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Tag: Camilo Santana


16:49 · 23.01.2018 / atualizado às 16:49 · 23.01.2018 por
Camilo Santana pediu, no Facebook, que o julgamento no TRF-4 não seja submetido a “questões políticas ou partidárias” Foto: Kléber A. Gonçalves

O governador Camilo Santana (PT) usou sua conta no Facebook para defender, na tarde desta terça-feira (23), seu correligionário, o ex-presidente Lula, que deve ser julgado em segunda instância na quarta (24), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Pessoalmente, acredito na inocência de Lula. Conhecemos sua história, sua luta e seus princípios. Que a verdade prevaleça”, declarou o governador, que ainda pediu que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) – responsável pelo julgamento – ignore “questões políticas e partidárias” na análise do caso.

A manifestação de Camilo acontece enquanto sua legenda organiza uma série de manifestações pelo Brasil. No Ceará, está prevista para o dia do julgamento uma vigília em frente à Praça Murilo Borges, no Centro, onde fica localizada a sede da Justiça Federal no Estado. Às 15h30, apoiadores do petista devem realizar uma passeata pelas ruas do bairro.

Leia a nota de Camilo na íntegra:

“Sobre o julgamento do recurso do presidente Lula no TRF-4.

Como governador, como cidadão brasileiro e defensor da democracia, espero que, acima de tudo, prevaleça a justiça. Que o julgamento se dê à luz dos fatos, verídicos e sem retoques, e não submetido a questões políticas ou partidárias. Pessoalmente, acredito na inocência de Lula. Conhecemos sua história, sua luta e seus princípios.

Que a verdade prevaleça.”

11:20 · 13.01.2018 / atualizado às 11:20 · 13.01.2018 por

Por Miguel Martins

Aproximação entre Eunício e Camilo começou a tomar forma publicamente no ano passado, quando os dois passaram a dividir palanques Foto: Helene Santos

Apesar de já estar praticamente fora da bancada de oposição, o presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (MDB), ainda não fechou questão quanto a uma possível aliança com o governador Camilo Santana (PT), o que torna seu futuro político incerto. As movimentações para um eventual acordo eleitoral entre o petista e o emedebista passam por discussões sobre cargos na Assembleia Legislativa, Câmara Municipal, Prefeitura de Fortaleza e até pela sucessão do chefe do Poder Executivo, em 2022, caso Camilo venha a ser reeleito.

Como os pontos referentes às funções no tabuleiro político cearense ainda não foram tratados entre as duas partes, não há qualquer definição sobre um acordo eleitoral para este ano, ainda que alguns liderados apontem que a aliança é dada como certa. Eunício Oliveira aparenta não estar preocupado quanto ao seu lugar na disputa de 2018, visto acreditar que pode figurar tanto em um lado como no outro do tabuleiro político do Estado.

No entanto, em reunião realizada por lideranças de partidos de oposição na última segunda-feira (8), os integrantes da bancada sequer falaram sobre a possibilidade de o senador vir a ter algum espaço em chapa formada nos próximos meses. Já na base governista, apesar dos reclames de alguns membros, a maioria das lideranças acredita que o apoio de Eunício pode ajudar o Governo na disputa eleitoral.

Carta branca

No processo para costurar uma nova aliança entre PT e MDB no Ceará, o governador Camilo Santana recebeu carta branca dos líderes locais para atuar como principal ator no diálogo entre as partes. No entanto, nenhuma questão foi fechada quanto à aliança, visto que algumas indefinições ainda impedem o prosseguimento do acordo.

Há questionamentos, por exemplo, quanto aos nomes que serão indicados como suplentes dos candidatos que vão disputar as duas vagas ao Senado, assim como as postulações a vice-governador e presidente da Assembleia, que será escolhido após o pleito eleitoral; além dos futuros candidatos a prefeito.

Até a sucessão ao Governo do Estado, em 2022, já está sendo pensada pelas partes. Deverá entrar em discussão, por exemplo, quem substituiria o governador Camilo Santana após uma eventual reeleição do atual chefe do Poder Executivo cearense.

O senador Eunício Oliveira, conforme informações, não quer esperar até o limite do prazo do calendário eleitoral para definir como ficarão acertadas as posições na disputa do pleito deste ano. No entanto, ele acredita que está em uma posição confortável, podendo disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Ceará na oposição ou na base governista. Integrantes do grupo governista e da bancada de oposição, contudo, discordam deste ponto de vista.

Demora

O líder emedebista também não quer aguardar uma reorganização da bancada oposicionista no Estado, que até o momento ainda não definiu que posições serão tomadas quanto à participação na disputa. Na disputa ao Governo do Estado, em 2014, Eunício Oliveira contava com o apoio oficial de 14 prefeitos no Ceará. Agora, ele pode ter até 70 gestores municipais alinhados com sua candidatura; alguns, inclusive, da base governista de Camilo Santana.

Na Assembleia Legislativa, todos os cinco parlamentares membros da sigla emedebista deixaram de fazer ataques à gestão de Camilo Santana, uns por conta de acordo direto com a gestão, ainda no fim de 2016, e outros, mais recentemente, por conta da aproximação entre o senador e o governador. Uma aliança já é dada como certa por opositores e governistas.

