Busca

Tag: Camilo Santana


09:56 · 18.11.2017 / atualizado às 09:56 · 18.11.2017 por

Por Edison Silva

A conversa dos três, como se até bem pouco tempo não fossem adversários, só não agradava ao senador José Pimentel, ao lado, que não terá chance de participar da chapa majoritária encabeçada por Camilo Santana Foto: Helene Santos

Representantes do PR, do PSD e do Solidariedade, com a aquiescência do tucano Luiz Pontes, decidiram, quinta-feira, no apartamento da deputada estadual Fernanda Pessoa (PR), após uma longa discussão sobre a sucessão estadual cearense e a análise das últimas pesquisas relacionadas ao quadro político do Estado, se fixarem nos nomes, pela ordem de preferência, do senador Tasso Jereissati (PSDB), Capitão Wagner (PR) e do conselheiro Domingos Filho (ainda sem partido), para deles sair o candidato a governador em 2018 e um dos postulantes ao Senado. Dos três, só Tasso não participou do encontro.

O senador tucano está chegando ao Ceará neste fim de semana, após uma rápida temporada nos Estados Unidos, cuidando de assuntos de seu interesse particular. Ele tem reafirmado não pretender disputar mandato no próximo ano (ele é senador até 2022), mas continua sendo o nome preferido das oposições para enfrentar o governador Camilo Santana (PT) disputando a reeleição. A prioridade de Tasso Jereissati, até o próximo mês, será a disputa pela presidência nacional do PSDB. As questões relacionadas ao PSDB e às oposições no Ceará ficarão para o próximo ano, embora os demais representantes das siglas adversárias do Governo tenham pressa em definir o seu candidato.

Condicionantes

O Capitão Wagner admite disputar o Governo do Estado. Faz ponderações e algumas condicionantes, dentre elas, segundo um dos participantes do jantar, oferecido pela deputada Fernanda Pessoa, estar livre na coligação que bancar sua candidatura ao Executivo estadual, para escolher o seu próprio candidato à Presidência da República, que ele não especificou quem. Pelas últimas pesquisas em poder dos oposicionistas, Wagner estaria muito bem situado, tanto para postular o Governo do Estado quanto para uma das duas vagas de senador, ficando aquém apenas do senador Tasso.

Domingos Filho, a terceira opção para o Governo e nome também apontado para o Senado, está disposto a entrar na luta por um mandato no próximo ano. Sem mais razões para questionamentos sobre a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), posto considerado estar o fato consumado,

Domingos dá os primeiros passos para ter o exercício pleno da cidadania, no caso ser votado. Ele requer nos próximos dias o restabelecimento de sua condição plena de advogado, reabilitando-se na secção cearense da Ordem dos Advogados do Brasil, para cuidar da aposentadoria e filiar-se ao PSD, o partido dominado pela sua família neste Estado.

Fim das esperanças

A ida do senador Eunício Oliveira ao Palácio da Abolição, ontem, para um evento com características eminentemente políticas, ao lado do governador Camilo Santana, do presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque, do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e de outros governistas, foi o fim de toda e qualquer esperança dos oposicionistas cearenses de que ainda poderia haver uma chance do senador continuar sendo oposição a Camilo e com ele concorrer novamente ao Governo do Estado, ou ajudá-los a formar uma chapa competitiva contra os governistas. O encontro de Eunício com a cúpula palaciana foi bem mais aberto do que os já ocorridos.

09:54 · 18.11.2017 / atualizado às 09:54 · 18.11.2017 por

Por Miguel Martins

Governador Camilo Santana cumprimenta o senador Eunício Oliveira, no salão do Palácio, embora antes já tivessem conversado no Gabinete Foto: Helene Santos

O governador Camilo Santana, do PT, e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), estiveram juntos pela primeira vez em evento oficial, na manhã de ontem, no Palácio da Abolição. Denominado “Juntos por Fortaleza”, o programa de desenvolvimento da Capital cearense também serviu como uma espécie de termômetro da opinião pública para com a reaproximação das duas lideranças políticas, que até pouco tempo eram antagônicas. Eunício disputou o Governo do Estado contra Camilo.

Apesar de alguns petistas, inclusive a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann, afirmarem, em Fortaleza, que não veem com bons olhos uma possível aliança entre o chefe do Poder Executivo Estadual e o parlamentar peemedebista, pelos comentários feitos por aliados de ambos os lados, ontem, a parceria dos dois para 2018 está praticamente fechada, como adiantou o Diário do Nordeste, no início de setembro deste ano.

Eunício Oliveira foi o mais aclamado durante a solenidade, tanto pelo governador quanto pelo prefeito Roberto Cláudio. Logo que chegou à sede do Poder Executivo Estadual, o senador era aguardado por Camilo, o prefeito e outras lideranças. Eles conversaram demoradamente no gabinete do governador antes de descerem para o local do evento, onde já estavam outros políticos a eles ligados.

Se juntaram a eles o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), e o senador José Pimentel (PT), último a chegar à solenidade. Eles passaram aproximadamente uma hora na solenidade, tratando da importância da programação do evento e de outros assuntos. Logo após o encerramento do evento, voltaram a se reunir no gabinete de Camilo.

