregou.

O governador também informou que a convenção partidária que oficializará a candidatura deve acontecer no dia 5 de agosto. Até lá, ele disse que está montando “toda a estrutura da coordenação da campanha”. “E (quero) dizer que dia 30 nós vamos fazer um jantar e queria convidar todos vocês para esse jantar, queria contar com o apoio de vocês nesse momento. É o início da nossa caminhada, preciso de vocês e quero contar com vocês, quero ajuda de vocês para isso”, pediu.

Críticas

Já Roberto Cláudio, em discurso, destacou ações do Governo do Estado e defendeu que, na campanha, o melhor remédio para críticas “desonestas e irresponsáveis” a serem enfrentadas pelo governador será “falar a verdade”. “Por mais dura, por mais safada, por mais descomprometida que seja a mentira, e nesse momento a expectativa que a gente tem é que vai restar ao outro lado esse tipo de ação, a nossa tarefa é contra-argumentar com os fatos”, sustentou.

O prefeito também deu ênfase a políticas de Segurança Pública da gestão estadual e reconheceu que o Ceará tem problemas na área, assim como todas as unidades da Federação, ao rebater críticas que têm sido feitas pela oposição. “Contra argumentos, o que fica é uma crítica vazia, árida, de algum apelo para um e para outro. Às vezes, aqui e acolá, bate na mesa, fala mais grosso, escolhe uma patente até para poder falar em nome do sofrimento do povo, mas violência, nesse País e em qualquer lugar do mundo, não se resolveu com discurso, muito menos fácil, raso e apelativo. Se resolve com transparência, com seriedade, com investimento sério em repressão e investimento ainda mais importante em prevenção, que é o que o Governo do Estado tem feito ao longo desses anos”.

 

09:08 · 28.06.2018 / atualizado às 09:08 · 28.06.2018 por

Por Letícia Lima

O deputado Heitor Férrer (SD) cobrou, da tribuna da Assembleia Legislativa, ontem, promessas feitas pelo governador Camilo Santana (PT), na campanha de 2014, que ainda não teriam sido cumpridas pelo chefe do Executivo Estadual. Ele citou, principalmente, o prometido para a área da Saúde. Parlamentares aliados, contestando, atribuíram ao Governo Federal a culpa pelo atraso de algumas obras.

Heitor citou a abertura de seis policlínicas em Fortaleza, a construção de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) em todas as cidades do Estado com mais de 50 mil habitantes, além da proposta de inaugurar um hospital na Região Metropolitana de Fortaleza e outro no Vale do Jaguaribe. “Cadê esses hospitais regionais? Tem, pelo menos, um primeiro tijolo?”, questionou.

O deputado Sérgio Aguiar (PDT), no entanto, defendeu o esforço do Governo do Estado em investir na área da Saúde. “No Litoral Norte, as UPAs têm funcionado, adequadamente, dentro daquele compromisso estabelecido pelo governador, e tenho visto isso em muitos outros atendimentos realizados em policlínicas, tendo em vista consultas especializadas e exames especializados. São 21 (UPAs) que têm procurado produzir isso, então, a nível de saúde, o governador está tentando fazer de tudo para ajudar a sociedade”, disse.

Férrer lembrou, ainda, de outras propostas feitas na campanha de 2014 pelo então candidato Camilo Santana, como a realização de parceria com a iniciativa privada para oferecer estágio profissional remunerado aos alunos do último semestre das faculdades estaduais.

O deputado Manoel Santana (PT), em seu discurso, destacou que mil obras estão em andamento no Estado e que o atraso na conclusão de parte delas é culpa do Governo “golpista” do presidente Michel Temer (MDB). Principalmente, segundo ele, após a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que congelou os gastos públicos pelos próximos 20 anos.

“A derrubada do governo Dilma teve influência direta em muitos dos projetos que estavam em andamento no nosso Estado”, enfatizou o petista.