17:34 · 02.01.2018 / atualizado às 17:34 · 02.01.2018 por
Governador fará uma avaliação das ações realizadas em 2017 e o que deve ser feito em 2018. FOTO: SAULO ROBERTO

O governador Camilo Santana programou se reunir com todo seu secretariado nos dias 19 e 20 de janeiro na primeira reunião de Monitoramento de Ações e Programas Prioritários (MAPP) de 2018, último ano de seu primeiro mandato. No encontro, o chefe do Poder Executivo fará uma avaliação das ações do Governo em 2017 bem como planejar as atividades para este ano.

Os secretários que pretendem ser candidatos no pleito deste ano, em outubro, também participarão da reunião, visto que só devem deixar suas funções no período estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), início de abril. Além da discussão sempre recorrente sobre Seca, Saúde e Segurança Pública outros assuntos  que devem ser debatidos são encaminhamentos dados para início das obras da Refinaria do Ceará, da Transnordestina e Parceria Público-Privada (PPP) para conclusão do Acquário Ceará.

 

 

09:16 · 29.12.2017 / atualizado às 09:16 · 29.12.2017 por

Por Miguel Martins

Emedebistas afirmam que, após aproximações entre Camilo e Eunício em eventos do Governo do Estado, será difícil ao governador “recuar” Foto: Helene Santos

Enquanto o governador Camilo Santana (PT) não confirma aliança oficial com o MDB no Ceará, especulações de todos os tipos são feitas por aliados e opositores. Apesar da aproximação administrativa e política entre o chefe do Poder Executivo do Estado e o presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB), dirigentes partidários de siglas que dão sustentação ao Governo dizem ser difícil convencer a militância sobre uma eventual composição entre PT, PDT e a sigla emedebista.

Presidente do maior partido de sustentação da gestão Camilo Santana, o deputado federal André Figueiredo (PDT) defende que a composição local deve refletir o posicionamento da legenda em âmbito nacional. Segundo ele, os partidos que sempre fizeram parte do campo político dos aliados da sigla pedetista são bem-vindos em uma coligação. Outros, como o MDB, não.

André Figueiredo é categórico ao afirmar que o PDT faz oposição ao Governo de Michel Temer, principal líder nacional do MDB. “O PDT terá muitas dificuldades em fazer qualquer composição com o MDB e é pouco provável que essa composição se consolide. Teremos que ter cautela, e creio que nossos aliados históricos serão, de certa forma, priorizados”.

O posicionamento do dirigente, porém, não é compartilhado pela maioria dos parlamentares pedetistas no Ceará. Alguns disseram ao Diário do Nordeste que respeitam as falas de Figueiredo, mas visualizam nova composição se formando no Estado com a participação do MDB.

Emedebistas também divergem sobre a ida para o bloco governista. Aqueles que já estavam no Governo se sentem desrespeitados pela eventual aliança, e os que até pouco tempo faziam oposição à administração atual sinalizam que podem estar alinhados à gestão.

Silvana Oliveira, Audic Mota e Agenor Neto queriam participar mais ativamente das discussões do partido sobre 2018. Já Leonardo Araújo e Danniel Oliveira não veem problemas na aproximação e eventual aliança entre Camilo e Eunício.

Petistas

O governador Camilo também poderá enfrentar dificuldades entre os filiados do PT, visto que a presença do presidente do Senado em coligação com a sigla petista não agrada a muitos deles. Segundo o presidente da legenda no Ceará, Francisco De Assis Diniz, a base governista enfrentará alguns percalços, uma vez que o arco tradicional de aliança do partido ficou maior.

“Vamos ter que conviver com essa realidade. O empenho e engajamento, a que chamamos de tática estratégica, terão que ser muito bem trabalhados para uma composição com vistas à reeleição de Camilo e eleição do Lula”, defende. Há ainda no PT quem defenda que o partido mantenha a vaga no Senado, que pertence a José Pimentel.

Há também aqueles partidos que reclamam espaço dentro do Governo, como é o caso do Partido Progressista (PP). Segundo o presidente, Antônio José, a legenda não foi chamada para qualquer discussão sobre cargos ou disputa eleitoral em 2018.

A reportagem tentou ouvir o governador Camilo Santana sobre as insatisfações das direções partidárias de sua base, mas, de acordo com a assessoria de imprensa do Governo, ele não irá tratar de assuntos relacionados às eleições neste momento. Em entrevista ao jornalista Edison Silva, publicada no Diário do Nordeste no último fim de semana, o governador afirmou que ainda vai iniciar diálogo sobre o pleito eleitoral de 2018.

Questionado se a conversa com a base ocorreria antes ou após o Carnaval de 2018, Camilo desconversou e afirmou que iria respeitar o calendário eleitoral, mas admitiu que talvez em junho ou julho trataria mais fortemente sobre o assunto. “Vou começar também a conversar com os partidos, para saber quais serão os rumos que nós vamos tomar em 2018”.

Um dos principais opositores da gestão estadual em 2017 e, agora, disposto a fazer parte da base governista, o deputado Leonardo Araújo (PMDB) afirma que o presidente do PDT, André Figueiredo, está externando um posicionamento pessoal, uma vez que seria beneficiado com uma vaga no Senado caso não haja composição com o MDB.

“Havendo essa composição, ele não tem espaço, porque o PDT ficaria com uma vaga no Senado para o (ex-governador) Cid (Gomes) e a de vice-governador provavelmente para o (presidente da Assembleia) Zezinho (Albuquerque)”, argumentou.