Durante entrevista coletiva, Camilo Santana e Roberto Cláudio evitaram comentar sobre questões eleitorais. No entanto, não faltaram elogios de ambos os lados. Ao Diário, o prefeito disse que se comprometeu a não falar de eleição neste ano. “Não quero contaminar o que realmente interessa, que é o grande esforço e compromisso com a cidade de Fortaleza. Eleição é para o próximo ano”, enfatizou o pedetista.

Parceria

Camilo Santana também se desvencilhou das perguntas sobre política eleitoral, e disse que focaria seus pronunciamentos apenas no que dizia respeito ao evento em si. Embora todos venham mantendo um discurso de que só tratarão de eleição no próximo ano, coube a Eunício Oliveira fazer as considerações sobre uma eventual parceria partidária para o próximo ano.

A última vez que PMDB e PT estiveram juntos no mesmo palanque, no Ceará, foi em 2012, quando o partido apoiou a candidatura de Roberto Cláudio para a Prefeitura de Fortaleza e indicou o vice-prefeito, Gaudêncio Lucena, na chapa que se consagrou vitoriosa. Durante coletiva, Eunício disse que o tratamento com o governador sempre foi cordial, mesmo durante as duas disputas eleitorais de 2014 e 2016, quando estiveram em lados opostos. Na primeira, Eunício foi o principal adversário de Camilo. Na segunda, Camilo apoiou Roberto Cláudio e Eunício votou em Capitão Wagner.

“Estivemos em uma disputa política local em 2014, e eu nunca, em nenhum momento, desrespeitei a pessoa, o ser humano e o cidadão Camilo. A recíproca é verdadeira, e eu nunca fui desrespeitado”, declarou. De acordo com ele, há uma convergência de ideias em prol do Estado do Ceará. “Essa aliança não pode servir apenas para beneficiar ou reeleger A ou B”, disse.

Lula

O senador ressaltou ainda que sendo de interesse do povo cearense, a parceria, que hoje é apenas administrativa, poderá evoluir para algo mais consistente, como aliança político-partidária. Ele afirmou que não vê qualquer impedimento nisso. “A relação com o governador e com o prefeito tem sido respeitosa, assim como foi com o ex-governador Cid Gomes. Sempre foi republicana, visando o interesse do Estado do Ceará”.

Na semana passada, o senador Tasso Jereissati (PSDB), até pouco tempo um dos principais aliados de Eunício Oliveira (formou com ele a chapa majoritária de 2014 e estiveram juntos na disputa municipal de 2016), disse que a sigla tucana não estará em mesmo palanque de quem apoiará candidaturas petistas. Eunício Oliveira, porém, reiterou que votará, sim, em Luiz Inácio Lula Silva, caso o PMDB não lance candidatura para o Palácio do Planalto.

“Eu já disse que se meu partido não tiver candidato, se minha aliança não me obrigar a ter uma posição divergente, vou votar no presidente Lula”. Questionado sobre as falas do tucano contra seu posicionamento, Eunício apenas sorriu.

Recursos

Para evitar a conotação política do evento, a presença de Eunício era justificada em razão da sua contribuição para permitir que o Governo Federal liberasse recursos para algumas das obras que foram anunciadas pelo governador Camilo e o prefeito Roberto Cláudio.

Mesmo antes do evento, em várias outras oportunidades, o governador e o prefeito já haviam destacado a colaboração de Eunício para a liberação de recursos e autorizações para que o Estado e a Prefeitura da Capital tivessem condições de contratar empréstimos externos, emperrados desde ainda o Governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em seu pronunciamento, Eunício Oliveira chegou a mencionar que recursos foram encaminhados para o Município de Barbalha, cujo prefeito não é seu aliado e nem do Governo do Estado. A Prefeitura é administrada pelo tucano Argemiro Sampaio Neto, que contou com o apoio do PMDB no pleito do ano passado.

Muitas personalidades da política local estiveram prestigiando o lançamento do projeto “Juntos por Fortaleza”, como deputados federais, inclusive o presidente do PDT, André Figueiredo, deputados estaduais e vereadores. Dentre os vereadores estava o opositor tucano, Plácido Filho, que serviu de motivo de brincadeiras, em alguns momentos, por seus pares aliados do prefeito Roberto Cláudio.

Dos peemedebistas da Assembleia estavam Audic Mota e Leonardo Araújo, este, até pouco tempo o mais crítico da gestão Camilo Santana. Danniel Oliveira, sobrinho de Eunício, não compareceu. Ele foi um dos primeiros a arrefecer seu modo de fazer oposição ao Governo. Walter Cavalcante, apesar de estar no PP, disse a seus colegas que era “peemedebista de corpo e alma”.

11:20 · 15.11.2017 / atualizado às 13:43 · 15.11.2017 por
Em menos de um ano, Odilon Aguiar passou de secretário de Governo para opositor da gestão se filiando ao PMB. Agora terá que buscar uma outra sigla Foto: José Leomar

O Partido da Mulher Brasileira (PMB), no Ceará, antes controlado pela ex-prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar, hoje é mais uma sigla controlada pelo governador Camilo Santana.

Oficialmente, o partido está desativado no Ceará desde primeiro de março deste ano, quando era presidido pela ex-prefeito de Tauá, Patrícia Aguiar,  mulher do conselheiro em disponibilidade, Domingos Filho, do extinto Tribunal de Contas dos Municípios.