09:07 · 14.06.2018 / atualizado às 09:07 · 14.06.2018 por

Por Renato Sousa e Letícia Lima

Acrísio Sena, presidente municipal do PT, diz que é falsa a polêmica sobre a participação de Ciro, candidato do PDT, no palanque de Camilo Foto: José Leomar

O vereador Acrísio Sena (PT), presidente do partido na Capital, disse ontem, na Câmara Municipal de Fortaleza, que é uma falsa polêmica o debate sobre o governador Camilo Santana (PT) ter em seu palanque o ex-governador e presidenciável Ciro Gomes (PDT) enquanto seu partido tem seu próprio postulante ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula da Silva, que cumpre mais de 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Se temos dois candidatos a presidente que estão muito bem avaliados no Estado do Ceará, qual a dificuldade de trabalhar esses palanques em comum acordo? Nenhum, exceto na cabeça de certos dirigentes partidários”, declarou, sem citar nomes. De acordo com o vereador, a postura encontra apoio amplo dentro de sua agremiação. O petista afirmou que tanto Lula quanto Ciro fazem parte do mesmo campo político, e suas candidaturas com certeza estarão lado a lado no segundo turno da eleição.

Reeleição

Para Acrísio, o governador deve ser parabenizado por ter conseguido agregar um arco de mais de 20 legendas em torno da sua campanha de reeleição. Entretanto, com uma coligação tão extensa, é preciso ter flexibilidade. “Como vamos, com o arco de aliança que temos, permitir que qualquer partido – seja o meu PT, seja o PDT – queira palanque exclusivo”?, questionou. Para ele, a sigla não pode desenhar estratégia eleitoral que se torne uma “camisa de força” para governadores que buscam a reeleição, em especial os do Nordeste – na Região, além do Ceará, o PT governa Bahia e Piauí.

De acordo com Acrísio, é digna de celebração a quantidade de candidaturas à esquerda. “Quanto mais palanques nesse campo democrático-popular, de defesa da democracia, antagônico do projeto dilapidador neoliberal, mais nós vamos comemorar”, enfatizou.

Apesar disso, em entrevista, o parlamentar afirmou, como já havia feito na tribuna anteriormente, que a esquerda e a centro-esquerda deveriam lançar uma candidatura única, declarando ainda que, até a formalização das candidaturas, ainda há “muito chão para ser percorrido”.

Na opinião do vereador, entretanto, caso seu desejo não se concretize, será preciso “maturidade e grandeza para entender essa conformação regional que foi construída pelo governador”. Para ele, Camilo é beneficiado pelos diversos palanques. “Seria o sonho de consumo de muitos governadores ter palanques presidenciáveis fortes em seus Estados como tem o governador Camilo Santana”, disse.

Nome forte

Na avaliação do petista, os partidos aliados que lançarem candidatos a presidente devem ter a liberdade para, em seus materiais, associarem a imagem de Camilo a de seus postulantes ao Planalto. Na avaliação de Acrísio, isso não fragmentaria o voto presidencial no Ceará. O vereador afirma que são os adversários do PT que estão tendo problemas com palanques, por não conseguirem apresentar um nome forte para a disputa eleitoral.

“A gente vê a dificuldade para eles definirem uma candidatura entre (o deputado federal Jair) Bolsonaro (PSL) e (o ex-governador de São Paulo Geraldo) Alckmin (PSDB). A situação é muito mais tranquila no lado da centro-esquerda”, avaliou o petista, um dos mais próximos a Camilo.

Ontem, na Assembleia, o deputado Moisés Braz, no exercício da presidência do diretório estadual do PT, questionou a manchete da matéria do Diário do Nordeste, que dizia: “Governador tem apoio para votar no nome do PDT”. Segundo o deputado, “embora fiel ao que mencionei na entrevista, o texto da matéria não condiz com o título e a matéria sugerem”.

A entrevista com o deputado foi sobre a decisão da direção nacional da sua agremiação de não permitir coligação, nos Estados, com partidos que tenham candidato a presidente, como é o caso do PDT cearense, principal aliado do governador. Moisés garantiu que Camilo terá legenda, pois sua postulação a um segundo mandato é prioridade do partido no Ceará.

Ontem, o jornal Estado de S. Paulo, na mesma linha, publicava matéria sobre a posição do governador da Bahia, Rui Costa, se negando a fazer coligação com o PSB que quer indicar um candidato a senador na sua chapa; no caso, a senadora Lídice da Mata, interessada em continuar como senadora.

Agradar

Na mesma sessão de ontem da Assembleia, o deputado Roberto Mesquita (PROS) criticou a reunião de vários partidos – cerca de 24 –, com ideologias diferentes, na base de sustentação do Governo Camilo Santana. “Não tem coragem de dizer que é do PT, que é vermelho, não tem coragem de dizer que é bico grande, que é tucano, e, ao mesmo tempo, quer agradar a Deus e ao diabo”, afirmou.