Apoio

Araújo disse que em conversa recente com o presidente do PT, De Assis Diniz, ouviu do petista que “o acordo já está fechado”. Afirmou ainda que o deputado federal José Guimarães (PT) confirmou que a sigla apoiará a candidatura de Eunício ao Senado. “É visível a aproximação política dos dois. Será difícil para o governador recuar, porque ele tem ido a palanques dizer que o Eunício é um excelente parceiro e está enviando diversos recursos para o Estado”, afirmou.

O parlamentar considera também que as críticas feitas pela base não passam de resultados de interesses contrariados, como, inclusive, estaria ocorrendo dentro do próprio MDB. “Alguns membros do MDB achavam que tinham valor numa disputa, mas com essa composição, viram que não existe essa valorização. O Camilo e o Eunício estão muito próximos e eu seguirei as orientações do partido”, disse.

09:52 · 23.12.2017 / atualizado às 09:52 · 23.12.2017 por

Por Edison Silva

Embora reconheça que Saúde e Segurança representam gargalos à gestão atualmente, o governador Camilo Santana destaca ações nas duas áreas e afirma que trabalha para manter o Estado equilibrado no ano que vem Foto: José Leomar

Governador, como é enfrentar uma eleição com a política e os políticos numa situação até degradante?

Eu acho que nós estamos vivendo um momento, no Brasil, que precisa servir de exemplo para que a gente possa construir uma política que as pessoas compreendam como papel de transformar, de uma visão republicana, de cuidar das pessoas, de cuidar dos estados. Infelizmente, há uma descrença muito grande, por tanta coisa ruim que as pessoas têm observado na política. Na política e no País como um todo, né? Então, é preciso ter uma reforma política no País. Eu fico impressionado como é que, diante de tudo que aconteceu nos últimos anos, a gente não conseguiu produzir uma reforma política nesse País. Nós vamos passar numa eleição praticamente nos mesmos moldes das eleições anteriores. (A reforma) Mudou pouquíssimas coisas, então acho que o Brasil precisa ter mais compreensão da necessidade de se fazer uma reforma política. Nós temos 40 partidos! Isso não existe! As pessoas criam partidos, hoje, para fazer negócios, para cobrar espaço, para barganhar. É preciso a compreensão da necessidade de fazer uma reforma política profunda nesse País, não uma reforma política de faz-de-conta. O que vou procurar fazer nas próximas eleições é mostrar o que o Estado tem feito, os avanços que o Estado vem procurando fazer, que os compromissos que assumimos estamos cumprindo, o que nós desejamos para o futuro do Ceará. E fazer um debate franco, tranquilo, em relação à necessidade de, cada vez mais, construir uma política mais franca, mais transparente, mais séria, mais republicana, uma gestão pública mais eficiente. Acho que isso deve prevalecer no debate no ano que vem.

Penso que as grandes cobranças do eleitorado, dos próprios adversários do senhor, vão estar nas áreas da Saúde e da Segurança, levando-se em consideração que o Estado fez o seu dever de casa e estamos relativamente bem na área de Educação. Então, nós temos Saúde e Segurança, os dois em situações muito ruins.

Não considero a Saúde ruim. E isso não sou eu que estou dizendo, não. (É) O relatório do Banco Interamericano. Não estou dizendo que o Ceará tem o maior sistema de saúde pública do País. O problema é que está bom? Não. Precisamos melhorar? Precisamos. Muito. Mas tivemos muitos avanços no Ceará. Nós não tínhamos uma policlínica, hoje temos 21 funcionando. Nenhuma! Nós não tínhamos nenhuma UPA. Hoje temos 29 funcionando. Não tínhamos nenhum Centro de Especialidades Odontológicas, para as pessoas fazerem tratamento dentário, e temos 19. Nós não tínhamos nenhum hospital no Interior e temos três funcionando hoje. Nós não tínhamos o SAMU; hoje, quase 70% dos municípios têm o SAMU. Nós somos o único estado do Brasil que tem uma aeronave UTI 24 horas para salvar vidas. Você sabe quanto custa uma aeronave dessa para salvar uma pessoa lá em Itapipoca? R$ 30 mil, R$ 40 mil, se for contratar privado. O Estado tem público, de graça para a população. Muitas vezes, a mídia só gosta de mostrar as coisas ruins. E por que não mostra a quantidade de vidas que nós salvamos? Então, dizer que está bom, não estou dizendo que está o melhor dos mundos, mas que nós tivemos avanços importantes, tivemos.

E a Segurança?

A Segurança é uma questão que nós vivemos uma epidemia no Brasil. Não estou jogando responsabilidade para ninguém, mas o governo federal é omisso nessa área. Nós não temos um plano nacional para isso, não temos uma meta. Para você ter uma ideia, três anos de governo eu vou completar agora e não recebi um centavo do governo federal para a Secretaria de Segurança Pública. Um centavo! Todos os investimentos que o Estado tem feito são de recursos próprios do Estado. A violência, hoje, é uma briga por um negócio ilícito, que é o tráfico de drogas, que se espalhou pelo Brasil inteiro, e a responsabilidade por proteger as nossas fronteiras é da União, é do governo federal. O governo federal fez foi reduzir a quantidade de efetivos nas fronteiras do Brasil, então não há uma estratégia. Eu não posso nem legislar sobre isso, quem tem que legislar é o Congresso Nacional, então o que cabe ao Estado fazer? Aumentar o efetivo? Estamos aumentando. Aumentar viaturas? Estamos aumentando. Aumentar equipamento, monitoramento eletrônico? Compramos duas aeronaves novas, valorizando o profissional, trabalhando com inteligência, operações, parceria, pactuação. Chamei o Poder Judiciário, a Polícia Federal, todos para sentar à mesa, porque essa é uma questão que não é só da Polícia, (também é) trabalhar a prevenção com areninhas, com campinhos, com a escola de tempo integral, com a Educação. Nós temos um plano. O Ceará é o único estado do Brasil que tem um plano escrito, com metas, com objetivos. Foi buscar o que há de melhor no Brasil para isso, e nós precisamos ser muito claros com a sociedade, não fazer o discurso fácil da oposição, que essa é a minha crítica. Acho que a oposição sempre tem que existir, fazer a crítica construtiva, mas qual é a sugestão da oposição em relação à Segurança? O que ela sugere que eu ainda não fiz em relação ao Ceará? É preciso ser sincero com a população. Nós estamos pagando um preço muito caro hoje pelo País não ter tido uma política no passado, não ter prevenido os nossos jovens de estar hoje nas ruas ou nas drogas, então nós estamos construindo os passos. Não tenho dúvida disso. Nós vamos fazer do Ceará um estado modelo nessa área, agora isso não acontece do dia para a noite.