Recentemente, Patrícia anunciou que havia se desligado da legenda e ingressado no  PSD, agremiação presidida pelo seu filho, deputado federal Domingos Neto. Ela não conseguiu ter o partido como opositor ao Governo Camilo. Desde março o PMB já está sob controle de Camilo, que monta a nova direção.

Quase todos os integrantes do PMB já estavam com o Governo Camilo, mas ainda existem algumas dúvidas, principalmente em relação ao prefeito de Caucaia, Naumi Amorim, embora ele tenha compromisso de votar em Camilo em 2018. Sua mulher, porém, Érika Amorim, é  candidata a deputada estadual e ainda não há informação sobre qual legenda, embora ela hoje seja filiada ao PMB.

A prefeita Laís Nunes já havia deixado o PMB e se filiado ao PDT recentemente, estando ainda no partido e votando com Camilo na Assembleia, os deputados Nizo Costa e Bethrose.

Aliado de Domingos Filho, o deputado Odilon Aguiar ainda tem destino incerto. O parlamentar informou que está aguardando os encaminhamentos que devem ser dados pelo deputado Domingos Neto, atualmente principal liderança do grupo político de oposição em Tauá, para depois decidir para onde irá.

Não há, contudo, certeza se Odilon se filiará ao PSD, uma vez que ele confessou que Domingos Neto estaria conversando com outros partidos para tratar de filiações partidárias. Em menos de um ano, Odilon  passou de secretário do Governo Camilo para opositor da gestão, ainda que esteja em partido de maioria governista.

Com a saída do grupo de oposição ao governador Camilo Santana do PMB, a gestão do chefe do Poder Executivo no Ceará se fortalece, pois é mais um partido que se alia ao seu mandato. Extraoficialmente Magda Costa assumiu o partido no Ceará, enquanto que em Fortaleza o grêmio passará para o comando de Diogo Vieira.

A legenda passará a ser uma opção para ingresso de governistas de outros partidos e terá como vice-presidente a ex-deputada estadual Meire Costa Lima, mãe do deputado Julinho (PDT).

08:58 · 01.11.2017 / atualizado às 08:58 · 01.11.2017 por

Por Miguel Martins

Zezinho Albuquerque diz que apoio será “bem-vindo”, mas só deve ser fechado em 2018 Foto: Fabiane de Paula

O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), em entrevista, ontem, afirmou que o senador Eunício Oliveira (PMDB) vem ajudando o Ceará e que um possível apoio do peemedebista à reeleição do governador Camilo Santana (PT) seria bem-vindo. Parlamentares da base governista já sinalizam simpatia a um acordo no Ceará, o que ainda é rechaçado por alguns opositores.

Albuquerque disse que todos os partidos estão em conversação, inclusive aqueles que fazem oposição ao Governo Camilo Santana. Segundo ele, porém, o fechamento de questão em torno de alianças ficará apenas para 2018. “Temos um projeto e quem quiser se somar será muito importante para nós”, disse.

O deputado destacou, por exemplo, o empenho que Eunício Oliveira vem tendo na liberação de empréstimos e recursos para o Ceará. “O Eunício está ajudando muito o Ceará, e nós já fizemos aliança no passado com ele. Eu mesmo votei no Eunício para senador”, lembrou.

Há algumas semanas, tanto oposição quanto base aliada demonstravam receio quanto a possibilidade de aliança entre Camilo Santana e Eunício Oliveira. No entanto, com os últimos movimentos do senador, pelo menos a base já sinaliza estar menos preocupada com a questão.

De acordo com Carlos Felipe (PCdoB), não há qualquer restrição pessoal ao partido do senador, até porque ele tem exercido seu trabalho de forma coerente. O problema, no entanto, é o posicionamento de Eunício quanto às reformas apresentadas pelo presidente Michel Temer. “A dificuldade é que a gente faz todo um debate contra o golpe e, de repente, volta a esse ponto”.

Manoel Santana (PT) afirmou que o partido tem discutido a possibilidade na informalidade e ressaltou que Eunício já disse que votaria em Lula para presidente. “Acho que essa é uma construção em nível nacional que pode se repetir muito bem no Ceará. No PT, algumas pessoas podem ser contra e outras a favor, mas a gente tem que dizer que o PT, no Senado, aprovou o Eunício como presidente”.

Anúncio

A peemedebista Silvana Oliveira reclamou que, quando se aliou a Camilo Santana, foi criticada pela legenda, mas destacou que, para que a eventual aliança não seja prejudicada, é importante o governador e o senador irem a público expor o alinhamento. “Eu entendo que eles fazem parte de um projeto para o Ceará, mas esse clima de incertezas pode prejudicar tudo”, disse.

Capitão Wagner (PR) afirmou que a única certeza que tem é de que não ficará no mesmo palanque que as lideranças da base governista Ciro e Cid Gomes. “Se alguém do meu partido se aliar, eu saio do partido. Se não tiver nenhum candidato, eu voto no candidato do PSOL”.