Mesquita criticou, ainda, a mudança de “lado” de partidos que outrora estavam na oposição e, agora, são aliados do governo estadual. “Se o senhor (Camilo Santana) saísse do Governo, hoje, o senhor não tinha um deputado para lhe defender”, disse, referindo-se à fragilidade das adesões com interesses apenas em benefícios do Governo.

09:10 · 13.06.2018 / atualizado às 09:10 · 13.06.2018 por

Por Miguel Martins

Deputado Moisés Braz ocupa, interinamente, a presidência estadual do PT. Ele garante legenda a Camilo mesmo apoiando Ciro Foto: Saulo Roberto

O governador Camilo Santana não terá dificuldade para realizar o registro de sua candidatura à reeleição, ainda que apoie o nome do pré-candidato à Presidência da República do PDT, Ciro Gomes. A afirmação é do presidente em exercício do Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado estadual Moisés Braz. Ele, porém, defende que o PT lance um candidato a presidente de seu próprio quadro de filiados, caso o ex-presidente Lula seja impedido pela Justiça Eleitoral.

O presidente do Poder Legislativo, Zezinho Albuquerque (PDT), por outro lado, afirmou ao Diário do Nordeste que Camilo Santana tem compromisso com Ciro e Cid Gomes, visto que eles foram responsáveis por sua eleição, em 2014, enquanto os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff não estiveram aqui, na campanha, apoiando o governador eleito e nem foram à TV pedir votos para Camilo. No pleito daquele ano, tanto Camilo quanto seu adversário, Eunício Oliveira (MDB), eram aliados do Governo petista.

O presidente do PT cearense disse que o seu partido já definiu como prioritária a reeleição do governador Camilo Santana. De acordo com Moisés Braz, a ausência de Camilo em evento de lançamento de pré-candidatura de Lula gerou algum mal estar no partido, mas ele ressaltou que alguns deputados federais cearenses também não estiveram lá. “A presença dele, claro que seria importante, mas não compromete em nada nossa posição quanto à sua reeleição ao Governo do Ceará. Isso não está em debate”, disse.

Segundo o petista, o posicionamento de apoio de Camilo a Ciro ainda não ficou claro, e o que o governador defendeu em reunião da legenda foi apoio a um nome do “campo progressista”, caso Lula seja impedido de concorrer ao pleito deste ano. Dos nomes deste campo, o chefe do Executivo estadual defende apoio ao postulante pedetista, já no primeiro turno da campanha. “O Lula sendo candidato, o palanque do Camilo, do PT, será do Lula. O governador não terá nenhum risco de não ter legenda para sua reeleição. Não existe essa história. Ele terá legenda, porque é o nosso candidato à reeleição”, defendeu.

Servia

Presidente do Poder Legislativo Estadual, o deputado Zezinho Albuquerque destacou que o governador Camilo “tem gratidão” a Ciro e Cid Gomes, e que por isso tende a apoiar o nome de Ciro Gomes. “Nem Lula e nem Dilma estiveram aqui apoiar o Camilo. E eles sabem que a política também se faz com gratidão. Ele é muito grato com quem esteve com ele o tempo todo. Ele está lá como governador, hoje, porque teve o apoio de Cid e Ciro”, afirmou Zezinho.

O pedetista ressaltou ainda que Lula não pode ser candidato e defendeu que a legislação eleitoral seja seguida. “Segundo as leis, ele não pode ser candidato. Se o Lula não é candidato, o PT tem direito de lançar outro candidato, mas o governador Camilo está trabalhando na linha de ter Ciro como presidente e (Fernando) Haddad como vice. (O PT) está apostando em uma coisa que não é possível, já que ele (Lula) foi condenado e não pode ser candidato. Por que ele pode e outros que estavam impedidos no passado não puderam? Para aqueles (a Lei) servia e para o Lula não serve? A Justiça é para todos”, enfatizou.

Apesar de alguns petistas terem dito que Camilo votaria em Lula, o deputado Manoel Santana (PT) afirma que a tendência é que o governador vote em Ciro Gomes. Elmano de Freitas (PT) disse que o partido terá que “dialogar bastante”, e lembrou que o partido definiu que Camilo é candidato do partido à reeleição com candidatura vinculada a uma eventual postulação de Lula. Segundo ele, porém, não seria interessante para o “campo progressista” um atrito com o PDT, aliado do Partido dos Trabalhadores no Ceará há mais de uma década.