Governador, no ano passado, nesse mesmo espaço, falando de política, nós comentamos as dificuldades experimentadas pelo PT. Elas mudaram? O senhor vai para a campanha defendendo o PT? 

O partido, hoje, se você for analisar, as pessoas estão olhando muito mais as pessoas do que os partidos. Considero que o PT teve políticas, com o presidente Lula, muito importantes para a população. O Lula, hoje, tem um reconhecimento do Nordeste brasileiro e do País. Está disparado aí nas pesquisas por conta de olhar para os mais pobres, então foi um partido que sempre olhou para as pessoas que mais precisam, para as políticas públicas que acolhessem as pessoas mais pobres, que olhou para a Educação. Eu olho para o Ceará e nós tínhamos três institutos federais de educação. Nós vamos chegar agora a 31. Um presidente que nunca se formou foi o presidente que mais criou universidades e institutos federais no País. Quem devia ter feito isso era o sociólogo, com doutorado lá, que naquela época foi presidente. Tem muita coisa boa, tem muita gente que não conseguia nem comer direito no Nordeste brasileiro e passou a ter três refeições, e tem erros também que precisam ser corrigidos, superados. Esse é um debate que precisa ser feito.

Recentemente, declarações do senhor admitiam até a possibilidade de o ex-presidente Lula não ser candidato. Até chegou a falar em Ciro e Haddad. Hoje, o senhor ainda alimenta essa ideia de que o Lula poderá não ser candidato ou ele será candidato? E nesse quadro, como é que fica a relação do senhor tendo o Ciro aqui no seu palanque, e o Lula também no palanque?

Primeiro, vamos aguardar os candidatos, porque ainda estamos em 2017 e, em 2018, nós ainda vamos discutir a eleição e a política. Mas quando disse isso, é porque parto do princípio de que é preciso renovação na política. Para mim, o Lula foi um dos maiores presidentes desse País, não merece e nem merecia estar passando o que está passando. Então, esse é um aspecto, e se cometeu erro precisa ser punido. Qualquer pessoa que cometeu erro precisa ser punida. Mas quando fiz aquela declaração, parto do princípio de que é preciso renovar os quadros da política, é preciso colocar pessoas novas, então a minha fala foi essa. E o próprio PT tem nomes muito bons nesse País. Nós temos o grande nome do Ciro Gomes também, que é pré-candidato, uma pessoa que é meu amigo, meu parceiro, mas vamos aguardar 2018, para saber como vai se comportar o quadro político e a gente poder fazer as definições de como vai se dar o quadro de 2018.

2018 é amanhã. O senhor vai dar os primeiros passos para definir a sua chapa, as suas alianças, a partir de quando? Antes ou depois do Carnaval?

Não, só no prazo eleitoral.

Mas no prazo eleitoral…

É junho, julho (risos).

Governador, o prazo eleitoral quem faz é o político. Todo dia ele faz campanha. O governador, quando vai inaugurar uma obra, recebe correligionários, que estão batendo palma, e isso é natural, normal, então o prazo da política quem faz é o candidato. Nós temos um calendário eleitoral que diz até quando se pode fazer as convenções para homologar as candidaturas e registrar os candidatos.

Isso, vamos cumprir os prazos eleitorais (risos).

Não tem prazo eleitoral para o candidato ou para os candidatos se articularem na formação das suas alianças…

Não, nós vamos começar a conversar. Você não imagina, se coloque um pouco no meu lugar. Eu nunca imaginei estar num momento tão conturbado, pegar uma crise política, seis anos de seca, uma crise econômica pesada. A minha energia tem sido muito voltada para isso. É planejamento, é reunião, é buscar alternativa, usar a criatividade para superar a crise. Esse tem sido o meu foco e vou continuar em 2018. Agora, vou começar também a conversar com os partidos, para saber quais serão os rumos que nós vamos tomar em 2018. Quais são os partidos que vão estar na nossa base, na nossa aliança, então vamos intensificar (conversas). Minha prioridade continuará sendo administrar o Estado do Ceará, que é a minha responsabilidade, mas vamos intensificar, vamos começar a discutir o processo eleitoral de 2018.

2017 foi um ano muito difícil para a economia nacional, para as administrações públicas nos estados nem se fala, mas o Estado do Ceará deu um exemplo para o País, pagou as suas contas em dia. Agora temos 2018, que é um ano de eleição. O que será dele?