09:24 · 05.09.2017 / atualizado às 09:24 · 05.09.2017 por

Por Miguel Martins

A possibilidade de aproximação entre o governador Camilo Santana e o senador da República Eunício Oliveira é vista com cautela por seus liderados. Enquanto alguns acreditam que tal alinhamento será benéfico para o Estado do Ceará, outros argumentam que o eleitorado não vai acatar que antagonistas até pouco tempo estejam lado a lado no pleito do próximo ano.

Como o Diário do Nordeste abordou no domingo passado, nos bastidores da política cearense, ainda que com um pouco de descrença por alguns, há insistentes comentários sobre possível alinhamento entre o governador Camilo Santana e o grupo liderado por Ciro e Cid Gomes, ambos do PDT, e o PMDB do presidente do Congresso Nacional, o senador Eunício Oliveira.

Para o deputado Julinho (PDT), que faz parte da base de sustentação do Governo Camilo, “se realmente estiver havendo essa aproximação, acho que é natural, porque o governador e o Governo estão bem avaliados pela população”, disse. A petista Rachel Marques, por sua vez, disse que o foco do partido é criar uma aliança em torno da eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reeleição de Camilo Santana. “O que vier nesse sentido pode ser discutido, mas aceitável”, afirmou.

Silvana Oliveira (PMDB), que tem sido uma das principais defensoras da gestão Camilo Santana na Assembleia, disse que, pelo que tem acompanhado, há uma possibilidade forte de isso acontecer. “No meu entender, essa aproximação favorece muito o Ceará”.

Para o deputado Roberto Mesquita (PSD), confirmando-se tal alinhamento, visando melhorias para o Estado do Ceará, ele vê com bons olhos. No entanto, sendo apenas para conveniências de ambos com o objetivo de salvar seus mandatos, ele se posiciona contrário. “Se cada um, com a força que tem, lutar para que o Ceará seja menos desigual, com mais Saúde e Saneamento Básico, estou ao lado dessa parceria. Se for só casamento de aparência, vejo com tristeza”, disse.

Alguns deputados chegaram a dizer que o acordo entre as duas lideranças já está fechado, faltando apenas um diálogo com suas bases. “Tem que ser explicado tudo aquilo que foi falado um ao outro ao longo desses anos. Não se pode de uma hora para a outra dizer que são amigos desde criancinha, porque se testemunhou agressões de um contra a outro”, diz Roberto Mesquita.

09:40 · 02.09.2017 / atualizado às 09:40 · 02.09.2017 por

Por Edison Silva

Eunício e Camilo quando participavam do debate na Televisão Verdes Mares, na disputa pelo Governo do Estado. Pelos entendimentos, Camilo disputa a reeleição e Eunício, ao lado de Cid Gomes, as duas vagas de senador Foto: Lucas de Menezes

Nesta semana, os bastidores da política cearense foram dominados, mesmo com uma certa dose de incredulidade, por insistentes comentários sobre um possível reatar de entendimentos entre o grupo liderado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes (PDT) e o do PMDB do senador Eunício Oliveira, hoje presidente do Congresso Nacional.

Eles estão rompidos desde o início de 2014, quando Cid negou apoio à postulação de Eunício para o Governo do Estado, vindo posteriormente a indicar, como candidato ao posto, Camilo Santana (PT), o eleito. A disputa pela chefia do Executivo estadual cearense foi acirrada. E virulentas foram as acusações pessoais, continuadas até bem pouco tempo, entre Ciro e o senador.

Os atores principais, pelo menos até agora, ainda distante do momento de consolidação das alianças políticas para a sucessão estadual, até podem fazer-se de alheios, desinteressados e distantes das reservadas conversações autorizadas de aliados seus interessados no entendimento, por razões outras além daquelas de terem que encarar as normais críticas do realinhamento, após tantos desaforos trocados. Ambos os lados têm dado sinalização de ser possível voltarem a fazer campanha juntos.

Sinalizações

A não definição de um segundo nome para senador, na chapa de Camilo, como reportado neste espaço no último sábado, se não tinha o objetivo primeiro de atrair Eunício para uma aliança, sem dúvida foi a abertura para o entendimento já não tão distante. Abstendo-se dos discursos do senador sobre sucessão estadual, as condições políticas do momento não lhes parecem favoráveis para a repetição da disputa de 2014. O acordo, portanto, lhe facilita renovar o mandato.

Aliados de Eunício têm procurado mostrar indicações dele de não ter interesse em persistir na disputa com o grupo governista cearense, citando como primeiro exemplo o fato de ele não ter colocado para a votação, em segundo turno, a emenda constitucional de sua iniciativa, impedindo a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios.

Agora, por último, além dos acenos de ajuda ao Governo do Estado e à Prefeitura de Fortaleza, com ações do Governo Federal, o senador estancou o processo de expulsão de três deputados estaduais do PMDB: Agenor Neto, Audic Mota e Silvana Oliveira, hoje no grupo do Governo.

A emenda constitucional de Eunício, garantindo a manutenção do TCM, se aprovada meses atrás, poderia até ser questionada, por ferir o princípio federativo, no entanto seria um grande empecilho para extinguir aquele Tribunal, além de produzir um ganho político para Domingos Filho, pretenso candidato ao Governo, ampliando sua capacidade de fustigar o governador e também ao próprio Eunício, que o teve como concorrente, no mesmo grupo, para ser candidato a sucessor de Cid no Governo.