09:09 · 12.06.2018 / atualizado às 09:09 · 12.06.2018 por

Por Miguel Martins

Deputado André Figueiredo, presidente estadual do PDT, evita fazer comentários sobre a posição do PT em relação à disputa presidencial Foto: Cid Barbosa

A direção nacional do PT quer que os diretórios estaduais da agremiação só façam coligação, preferencialmente, com o PSB, o PCdoB e partidos que apoiem a pretensa candidatura de Lula à Presidência da República. A decisão foi tomada no último sábado (9), após a festa de lançamento da pré-candidatura do petista, em Minas Gerais, na sexta-feira (8). O governador Camilo Santana, porém, não foi para aquele evento, e membros do PDT no Ceará não têm dúvidas sobre o apoio do petista a Ciro Gomes, no pleito deste ano.

Pedetistas, contudo, avaliam com cautela a não ida do chefe do Executivo ao evento de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula. Segundo informaram ao Diário do Nordeste, por defenderem uma união do que se convencionou chamar de centro-esquerda, eles preferem evitar qualquer atrito com os membros do Partido dos Trabalhadores (PT). Os petistas, por outro lado, afirmam que Camilo ficará com Lula.

Presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Ceará, o deputado federal André Figueiredo destacou que a não participação de Camilo no evento de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula foi uma decisão pessoal, visto que o governador preferiu participar de eventos de inaugurações de obras do seu Governo e da Prefeitura de Fortaleza.

Preferência

De acordo com o pedetista, já há algum tempo o chefe do Poder Executivo estadual tem dado demonstração de que tende a apoiar Ciro Gomes (PDT) na disputa presidencial deste ano, representando, inclusive, o que defende parte do Partido dos Trabalhadores (PT), ainda que esta parte seja minoritária.

Segundo ele, não cabe à legenda pedetista interferir nas discussões intrapartidárias de outra legenda, mas o dirigente ressalta que o PDT continuará defendendo a gestão de Camilo. “O PDT sabe muito bem dos posicionamentos dele, mas a posição que ele defende é minoritária, apesar de que quase todos os governadores, da Bahia, do Piauí e do Ceará, sejam iguais. Então, lamentamos que o PT não esteja conosco no primeiro turno”.

Para ele, porém, no segundo turno as duas legendas tendem a estar juntas e, caso Ciro Gomes siga para a disputa no segundo momento, todas as forças do campo de esquerda poderão estar unidas.

De acordo com o deputado Sérgio Aguiar (PDT), o governador Camilo Santana, sendo um dos quadros mais expressivos do PT no momento, tem um peso diante de suas decisões. “Essa defesa dele do nome de Ciro como a melhor alternativa para representar a centro-esquerda faz parte de um grande projeto nacional para que o País não corra o risco de presenciar uma reedição do Collor configurada”.

O petista Manoel Santana afirma que o governador Camilo Santana estará apoiando a pré-candidatura de Lula até o momento em que ele for candidato. Não sendo o ex-presidente o postulante do PT, Camilo já demonstrou sua preferência, que é a pré-candidatura do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes. Os petistas cearenses dizem acreditar que Lula será candidato.

09:44 · 09.06.2018 / atualizado às 09:44 · 09.06.2018 por

Por Edison Silva

Fac-símile da matéria de fevereiro deste ano tratando do palanque único, no Ceará, para o candidato a presidente da República apoiado pelo governador

O governador Camilo Santana (PT) não participou do evento mais importante para dirigentes do seu partido, ontem, em Contagem, no Interior de Minas Gerais, no caso, o “ato nacional de lançamento da pré-candidatura de Lula a presidente do Brasil”.

E não poderia estar lá por razões diversas, inclusive aquelas que encerram o pragmatismo. Camilo defende a candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República desde quando foi prestigiar a filiação dele ao PDT (em setembro de 2015), para ser o nome desta agremiação na disputa presidencial. Estivesse ontem em Minas, diferentemente dos outros eventos com Lula no centro deles, Camilo estaria com o seu comportamento político comprometido.