2017 foi mais um ano com grandes desafios, como você disse, na economia brasileira, na política, e acho que, com muito trabalho, com muita pactuação, com uma equipe muito bem sintonizada, nós conseguimos atravessar 2017 mantendo o Estado equilibrado, mantendo o Estado com suas contas em dia, fazendo isso não só com servidores, mas com fornecedores. Demos aumento a servidores de várias categorias, fizemos vários concursos públicos. Mas o mais importante que acho dessa parte da gestão é a capacidade que o Estado teve de investir. Em 2016, nós fomos o Estado que mais fez investimento público dos estados da federação e, agora em 2017, não sei como vai ser o comportamento dos outros estados, mas nós vamos investir, nesse ano, mais do que investimos nominalmente em 2016. E é o que a população nos cobra: investimento em novas estradas, em novas unidades de saúde, escolas, segurança, contratação de pessoal, viaturas, investimento na área da Saúde, enfim, então isso para mim é o mais importante. Todo o ajuste e equilíbrio fiscal que a gente faz na gestão é para garantir que haja um aumento de investimentos para o Estado. E nós estamos preparados para 2018. Fizemos todo o dever de casa, como a gente diz, para entrar em 2018. Se a economia se mantiver como agora, o último PIB do trimestre foi positivo e foi quase o dobro do Brasil, o do Ceará. Nós estamos com seis meses de taxa positiva de emprego no Ceará. Se mantiver nesse ritmo, acredito que 2018 será um ano ainda melhor do ponto de vista de investimentos para o Estado. A grande preocupação, hoje, é a questão hídrica. Como vai se comportar o inverno agora em 2018 e a conclusão da Transposição, que é o grande problema da nossa segurança hídrica do Estado. Então, se chover ou se a Transposição chegar no prazo realmente previsto, até março, a nossa tranquilidade, do ponto de vista para o Estado, é muito boa.

Governador, 2018 é um ano de eleição, e em ano de eleição os governantes sofrem muitas pressões para atender pleitos de servidores públicos, construir obras que as comunidades reclamam há muito tempo, e isso dificulta a gestão. O senhor disse que em 2018 está preparado para isso, mas para essas condições de disputa eleitoral?

Nós estamos fazendo todo um planejamento. O Orçamento (de 2018) foi aprovado agora, na Assembleia, com um conjunto de políticas que o Estado vem planejando fazer. Vou dar um exemplo: cada ano que passa, a gente tem investido cada vez mais na área de Saúde, que é o grande gargalo, é a grande cobrança da população. Para você ter uma ideia, talvez a gente chegue ao final desse ano com mais de R$ 200 milhões a mais de custeio da Saúde, se comparado ao ano passado. Eu já aumentei, de 2015 a 2016, R$ 230 milhões, mas uma angústia muito forte minha é a fila de pessoas aguardando uma cirurgia. Temos hoje algo em torno de 15 mil a 18 mil pessoas no Ceará aguardando para fazer uma cirurgia. Nós aprovamos, na semana passada, uma lei na Assembleia que me autoriza fazer um edital para convocar a iniciativa privada, os hospitais privados, para a gente atender essa população que esteja na fila. Eu já estou com o dinheiro reservado para isso, quero ainda lançar esse ano o edital e, com isso, ver se a gente zera essa fila de cirurgia a partir de janeiro de 2018. Essa era uma das coisas que eu vinha tentando planejar, mas com a demanda dos meus equipamentos de Saúde cada vez maiores – porque quando se está numa crise, a população demanda mais do serviço público de saúde –, isso aumenta mais a demanda, e isso requer mais recursos do Estado.

09:05 · 19.12.2017 / atualizado às 09:05 · 19.12.2017 por

Por Miguel Martins

Governador Camilo Santana em uma das entrevistas concedidas aos veículos do Sistema Verdes Mares, na visita que fez na manhã de ontem Foto: Saulo Roberto

Com uma base governista cada vez mais robusta, o governador do Estado, Camilo Santana, espera equacionar os conflitos internos de interesses particulares com diálogo e foco na problemática da população. O chefe do Executivo cearense fez ontem uma visita de fim de ano ao Sistema Verdes Mares (SVM), sendo recebido pelo diretor superintendente, Edson Queiroz Neto.

Camilo, em entrevistas às televisões Verdes Mares e Diário, assim como às rádios Verdes Mares AM e FM, bem como ao Diário do Nordeste, fez um rápido balanço do ano que se finda, lamentando não ter conseguido reduzir, como desejava, o número de homicídios no Ceará, mas esperançoso de cumprir essa meta no decorrer de 2018.

O petista tem um desafio político pela frente, que é atender as demandas dos mais de 20 partidos aliados, inclusive, com o possível ingresso do PMDB, até pouco tempo um de seus principais opositores. O governador tem evitado tratar sobre temas políticos, e pretende se debruçar, principalmente, nas questões administrativas até o momento de cuidar da própria sucessão, no próximo ano.

Base aliada

A chapa da qual Camilo deve ser o personagem principal ainda não foi formada, mas nomes já são apontados como interessados em alguns cargos da chapa majoritária. Há disputas, ainda não reveladas, pelas candidaturas de vice-governador, vagas para o Senado, além de compromissos para a presidência da Assembleia, que também estará nas negociações das eleições de 2018.

O nome do atual presidente do Poder Legislativo, Zezinho Albuquerque (PDT), nos bastidores da política local, é apontado como o favorito para a vaga de vice-governador, mas outras legendas têm interesse nessa posição. Para o Senado, há manifestação de vontade de representantes do PDT, PT, PCdoB e até do PMDB, de indicarem um dos seus para a segunda vaga, tendo em vista que o ex-governador Cid Gomes é um dos candidatos.