Se formada a aliança, Domingos fica com espaço muito restrito para disputar um cargo majoritário. A não expulsão dos deputados também pode se relacionar à perspectiva do acordo. Expulsos, eles no Governo poderiam criar dificuldades para votar na chapa situacionista com o peemedebista.

Pretendentes

Os observadores mais atentos do quadro político local têm leituras mais aproximadas das pretensões dessas lideranças, enxergando, portanto, situações compatíveis com os interesses dos pretendentes aos diversos cargos abertos à disputa, que fora da política seriam inimagináveis de acontecer.

Ao PDT, ao PT de Camilo, e ao PMDB de Eunício, o acordo ora badalado tem grande valia. Para o governador, é menos um forte adversário que desaparece, além da garantia de mais tempo para a propaganda eleitoral no rádio e televisão, um ponto a ser considerado em qualquer campanha majoritária. Para o senador, será uma oportunidade de disputar a reeleição com melhores perspectivas de vitória.

Aparentemente, efetivando-se tal quadro, enfraquecida ficará a oposição à reeleição de Camilo. Ledo engano. A oposição tem facilidades de vez por outra fazer a eleição ser realmente disputada, principalmente quando tem um bom nome que inspire confiança e consiga atacar a vulnerabilidade do governante na disputa do segundo mandato. Eunício foi oposição em 2014, conseguiu levar a disputa para o segundo turno. Camilo era o candidato da situação, com Cid no Governo, lhe emprestando todo o apoio que o Poder pode oferecer aos seus.

Palanque

O PSDB do senador Tasso Jereissati, com representantes de outras siglas que deram musculatura à candidatura de Eunício em 2014, pode motivar o eleitorado a reagir contra essa pretensa aliança, e, como resultado, fortalecer os nomes que venham a ser apresentados para a chapa majoritária oposicionista.

Os tucanos terão candidato ao Governo do Estado, não apenas pelo fato de o partido, disputando o cargo de Presidente da República, precisar de um palanque no Estado, mas, sobretudo, pela determinação de querer derrotar Camilo por ser petista e apoiado por Ciro e Cid Gomes. Preferencialmente, se não houvesse obstáculo em relação às alianças no pleito federal, Eunício seria o nome das oposições.

Sem ele, o PSDB construirá sua própria candidatura. Há tempo suficiente para desenvolver esse projeto, porém o partido precisa decidir logo e começar a andar com o escolhido pelo Interior do Estado para fazer o contraponto com Camilo, constantemente em missão administrativa que se confunde com campanha política.

10:11 · 26.08.2017 / atualizado às 10:11 · 26.08.2017 por

Por Edison Silva

O governador Camilo Santana e o deputado José Albuquerque, conjuntamente, são presenças constantes nos vários municípios cearenses Foto: José Leomar

O governador Camilo Santana (PT) vai para a disputa de um segundo mandato com o apoio do ex-governador Cid Gomes (PDT), tendo como candidato a vice-governador um nome da estreita confiança deste, que é o deputado José Albuquerque (PDT), presidente da Assembleia Legislativa.

O diretório estadual do PT terá de homologar a coligação, em meio aos discursos de resistência de alguns petistas, também pelo fato de a aliança se estender à chapa senatorial encabeçada por Cid, ao lado de um nome, para a segunda vaga de senador, por certo não tão do agrado do grupo opositor do ex-governador no partido de Camilo, que, presume-se ultrapassará esse óbice.

Com o fim da verticalização das alianças partidárias, as direções estaduais dos partidos passaram a ter o poder de “adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional …”, segundo estabelece a Constituição Federal, no parágrafo 1º do seu Art. 17. Desse modo, não há impedimento de PT e PDT terem candidaturas presidenciais próprias e marcharem juntos para disputar o Governo do Estado e as duas vagas de senador, sem embargos, naturalmente, das outras questões de cunho paroquial.

Articulação

Quando Cid Gomes anunciou estar disposto a concorrer a uma das duas vagas de senador, e lançou o nome do deputado André Figueiredo, presidente do PDT cearense, para a outra, mesmo sabendo que ele não o é, sinalizou para todos os seus, inclusive o governador Camilo Santana, que o território já estava demarcado, e o seu companheiro na disputa ao Senado da República será escolhido só nos momentos finais da construção da chapa majoritária governista, descartando toda e qualquer articulação, por acaso existente, como as citadas em meio às especulações existentes por conta das relações do próprio Camilo com empresários e políticos de outras agremiações.

André Figueiredo já havia comunicado a amigos e aos irmãos, Ciro e Cid Gomes, sua disposição de concorrer à reeleição. Assim, o nome do outro candidato ao Senado será daquele capaz de agregar valores à campanha governista. E esses valores não são apenas os eminentemente políticos e eleitorais, descartando, de pronto, qualquer nome do PT, pois a agremiação já estaria devidamente contemplada com a indicação do candidato a governador. E não será surpresa se os governistas vierem a votar para o Senado em Cid e em um nome atualmente integrante da oposição.