Todos os petistas cearenses sabem da relação do governador com os irmãos Cid e Ciro Gomes, os principais patrocinadores da sua candidatura, da eleição e da sua pretensão de continuar no cargo. A maioria petista faz objeção a essa ligação deles, embora só uns poucos a tornem explícita, mesmo sabendo que, sem esse vínculo, o PT, muito dificilmente, teria um dos seus chefiando o Poder Executivo estadual.

A ausência de Camilo no evento de ontem, significativo para o projeto da direção nacional do PT de manter alimentada a possibilidade de Lula ser candidato, cala o discurso falso de alguns cearenses de que o governador apoiará Lula.

Postulação

Na política, sempre se disse não haver o impossível. No Brasil de hoje, porém, como as coisas têm acontecido, mesmo existindo a Lei da Ficha Limpa, impeditiva de candidaturas de condenados em ações penais confirmadas em segundo grau, situação atual de Lula, daí estar há dois meses cumprindo pena, o ex-presidente, mesmo sendo impossível, pode até ser candidato a governar novamente o País.

A probabilidade, no entanto, é de que não tenha sua postulação registrada no Tribunal Superior Eleitoral. Mas, admitindo-se, para efeito de argumentação, que ele seja candidato, legalmente Camilo não estaria obrigado a tê-lo como seu candidato.

A Constituição brasileira, no § 1º do seu Art. 17, não mais impõe aos núcleos estaduais dos partidos a seguir decisões sobre coligações e candidaturas, quando assegura aos partidos autonomia “… e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital e municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas e disciplina de fidelidade partidária”.

A fidelidade é questão a ser discutida, internamente, após a eleição, se assim entender o partido, mas seus efeitos são eminentemente internos. No curso propriamente da disputa, o partido praticamente nada poderá fazer com o seu filiado.

Camilo, apesar das restrições de alguns petistas, tem votos suficientes no diretório estadual do PT para fazer a coligação com o PDT. E os integrantes deste, pela liderança reconhecida no Estado, têm como garantir a unicidade do palanque de Camilo, e os espaços da propaganda eleitoral da coligação para Ciro Gomes, tema aqui já abordado.

Integração

Evidente que essa situação não constrangerá o governador, mas confortável mesmo ele ficaria se acatada fosse a sua solução para o provável impedimento da candidatura de Lula, uma aliança do PDT com o PT, indicando para ser vice, na chapa de Ciro, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

A prioridade do palanque de Camilo, para Ciro Gomes, já produziu o seu primeiro efeito, no caso da não integração do senador Eunício Oliveira (MDB) à chapa majoritária governista, embora todos os passos tenham sido dados, ultimamente, nesse sentido.

A proximidade do período das convenções partidárias (de 20 de julho a 5 de agosto) deve ter motivado o ex-governador Cid Gomes a pôr um fim às especulações sobre a aliança local com o MDB, alegando a sua impossibilidade em razão do posicionamento do seu irmão, candidato a presidente, contra esta agremiação.

No sábado anterior, quando tratamos das ações de Cid nos entendimentos nacionais sobre a candidatura de Ciro, anunciamos o que foi confirmado pelo próprio Cid, de a coligação governista ter apenas um nome para disputar vaga no Senado Federal (neste ano serão eleitos dois senadores).

Foi dito que esse posicionamento permitiria ao governador ter liberdade para votar no senador Eunício Oliveira, candidato à reeleição. O anunciado surpreendeu o universo da política cearense mais ainda quando Cid confirmou, sem, contudo, deixar transparecer que o PDT poderia seguir o caminho de Camilo, votando no senador.

Intensa

Os interesses administrativos de um lado (Camilo e Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza), aliados ao político, do outro (Eunício ser reeleito), motivaram a reaproximação, após aproximadamente três anos de intensa oposição feita pelo senador, ex-integrante da mesma aliança governista, pela qual foi eleito em 2010 com o senador José Pimentel (PT), tendo Cid como o candidato a governador, também eleito naquele pleito.

Eunício ajudou realmente o governador e o prefeito a deslancharem alguns projetos dependentes de recursos federais ou contratação de empréstimos externos, trancados pelo Governo Temer, um dos alvos de críticas dos irmãos Ferreira Gomes.