Questionado sobre como irá equacionar toda essa questão, o governador disse que vai procurar dialogar com todas as legendas, sempre apontando que o foco principal será o interesse comum da população e não vontades particulares dos partidos. “Acho que temos procurado e feito isso com muito diálogo. Tudo na vida, em qualquer Governo, se constrói coletivamente, e sempre com o objetivo de interesse do Estado. Isso, para mim, é crucial”, enfatizou.

Premissa

Para ele, a premissa básica de seu diálogo tem sido colocar os interesses do Ceará acima de qualquer pauta particular, e é assim que deve atuar com a base governista em 2018, ano da eleição. “Essa premissa tem sido muito bem aceita. As pessoas sabem qual o meu estilo e o grande apoio que tenho dado à nossa base é o investimento em projetos, como novas escolas, estradas e outros projetos. Esse tem sido o caminho que construímos com os partidos aliados”.

Atualmente, o Governo de Camilo Santana é apoiado por PT, PMDB, DEM, PMB, PRB, PP, PTB, PSL, PRTB, PHS, PTC, PV, PEN, PPL, PTdoB, PMN, PDT, PRP, PODEMOS (antigo PTN), PSC e PSB. O PMDB não confirmou apoio oficial ao petista, mas não faz mais as críticas que até pouco tempo fazia da tribuna da Assembleia. Somente no Legislativo Estadual, a base do chefe do Poder Executivo é formada por 13 partidos.

Uma provável aliança de Camilo com o presidente regional da sigla peemedebista no Ceará, o senador Eunício Oliveira, tem sido apontada como praticamente costurada, faltando apenas oficialização. Sobre o presidente do Congresso Nacional, o governador disse apenas que ele tem sido um aliado na atração de investimentos para o Estado, não revelando qualquer proximidade eleitoral. “O Eunício tem aberto muitas portas dos ministérios para o Ceará”, disse ele.

Prioridade

Sobre a administração, Camilo fez questão de destacar alguns dos principais setores que têm merecido atenção e investimentos do Governo, ressaltando como a prioridade do Governo, nesses últimos anos, o enfrentamento à estiagem que assola o Ceará. “Essa tem sido nossa prioridade, e estamos terminando 2017 superando mais um ano do problema hídrico. O Estado nunca investiu tanto em adutoras, e agora estamos aguardando as águas do São Francisco”. Ele demonstrou preocupação com o percentual de água nos reservatórios do Estado. “Isso tem sido uma das prioridades e é o que me deixa preocupado”.

Questionado sobre o que não lhe deixou satisfeito nesses primeiros anos de mandato, o chefe do Executivo afirmou que os indicadores de homicídios são o ponto negativo de sua gestão. “Em 2017 deu um salto muito forte. Tenho feito debate para um Plano Nacional de Segurança, porque a responsabilidade é do Governo Federal, e estou insatisfeito com os indicadores”.

Camilo destacou, porém, que está procurando os melhores especialistas e melhores práticas para redução da violência no Ceará. “Gostaria que 2017 tivesse sido diferente, mas nosso papel é superar dificuldade. Estamos nos preparando com reforço de policiais, reforço do efetivo para atacar de forma muito mais forte. Esse é o grande desafio que teremos que enfrentar em 2018”, destacou.

“Ainda temos o desafio da Segurança Pública, apesar de todos os investimentos feitos. Também temos o desafio da Saúde, onde aumentamos os investimentos se comparado ao ano passado. Foi um aumento de 10%, o que representa R$ 250 milhões a mais em custeio. Temos um projeto na área para zerar as filas de cirurgias no Estado, e isso vai ser implantado em parceria com a iniciativa privada”, defendeu.

Crescido

Camilo Santana também fez um balanço positivo dos investimentos feitos na Educação, área que apresentou resultados satisfatórios, como o avanço no ensino médio, aumento no número de escolas em ensino integral e profissionalizantes, além do Bolsa Universitária e entrega de notebooks para estudantes. “Tivemos um recorde no acesso de alunos das escolas públicas em universidades. A questão da Educação também é prioritária”, disse Camilo.

Do ponto de vista da economia, o governador aponta que o Ceará tem crescido mais que o Brasil, o que pode ser melhorado no próximo ano com a instalação do centro de conexões e maiores resultados obtidos com a Siderúrgica. Na área ambiental, ele aponta que a regulamentação do Parque do Cocó foi sua maior conquista.

Ele também destacou a assinatura de memorando com empresa chinesa interessada na construção da Refinaria do Ceará, ressaltando que o Banco Chinês colocou à disposição o financiamento do projeto.

10:11 · 18.12.2017 / atualizado às 10:11 · 18.12.2017 por
O governador concedeu entrevistas a programas do Sistema Verdes Mares. FOTO: JOSÉ LEOMAR

O governador  Camilo Santana, visitou na manhã desta segunda-feira (18) as dependências do Sistema Verdes Mares (SVM), onde fez um balanço dos  três anos à frente da gestão do Governo do Estado. O chefe do Poder Executivo destacou os investimentos feitos em algumas áreas, como na Educação, Saúde e Segurança Pública.

Camilo destacou que sua preocupação principal nesses anos de Governo foi a questão da crise hídrica devido a seca que atingiu o Estado. Sobre o aumento da violência no Ceará, ele disse que realizou diversos investimentos, mas que necessita de uma contrapartida maior do Governo Federal para evitar que armas e drogas venham para cá.