Confiança

O deputado José Albuquerque, como candidato a vice-governador, cumprirá uma missão. Diferentemente do momento de formação da chapa majoritária governista de 2014, quando ele declinou de disputar a senatória ou a vice-governança, pois reagiu à escolha de Camilo, posto esperar ser ele o nome para suceder Cid, tamanho o trabalho feito junto a prefeitos e outros políticos (ele disputava a mesma posição com Domingos Filho e Mauro Filho), agora o lugar de vice parece lhe atender.

Albuquerque, além de ser da absoluta confiança de Ciro e Cid e ter boa relação com Camilo, pela quantidade de mandatos que já exerceu na Assembleia Legislativa, incluindo seis anos consecutivos como presidente daquela Casa, por certo quer um outro mandato. O de deputado federal está descartado. Ele já lançou o filho, Antonio José, ex-prefeito do Município de Massapê, para disputar uma das 22 vagas da representação cearense na Câmara Federal. E o cargo de senador, no seu grupo político, está reservado para as necessárias negociações.

Pressa

Pelas demonstrações de lealdade expressas por líderes e liderado, não há razões para se admitir ter o próximo vice de Camilo, se chegarem a vencer a disputa, a missão de tolher os seus passos políticos futuros, mas o fim de um segundo mandato majoritário de um aliado, mesmo nele sendo depositada certa confiança, sempre motiva preocupação aos líderes que o indicaram, posto a ameaça de quebra da continuidade do comando do Poder. Por isso a necessidade de ter um vice, de certa forma, com condições de pôr um freio, se necessário for, na afoiteza do titular, principalmente se ele quer continuar tendo mandato eletivo.

Na oposição, notadamente no campo do PMDB e do PSDB, o quadro ainda não está claro. Há determinação, da parte das lideranças dessas agremiações, as com melhores estruturas de disputa de cargos majoritários, da formação de uma chapa competitiva, admitindo-se, inclusive, a indicação de nomes de outras agremiações, mas está faltando a conversa determinante para a concretização do objetivo.

O nome do senador Eunício Oliveira, o candidato derrotado por Camilo no pleito passado, continua sendo o apontado por correligionários seus para disputar novamente o Governo. O PSDB cearense, dependendo da posição da sigla, nacionalmente, votará novamente no Eunício.

Mas o senador não confirmou para o PSDB que realmente disputará o Governo do Ceará. Aliás, hoje, em Massapê, cidade da Zona Norte do Estado, onde um encontro político reúne lideranças dessas duas e outras agremiações, Luiz Pontes, presidente do PSDB, pode fazer uma cobrança ao próprio senador, no palanque, sobre se ele será ou não candidato. Os tucanos querem decidir logo essa situação para começar a discutir os seus nomes que comporão a chapa majoritária, por entender já estar no tempo de intensificar, com nomes, as ações políticas no Interior do Estado.

Os oposicionistas reconhecem o avanço de Camilo em praticamente todos os municípios do Estado, com a bandeira de ações administrativas, fortalecendo politicamente o seu nome, além de aumentar o número de prefeitos conquistados, não só pela influência do cargo, mas, também, pelo distanciamento dos adversários, situação bem diferente do mesmo período anterior da eleição estadual.

14:28 · 15.08.2017 / atualizado às 14:28 · 15.08.2017 por
Governador voltou a lamentar cortes feitos no Bolsa Família, no Ceará. FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK

 

O governador do Estado, Camilo Santana, em mais uma uma transmissão ao vivo via redes sociais, sancionou três leis aprovadas, recentemente, pela Assembleia Legislativa, dentre elas a que trata da média salaria da Polícia Forense do Ceará (Pefoce) e bolsa de estudos para universitários. O chefe do Poder Executivo voltou a chamar de “crime” o cancelamento de quase 42 mil famílias cearenses do programa Bolsa Família pelo Governo Federal.

Uma das matérias, que a partir de agora viram Lei, é a que trata da média salarial da Pefoce, que segundo informou Santana, vai permitir uma nova carreira no âmbito da Polícia Forense. Também foi sancionada a Lei que instala o Sistema da Universidade Aberta do Brasil.

No entanto,  a proposta que Camilo mais comemorou foi a que, segundo ele, vai beneficiar milhares de alunos que vão ingressar nas universidades do Ceará, que é o Programa Avance, que dará direito a bolsas no primeiro ano ao aluno que estudou em escolas públicas.

“Os alunos diziam que quando iam iniciar cursos não tinham como se manter nas cidades. Me sentia muito angustiado com isso, até porque se imaginar romper um sonho de um jovem, então resolvemos criar esse programa”, disse ele, ressaltando que a bolsa se dará em um salário mínimo por seis meses ou meio salário durante um ano.

Pelo menos mil jovens já devem ser beneficiados com o programa, que tem como critérios estar matriculado em curso de graduação, em instituição de ensino superior credenciado pelo Ministério da Educação, além de ter cursado o ensino médio em escola pública, bem como ter tirado média superior a 560 pontos no último Exame do Ensino Médio (ENEM).

Governador lamentou cortes feitos no Bolsa Família

Ainda durante a transmissão ao vivo, Camilo criticou o Governo Federal e disse que, enquanto Michel Temer “tem cortado direitos dos trabalhadores, o Ceará tem garantido direitos, como passe livre para deficientes, isenção das taxas para habilitação pra agricultores familiares, bilhete único metropolitano. Perdoamos dívidas de quem tem dívida até R$ 4 mil com o Detran. Temos feito concursos, diversas ações”.