Ciro e Cid aprovaram a aproximação, ressalvando a questão das administrações, sem, contudo, admitirem sua extensão para o campo político-eleitoral, alegando sempre a proximidade das trocas de acusações e insultos entre eles e o senador, sendo Ciro o mais contundente. Eunício conversou com Cid, como aqui registramos, mas não foram além de “zerar” tudo que motivou a intriga entre eles. Com Ciro, o senador não teve encontro, e ainda não há abertura para tanto.

O fosso entre o candidato do PDT e o MDB só aumenta, dificultando mais ainda qualquer mudança do quadro atual. O discurso de Ciro contra o partido de Eunício é virulento, deixando as portas do diálogo cerradas, consequentemente sem abertura até para entendimentos para um segundo turno da disputa.

Arrepio

O acordo entre Domingos Filho, ex-vice-governador do Estado, e Cid Gomes foi selado. As partes, contudo, fazem reservas quanto aos seus termos, até pelo fato de ele ter motivado um certo arrepio no meio político, em razão dos efeitos que o rompimento entre eles, no fim de 2016, provocou no meio político e no administrativo com a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios, no ano passado, à época presidido por Domingos Filho.

Domingos quer conquistar um mandato no Legislativo, embora sua pretensão, enquanto durou sua permanência na oposição, fosse de disputar um cargo majoritário.

Ele tem um filho, deputado federal Domingos Neto, candidato à reeleição, e a mulher, ex-prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar, com pretensões de ser deputada estadual. Por conta da volta ao grupo governista, uma reengenharia está sendo estudada, podendo Patrícia sair da disputa para ajudar a eleger uma pessoa de Cid, e Domingos ir para federal com o filho.

07:19 · 08.06.2018 / atualizado às 07:19 · 08.06.2018 por

Por Miguel Martins

Em entrevista recente ao jornal O Estado de S. Paulo, Camilo Santana defendeu que, se Lula não puder ser candidato, o PT apoie Ciro Gomes Foto: Saulo Roberto

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), não deve comparecer à solenidade de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, hoje, em Minas Gerais. De acordo com a agenda divulgada pela assessoria de imprensa do chefe do Poder Executivo, nesta sexta-feira ele participará de assinatura de ordens de serviços no Interior e na Capital. Alguns petistas tinham anunciado que ele iria ao evento da legenda.

O PT realiza hoje, em Contagem, Minas Gerais, o lançamento da pré-candidatura de Lula, preso há dois meses, após ter sido condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. No Ceará, enquanto petistas defendem que o presidenciável se mantenha como o nome da sigla para a disputa, o ex-governador Cid Gomes, um dos principais líderes do grupo governista no Estado, acredita que Lula não terá registro de candidatura deferido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas deve apoiar outro nome da própria legenda para a disputa deste ano.

Uma das dúvidas entre petistas do Estado, ontem, dizia respeito à presença ou não do governador Camilo Santana no evento de hoje. A assessoria local do partido chegou a confirmar que o petista estaria no encontro, mas a executiva nacional, no fim da tarde, disse que Camilo não havia confirmado a ida, apesar do convite feito.

A assessoria do PT no Ceará afirmou ainda que o senador José Pimentel e os deputados federais cearenses do partido, Luizianne Lins, José Guimarães e José Airton Cirilo, devem participar do lançamento da pré-candidatura do ex-presidente. Já os deputados estaduais Elmano de Freitas, Manoel Santana e Dedé Teixeira informaram que não poderão comparecer ao ato. De acordo com a assessoria de comunicação do governador, às 9h, ele deve participar de eventos em Crateús e, à tarde, a partir das 14h, estará no Terminal de Messejana, em Fortaleza. Às 18h, participa de entrega de uma Areninha em Russas.

Preocupação

Há uma preocupação na base governista de Camilo em relação aos palanques presidenciais no Ceará, uma vez que o governador, filiado ao PT, tem no seu arco de aliança diversas legendas que também apresentaram pré-candidatos ao pleito deste ano, em âmbito nacional. A sigla petista, no entanto, só deve discutir questões referentes à eleição no Estado durante o Encontro de Táticas Eleitorais, que foi adiado para julho.

O ex-governador Cid Gomes, uma das principais lideranças do PDT cearense e articulador da pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT), disse ao Diário do Nordeste não acreditar que Lula conseguirá ser candidato, mas que a sigla petista terá candidatura. No entanto, no Ceará, ele destacou que a eleição se configurará em função da realidade local.