Disse ainda que o País tem leis “frouxas” na área da Segurança Pública e que a sensação que o cidadão tem é de impunidade diante da Justiça.  O chefe do Poder Executivo ressaltou ainda que para 2018 espera implantar diversas ações, como aumento do efetivo do RAIO ( Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas) na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), políticas de prevenção da pobreza e trabalhar para manter o crescimento da economia local.

09:44 · 11.12.2017 / atualizado às 09:44 · 11.12.2017 por

Por Miguel Martins

A deputada federal Luizianne Lins (PT) reclamará uma prévia no PT para a escolha do candidato a governador, no próximo ano, se o governador Camilo Santana não apoiar explicitamente uma candidatura do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República, principalmente, se o candidato for o ex-presidente Lula.

Luizianne, a priori, postulará, mais uma vez, um dos 22 assentos da bancada cearense na Câmara Federal, mas não descarta a possibilidade de disputar um cargo majoritário. Recentemente, alguns dos seus aliados admitiam a possibilidade de ela disputar um mandato de deputado estadual, cargo que já ocupou, antes de ser prefeita da Capital cearense.

Ela defende que o partido mantenha a vaga de senador pela base governista, no Ceará, conforme resolução do PT acordada no início deste mês. O senador do PT, hoje, é José Pimentel, mas ele não tem demonstrado disposição de ser candidato à reeleição. Segundo disse, é importante que se fortaleça a base de apoio a um eventual governo petista no Planalto Central.

“Não podemos cometer o mesmo erro de quando elegemos a presidenta Dilma Rousseff. Temos que ter uma bancada forte no Congresso Nacional. Do que vai adiantar eleger um presidente e ele não ter o apoio necessário nas duas casas do Congresso Nacional? Poderá ocorrer outro golpe”, apontou.

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Segundo disse, caso nenhum membro do PT se coloque como candidato ao Senado da República, se lançará como nome para a vaga. “Sem candidato ao Senado o PT do Ceará não vai ficar. Eu acho que a vaga natural seria do (senador José) Pimentel, porque ele nos orgulha lá. Ele não sendo ou ninguém querendo ser, aí teremos candidata. Não vai ser por falta de candidatura”, afirmou.

Quanto à disputa pelo cargo de chefe do Executivo estadual cearense, essa a mais polêmica, Luizianne Lins disse que poderá requerer realização de prévias no Partido dos Trabalhadores, caso o governador Camilo Santana não apoie, de forma oficial, a candidatura do ex-presidente Lula à Presidência da República.

“Se por acaso o Camilo não se declarar apoiador do Lula e apoiar o Ciro Gomes, eu vou disputar com ele as prévias de candidata a governadora. O partido iria avaliar, mas eu estarei, dentro do partido, defendendo que o Lula tenha seu palanque dentro do Estado”, afirmou.

Luizianne Lins ponderou, porém, que, como ainda não percebeu por parte do governador do Estado um provável apoio a Ciro Gomes de forma mais clara, não se antecipará com relação ao pedido de prévias. No entanto, disse que espera que os diálogos sejam mais transparentes dentro da sigla. “As coisas precisam estar postas, não podemos ficar vendo uma ou duas pessoas manipulando as outras. Enquanto não ficar claro, não vou sair me posicionando”, destacou a deputada, principal adversária do grupo liderado por Cid Gomes (PDT), principal apoiador da reeleição de Camilo.

Minoritária

A petista afirmou, porém, que já comunicou sua intenção ao presidente estadual do partido, Francisco De Assis Dinis e a uma das lideranças da legenda, o deputado federal José Nobre Guimarães. Luizianne afirmou ainda que mesmo que não ganhe vai defender o direito de convocar prévias internas.

A deputada federal, que já foi presidente do Partido dos Trabalhadores e prefeita de Fortaleza por dois mandatos, hoje, faz parte de uma ala dentro do PT minoritária, com pouco mais de 20% de representatividade. No entanto, a resolução aprovada pelo partido foi, praticamente, em sua integralidade, redigida por membros de tal grupo.

Ela afirmou que não é de seu interesse, pelo menos na conjuntura atual, retornar para a Assembleia Legislativa cearense, por isso deve apoiar candidaturas de aliados petistas ao pleito estadual. Luizianne participou, no sábado passado, do lançamento da pré-candidatura do vereador Guilherme Sampaio a deputado estadual. A parlamentar chegou a falar em “dobradinha” com o companheiro de partido, mas também deve apoiar candidatura à reeleição do deputado Elmano de Freitas.

09:45 · 02.12.2017 / atualizado às 09:45 · 02.12.2017 por

Por Edison Silva

O governador Camilo Santana (PT) e o senador Eunício Oliveira (PMDB) dividiram palanque, ontem, para a autorização do início das obras do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe. Hoje, estarão novamente juntos no Cariri Foto: Honório Barbosa

Antes de realmente ser uma ação administrativa, o evento de ontem no Município de Limoeiro do Norte, no fundo, constituiu-se no primeiro comício, fora de época, da campanha de candidatos a cargos majoritários no Ceará. O Estado, realmente, precisa de mais equipamentos e melhor estrutura de Saúde para minimizar o sofrimento de sua população, notadamente a mais carente, mas, mesmo com a garantia da contratação de empréstimos para construções de hospitais, não tem o erário a garantia de recursos próprios para aumentar o custeio fixo da máquina.