Ele denunciou o corte do Bolsa Família, afirmando ainda que desde o início do ano, somente no Ceará, foram 70 mil famílias que tiveram cortes nos benefícios “Os mais pobres não podem pagar a conta da má administração do passado neste País. Quem tem que pagar são os que têm mais. Essa decisão de cortar o Bolsa Família é um crime. O que eu puder fazer para sensibilizar a Bancada Federia, farei”, afirmou.

09:32 · 12.08.2017 / atualizado às 09:32 · 12.08.2017 por

Por Edison Silva

Júlio César, com apenas 23.624 votos, foi diplomado pela Justiça Eleitoral como deputado estadual cearense. Leonardo Pinheiro, que obteve 40.575 sufrágios, ficou apenas como primeiro suplente Fotos: José Leomar

Pouca ou nenhuma influência terá a Reforma Política, como está desenhada, na sucessão do governador Camilo Santana (PT), embora os efeitos das mudanças possam se fazer sentir no preenchimento das vagas nos legislativos federal e estadual, mesmo permanecendo o sistema de coligações partidárias no pleito proporcional.

O governador terá dificuldade em compor uma aliança majoritária, capaz de lhe garantir um maior espaço na propaganda eleitoral e simbolizar uma supremacia, pela quantidade numérica de partidos, por conta das composições para a eleição presidencial em razão das vinculações das comissões provisórias, ou diretórios estaduais, às decisões dos seus respectivos comandos nacionais.

Em 2014, Camilo conseguiu reunir 18 partidos na defesa de sua pretensão de governar o Ceará. Naquela época, além da interferência direta do ex-governador Cid Gomes (PDT), o partido dele, o PT, ainda não experimentava, com a dimensão de hoje, a repulsa de expressivo segmento da sociedade, daí ter conseguido arregimentar muitos apoios que redundaram na eleição da ex-presidente Dilma Rousseff, refletindo, de certo modo, no sucesso eleitoral por ele obtido.

Ademais, a candidatura de Ciro Gomes a presidente da República, além de inviabilizar uma coligação do PDT com a agremiação de Camilo, pois o PT com um nome, também disputando a sucessão presidencial, impede o governador de estar em outro palanque presidencial, também afasta os partidos que estiverem nacionalmente com Ciro.

O cenário nacional caminha, dentre outras, para uma ou duas candidaturas presidenciais patrocinadas por PSDB, PMDB e DEM. Estas siglas, pelas afinidades de suas lideranças com as de alguns outros partidos, têm chances de afastarem de Camilo aliados ligados ao próprio DEM, ao PP, ao PPS, ao PTB, ao PRB, ao PSD e mais alguns.

Eventos

Eleitoralmente, segundo informações conhecidas, inclusive algumas saídas do seio da oposição local, como a manifestada publicamente pelo deputado federal Cabo Sabino (PR), Camilo está bem no Interior do Estado, onde, constantemente, tem estado para compromissos administrativos com significados político-eleitorais, sem ser molestado por qualquer dos seus possíveis adversários na disputa em 2018.

Diferentemente de 2013, véspera do ano da eleição, quando vários pretendentes ao cargo de governador, quase todos do mesmo grupo de Camilo (Eunício Oliveira, Zezinho Albuquerque, Domingos Filho, Mauro Filho e outros menos expressivos), participavam, constantemente, de eventos políticos em todos os pontos do Ceará, agora, só o governador está em campo, sem se falar nos encontros com deputados e prefeitos que promove no Palácio da Abolição.

Essa movimentação, de certa forma, o coloca em situação privilegiada, embora não tão confortável em razão das questões políticas à vista, a partir da sua própria condição de filiado ao PT e eleitor confesso de Ciro Gomes, na corrida presidencial.

Há perspectiva de ser antecipado o período da “janela”, aquele momento que a legislação eleitoral permitirá a troca de partido, sem os detentores de mandatos serem considerados infiéis, embora no caso do governador, por ser detentor de mandato majoritário, ele não está sujeito a punições de ordem político-partidária, portanto, o seu limite para dizer se fica ou sai do PT ainda não será neste ano.

Esse momento vai acontecer na data limite das filiações partidárias que poderá ser em abril do próximo ano, seis meses antes do dia da votação, quando, aliás, praticamente estará definido todo o quadro sucessório nacional, orientador das alianças estaduais.

Modelo

Aprovado o novo modelo de eleição dos deputados, em 2018, o Distritão, as coligações partidárias tão interessantes nas últimas eleições, por contemporizar interesses de “donos” de partidos pequenos, quase sempre eleitos com votação inexpressiva, em relação aos candidatos mais votados, deixarão de ser atraentes por não mais contemplarem os objetivos de se aproveitarem dos votos de outros concorrentes, dentro do mesmo grupo, beneficiando-se com um mandato parlamentar.

Na Assembleia Legislativa cearense, teve candidato que conquistou uma vaga com 23.624 votos, Júlio César Costa Lima Júnior, enquanto o primeiro suplente de deputado, Leonardo Franklin Nogueira Pinheiro, recebeu, no mesmo pleito, 40.575 sufrágios. Com números diferentes existem outros casos.
Ambos pertenciam a coligações diferentes, na mesma base política de sustentação da candidatura de Camilo Santana. Com o Distritão essa anomalia desaparecerá. Serão eleitos os candidatos que obtiverem o maior número de votos, independentemente de partido ou coligações.