“A base do Ciro no Ceará está apoiando o Camilo. A base do PT, que deve ter um candidato, também apoia o Camilo, assim como a base do PCdoB, que tem a Manuela como pré-candidata, e até o PODEMOS, o PRB. O PR, por exemplo, está indicando o Josué Alencar. A eleição no Ceará vai se configurar em função da realidade local”, disse.

Para Cid Gomes, Lula está incluído no que a Lei da Ficha Limpa impõe sobre condenação em segunda instância, e seria pouco provável sua candidatura ser aceita pelo TSE. O ex-governador acredita que ao menos cinco candidaturas à Presidência devem ser oficializadas neste ano. “O Lula não vai conseguir ser candidato, mas imagino que o PT tenha uma candidatura”.

O chefe da Casa Civil, Nelson Martins, acredita que “dá para administrar essa questão da candidatura do Ciro Gomes e de uma possível candidatura do PT ao Planalto”. Segundo ele, porém, é preciso aguardar mais para ter uma ideia sobre Lula ser candidato ou não. “O governador Camilo tem dito que, em uma situação definitiva em que o Lula não possa ser o candidato, que se procure juntar os partidos de esquerda num bloco só. Se o Lula não for, temos que fazer um acordo, se possível, para ter um candidato só”, defendeu.

Estratégica única

Já o deputado Elmano de Freitas (PT) disse que o partido tem uma única estratégia, que é a de “lutar pela liberdade do Lula e registrá-lo como nosso candidato a presidente, estando preso ou solto”. Dedé Teixeira (PT) corroborou com o colega e disse que a Justiça tentará inviabilizar a candidatura do líder político. “Essa é uma decisão política importante. Esse é um processo de dois turnos, e neste momento o Lula é elegível”.

Ele ressaltou ainda que o PT do Ceará estaria unido em defesa da candidatura de Lula, ainda que o governador do Estado, que é filiado ao partido, já tenha defendido o nome de Ciro encabeçando o processo pela esquerda. A partir do lançamento da pré-candidatura de Lula, hoje, em Minas Gerais, outros eventos devem ser realizados em todo o País com vistas a fortalecer o nome do petista. Para o deputado Manoel Santana (PT), além da candidatura de Lula, o grêmio precisa apresentar à população um programa de governo.

08:56 · 05.06.2018 / atualizado às 08:56 · 05.06.2018 por

Por Miguel Martins

Governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira, ontem, no Centro de Eventos, em Fortaleza, tentaram minimizar a entrevista de Cid Foto: José Leomar

As declarações do ex-governador Cid Gomes ao Diário do Nordeste, desautorizando uma coligação do seu grupo político com o MDB do senador Eunício Oliveira, estiveram no centro das discussões políticas de ontem. O governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira não quiseram fazer comentários. Para o primeiro, as negociações sobre alianças só ficarão encerradas em julho, quando das convenções partidárias. Eunício disse que não falava sobre especulações, minimizando a questão.

Cid, na entrevista concedida à jornalista Letícia Lima, da equipe de Política deste jornal, pela primeira vez admitiu que só disputaria mandato nas eleições deste ano se fosse de senador, e que a coligação do governador Camilo Santana só deveria ter um candidato ao Senado, portanto, sem coligação com o MDB de Eunício, candidato à reeleição, para evitar prejuízos à candidatura a presidente de Ciro Gomes, um dos mais críticos ao comportamento do MDB e de alguns dos seus integrantes.

Na manhã de ontem, durante a abertura do Seminário “Prefeitos Ceará 2018: Governança e Transparência”, o governador Camilo Santana e o presidente do Congresso Nacional tentaram evitar comentar as declarações de Cid. Enquanto o chefe do Executivo disse que Cid terá importância no processo de discussão de aliança, o senador Eunício Oliveira pareceu mais preocupado com o que declarou o ex-governador no domingo passado, durante missa em celebração aos 50 anos do governador Camilo Santana.

Surpreendido

Para o governador, atualmente cada partido está iniciando suas discussões internas, discutindo coligações, o que só deve ser consolidado no prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “As alianças serão avaliadas nos prazos eleitorais”, repetiu diversas vezes o petista, quando questionado sobre a fala do seu antecessor e correligionário. Ele aproveitou para tecer mais elogios a Eunício Oliveira, afirmando que o senador tem sido “um grande parceiro”, abrindo as portas de seu gabinete em Brasília para o Estado e todos os municípios cearenses.