O Hospital Regional do Vale do Jaguaribe, nos moldes do projetado, custará anualmente, na plenitude do seu funcionamento, não se sabe quando, ao menos R$ 150 milhões a preço de hoje, valores superiores à sua edificação, estimada em aproximadamente R$ 120 milhões.

O Estado ainda não foi capaz de ofertar os serviços programados para o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, inaugurado em 2014, no fim da gestão do ex-governador Cid Gomes, portanto há exatos três anos. Hoje, o Hospital de Quixeramobim está atendendo apenas com 33% da sua capacidade, custando mensalmente próximo de R$ 3 milhões. Falta dinheiro para mantê-lo como projetado.

Custeio

Hoje, segundo dados oficiais, ao contrário da década passada, dois terços de todos os recursos para a Saúde saem do erário estadual, ficando a União com apenas um terço. Houve uma inversão nas competências desses gastos. O próprio Estado, nos últimos três anos, reduziu um pouco o seu percentual no custeio da Saúde, caindo de 16% da sua Receita Corrente para 13% atualmente, equivalente a aproximadamente R$ 3 bilhões, segundo dados colhidos pelo presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, o deputado Carlos Felipe, aliado do governador.

Os três maiores hospitais geridos pelo Executivo estadual, através do ISGH (Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar), Hospital Geral de Fortaleza, Hospital Regional do Norte, em Sobral, e o Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, têm despesas de manutenção anual perto dos R$ 700 milhões.

O ISGH também gerencia outros equipamentos do Estado, inclusive as Unidades de Pronto Atendimento, também absorvedores de volumes expressivos de recursos. Sem quadros técnicos próprios, notadamente os do Interior, são substanciais as despesas com pagamentos de serviços médicos através de Cooperativas, motivando até o questionamento, hoje, se vale apena, realmente, ter pessoal terceirizado ganhando muito além dos salários reais do Estado.

A Região do Jaguaribe carece desse empreendimento, como as demais regiões reclamavam os hospitais já construídos, mesmo que talvez só nas proximidades da campanha de 2022 o Hospital de Limoeiro esteja gerando os frutos daquilo que ontem prometeram à população, enquanto a Região Metropolitana de Fortaleza continua aguardando o Hospital Regional que seria construído, no sistema de Parceria Público Privada, no Município de Maracanaú, para desafogar a rede pública da Capital, inclusive na especialidade da traumatologia.

Amaciamento

A ordem de serviço dada, ontem, para o Consórcio Marquise/Normatel iniciar a construção do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe marca o início da série de eventos políticos envolvendo o governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira (hoje estarão novamente juntos no Cariri), até recentemente adversários, posto estarem rompidos desde 2014, quando disputaram o mesmo cargo de governador do Ceará.

Estão fazendo a chamada “construção” da aliança política, o trabalho de amaciamento do eleitorado para aceitar a aliança, já acertada entre os dois, abençoada pelos primeiros apoiadores de Camilo, que reclamam a tal “construção”, para evitarem maior volume de reações adversas quando tiverem a necessidade de a tornarem pública oficialmente.

Camilo nada precisa dizer quanto à inclusão de Eunício Oliveira em sua chapa majoritária. Se não bastassem as informações circulantes sobre os encontros de ambos em Brasília, com o prefeito Roberto Cláudio ao lado, os dois últimos eventos públicos oficiais com a participação de ambos calam petistas e pedetistas ainda sonhadores de um lugar de candidato ao Senado no esquema governista. O ex-governador Cid Gomes não só tem a outra vaga de candidato ao Senado, como já declarou ser o governador Camilo Santana o condutor das alianças para a sua disputa por um segundo mandato.

O périplo dos dois pelo Interior cearense, sob o argumento de estarem trabalhando juntos para melhorarem a condição de vida dos coestaduanos, reduz o espaço de atuação dos oposicionistas, incapazes, até o momento, de organizarem uma frente para melhores condições adquirirem no momento de enfrentar a chapa governista.

A oposição só contava com Eunício Oliveira, lamentavelmente. Agora está órfã, embora isso não signifique dizer que está incapacitada de reunir forças para reagir, aproveitando-se do desejo de expressivo segmento do eleitorado sempre disposto a votar contra os governantes de plantão. Com o governador em plena campanha, a oposição está deveras atrasada, chegando no início do ano da eleição sem acordo quanto aos seus nomes para enfrentar os governistas já em plena campanha.

09:44 · 26.11.2017 / atualizado às 09:44 · 26.11.2017 por
Ao fazer uma ligação para a sede do Podemos, no Ceará, você será atendido por um assessor do deputado federal. Foto: Fabiane de Paula

Sem sede própria no Ceará,  a executiva estadual do Podemos (antigo PTN) está atendendo a todas as suas demandas partidárias no gabinete do deputado federal Cabo Sabino, em Fortaleza. Se por acaso um filiado, um eleitor ou alguma liderança política quiser falar com um representante da legenda, terá que ligar ou se dirigir até  ao gabinete do parlamentar, que ainda é membro do Partido da República, o PR.

O Diário do Nordeste apurou que, além de funcionar como gabinete do deputado federal, o local atua como sede do novo partido. O Podemos no Estado é comandado pelo ex vice-prefeito de Pacatuba, Paulo Neto, que tem ligações políticas com o deputado federal e com o Governo Camilo Santana, inclusive, quando da convenção partidária do PDT, em outubro passado, com a presença do governador, Paulo foi um dos dirigentes aliados que esteve presente ao evento.