A atual bancada federal cearense é composta pelos 22 deputados mais votados em 2014. É verdade, sim, que a novidade prestes a ser realidade no nosso sistema político-eleitoral suscita alguns questionamentos para além das lamentações daqueles com menos chances de vitória nessa nova ordem. Mas é o começo da implantação de uma medida necessária para frear o ânimo voraz daqueles donos de partidos, sem programas e ideologias, criados apenas para a garantia de espaços capazes de gerar satisfações outras que não o dever de servir à sociedade.

12:26 · 07.08.2017 / atualizado às 12:26 · 07.08.2017 por

Por Miguel Martins

Governador Camilo Santana já tem sido procurado por deputados da base em busca de apoio para as eleições de 2018 Foto: José Leomar

Além das pautas polêmicas que devem ser discutidas nas próximas semanas, bem como a Reforma Política debatida em Brasília, outro assunto que tem norteado as conversas nos corredores da Assembleia Legislativa é o processo eleitoral de 2018. Deputados aproveitaram os dias que tiveram de recesso parlamentar para intensificar visitas a seus colégios eleitorais, assim como manter conversas com lideranças políticas com vistas a apoios para o pleito eleitoral do próximo ano.

Na segunda-feira passada, por exemplo, alguns parlamentares estiveram dialogando com o governador do Estado, Camilo Santana, em busca de, entre outras coisas, apoio para a eleição do próximo ano. Um desses deputados foi Mário Hélio (PDT), que confirmou na tribuna do Plenário 13 de Maio que será candidato à reeleição. Antes da conversa com o chefe do Poder Executivo, o pedetista havia dito que não participaria mais do pleito de 2018.

Julinho (PDT) também esteve conversando com Camilo Santana e o assunto eleições também foi tratado durante o encontro. Segundo disse o parlamentar, apesar de estar faltando mais de um ano para a eleição propriamente dita, algumas posições já começam a ser definidas.

Conforme explicou, a dúvida de seus pares diz respeito a que cargo devem se candidatar, visto que a Reforma Política será determinante para a tomada de decisão. “Dependendo do modelo pode empolgar ou desestimular alguns. Eu estou preparado e trabalhando para ser candidato em qualquer modelo”, disse.

Na semana que teve de recesso, Julinho viajou por alguns municípios do Interior buscando consolidar seu projeto de pleitear a reeleição. Outros parlamentares também fizeram o mesmo que ele, como foi o caso de Antônio Granja, do PDT.

Visitas

O parlamentar afirmou que seu trabalho tem sido diuturno, buscando sentir quais são as reivindicações das comunidades onde ele tem maior densidade eleitoral. “Daqui para frente isso deve ser intensificado, com certeza. Estou aqui há cinco mandatos e nossa intenção é pleitear, nesta Casa, o sexto mandato de deputado estadual”, afirmou o pedetista.

O deputado Audic Mota (PMDB), afirmou que o Brasil vive um momento de instabilidade política que faz com que os políticos sejam vistos de forma negativa pela população, portanto é preciso que a classe política reavalie algumas ações para tentarem retorno às casas legislativas. “Há um desinteresse da política muito grande e interesse nos escândalos da política”, disse ele, ressaltando que antecipar as discussões soa como algo “arcaico”, que não engrandece a atividade.

“2018 já chegou”, disse o deputado Fernando Hugo (PP), ressaltando, porém, que a cada ciclo eleitoral o Brasil diminui o processo de eleições, o que em sua opinião é algo que chega a “estupidez”.

“Hoje, faltando mais de um ano para as eleições, só o que se fala nos corredores da Casa são colégios eleitorais, quem é quem no jogo político, alianças. E isso acontece em todo o Brasil. Como é que pode, você recém-eleito já de olho no próximo pleito? Isso desqualifica a independência parlamentar do pensar”, afirmou Fernando Hugo.

Leonardo Pinheiro (PP) destacou que logo após toda disputa eleitoral já se articula a próxima. Ele destacou que todos seus pares na Assembleia já estão realizando incursões pelo Interior do Estado e conversando com lideranças políticas. “O ano de 2018 praticamente já começou, pois todo deputado já está procurando se articular junto às lideranças locais”.

Elmano de Freitas (PT), durante o recesso, realizou atividades em alguns municípios do Estado. Segundo ele, como o pleito de 2016 fez surgir novas lideranças locais, entre prefeitos e vereadores eleitos, conversas com novos atores da política local foram feitas, o que antes não acontecia. “Este é um diferencial das discussões políticas neste ano”.

Meta

Bruno Gonçalves (PEN) afirmou que o interesse de seu partido para o pleito do próximo ano é eleger até três deputados estaduais para a Assembleia. Pensando nisso o partido já está se organizando para o pleito do próximo ano.

“Estamos indo direto para as bases, a partir de agora. Já estivemos em Aurora, Chorozinho e Barreira na última semana, conversando com prefeitos, ex-prefeitos e vereadores. A tendência é que a gente siga intensificando este trabalho”, disse.