Já Eunício Oliveira duvidou das declarações de Cid Gomes, até porque tais falas do ex-governador vão de encontro, segundo ele, a diálogo que teria ocorrido entre as duas lideranças políticas anteriormente. “Não vi nenhuma declaração nesse sentido. Não preciso tecer comentário sobre qualquer especulação que as pessoas querem fazer”.

E prosseguiu: “Hoje (segunda-feira), pela manhã, eu fui surpreendido com vários jornais do Sul que implantaram informações dizendo que fomos até proibidos de sentar no mesmo banco (no aniversário de Camilo Santana, no domingo passado). Nem eram bancos, eram cadeiras”.

O senador, realmente, não viu e nem ouviu quando Cid deu a entrevista. Os dois estavam no mesmo ambiente, mas distantes um do outro. Sequer trocaram cumprimentos, e saíram da cerimônia por caminhos diferentes.

Eunício, como se combinado com Camilo Santana, repetiu a frase do governador, dizendo que é preciso aguardar as convenções. “É preciso que a gente tenha paciência e aguarde os acontecimentos. Essa aliança, do ponto de vista da forma, das lideranças, vai ser construída até dia 5 de agosto”, apontou.

Absorver

“Estamos conversando sobre isso. As coligações serão feitas dentro dos interesses partidários, isso é mais que natural. Mas é preciso ter paciência, é preciso que a gente pense antes de falar. Não podemos absorver aquilo que os outros querem que a gente absorva”, disparou. Presidente em exercício do MDB no Ceará, Gaudêncio Lucena se limitou a dizer que desconhece as declarações de Cid Gomes, ressaltando ainda que ouviu do ex-governador que ele seria grato caso Eunício votasse em Ciro Gomes para presidente.

O chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Nelson Martins (PT), defendeu que se amplie uma aliança em torno do nome do governador Camilo, possivelmente, inclusive, com a participação do MDB e do senador Eunício Oliveira no processo.

“Não há contradição em se ter o MDB na aliança. Já ouvi o Eunício dizendo que aceita apoiar o Ciro, se o Lula não for candidato. Temos que trabalhar na aliança do governador de forma ampla, inclusive, envolvendo o MDB”, disse. Questionado se o PT já aceita tal ideia, o secretário afirmou apenas que isso deve ser discutido e aprofundado na sua própria sigla.

Votaria

Até o deputado comunista Chico Lopes, que por diversas vezes criticou o MDB, disse que o desejo do ex-governador Cid Gomes em não querer coligação é um pensamento pessoal, mas que não reflete o anseio da maioria dos aliados. Lopes é defensor de aliança com a sigla emedebista, inclusive, afirmando que votaria em Eunício Oliveira.

“O MDB teve papel importante durante a ditadura, eles têm a maneira deles de visualizar as coisas. Mas isso não significa que queremos cada um para o seu lado, porque quem perde é o País. Podemos discutir o apoio ao Eunício, porque tudo na política se discute”, disse ele com relação ao posicionamento do seu partido, o PCdoB, apesar da questão nacional, em que o presidente Temer é criticado por ele.

O presidente do PDT no Ceará, deputado federal André Figueiredo, afirmou que tudo ainda está meio confuso, e que definida mesmo só há a candidatura do governador Camilo Santana à reeleição e de Ciro Gomes no plano nacional. O deputado Osmar Baquit (PDT), por sua vez, afirmou que, nas falas de Cid Gomes, ele não disse que não votaria em Eunício, mas deixou margem para um eventual apoio não declarado ao MDB.

“Ele não tem coligação formal, porque se ele defende só um nome do PDT, e a outra vaga? Se o PDT não lança outra vaga, está lançando o Eunício”, avalia Baquit. Sérgio Aguiar (PDT) também é adepto da teoria de “coligação branca”, até porque, segundo ele, muitos da base governista têm esse compromisso com o senador.

“Esta fórmula já ocorreu em 2002 quando da eleição da senadora Patrícia Saboya, então filiada ao PPS. Ela teve o apoio informal da chapa que tinha Lúcio Alcântara como governador do PSDB. Então, acredito que o apoio político voltado aos interesses do Ceará acontecerá dessa forma”, disse.